Notas iniciais
*Reeditado: 04/10/14

– Quem mais poderia ser? — pergunta Cascuda com um olhar sério — Estou começando a achar que vocês estão seguindo a gente!

– Até parece! — diz Magali de cara feia — O mundo não gira ao seu redor não! Também temos o direito de ir ao cinema, Maria Cascuda.

Ainda enfurecida, a garota não grita e é bem direta ao casal:

– Fiquem fora do nosso caminho! Estão avisados!

Cascuda puxa Quim pelo braço e sai de perto deles, Magali se sente ofendida e com raiva, então faz o mesmo com Cascão.

– É cada uma! — diz Magali de cara feia — Bem, qual é a sala do cinema?

– Acho que é a oito! — diz Cascão olhando nos ingressos

Assim que os dois entram na fila para entrar na sala de cinema, eles se deparam com o outro casal novamente e bem na frente deles. Cascuda fica surpresa novamente e agora ela podia afirmar com toda a certeza:

– Eu sabia! Estão atrás da gente, não é?!

– Só porque vamos ver o mesmo filme?! — reclama Magali — Temos o direito de ver!

– Ué, você não gosta de filme de terror, Magali! — diz Quim confuso

A garota fica estática e engole seco sem saber o que responder para o garoto. Ela precisava pensar numa resposta e rápido, o problema, era que ela era péssima com mentiras.

– É que... — diz Magali ainda pensando — E-Eu...

– Ela assistiu um filme de terror comigo outro dia e curtiu! — interrompe Cascão — Daí ela me pediu pra vir ver esse!

– É... Pois é! — diz Magali ainda nervosa

– Mas... Você viu uma única vez comigo e disse que odiou! — diz Quim

– Bem, só por que eu odiei aquele filme não quer dizer que eu não vá gostar de outros não é? — pergunta Magali com um sorriso amarelo

– É, faz sentido... — diz Quim ainda desconfiado

Cansada daquela conversa de meia tigela, Cascuda pega no braço do namorado e entrega os seus ingressos para o bilheteiro na porta da entrada e sai andando para dentro. Ela apenas vira para o casal de trás e fala:

– Melhor vocês sentarem bem longe da gente!

– Ah, pode ter certeza! — diz Magali de cara feia

Cascuda e Quim se sentaram quatro fileiras atrás de Magali e Cascão, assim que os casais se acomodam em suas poltronas, Magali se vira para Cascão:

– Sem noção! Por que teve que falar aquilo?! — diz ela — Eu menti por sua causa!

– Mas... Eu te ajudei caramba! — diz Cascão surpreso com a atitude dela — Você tem que é me agradecer, não ia sair nada da sua boca!

Magali dá um suspiro ainda irritada. Naquele instante, a sala escurece e dá início ao filme de terror. A garota respira fundo e comenta com o sujinho:

– Pensando melhor... — diz ela ainda apavorada — Acho melhor nem vermos esse filme!

– Ah não! — diz Cascão sem paciência — Em primeiro lugar, o seu padeiro já sabia que você tinha medo de terror!

– Meu padeiro? — pergunta Magali avermelhada

– Escuta! — interrompe Cascão — Em segundo lugar, você se esqueceu o que viemos fazer aqui?! E em último lugar, esse filme é maneiro, já pagamos pelas balas e nem eu e nem você vai sair daqui!

– Não sei você, mas eu vou!

Magali se levanta e num impulso Cascão a puxa pelo braço, fazendo com que a garota sentasse novamente em sua cadeira.

– Ei! Sem noção! — diz Magali de cara feia

– Você vai ficar aqui! — insiste Cascão — E se continuar eu não vou mais deixar você me agarrar quando ficar com medo!

– Ah, cala a boca! — diz Magali virando o rosto avermelhada

Com o passar do tempo o filme vai se desenrolando e a primeira cena assustadora acontece. Magali grita e instantaneamente se agarra ao corpo de Cascão. Ao perceber que ela havia feito o que queria ter evitado, ela empurra o garoto dizendo:

– Quer parar com isso?! — diz ela ainda avermelhada — Não quero que se agarre em mim!

– Como é que é?! — diz ele aos risos — Mas foi você que me agarrou sua maluca!

– Sem noção! — repete Magali pela milésima vez

Naquele momento, Magali ainda nervosa pega suas balas beijo e abre. Ela come para ver se a acalmava devido aquele filme horroroso que ela foi obrigada a ver. E no instante que ela ingere a bala, seu amigo percebe que ela estava comendo e logo pergunta:

– Me dá um beijo?

– O... O que? — pergunta Magali vermelha como um tomate

– Eu tava falando da bala, Magulosa... — diz ele apontando para o saco

– Ah tá, toma! — diz Magali dando a ele algumas, mas poucas, balas — E não me peça mais!

– Mas é muito pão dura! — diz Cascão olhando para as balas — Só isso?!

– Come a sua jujuba! — reclama Magali — Quis comprar jujuba, vai comer jujuba!

