Seu Anjo

4 Capítulo 04


Notas iniciais
Olá pessoas lindas! Preparadas para o capítulo 04? Então,eu estou atrasada 1 semana, devo reconhecer, por isso postarei dois capítulos hoje. ~Motivos de LUTO mesmo amores, espero que entendam :( MAS BOLA PRA FRENTE! Boa Leitura

Pov. Bella

Suavemente, apertei a mão do doutor Jasper. Na verdade, ele não me parecia velho. Quase a minha idade, mas com marcas de expressão e cansaço que por um momento me fizeram ter pena dele.

– Bom... — se ajeitou na cadeira ao meu lado- sei que deve estar confusa, pelo jeito acabou de sair do orfanato. Sabe, eu também me senti assim

– Você é órfão?

– Não exatamente... — ele disse ajeitando o guarda-pó branco- Minha irmã mais nova e eu fomos colocados em um orfanato quando tínhamos 12 e 7 anos. Nossos pais morreram em um acidente de moto.

– Sinto muito...

–Obrigado. Enfim, mas eu ainda tinha minha irmã. Depois que sai do orfanato, foi difícil sustentar-me. Sai primeiro, é claro, e dois anos depois eu busquei minha irmã. Hoje eu tenho 27 e minha irmã, 22 anos. Acabei de terminar com muito esforço minha faculdade de medicina. Faz 8 meses que estou aqui com Rose.- resumiu e eu o olhei admirada

– Nossa, deve ter sido difícil sustentar sua irmã e conciliar seus estudos.

– Um pouco. — disse sorrindo de canto- Mas Rose sempre foi muito compreensiva e me ajuda muito. Ela faz faculdade de advocacia a dois anos e trabalha de atendente em um salão de beleza.

Sorri. Era bom ter alguém conosco quando se precisa. Mesmo com sua história sofrida, Jasper e a irmã eram um exemplo de superação.

– Sei que é confuso no inicio, mas você me parece uma boa menina.

– Obrigado doutor.

– Olha, eu me comovi com sua história. Façamos o seguinte: eu te levo para minha casa e te ajudo a recomeçar. O que acha?

– Faria isso por mim? Uma desconhecida?

Ele sorriu amoroso

– Sabe, se eu tivesse tido esse apoio quando sai, teria sido bem mais fácil. Pode acreditar em mim, eu irei te ajudar no que for.

– x –

A casa de Jasper era simples e aconchegante. Bem familiar. Ficava perto da floresta de Forks e um pouco afastado do centro, cerca de 10 minutos.

Quando cheguei, Jasper fez de tudo para me fazer sentir bem. Havia me dado comida dizendo que eu ainda estava fraca e algumas horas depois, a noite, sua irmã chegou.

Rosalie Hale era uma mulher espetacularmente linda. Tinha cabelos loiros como os de Jasper e olhos azuis também iguais, porem seu porte feminino e altruísta era o que mais a deixava bonita.

Rose, como quis ser chamada, se consolidou com a minha história e ela e Jasper prometeram me ajudar.

– Você não tem sobrenome? Não se lembra da sua mãe materna, pai ou algo do tipo? Nada?- ela perguntou me encarando e eu abaixei a cabeça

– Não. Nada.

– Então você será uma Hale, como nós!- disse de pé, abraçando o irmão que sorria- Não é mesmo Jasper?- O doutor sorriu e eu os olhei, encantada.

– x –

Isabella Marie Hale

Esse era meu nome agora.

O Marie havia saído da ideia de Rose, dizendo que eu tinha cara de Marie. Sorri quando ela disse isso.

Fazia dois meses que eu vivia com os Hale, agora, minha família. Jasper se tornou um irmão mais velho incrível pra mim. Mostrou-me e ensinou coisas que só um verdadeiro irmão faria. Ele era um homem bom e de caráter.

Rose havia também se tornado minha irmã. Foi chorosa, em seus braços que vi minha primeira menstruação, totalmente assustada. É claro que aquilo nunca tinha acontecido comigo. Eu era um anjo, pelo amor de Deus!

Por vezes tentei me comunicar com o céu, mas nada adiantava.

Qual seria o propósito de Deus me transformando em humana? Será que devia ir atrás de Edward?

Não.

Não podia fazer isso.

Edward agora tinha uma companheira. Eu vi o cupido entre eles. Eu vi o beijo.

Não era novidade dormir noites e noites abraçada a Rose, chorando por um beijo em meus pesadelos. Rose e Jazz acreditavam que era algum trauma de infância meu. Mal sabia eles que era um trauma, na verdade, atual.

Um trauma que machucaria minha alma pra sempre.

Hoje, seria o primeiro dia em que eu iria fazer uma entrevista de emprego numa lanchonete. Rose e Jazz insistiram muito sobre esse assunto porem eu não queria ficar dependendo deles. Não com ambos trabalhando arduamente e eu não. Fui irredutível. Se eu era a nova irmã deles, eu devia ajudar, não?

Família era pra isso.

Sorri. Eu tinha uma família agora, como sempre tinha sonhado.

