Setevidas

18 A tribo dos leões - Atravessando o deserto.


Quando eu decidi arcar com as responsabilidades de ser anteposto, não sabia o tamanho do poder que estavam nas minhas mãos. Entrar em uma dimensão paralela para salvar a vida do meu guia, não estava nos meus planos, que pra mim era só capturar as doze cartas mágicas, e ponto.

— Se eu não conseguir voltar... — Pergunto para Bryan — O que irá acontecer com as cartas que irão se revelar?

— Elas irão perambular pelo planeta, sem rumo e direção. Apenas trazendo o caos.

Engulo em seco. — Eu estou disposto a ir para sua tribo. Não importa o que aconteça. — Digo tentando demonstrar confiança.

— Tudo bem, então. — Bryan diz pedindo minhas mãos.

— Espera! — Um menino grita retirando nossa atenção.

— Lupin?!

— Eu também vou com vocês. — Ele diz se aproximando. Pelo visto, ele ainda sente um pouco de raiva de mim, mas foi maduro o suficiente para me dar a mão junto à Bryan para nos transportar para a tribo dos leões.

Olho para o chão e sinto meus pés perderem o solo na medida em que nossas mãos se apertam cada vez mais forte.

— Fechem os olhos. — Bryan diz. — E não abra até chegarmos.

— E como eu vou saber se chegamos? — Pergunto indeciso.

— Eu irei avisar. — O ruivo diz naturalmente. — Agora feche! — Ele ordena e eu obedeço. — Caso abrirem seus olhos durante a passagem dimensional, vocês podem ser sugados para o vazio.

— Aiiiiiiin. — Grunhi assustado. — E o que tem nesse vazio?

— Nada.

— E isso é ruim? — Lupin pergunta.

— É. — Bryan diz. — Há lendas dizendo que o vazio e as trevas se tornaram um só. Quem se perde no vazio, nunca mais consegue voltar.

— Nossa. — Digo sentindo meus pés afundarem em terra firme.

— Chegamos. — Bryan diz.

Lupin e eu abrimos os olhos no mesmo instante.

O sol está radiante. Não há sinal de nuvens no céu. Estranho por um momento essa passagem rápida de tempo. Enquanto na Terra é noite, aqui é dia.

Estamos em um deserto, ou ao menos se parece. Há rochas enormes por quase toda parte do deserto. Um pouco à nossa frente há uma espécie de vilarejo, onde é cercado por vários guardas com lanças enormes nas mãos. O lugar tem um aspecto árabe, pois ao longe percebo as vestimentas da população que lá habitam. As pessoas carregam nas costas um caixote enorme quase com o dobro de seu tamanho, enquanto as mulheres carregam jarras detalhadamente coloridas em sua cabeça. As crianças correm de um lado para o outro brincando de pega-pega enquanto outras em forma de pequenos filhotes de leões correm alegremente pelas ruas. Todos com cabelos vermelhos ou laranja. Deve ser assim que essa tribo se diferencia das demais. Todos são ruivos.

Sorri ao olhar para Bryan.

Alí, todos são híbridos e vivem da maneira que querem. São felizes, mas ao mesmo tempo percebo que há um ar de insegurança que roda por aquela tribo. Hesito com o olhar por um instante. Aquele povoado parece tão primitivo e fraco ao mesmo tempo, que nem se parecem com uma das tribos mais fortes das doze.

— Lar doce lar. — Suspira Bryan com um ar de tédio.

— Sua tribo é bem diferente da nossa. — Lupin diz admirado.

— É. Eu sei. — Bryan sorri. — Agora vamos caminhando. Para chegarmos à tribo das águias temos que atravessar o deserto.

— Nós não iremos entrar? — Pergunto desanimado. — Eu queria tanto conhecer a sua tribo.

Bryan puxa meu braço e o de Lupin. — Não temos tempo pra isso. Você só pode ficar vinte e quatro horas nessa dimensão e até acharmos as asas do desejo nós...

— Ta, ta. — Cedo aceitando por fim a decisão do garoto.

