Sete Dias
6 Sexto dia
– Bom dia filha. – Disse a mãe de Mary quando a mesma entrou na cozinha.
– Bom dia mãe.
A voz de Mary entregava que ela estava cansada. A história de Jeff durou muito mais tempo que o normal e ela não conseguiu dormir direito após ele ir embora. Ela tivera pesadelo com a família de Jeff. Ela via os corpos da família dele e Jeff estirados no chão toda vez que fechava os olhos. Aquilo a perturbava demais!
– O que houve filha? Está se sentindo bem?
– Sim, estou bem. Só estou um pouco cansada.
– Por quê?
– Não consegui dormir. Tive pesadelo toda vez que fechava os olhos.
– Oh. Mas você ainda quer ir à escola? Não acha melhor ficar em casa e descansar?
– É uma proposta muito tentadora – Mary deu um riso cansado enquanto brincava com o cereal em sua tigela -, mas eu não posso. Falta apenas uma semana para as provas e faltar à aula seria como de eu faltasse o ano inteiro praticamente.
– Entendo. Gosto de ver como você é esforçada para tirar boas notas, mas acho que ir à escola nesse estado seria a mesma coisa que ficar em casa. Você não conseguiria prestar atenção na aula e nada aprenderia. Então, em minha opinião, é melhor você faltar hoje.
– Você pode até ter razão mãe, mas e meus trabalhos, tanto de aula quanto de casa?
A mãe de Mary deu de ombros.
– Você pode pedir para algum colega.
– Mãe, você sabe muito bem que eu não tenho muitos colegas naquela escola e os que tenho não são da minha sala, graças à diretora.
– É verdade, tinha me esquecido. Mas se for este o caso, eu posso pedir cópias das matérias para os professores. Eles abem que você é uma ótima aluna e com certeza vão ajudar de bom grado. Então, você fica em casa hoje?
Mary suspirou derrotada. Não havia argumentos contra o que sua mãe disse e ela estava mesmo querendo matar aula hoje, pois sentia que não conseguiria prestar atenção às matérias.
– Fico sim. E obrigado mãe.
– De nada. Agora vai deitar, deixe essa louça comigo, levarei quando voltar da escola mais tarde. – Ela levantou-se da cadeira e deu um beijo no alto da cabeça de Mary. – Vou terminar de me arrumar e vou trabalhar.
– Tudo bem. – Mary bocejou. – Tchau mãe.
Mary levantou-se de sua cadeira também e foi se arrastando até seu quarto. Tirou seu uniforme e deitou-se, pegando no sono logo depois.
Sua mãe, após arrumar-se, foi até o quarto da filha para ver como ela estava. Chegou perto da cama e sentou-se no pufe ao lado da mesma, acariciando o rosto de Mary e sorriu ternamente. Ela amava tanto a filha que seria capaz de morrer por ela se fosse preciso. Todo o amor que ela não recebeu de sua mãe, ela estava dando agora em dobro para sua filha. Atenção, carinho, amor, compreensão, amizade e conforto eram essenciais na convivência delas. Mas teve um período em que Mary se achava distante dela, fria e dura com gestos e palavras que faziam sua mãe sentir-se triste. No entanto, esse período havia passado misteriosamente, para a alegria dela, e ela começava a sentir que estava tendo sua filha de volta.
Ela olhou em volta do quarto e viu que o caderno de anotações de Mary estava aberto em cima da pequena escrivaninha. Levantou-se e andou até poder pegá-lo. Pôs o caderno embaixo do abajur para poder ler melhor e viu as estranhas anotações da filha.
– Mas o que é isso? – Indagou-se ela – “Uma antítese seria dizer que eu odeio o modo como amo você; Seria uma hipérbole admitir que morro de amores apenas por ti; A prosopopeia ocorre quando meu coração opta por estar ao seu lado, meus dedos suplicam por tocar sua pele, meu corpo anseia por você; A catacrese consiste em pensar apenas em como seria se eu fosse uma estrela e habitasse o céu da sua boca; E enfim, uma metáfora ao afirmar que sua pele é tão branca e fascinante quanto à superfície da Lua.”
Ela leu e releu o texto mais algumas vezes, pensou e finalmente sorriu.
– Então é a isso que se deve a mudança de minha filha… Ela está apaixonada! – Riu – Isso é tão fofo.
Ela deixou o caderno em cima da escrivaninha, como estava antes, e saiu do quarto. Logo depois indo trabalhar.
[…]
Mary acordou, olhou ao redor e percebeu que seu quarto estava mais escuro que antes. Olhou para a cortina: Não havia luz lá fora.