– Você não precisa fazer isso, Bella- dizia Jazz olhando hesitante a entrada da lanchonete, a única que havia ali no centro de Forks.

– Tudo bem, Jazz- beijei seu rosto e ele sorriu- Eu vou ficar bem maninho. — sorri

– Sabe que me preocupo muito com você, não é Bells?- então ele passou a mão pelo meu cabelo- É como uma irmã agora pra mim. Como Rose.

– Eu sei- sorri e ele me abraçou

–Você precisa fazer aulas durante a noite. Farei sua matricula.

– Tudo bem.- beijei seu rosto novamente e abri a porta do carro- Obrigado pela carona!

– Boa sorte, maninha.

Então Jasper se afastou e eu entrei na lanchonete.

A entrevista com a senhora Coope foi fácil e a vaga já era minha, afinal, ela precisava de uma garçonete o mais rápido possível.

Ela me explicou o serviço e logo peguei o jeito, atendendo timidamente algumas mesas.

A minha vida começava agora

– x –

– Jéssica!- eu ri da garota louquinha a minha frente que só falava besteira, me fazendo corar.

– É sério Bella. Mike me pegou de jeito- moveu as sobrancelhas e eu ri

Jéssica Stanley era a avoada garçonete que trabalhava no mesmo turno que eu na lanchonete da senhora Coope. Jéssica era namorada de Mike Newton, o mesmo garoto que a anos atrás queria levar Edward pro mal caminho. Porem, me parecia que o moço havia tomado jeito e ele e Jéssica estavam apaixonados e de casamento marcado para o próximo mês.

– Se eu fosse você, parava de falar e atendia a mesa 04- disse batendo o pano que estava em meu avental na cabeça dela e ambas rimos.

Fazia um mês que eu estava na lanchonete da senhora Coope.

Edward nunca havia vindo aqui. Na verdade, pouco se falava dos Cullens.

Jéssica é claro, me informava de tudo o que acontecia na cidade. Sim, ela era uma fofoqueira de mão cheia, mas mesmo assim eu gostava dela.

Olhei para o relógio: 17h50min

Meu turno terminaria em dez minutos e eu sorri para o relógio, afinal eu precisava ir para a aula de noite e estava verdadeiramente gostando de aprender coisas novas na classe do prof. Medison. Estava distraidamente arrumando o balcão e o caixa quando o som da sineta da porta me fez mirar meu olhar.

E então tudo girou em câmera lenta.

Era ele.

Edward.

Ele entrou e olhou em volta, sorrindo para ela: Victória, sua acompanhante.

Ela levantou um pouco o corpo e lhe deu um selinho nos lábios.

E novamente aquilo que eu tentava esquecer no mais profundo da minha alma me atingiu. Então movido por alguma força ele virou seus olhos pra mim e os arregalou.

O encarei e seus olhos pareciam em pratos de tão grandes de surpresa.

– Amor?- chamou Victória, o puxando pelo braço para sentar, porem ele estava petrificado.

Olhei em volta em busca de ajuda. Talvez Jéssica. Mas ela estava atendendo tranquilamente o senhor da mesa 04. Céus, o que eu faria?

Pensei por um momento.

Eu não podia parar o destino. Eu vi o cúpido. O Maldito cupido que o tirou de mim. Não poderia tirar Edward dos braços de Victória, mesmo que meu coração quisesse isso. Eu deveria seguir em frente, assim como a maioria dos humanos fazem quando tem seus corações arrebentados. Buscando uma coragem desconhecida, fui até a mesa deles.

Edward me olhava petrificado, mesmo depois de sentado. Victória me olhava também, talvez se perguntando por que o namorado me encarava tanto.

– P-Precisam de ajuda?- murmurei a frase que mais falava nesse ultimo mês. Totalmente automática e arfante. Victória olhou o cardápio pensativa e Edward ainda me olhava descaradamente.

O verde de seus olhos me deixava envergonhada e eu corava. Desde que me tornei humana, corar tinha sido uma coisa muito frequente pra mim. Seu olhar parecia querer penetrar a minha pele e eu engoli em seco, olhando para Victória.

– Eu vou querer panquecas e um chocolate quente. E você Eddie?- então ela o encarou e ele, ainda me olhando respondeu.

– O mesmo!- sua voz causou um arrepiou em mim. Uma sensação que nunca tinha tido antes.

Afastei-me meio correndo da mesa deles e chegando arfante na cozinha, deixei o pedido com a senhora Coope.

– Bells, querida, tudo bem?- perguntou a senhora Coope e eu apenas sorri

– Sim, acho que... É só tontura.

– Quer que eu chame seu irmão aqui para vir te buscar? Já esta quase no seu horário- sorriu maternalmente pra mim e eu neguei

– Não, tudo bem, eu vou andando. Obrigado mesmo assim.

– Bells!!- Jéssica cantarolou meu apelido e me olhou. Vendo meu rosto sua expressão mudou. — O que houve?

– Vou pra casa, não me sinto bem. Pode ficar com minhas mesas?