– E essa agora! — diz o garoto comendo uma das balas

Ainda assistindo ao filme, Magali sente que algo estava caindo continuamente em sua cabeça, alguns minutos depois ela percebe que era pipoca. E no momento que iriam jogar novamente, a garota pode ver quem estava por trás disso, e grita no meio do cinema.

– Vai jogar essa droga na sua mãe, Cascuda! — grita Magali com raiva

– Tá doida garota! — grita Cascuda de volta — Eu nem te fiz nada!

Naquele instante o publico do cinema começa a reclamar das duas, e não demorou muito para o gerente entrar na sala de cinema e expulsar as duas de lá de dentro. Como elas estavam inconformadas e revoltadas pelo acontecido, uma começa a atacar a outra verbalmente.

– Satisfeita?! — diz Magali irritada — Perdi o filme por sua culpa!

– Ah, faça-me o favor! — diz Cascuda nervosa — Você tem que agradecer esganada, já estava morrendo de medo daquele filme!

– Esganada?! — diz Magali surpresa — Já chega, gastei saliva demais com você!

A garota se afasta dela e se senta no banco do shopping em frente ao cinema. E enquanto ela esperava o final do filme e Cascão, ela se sentia como se fosse a pessoa mais burra da face da terra, ela só não estragou a chance de seu amigo se entender com a ex-namorada, como acabou pagando de idiota na frente de seu ex-namorado.

Magali dá um longo suspiro e logo cobre o seu rosto com as mãos quando percebeu que ia começar a chorar, mas de repente alguém chega próximo dela dizendo:

– Curtindo aí sozinha, Magulosa?

– Cascão? — pergunta Magali surpresa — Mas... E o filme?

– Seria meio injusto te deixar aqui sozinha, não acha? — pergunta ele com um sorriso

– Ah... Cas... Me perdoa! — diz Magali nervosa — Eu estraguei tudo! Eu sou uma idiota!

– Ei! Está tudo bem! — diz Cascão — A culpa não é sua se a Cascuda estava de TPM hoje!

Magali solta uma leve risada e o garoto continua com um sorriso.

– Agora para de chorar e vamos comer alguma coisa — diz ele — E da próxima vez, menos mico hein!

Os dois seguem para uma lanchonete próxima dali e Cascão faz o pedido para os dois. E enquanto eles esperavam, o garoto comenta com a amiga:

– Só você pra me fazer pagar mico!

– Nem vem, ela que começou a me provocar — diz Magali de cara feia

– Nunca te vi desse jeito, só a Mônica! — diz Cascão aos risos

– Pois é... — diz Magali com um leve sorriso — Mas eu realmente acabei ficando com raiva dela por ter tido essa atitude de...

– Raiva ou ciúme? — interrompe Cascão

– O... O que? — pergunta ela avermelhada

– N-Nada — diz Cascão virando o rosto

O pedido chega bem naquele momento, como sempre sem noção, Cascão não pode deixar de comentar sobre o lanche da amiga comilona.

– Você come hein, Magulosa! — diz ele com um sorriso — Deu adeus a comida light?

– Muito engraçado... — diz Magali de cara feia — Para o seu governo, estou a muito tempo sem comer uma comida de verdade!

– Foi você que não quis pipoca... — diz Cascão mordendo um pedaço de seu hambúrguer

– Pipoca não é comida de verdade, ela não alimenta — diz Magali

– E que eu saiba hambúrguer só engorda! — diz ele rindo

– Ah! — reclama Magali — Você me ama, só pode! Faz de tudo pra me irritar!

– Só agora que percebeu? — pergunta Cascão

Ao ouvir aquilo, Magali fica estática e avermelhada ao mesmo tempo. Como assim só agora que percebeu? Ela se perguntava, mas não quis falar sobre o assunto, apenas deu uma mordida no seu hambúrguer, e ao perceber que havia deixado a garota constrangida, Cascão também não fala mais nada sobre aquilo.

Depois de comerem seus lanches em silêncio, os dois finalmente vão para casa. Durante o caminho, eles ainda ficam quietos, mas o garoto quebra o silêncio dizendo:

– Eu... Eu tenho uma coisa pra você!

Magali para de andar e encara o garoto, e então, ele pega um flor de dentro do seu casaco. Era uma rosa amarela, quem diria, ela fica tão surpresa com aquilo que acaba ficando avermelhada e sem palavras para dizer a ele. Assim, Cascão continua:

– Bem... Desculpa por estar amassado, eu queria que fosse surpresa!

– Ah... Eu amei, mas... — diz Magali ainda surpresa — Cas... Por que me deu isso?

– Ora, é como você disse... — diz Cascão com um sorriso — Flores são a forma mais carinhosa de amor que existe!

Aquela frase e aquele sorriso só fazem com que Magali fique mais nervosa e constrangida. Então fez a primeira coisa que veio em sua cabeça.

Continua...