Setevidas

11 A aura de um segredo


O ar está meio pesado.

Lucas e Lupin não conseguem para de fitar a menina que olha atentamente para eles. Ambos estão espantados, o que não é de se esperar. Afinal... Como eles se transformaram sem dizer as palavras mágicas ou sei lá o que, que eles sempre fazem?

Olho sem reação para a cara da menina.

— Éeer... Bem.... É meio confuso tudo isso, e bem... fora de lógica, mas Clarinha, eu preciso que você não se assuste e me escute tudo bem? — Digo esperando uma resposta da menina, mas ela só balança a cabeça não retirando os olhos dos meninos.

— Deixa que eu explico. — Lucas disse se aproximando fazendo a garotinha se esconder atrás de mim.

— Não precisa ter medo. — Digo agachando numa tentativa falha de ficar no seu tamanho. — O Lucas é um gatinho do bem... Ou melhor, mocinho.

Clara olha pro garoto e depois fita meus olhos.

— Nós somos criaturas de tribos mágicas que estamos aqui para embarcar numa aventura em buscas de amuletos mágicos para vencer o mal que ameaça o planeta. — Lucas verbaliza de forma retardada como se a garota tivesse quatro anos de idade.

— Eu sei que pode parecer estranho, mas eles estão aqui para me ajudar a proteger a cidade de seres ruins. — Digo.

A menina aos poucos sai de perto de mim e se aproxima de Lucas.

O garoto se abaixa e Clarinha começa a acariciar seus cabelos passando as mãozinhas levemente em suas orelhas de gato.

— Viu. — O menino sussurra sorrindo. — Não precisa ter medo.

Lupin se aproxima da garota que deposita um beijo no seu rosto. O menor cora e eu também um pouco constrangido com aquela cena.

— Agora que já está tudo esclarecido. — Lucas diz pegando a garotinha no colo. — Eu ainda quero entender o porquê nos transformamos sem recitar as palavras de encanto?

— Talvez a Clara seja um ser mágico. — Lupin responde.

— Como assim? — Pergunto.

— Todas as crianças trazem consigo uma pureza na aura. Como nossas magias vem da aura, talvez ao entrarmos em contato com ela, nos transformamos involuntariamente.

— Isso significa que sempre que vocês chegarem perto de uma criança isso vai acontecer?

— Não. — Lupin responde. — Nem todas as crianças tem o domínio sobre sua aura. A não ser o anteposto.

— Eu não sou criança. — Retruco indignado com o comentário.

— Mas é puro! — Lupin diz rapidamente tentando amenizar meu estado.

— Ok. — Lucas diz — Mas se a Clara realmente tiver controle de sua aura, isso quer dizer que...

— AS CARTAS PODEM ACHAR QUE ELA É O ANTEPOSTO. — berro assustado.

— Ooops. — Lupin diz sentando na cama.

— O que faremos agora? — Pergunto assustado.

— Só nos resta esperar o ataque e tentar protege-la. — Lucas diz segurando firmemente a garota. — Agora teremos que ter uma atenção dobrada.

— Você tem razão. — Digo por fim.

Depois de várias horas conversando e vendo Lupin e Clara brincarem de tudo quanto é brincadeira no quarto. Eu e a pequena descemos para comer algo e levar para os garotos também. A tarde demorou, mas logo apareceu. O crepúsculo em fitas avermelhadas que rasgam o céu iluminam meu quarto. Enquanto Lupin e Clarinha estão jogando xadrez, Lucas e eu conversamos sobre diversos assuntos sentados de frente para a janela. O clima está calmo, mas arrisco e decido perguntar: — Lucas? — Chamo fazendo o garoto retirar sua atenção da janela para meus olhos. — Como você gastou as suas quatro vidas?

...(Lucas POV)...

Aquele pergunta me pegou como uma flecha atingindo o seu alvo. Eu não quero mentir, mas ao mesmo tempo não posso contar toda a verdade. — Eu não posso contar ainda. — Digo fazendo o garoto ficar calado. O silêncio que antes era bom, agora incomoda.

— Mas você me conhecia antes não é? Eu fazia parte dessas vidas né? — Ele pergunta fazendo os meus olhos caírem em uma distância lembrança.

Naquele dia chovia sem parar. Os galhos de árvore batiam freneticamente nas janelas fazendo um som assustador. Mas Nash não tinha medo. Eu estava assustado, mas não queria demostrar isso. Afinal, eu era o seu guia.

— Alí. — Digo apontando.

— É aquela janela? — Ele pergunta referindo-se a janela do castelo que brilhava intensamente.

— Sim. Está pronto? — Pergunto, mas o menino não responde. Nash corre apressadamente para a janela e salta de lá.

Pulo logo atrás dele e ao flutuar com dificuldade o menino retira duas cartas do bolso e lança para cima.

— Fogo que ilumina a escuridão de um lugar obscuro e Sol que incendeia com as suas chamas de vitalidade pela manhã. Ofereça seus poderes ao peregrino Nathanael e destruam as correntes do mal que aprisionam este castelo. — Ele disse usando as habilidades das cartas.

“Como ele conseguia conjugar duas cartas sem ao menos se cansar?” Um enorme estrondo surgiu e um raio atingiu a torre do castelo demolindo o lugar. Os tijolos caíram e rapidamente Nash retirou sua auréola e mirou contra as ruínas que sobraram. — A SETE CHAVES EU SELO A SUA AURA. — Ele gritou sugando o amuleto e transformando-o em carta.

Não demorou para ele cair.

—AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHH!

Por sorte, salto e consigo agarrar o menino ainda no ar.

— Será que dá pra você parar de usar duas cartas ao mesmo tempo? — Resmunguei. — Só as habilidades do elemento fogo já bastavam para destruir a janela.

— Foi mal. — Ele disse. — É que um dia, eu quero dominar os meus poderes de anteposto igualzinho à Shat e quem sabe eu não serei um grande mago criador de amuletos? — Ele verbalizou sorrindo ao sair de meus braços.

— Você precisa de muito treinamento ainda Nathan, e não sabe os perigos que estão por vir.

— Com essa eu já selei sete cartas Lucas, só faltam apenas seis. — Ele disse me mostrando à carta que acabou de selar.

— Mesmo assim seus poderes tem falha. — Falei — Você podia ter se machucado feio ao cair de lá de cima.

O menino sorriu e se aproximou me agarrando pela cintura. — Mas você me salvou. — Ele sussurrou. — E por mais que eu não tenha aprendido a voar e meus poderes ainda serem fracos. Eu ainda tenho você do meu lado. E é isso que importa.

Ele me beijou profundamente segurando meu rosto.

Ao nos afastarmos ele apenas disse: — Eu prometi selar essas cartas. E eu vou cumprir... pelo futuro das tribos e porque eu te amo.

Naquele momento não me importei com a chuva, cartas, ameaças ou tribos. Apenas queria sentir aquele momento. Agarrei-o novamente e voltamos a nos beijar... Agarrados sentindo a chuva molhar nossos corpos.

— Lucas? — Nash diz cortando meus pensamentos. — Você não me respondeu. Conhecíamos-nos né?

— Sim. — Sussurro sorrindo olhando para o crepúsculo. — Éramos mais amigos do que você pode imaginar.

Notas finais
Oieeee pessoal :3 Aqui está mais um capítulo. No próximo... Quem gosta de circo? O problema é que alguém tem medo de palhaços, e será que esse medo é realmente necessário? #Comentem o que estão achando. ~Bjus e até o próximo capítulo.