– Claro Bells. Pode ir. Melhoras- me abraçou e eu retribui o afeto.

Fui ao quartinho do fundo, tirei o avental e ajeitei meu cabelo e roupa. Com a respiração pesada, entrei no pequeno banheiro e passei uma água por meu rosto.

Eu tinha que me acalmar. Eu precisava disso. Com respirações fora de ritmo como uma asmática e mãos tremendo, sai do quartinho e me despedi da senhora Coope, prometendo que amanhã de manhã, as oito, eu estaria melhor.

Passei pelo balcão e vi Jéssica atendendo Edward e Victória. Ela me acenou e quando abri a porta, vi que outra pessoa também fazia isso e eu arfei.

Era minha mãe. Renée

Eu sabia que era ela. Seu rosto sempre seria uma lacuna em minha vida.

Ela me olhou por um momento, mas logo passou por mim e se sentou na mesmíssima mesa de Edward e Victória.

– Mãe, você demorou! Eddie e eu já pedimos

Então sai apressada dali, sem olhar pra trás. Sem olhar pra Edward, Renée ou Victória.

Victória... Minha irmã. A mulher que tinha Edward.

– x -

Pov. Edward

Fazia dois meses que eu namorava Victória Dwyer.

Victória era uma boa moça. Assim como eu, ela pensava na faculdade. Apesar de ter ainda 17 anos. Eu queria medicina, e ela, administração. Vic era divertida, é claro e era carinhosa. Porem toda vez que seu corpo tocava o meu, eu não sentia aquela quentura.

Aquela quentura que eu só sentia ao lado dela, a mulher dos meus sonhos.

Sonhos esse que pararam desde que comecei a namorar.

Será que ela realmente existia?

Lembro-me do dia da praça. Ela estava lá. E chorava. Por mim. Por um momento pensei que eu estivesse maluco.

Pensei em ir atrás dela depois disso, porem Vic me prendeu a ela desde que o nosso namoro começou.

Esse era um dos defeitos dela. Ela me queria ao seu lado o tempo todo. Fora o ciúme. Minha mãe não a aprovava muito e meu pai fazia vistas grossas, mais o que eu podia fazer?

Vic sempre se mostrou muito boa pra mim apesar dos pesares. Afinal, todos temos defeitos.

Sua mãe, Renée, era quem realmente me assustava. Ela sempre falava em como eu e sua filha éramos um casal perfeito pra casar e que ela já imaginava a filha casada com um médico. Isso me assustava às vezes. Renée estranhamente sempre falava sobre o futuro da filha quando estava comigo. Não que eu possa a julgar. Eu também faria a mesma coisa se fosse minha filha, entretanto, Vic e eu somos tão jovens... E só tínhamos meses de namoro.

Vic hoje resolveu sair pela cidade. Ela e eu saímos às vezes pelas ruas de Forks para conhecer a cidade, já que ela e a mãe eram de Seattle. Vic murmurava que estava com fome então eu apenas sorri.

– Que tal irmos ali?- apontei para a pequena lanchonete da Senhora Coope.

– Nossa, ainda bem que tem uma lanchonete nesse fim de mundo- riu maldosa e eu a encarei.

– Vic, não fale assim. Esse "fim de mundo" é a cidade que eu nasci e que vivo. Por favor

Ela me olhou arrependida pela minha bronca.

– Ai amor, desculpa. Foi sem querer. É que estou tão acostumada com a grandeza de Seattle...

– Vic...

– Tudo bem, tudo bem. Eu entendi. — ela parou, ainda com as mãos entrelaçadas a minha- Não estou triste porque você não quer sair daqui. Afinal, eu vou viver aqui de agora em diante. — mostrou-me um sorriso branco perfeito, porem não parecia tão contente

– Vai?

– Claro amor!- me deu um beijo e logo olhou em meus olhos- Não cairia bem a esposa do futuro doutor Edward Cullen odiar a cidade- gargalhou e eu a olhei surpreso.

– Vic, você nem fez 18 ainda. Não precisamos pensar em casamento agora.

– Pois eu penso. Você é o homem da minha vida, Edward. Logo que se passar esses dois meses e eu completar 18, vamos noivar e logo nos casamos.

– Por que essa pressa?- então ela escorregou as mãos por meu tórax sensualmente e mordeu os lábios.

– Porque te desejo- então se aproximou do meu ouvido e mordeu o lóbulo me fazendo fechar os olhos com o carinho.- E logo quero estar com você... Intimamente.

Quando ela falou isso logo me veio a mente a mulher dos meus sonhos, então me separei, como se tivesse levado um choque.

– Vic, melhor irmos logo a lanchonete.

– Claro, vamos.

Andamos mais meio quarteirão e logo entramos. Victória falava alguma coisa sobre o cheiro de panquecas e eu sorria para sua animação, ganhando um selinho. Mas qual não foi minha surpresa ao ver olhos chocolates me encarando com a mesmíssima dor que eu me lembrava daquela noite. Era ela, ali, na lanchonete.

Notas finais
Críticas? Elogios? >Mandem Reviews Beijoooos