Servos de Deuses

11 Capítulo 11 - Adeus vida perfeita!


Rose

Acordei com dois guardas invadindo o meu quarto. A minha sorte era que eu não havia trocado o meu vestido do dia anterior pela minha habitual camisola.

— O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO AQUI? – eu perguntei

Um deles agarrou-me pela cintura e tentou tapar a minha boca com uma das suas mãos, porém, eu fui bem rápida. Agarrei seu braço, o torci com força e lhe dei uma cotovelada no meio do estômago, enquanto o outro corria pelos corredores do palácio em busca de reforços.

Eu estava totalmente confusa. Os guardas nunca haviam tentado me atacar. Eles sempre me protegiam e se importavam comigo. Eu não fazia a mínima idéia do que estava acontecendo.

Quando os outros cinco guardas chegaram, eu lembrei que Noah havia dormido no palácio no dia anterior. E por sorte, eu havia lhe dado o quarto que ficava ao lado do meu.

— NOAH! SOCORRO! ME AJUDA AQUI! – eu gritei torcendo para que ele tivesse me ouvido.

Novamente, um dos guardas tentou tapar a minha boca. E novamente eu fui rápida e furei seu braço com o grampo que estava preso no meu cabelo. Outros cinco guardas vieram para cima de mim, enquanto o 6º fechava a porta do meu quarto. Nesse exato momento, Noah entrou chutando a porta e derrubando um dos guardas.

— LARGUEM ELA! – ele gritou ao ver-me em apuros

Três dos guardas que tentavam conter-me foram para cima dele, enquanto os outros três que ainda estavam bem, tentavam pegar-me sem serem acertados pelos chutes, socos e tapas que eu dava no ar. Por fim, dois deles agarraram meus braços.

— ME SOLTEM! DEIXE-ME IR! – eu gritava tentando me soltar

Diferente de mim, Noah estava digamos assim, “mandando bem”. Já havia derrubado dois dos três guardas que o haviam atacado. Só faltava um. Porém, quando ele estava lutando com o último, o 1º guarda que havia me atacado, recuperou sua espada e tentou atacar-lhe pela retaguarda. Mordia a mão de um dos guardas que me seguravam e gritei:

— NOAH! CUI...

Mas já era tarde demais. O guarda deu uma forte coronhada com o punho da espada na cabeça de Noah (o que é lógico que o fez desmaiar).

— NÃO! – eu gritei.

— Venha conosco princesa! – disse o guarda que tinha desacordado o Noah – Ou diga Adeus ao seu querido e amado noivinho! – ele completou apontando a espada para o Noah que estava inconsciente no chão.

— NÃO! Por favor! – eu implorei – Por favor, não o machuquem! E-eu vou com vocês!

— Escoltem-na até as masmorras! E tragam o garoto junto! – o guarda disse

Fui escoltada até as masmorras pelos quatro guardas que restaram. Quando nos jogaram dentro de uma das celas, Noah ainda estava inconsciente. Cuidei do machucado que a coronhada havia causado na cabeça dele e curei com meus poderes os pequenos arranhões, cortes e hematomas que foram conseqüentes da luta. Não demorou muito e ele acordou.

— AI! Rose? Está tudo bem? – e olhando ao redor perguntou – Onde estamos?

— Nas masmorras do palácio. – eu respondi

— M-mas... Por quê?

— Isso eu também quero saber.

Nessa hora, meu irmão foi até a nossa cela.

— Robbie! Tire-nos daqui! – eu disse a ele.

— Por que eu faria isso, Rose? É isso que você merece depois de tudo que você fez para mim!

— Mas... O que eu fiz?

— VOCÊ NASCEU!

— Mas eu NÃO TENHO CULPA DE TER NASCIDO!

— Escuta aqui, ô seu... Você não tem o direito de falar assim com ela! – Noah disse me defendendo.

— E quem é você para me desafiar? Plebeuzinho!

— PAREM OS DOIS! – eu gritei – Robbie, duas perguntas. 1º — por que estamos presos? 2º — O quê vai fazer com a gente?

— Bom... Prendi vocês porque não quero que você me tome o MEU trono! Eu serei rei até o fim da minha longa vida, e nada me impedirá. Qualquer um que tentar tirar-me o trono será morto a sangue frio. E quanto ao que farei com vocês... Ainda estou pensando nisso.

— Matar-nos não será bom para o início do seu reinado. Eu tenho uma idéia melhor.

— Isso é verdade! Prossiga!

— Eu conheço um planeta que fica bem longe daqui. Meia galáxia de distância para ser exata. Há naves lá fora. Nós (eu e Noah) podíamos pegar uma delas e ir para esse planeta.

— Ideia boa! Mas só se vocês dois ficarem lá para sempre. E jurarem a mim que nunca mais voltarão.

— Tudo bem! – eu disse depois de pensar muito – Amanhã de manhã, bem cedo, partiremos.

— AMANHÃ? Negativo! HOJE! AGORA!

— Hoje? Mas... Hoje é o enterro da mamãe! Não tenho nem o direito de me despedir dela?

— Você já teve direitos demais! Roubou-me meus pais e minha felicidade! Minha vida era perfeita! Eu tinha toda a atenção deles! Principalmente a do papai! Aí você nasceu. Depois que você nasceu, MEUS pais se esqueceram de mim e só quiseram saber de você! Era Rose para cá, Rose para lá! E eu sozinho no quarto, sem amigos, família ou amor!

— Mas a culpa não é minha nem dos NOSSOS pais! Você vivia isolado do mundo! Nunca arrumou uma namorada! Você tem 21 anos! Já deveria ter casado há uns cinco anos atrás! Nossos pais nos amavam igualmente! Você nunca demonstrou carinho para comigo os com os nossos pais! Eles não se esqueceram de você! Eles nos amavam! Igualmente! Se eles estivessem aqui, agora, tenho certeza de que eles diriam o mesmo a você! – eu disse a ponto de chorar

— CALA A BOCA, ROSE! Você não faz idéia de como eu me sinto ou me senti durante todos esses anos! Você e o garoto aí têm meia hora para juntar tudo o que tem e ir embora daqui para sempre! GUARDAS! Escoltem-na até seus aposentos e o garoto até a sua casa! E escute aqui, ô garoto! Se perguntarem a você aonde você vai, minta! Diga qualquer coisa! Exceto a verdade! Está me entendendo?

Noah olhou para ele com uma expressão que dizia: “Se você não fosse o rei e eu não estivesse amarrado, eu juro que eu quebrava a sua cara agora!”.

— Está me entendendo, plebeu? – ele repetiu provocando Noah

— Eu entendi rei Robert! – Noah respondeu entre dentes.

Fui escoltada até meu quarto e comecei a arrumar as coisas, entendendo agora, por que os guardas havia nos atacado. Eles estavam com medo de Robbie. Não queriam ter suas preciosas vidas, tiradas pelo novo rei, perdendo todo o tempo de vida que ainda restava e deixando uma jovem esposa sem condições para cuidar de seus filhos pequenos. Agora eu também entendia por que eu tinha sentido que o dia anterior era o meu último dia em Hélade. Eu sentiria saudades de meu planeta natal. Sentiria saudades dos meus amigos e vocês devem achar estranho, mas eu sentiria saudades do meu irmão também.