Ando sob o sol ardente dessa manhã.

Areias começam a incomodar meus pés e o meu pijama já está começando a ficar grudento por causa do suor. Não consigo mais andar. Estamos caminhando em linha reta por horas e meus pés pedem descanso.

Ajoelho-me na areia e observo as infinitas rochas que não terminam nem no horizonte.

— EU... NÃO... AGUENTO... MAIS. — Digo tentando encontrar forças para respirar. — Estou morrendo de cansaço e cede.

— Tem razão. E se continuarmos a andar com esses passos, nunca chegaremos à tribo das águias a tempo.

— E o que faremos? — Lupin pergunta desanimado.

— Primeiro: Nash use a carta dos elementos para que possa nos fornecer água.

Aé, a carta o mago podia tirar minha cede o tempo todo.

— Carta criada pelo mago Shat... — Digo retirando a carta do bolso do pijama e jogando-a pra cima. — Eu Nash, ordeno que apresente sua forma submissa e atenda aos desejos que pede o meu coração. ÁGUA! — Berro e num piscar de olhos na nossa frente, uma luz emerge e parece brotar do chão. A carta não para de rodopiar no alto, brilhando fortemente enquanto eu sinto minhas forças sendo sugada aos poucos. A luz vai desaparecendo, e na nossa frente surge um pequeno lago.

— Uau. — Admira Bryan.

A carta para e cai serenamente na areia. Pego-a de volta completamente cansado e ando me rastejando até o lago.

— Tá tudo bem? — Lupin pergunta se sentando do meu lado para beber a água.

— Tá. — Sorri desconfortavelmente. — Eu acho que abusei de mais da magia.

— É... — Lupin diz se afastando.

— Metamorphose. — Grita Bryan se transformando em leão. Ele se aproxima e bebe a água por alguns instantes demorados.

Acho que ele vai secar o lago. — Penso.

Ele para e diz: — Subam.

Monto nas costas de Bryan junto com Lupin e ele segue viajem à frente. Desta vez correndo. Sinto o vento bater contra o meu rosto, e se tivesse forças iria sugerir que atravessássemos o deserto voando, mas como estou cansado. Apenas me acomodo nas suas costas e pego no sono.

Eu não consegui dormir está noite.

Lupin me balança na tentativa de me acordar. Estou deitado na areia e com ambos me olhando.

— O que houve? — Pergunto cambaleando ao levantar.

— Você dormiu a viagem toda. — Bryan responde na forma híbrida.

— Chegamos? — Pergunto ainda meio tonto.

— Mais ou menos. — Bryan diz inseguro. — Ao atravessar aquele arco de rochas, estaremos na tribo das águias.

— E o que estamos esperando?

— Não é assim tão simples Nathan. — O ruivo diz pensativo. — Estaremos em zona desconhecida e se não soubermos como agir mediante aos fatos, nós seremos...

— O fato é que Lucas está preso e eu só tenho uma esperança para salvá-lo. O que quer que aconteça... — Pauso para bocejar —... Nós iremos salvá-lo.

Lupin sorri.

— Estão prontos? — Pergunto. Lupin balança a cabeça concordando, mas Bryan hesita e eu ignoro. — Vamos.

Uma força transparente que mais se parece com um espelho, pois reflete todo o deserto, cobre o arco impedindo a visão do que há atrás.

Coloco minhas mãos primeiro e logo em um impulso atravesso o corpo todo.

Ao atravessar, começo a cair sem parar e ao olhar pra cima, percebo que o arco da tribo das águias esta preso no céu.

Vejo Bryan e Lupin caírem juntos.

Notas finais
Oiie pessoal :3 Bem, aqui está mais um capítulo de SETEVIDAS e esperam que vocês estejam gostando, pois ainda virá muitas aventuras ainda pela frente. O que será que acontecerá com Nash? TÃTÃRÃRÃTÃTÃ :D No próximo capítulo aparecerá uma personagem nova. Espero que acompanhem e comentem o que estão achando. Bjus mil :3