Será Verdade?
18 Quer ir ao baile comigo?
Notas iniciais
– Eu sou uma idiota! — grita Magali ao telefone
– Calma aí, mulher! — responde Mônica ao telefone — Não é o fim do mundo!
– Como eu pude achar que depois de toda aquela... Fantasia! — diz Magali irritada — Isso iria vir a se tornar uma coisa real?!
– E se tornou sua besta, é só olhar em volta de você! — diz Mônica — Pelo amor de Deus, foi só um abraço!
– Tá na cara que eles se reconciliaram, Mônica! — diz Magali — E ainda por cima, ele nem teve a cara de pau de me dizer isso, mas não, eu tive que ir na casa dele dar uma de maluca!
Mônica começa a rir ao telefone, Magali se sente ofendida pela sua amiga estar achando graça num momento sério como aquele e não entende o motivo.
– Posso saber o que é engraçado?! — pergunta a comilona ainda irritada
– Você fica hilária quando está com ciúme... — diz Mônica
– C-Ciúme?! — diz Magali avermelhada — Eu não tenho ciúme!
– Tudo bem... — diz Mônica virando os olhos — Mas olha, não deixa uma besteira separar vocês dois, aquilo foi real e você sabe muito bem! A noite de ontem está aí pra provar!
– Mônica! — diz Magali mais vermelha ainda
A garota ri novamente e se despede ao telefone. Ao desligar, Magali se joga em sua cama e fica pensando no que sua amiga dentuça disse, realmente poderia ser coisa da sua cabeça e talvez até mesmo ciúme. Ela para por um instante e fixa o seu olhar na rosa amarela que ganhou do garoto, foi naquele momento que o seu celular começou a vibrar e ela atendeu sem ver quem era.
– Alô?
– Magali?
– Q-Quim... — diz ela surpresa — É você mesmo que está me ligando?
– É, eu só queria saber como você está... — diz Quim — Já faz um tempo que a gente não se fala, não é?
– Pois é, e como vão as coisas? — pergunta Magali
– Ah, tudo bem — diz Quim — O que acha de vir aqui na padaria conversar?
– O-O que? — diz ela sem entender
– Não quer vir aqui na padaria, e conversar melhor? — repete Quim
Magali fica pensativa por alguns segundos, mas acaba tomando sua decisão e pega suas coisas para se encontrar com o ex-namorado na padaria, afinal, era só uma conversa. Ora, se a Cascuda podia, por que ela não?
Enquanto isso, Mônica navega na internet quando sua mãe grita seu nome na sala. Ela pergunta o que tinha acontecido, e como resposta, Dona Luísa entrega uma carta a garota. No início a dentuça fica curiosa, já que ela nunca havia recebido uma carta além de papai noel quando era criança, então como não era natal, logo vai ver quem era o remetente, mas em seu nome estava apenas escrito: "Admirador Secreto"
Assim, a garota abre e lê a carta:
"Eu sou um bobo apaixonado com medo de me declarar
Quero passar o resto da minha vida com você
Pois você é a pessoa mais carinhosa e linda do universo
Ass: Seu Admirador Secreto"
Mônica se encanta com aquelas palavras e logo se põe a pensar, quem seria seu precioso admirador secreto?
Naquele instante, longe dai, Magali caminhava nas ruas do limoeiro até a padaria de seu ex-namorado. Aquilo a fazia pensar, o que exatamente ele queria com e ela e porque queria a vê-la, ela chegou a pensar na possibilidade de ter dado errado com a Cascuda, mas lembrou que Quim não era assim, talvez, só quisesse companhia. Foi naquele momento que alguém puxou a garota pelo braço.
– Aonde está indo? — pergunta Cascão curioso
– Agora é interrogatório? — pergunta Magali — Porque eu diria?
– Você é minha namorada, e eu quero saber! — diz Cascão de braços cruzados
– Mal tivemos uma relação direita e você já começa com o lado controlador? — diz Magali aos risos — Não torne isso mais cômico, por favor!
– Qual é, Magá... — diz Cascão num tom preocupado — Eu sei que você está magoada comigo e eu estou tentando consertar as coisas, mas você não me escuta!
– Quer saber de uma coisa? — diz Magali num tom alto e sério — Eu fiquei magoada mesmo Cascão, na noite passada eu não transei com você pra ser feita de palhaça no dia seguinte!
As pessoas que passavam do lado deles podia ouvir a discussão do casal, e no mesmo momento ficavam constrangidas, algumas fofocavam e outras até riam. Cascão começou a se sentir incomodado.
– Magali... — diz Cascão avermelhado — Está todo mundo ouvindo!
– Que se dane se todos estão ouvindo! — continuava ela — E eu também cansei de discutir e extravazar a minha raiva, eu vou até onde estava indo, me encontrar com o Quim!
– Como é que é?! — diz Cascão surpreso — Como assim você vai se encontrar com ele?!
– Ué, ele me ligou e queria conversar... — diz Magali — Não foi assim com a Cascuda, sem noção?
– Peraí, e você acha que um encontro com ele é mais importante do que nos resolvermos? — diz Cascão irritado — É mais importante do que eu?!
– E a Cascuda, ela é mais importante do que eu? — pergunta Magali irritada
– Chega Magali! — diz Cascão de cara feia — Vai lá se encontrar com o Quinzinho!
– Eu vou mesmo, e eu acho melhor você ir falar com a sua namorada! — grita Magali — Aquela que era de verdade, não é?!
Cansado daquela discussão e aflito por aquilo piorar, Cascão acha melhor ir embora dali e voltar para a sua casa. Magali continua a caminhar para a padaria de Quim, só que agora com lágrimas em seus olhos.
