Servos de Deuses

18 Capítulo 18 - Conheço Apolo em carne e osso.


Logo
os dias se transformaram em semanas. Quanto mais tempo eu passava no
acampamento, mais eu queria ficar! A minha vontade era de ficar lá
para sempre! Mas tinha o Ryan. Eu não podia deixá-lo sozinho assim.
E nem podia trazê-lo para cá, se não ele ia pirar. Toda noite eu
lhe mandava uma mensagem de Íris e dizia que o amava, enquanto ele
implorava para que eu voltasse.

No
meu último dia no acampamento, eu resolvi tocar a minha lira. Eu
estava um pouco destreinada, mas nada que um sátiro não pudesse
resolver.


Nossa!
Você toca essa lira divinamente! — alguém disse

Quando
me virei para agradecer, vi um garoto alto, forte, loiro, de olhos
azuis como o céu e dentes tão brilhantes que podiam até cegar uma
pessoa. Ele não parecia ter mais de 16 anos. Era Apolo! Levantei-me
desajeitada e lhe fiz uma reverência as pressas. Ele riu e fez sinal
para que eu me levantasse.


Então
a princesa desaparecida de Hélade está aqui na Terra? Você não
envelheceu muito durante esse tempo. Ainda tem saudades de lá?

S-sim!
T-tenho saudades do seu templo e das minhas amigas! — eu disse

Ah
sim! Se não fosse a Katherine para cuidar do templo, ele estaria
como antigamente. Feio, sujo e deteriorado! Fez um grande trabalho
cuidando daquele templo! Nunca estive tão orgulhoso!

O-obrigada!
P-por que parou de escolher gregos como seus servos, senhor?

Por
causa da rivalidade entre vocês. O que havia acontecido no templo
antes de você chegar, foi causado por um desentendimento entre os
dois povos.

Então
foi por isso que eles não me aceitaram logo de cara? Achei que era
porque eu ainda era muito pequena!

Foi
aí que eu comecei a me sentir tonta e sentei-me novamente em uma
pedra, com os olhos fechados. Apolo perguntou se eu estava me
sentindo bem e eu menti dizendo que estava tudo bem. A verdade era
que não estava tudo bem. Eu não havia tomado café da manhã e
estava me sentindo enjoada e tonta. Só de olhar para a comida, já
me dava vontade de vomitar.


Que
tal darmos uma voltinha pelo acampamento? — Apolo sugeriu

Mesmo
estando mal, eu aceitei o convite. Não se recusa nada de um deus.
Ainda mais se é o deus a quem você serve! Passeamos pelo campo de
morangos. Algumas crianças faziam com que os morangos crescessem e
ficassem bonitos. Obviamente eram filhos de Deméter, a deusa da
agricultura. O cheiro doce dos morangos só me deixava mais mal. Isso
não era bom sinal.


Por
que o senhor veio ao acampamento meio sangue? Não devia estar no
Olimpo? — eu perguntei

Quíron
me informou que você estava aqui. Eu queria agradecê-la por salvar
o Drake. Ele é um dos meus filhos E eu não estou aqui, totalmente.
Parte minha está cuidando de Belona.

Não
há de quê. O que houve com a Belona?

Ela
e Marte resolveram brincar de guerra e os dois acabaram se
machucando.

Mas
que ideia! Brincar de guerra! Era óbvio que iam se machucar!

Foi
exatamente o que a Minerva disse a eles, mas eles é claro, não a
ouviram.

Minha
tontura aumentou. Meu corpo parecia ser feito de chumbo. Tudo começou
a escurecer até que eu caí desmaiada. A minha sorte foi ter Apolo
perto de mim, senão eu ia cair de cabeça no chão.

Quando
acordei, a primeira coisa que vi, foram os lindos olhos azuis de
Apolo. Eu estava deitada em uma das camas da enfermaria do
acampamento. Quíron estava ao meu lado, junto com Apolo.


O
que houve? — eu perguntei um pouco rouca

Você
desmaiou. Te trouxe para cá e cuidei de você. Tenho uma ótima
notícia para lhe dar! — Apolo disse

Qual?

Você
está gravida!

O
quê? Eu estou...

Sim!
De um mês exatos.

Nunca
havia passado pela minha cabeça a ideia de que eu podia estar
grávida. Eu fiquei surpresa e animada com a ideia de ser mãe.


Ótimo
presente de aniversário, não é? — Apolo perguntou

Espera!
Hoje é dia 21 de junho? — eu perguntei levantando-me imediatamente
da cama.

É
sim! Não sabia não? — Quíron perguntou

Eu
perdi a noção do tempo! Eu preciso voltar para casa! — eu disse


Quer
que eu te deixe em casa? — Apolo perguntou

Mas
eu moro em San Francisco! É longe daqui! Não vai atrapalhá-lo?

Claro
que não! Eu estava indo para lá agora! Posso te dar uma carona.
Você tem medo de altura?

Nem
um pouco! Eu amo voar!

Então
vamos!

Apolo
me levou até San Francisco e me deixou na porta de casa. Agradeci a
carona e perguntei se ele não queria entrar, mas ele precisava ir
para o Olimpo. Ryan ainda não havia chegado, por isso a porta estava
trancada. Peguei a chave reserva debaixo do tapete de entrada e abri
a porta. A casa estava uma coisa! Objetos caídos, louça suja, roupa
jogada e dezenas de fotos minhas pelo chão da sala de estar. Por que
os homens fazem tanta bagunça? Arrumei tudo direitinho e resolvi
fazer uma surpresa para o Ryan. Fiz um bolo de chocolate e escrevi em
cima: “Oi papai!”. Deitei no sofá da sala de estar e tirei um
cochilo. Acordei com o barulho da porta da frente sendo destrancada.
Desci pelo corrimão da escada e esperei Ryan na sala de estar. Ele
estava cansado e chateado, mas assim que me viu, abriu um grande
sorriso, me deu um abraço de urso e vários beijinhos. Eu ri e o
beijei, feliz da vida. Quando ele me soltou, eu peguei sua mão e o
puxei até a sala de jantar. Quando ele leu o que havia escrito no
bolo, ele olhou para minha barriga e depois para o meu rosto. Eu
sorri e pus a mão na barriga. Ele sorriu também, me abraçou e
sussurrou no meu ouvido:


Eu
te amo! Você me fez o homem mais feliz do mundo!

Ele
acariciou o meu cabelo, segurou meu rosto e me beijou os lábios.

Eu
não consigo descrever o quanto eu estava feliz naquele momento. Eu
estava de volta a minha casa, no dia do meu aniversário, com o meu
marido e agora, com uma pequena criança se formando dentro de mim.

Os
meses foram se passando e eu só fui ficando mais ansiosa. No sexto
mês, descobri que era uma menina e decidi que seu nome seria Lana.
Ryan não entendeu o porquê do nome, mas como achou bonito, não
questionou. Eu também não tinha as minhas razões para o nome, só
o achava bonito. Reformamos todo o meu antigo quarto, compramos
móveis, brinquedos e roupinhas para a Lana.

Finalmente
o dia chegou. Ryan estava no trabalho quando as contrações
começaram. Eu liguei para ele e ele veio correndo para casa e me
levou ao hospital. Dispensei a anestesia, eu queria saber como tudo
seria. Eu queria estar bem acordada para ver a minha pequena Lana
pela primeira vez e para ouvir o seu choro gostoso de neném.