Serpente Emplumada
3 O Lamento das Nuvens
Notas iniciais

"O caos tomava conta da Grande Arena de Diamante Rosa enquanto as duas habilidosas espadachins miravam nos olhos uma da outra, como se seus espíritos já combatessem em silêncio. Pérola finalmente parecia encontrar uma rival à altura, e Obsidiana sentia o irresistível desejo por uma boa luta. Mesmo se o mundo caísse a seu redor, uma não sairia dali sem derrotar a outra."
"As duas partem uma em direção à outra, desviando-se de adversárias paralelas e saltando para um golpe de abertura. Quando as duas espadas de Pérola batem com força na solitária lâmina de Obsidiana, ambas percebem que este era só o início de sua contenda."
—Então finalmente nos conhecemos!!! — com um sorriso eufórico estampado no rosto, Obsidiana mal podia disfarçar seu entusiasmo. Séria e obstinada, Pérola apenas olhava para sua adversária enquanto forçava seus sabres contra o dela.
"As duas lançam-se para trás, e num movimento giratório, a guarda-costas de Rose Quartz ataca ferozmente com uma sequência de golpes. Obsidiana responde com uma defesa extremamente precisa, e logo um verdadeiro espetáculo de dança sincronizada é protagonizado no centro da Arena Gladiatória. Até mesmo o som das batidas das lâminas parecia seguir um ritmo específico."
"Aos poucos, dezenas de Crystal Gems caíam sobre o solo da Arena, e a batalha tomava proporções inimagináveis. No painel de controle localizado próximo às imediações reservadas à Elite, Âmbar e Topázio Azul discutiam enquanto Jasper, Ônix Branco e Selenita(*) impediam o avanço das rebeldes ao lado de um grupo de Ametistas ainda leais ao império."
—Atenção, todas as unidades aéreas!!! Dirijam-se imediatamente para a Faceta 22, é um chamado urgente de sua comandante suprema!!! Repito, todas as unidades aéreas dirijam-se para a Faceta 22!!! — a linha direta de Âmbar para sua frota reserva guarnecida a centenas de quilômetros dali gera grande correria entre as 15 pilotos Nephrites até então estacionadas. Ninguém havia se preparado para um eventual combate.
—A esta hora, é impossível neutralizar o cerco; a Arena e toda a Faceta 22 estão perdidas!!! — pessimista, Topázio Azul não acreditava numa estratégia de defesa.
—Enquanto estivermos aqui, nada estará perdido!!! Aonde está a sua coragem e devoção às grandes matriarcas? — dando um soco no painel, Âmbar repreende sua desmotivada companheira. A mesma não era capaz de admitir que também estava sem ideias.
As representantes oficiais das quatro Diamantes nem imaginavam o que ainda estava por vir.
"Naquele exato momento, Turquesa se via cercada por várias Gems que a todo custo tentavam pulverizá-la. Enquanto recuava, acaba atingindo pelas costas outra aristocrata que também se via encurralada."
—Esmeralda? Estão atrás de você também? — sem nem olhar para trás, Turquesa logo percebe que se tratava da experiente engenheira, piloto e oficial Esmeralda, sua amiga e confidente de longa data.
—Que ótima situação para nos reencontrarmos, minha querida...
—Certamente querem me capturar e impedir que projete novas Gems ou desenvolva nosso equipamento. — extremamente inteligente e sagaz, Esmeralda já percebera o que estava acontecendo.
"Com vários pensamentos e preocupações pairando sobre sua cabeça, Turquesa sentia a presença de sua querida pupila Obsidiana (a quem carinhosamente chamava de "Obsi") afastando-se cada vez mais."
"Digladiando-se nos corredores da entrada da arena, Pérola e Obsidiana saltavam entre as estátuas dos Cavaleiros. Exausta e ofegante, a Crystal Gem pára sobre um grande pilar."
—Nunca... enfrentei alguém como você. — Pérola admira sua oponente, que parecia ter recebido o mesmo tipo de treinamento que ela, e seguia a mesma filosofia de combate.
—A Pérola renegada... é ainda mais talentosa do que eu imaginava, haha... — do chão, a também cansada Obsidiana reconhece a força de Pérola.
—Não esperava isso de uma Pérola, estou certa? — imaginando que sua mais nova rival a desprezava como Gem, Pérola abusa do senso comum.
—Errada!!! — arremessando três lâminas ocultas feitas de puro vidro vulcânico, Obsidiana surpreende a rebelde duas vezes enquanto salta em direção à ela.
"Pérola repele os projéteis perfeitamente, mas por um erro de cálculos não percebe a aproximação de sua oponente e leva um chute no estômago, desabando do pilar e perdendo uma de suas espadas ao deixá-la cair para fora da Arena.