Ao chegar a padaria, o ex-namorado logo percebe as lágrimas nos olhos da comilona. Ele fica preocupado e logo pergunta:
– O que houve, tá chorando?
– O que... Não! — diz Magali passando a mão em seus olhos — Entrou um cisco no meu olho...
Ele sabia muito bem que não era, mas também não fez a garota insistir. Quim leva a garota para se sentar em uma das mesas e apenas muda de assunto para quebrar o gelo. Eles ficam conversando por um bom tempo sobre coisas comuns, e sempre tentando evitar de falar sobre os relacionamentos. Magali já estava até se sentindo melhor a aquela altura, por que tinha deixado de lado um pouco a discussão com Cascão, até que o garoto entrar em um assunto que a fez lembrar.
– Então... Já tem par pro baile de fim de ano? — pergunta ele
– Ah Quim, nem sei se vou ao baile... — diz Magali desanimada — Tem tanta coisa acontecendo e...
– O que acha de ir comigo? — interrompe ele
Ela não pode deixar de expressar sua surpresa, depois de tudo o que aconteceu, ele querer convida-la para o baile aquela altura era realmente inesperado.
– C-Com você? — diz Magali ainda surpresa — Mas, e a Cascuda?
– Ela não vai poder ir, mas eu não estou tentando te forçar a nada — explica Quim — Só queria que fossemos, pelo ou menos, como amigos! E melhorar as coisas entre a gente!
– Ah, claro — diz Magali — Mas eu acho que vou ter que pensar...
– Como quiser, bem... — diz Quim se levantando — Preciso voltar para o serviço, sabe onde me encontrar.
– Tudo bem, também preciso ir! — diz Magali também se levantando — Obrigada por me chamar até aqui, valeu a pena conversar com você!
Quim sorri para ela e se despede, assim, Magali acena para ele e sai da padaria. Ao invés de retornar para a sua casa, a garota decide caminhar um pouco e pensar em todas as coisas de ruim que aconteceram naquele dia.
Além de se sentir traída, agora seu ex-namorado estava a chamando para o baile, que legal. Era tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que ela já nem sabia mais como iria achar uma solução, então, ela decide ir até o parque do limoeiro e se sentar em um dos bancos para relaxar um pouco. Então, no meio do caminho ela avistou a árvore onde ela havia se escondido quando fugiu de casa.
Magali riu ao se lembrar de sua fuga, aquilo tinha sido a coisa mais impulsiva que tinha feito antes. Mas é claro que ela teve uma sorte enorme, ela tinha amigos que se preocupavam com ela e também, tinha aquele sem noção que havia subido na árvore para conversar com ela.
Depois de mais e mais lembranças, ela começa a perceber que havia cometido um erro bobo.
– Ai, o que eu fiz... — diz Magali para si mesma — Eu preciso me desculpar!
A garota já ia dar meia volta quando avista Cascão cabisbaixo em outro banco do parque. Ela sorri ao ver que ele estava lá, e decide ir falar com ele, mas por pura ironia do destino, Cascuda apareceu e ainda com dois sorvetes, provavelmente ela já estava ali antes.
Mas Magali não hesitou tentando passar despercebido e se esconder para que pudesse escutar a conversa dos dois, assim, ela se esconde atrás de uma árvore não tão próxima, mas que desse para ouvir tudo o que eles falavam.
– Trouxe o seu favorito — diz Cascuda, entregando para ele o picolé de manga
– Obrigado... — diz Cascão desanimado — Mas você sabe que não precisava, não é?
– Ah, Cas... — diz Cascuda com um sorriso — Eu só queria te ver animado, fiquei feliz por termos nos encontrado aqui!
– Pois é... — diz Cascão sem graça — Até que foi legal, pelo ou menos, ficar acompanhado aqui foi bem melhor do que ficar sozinho e...
– Quer ir ao baile comigo? — interrompe Cascuda
Ambos, Magali e Cascão, ficam estáticos com a pergunta. Atrás da arvore, Magali cruzava os dedos para que a resposta fosse negativa, e enquanto Cascão, esse não sabia o que responder, já que não queria ser grosseiro com Cascuda, então ele disse:
– Eu posso pensar?
– Ahm... Claro! — diz Cascuda animada, para ela aquela resposta já era um grande avanço
– Desculpa se isso te deixou chateada, mas eu realmente... — diz Cascão ainda tentando se desculpar com ela
Naquele instante, Cascuda o surpreende dando um selinho nele. E antes que Cascão pudesse falar alguma coisa, a garota fala:
– Sem problemas, pra mim foi ótimo!
A loira se levanta e se despede do ex-namorado, ela volta para a sua casa como se estivesse numa nuvem, afinal, o destino poderia juntá-los de novo. Cascão vai pra casa depois de alguns minutos e Magali... Bem, ela fica um bom tempo lá até o final do dia, vendo e revendo em sua mente o que acabara de acontecer ali, foi naquele instante que lágrimas começaram a cair constantemente dos seus olhos, e então, ela finalmente se levanta e toma uma decisão.
Quim já estava se preparando para fechar a padaria quando notou que mais alguém tinha entrado, então ele vira e fala:
– Desculpe, mas nós já vamos... Magali?!
– Oi, Quim... — diz Magali num tom desanimado
– Aconteceu alguma coisa? — pergunta Quim ao perceber que ela estava estranha
– Eu me decidi... — diz Magali, agora num tom sério
Ele logo fica surpreso ao ouvir aquilo, então ela continua:
– Quim... — diz a garota — Eu vou ao baile com você!
Continua...
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