“São quantas horas?” pensou.
Olhou no relógio digital e constatou que eram sete horas da noite.
– Sete horas? – Exclamou ela.
Levantou-se rapidamente, com o coração batendo rapidamente e saiu do quarto.
– Meu Deus! Eu dormi tanto!
– Que bom, não é? – A mãe de Mary disse assim que viu Mary entrar na sala. – Como está se sentindo?
Mary suspirou.
– Bem melhor. Acho que nem vou conseguir dormir esta noite.
A mãe dela riu.
– Eu peguei a matéria de hoje. Os professores ficaram preocupados com você, mas eu os tranquilizei.
– Obrigado mãe.
Mary pegou as folhas em cima da mesa e se encaminhou para o corredor.
– Filha, eu estava vendo seu caderno de anotações hoje e vi que havia uma anotação um tanto… diferente.
– Diferente? – Mary virou-se para ela.
– Aquele em que você escreve como se estivesse apaixonada. Você… está?
– N-não.
– Não minta para mim Mary, pois você sabe muito bem que não consegue. E além do mais, o que tem de errado em estar apaixonada? Ele corresponde a este sentimento? É a isso que se deve sua mudança de humor na última semana?
– Um pergunta de cada vez mãe.
– Ele corresponde?
– Sim.
Mary sorriu e sentou-se ao lado de sua mãe no sofá.
– É por isso que você mudou tanto?
– Não sei.
Sua mãe ficou em silêncio por alguns instantes.
– Por que não me falou dele?
– Por que… não sei.
– Não me diga que ele tem envolvimento com drogas.
– O que? Não! Ele não se envolve com drogas.
Sua mãe suspirou.
– Quando é que poderemos conhecê-lo?
O coração de Mary batia ta rápido quanto às asas de um beija-flor.
– N-não sei. — Então ela virou o rosto e sussurrou – Talvez nunca.
– O que você disse minha querida?
– Oh! Nada mãe. Eu… eu vou para meu quarto. – Levantou as folhas que estavam em sua mão e balançou. – Tenho que copiar algumas coisas.
Levantou-se e correu para seu quarto. Olhou em volta, indo até a escrivaninha para pôr os papéis lá em cima, quando viu seu caderno de anotações.
– “Seria uma hipérbole admitir que morro de amores apenas por ti.”
Soltou um riso e passou os dedos na folha.
– Tem que admitir: Ficou bom!
Então rindo, foi até sua porta e girou a chave, trancando-se e sentindo a privacidade daquele cômodo. Andou de volta até a escrivaninha, sentou-se na cadeira giratória e pôs-se a copiar suas matérias perdidas.
Algumas horas mais tarde, Jeff apareceu em seu quarto, como sempre, mas em sua expressão havia algo diferente para Mary.
– O que houve Jeff?
Ele sentou-se na cadeira da escrivaninha e relaxou um pouco.
– Seu pai.
– O que tem ele?
– Ele quase me viu agora há pouco.
Mary Anne gelou na cama. Não sabia como reagir.
– Calma. – Jeff tranquilizou-a. – Eu disse quase, não disse que ele me viu.
Agora foi Mary quem relaxou e sorriu.
Jeff pegou o caderno de anotações dela e abriu, folheando as páginas.
– Letra elegante a sua.
– O-obrigado. No entanto, eu acho um garrancho.
– Garrancho? É porque você ainda não viu a minha.
Riram.
– Texto bonito que você fez. Está apaixonada por alguém? – Brincou ele.
– Não sei. Talvez. Quem sabe?
– E quem seria se por um acaso, você estivesse mesmo apaixonada?
Mary levantou-se sorrindo e andou devagar até Jeff.
– Hum… Quem seria? Acho que um garoto com um sorriso enorme sempre estampado no rosto; Os olhos grandes e negros; Cabelo até a altura dos ombros e… Um menino mau.
– Menino mau?
– É… Como… Você, por exemplo.
Mary sentou-se no colo de Jeff com as pernas dos dois lados de seu corpo, apoiando suas pequenas e macias mãos em seus ombros.
– Quer dizer que eu sou um menino mau?
Mary beijou lentamente seu pescoço.
– Mau. Muito mau. – Beijou seu maxilar. – E você merecer um castigo por ser tão mau.
Ela olhou para ele com um sorriso malicioso.
– Castigo? Acho que eu sou mesmo um menino muito mau e mereço um castigo.
Jeff pegou Mary nos braços e levou-a para cama, sem desgrudar seus lábios do dela.
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