"Rolando de imediato para a sua esquerda, escapa de um golpe vindo de cima que por certo lhe pulverizaria, logo já respondendo com uma rasteira e derrubando Obsidiana definitivamente."
—É uma pena que não possamos nos enfrentar agora... Mas estou confiante de que haverá outra oportunidade. — Se jogando do alto da arena após se despedir em um tom debochado, Pérola abandona sua adversária, que ergue-se do chão com um enorme desejo de vê-la novamente.
E assim o destino faria.
"Ouve-se então um sonoro assobio que ecoa por todos os lados, e as invasoras passam a recuar utilizando-se de suas máquinas voadoras. O plano-mestre havia se cumprido com sucesso."
—Elas estão fugindo!!! Nós vencemos!!! — comemorando, a jovem e destemida Jasper enxergava uma grande e incontestável vitória.
—Cale-se, soldado!!! Não há o que festejar!!! — desconfiada, Ônix Branco não parecia satisfeita.
"Por alguns minutos, uma estranha calmaria tomava conta do local enquanto se contavam os prejuízos. Algo estava errado, e desde o início."
—Porque elas fugiram? Estavam em maior número... Não faz sentido. — longe dali e dirigindo-se a Esmeralda, Turquesa corroborava da mesma desconfiança de Ônix Branco.
"Parecia que algo ainda pior estava para acontecer. Até mesmo os ventos ocidentais diziam isso..."
E então ouve-se o distintivo toque do comunicador de Âmbar.
—O quê? Isso é Impossível!!! — Âmbar recebe uma terrível mensagem de uma de suas Nephrites. A piloto informava ser a única remanescente de uma interceptação aérea que abateu 14 das 15 naves da frota reserva, e que naquele momento, a Arena das Nuvens (justamente o local onde a líder Diamante Azul se encontrara) era fortemente bombardeada desde o solo.
"De repente um enorme terremoto atinge a Arena Celeste de Diamante Rosa, que exceto por sua parte central, se quebra em vários pedaços devido ao fogo contínuo de poderosos tiros de canhão."
"As Gems ainda presentes no local escorregam e caem junto aos escombros, que desabavam de uma altura de quase 10 quilômetros."
"Enquanto caíam e gritavam desesperadamente, as leais servas das Diamantes assistiam ao fim de um ciclo — a Era do Colonialismo encontrava um triste e melancólico desfecho. À partir dali, só haveria dor e lamentação..."
—(Então é assim que tudo termina?) — serena e em silêncio ao sentir as primeiras luzes da Lua penetrarem em seus corpo enquanto caía para o próprio fim, Turquesa parecia aceitar o destino.
Afinal, estaria seguindo os ensinamentos de sua mestra, que aceitou a morte sem reclamar. Sem dizer uma palavra.
Assim como se partiria em mil pedaços a sua pedra, também partiria a sua tristeza e a dor excruciante que era viver em pranto.
Era o fim de seu sofrimento...
Mas Turquesa estava pronta para partir?
—(...Não... Eu não posso deixá-las serem vítima do meu egoísmo... Não posso abandoná-la... como abandonei a senhorita).
—(Não está certo... Não está certo deixar alguém para sofrer e morrer quando se pode fazer algo para impedir!!!).
—NÃO ESTÁ CERTO!!!
"Abrindo furiosamente os seus olhos, que assumem uma coloração branca incandescente, a discípula da Deusa da Lua despeja dezenas de fantasmagóricos feixes de luz da boca e da pedra oval em seu abdômen, que como uma teia, saem enrolando-se em todas Gems até então condenadas e diminuindo drasticamente a velocidade de sua queda ao mesmo tempo que as envolvem em uma cúpula paralisante em forma de bolha."
Para quem visse de longe, era como se fosse uma grande árvore enraizando os próprios frutos.
[...]
"Afetada pelo mesmo fenômeno em maior escala e ainda parcialmente consciente, Turquesa força ainda mais a extensão dos feixes esfumaçados criando novas ramificações que viajam longas distâncias à procura de Obsidiana, que por algum motivo havia muito se afastado dali."
"...A cada vez que as raízes luminosas se estendiam, sua forma física definhava, quase ao ponto de retornar para a pedra de origem."
"E então sem sucesso, Turquesa acaba por chegar ao limite de suas capacidades, desmaiando por sorte já muito próxima à grama verde do solo e finalmente liberando as remanescentes do ataque, que caem imóveis a seu redor, levando alguns segundos para recobrarem os sentidos."
—(...Minha Obsi... Aonde está você?)
"Antes de pulverizar abruptamente, a Musa perguntava o paradeiro de sua Sombra."
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