Nos confins da Terra

Pendurei meu coração

Esperando o fim da guerra

E, alguém lhe prestar atenção.

Em uma árvore a beira do abismo

Recuperei meu otimismo

Preferi deixar a chave do coração

Para evitar que caiam muitos mais no chão

Queria que a encontrassem

E tivessem curiosidade

Queria que mais como eu

Conhecessem a verdade.

Em meio a cidade

Tudo parece diferente,

Mas, o que ainda é igual

Está aqui dentro da gente.

Mesmo que o mundo mude

Nós lutamos para não mudar

Lutamos para não morrer

Brigamos para não viver.

A vida é cheia de mudanças

E brigar de mais com elas não é fácil

Uma hora ela chega e te muda

Sem nem perceber,

Restaram só lembranças

Do que costumava ser.

Não que isso seja ruim,

Não, não,

Desde que seja para algo bom

Então,

De que adiantou tanto lutar no fim?

Ah, te digo adiantou sim.

Com o tempo percebemos

Que lutamos contra nós mesmos

Que lutávamos para não melhorar

Para não crescer, para não amar

E contra o que realmente deveríamos lutar

Em muitos momentos deixamos para lá.

Então,

Adiantou sim,

Lutar pela vida, lutar pelos outros,

Por um amor, pela sobrevivência

Com tudo ganhamos tanta experiência

Sofrimentos, e muita vivência.

Sabemos que a luta nunca foi em vão

Cada tombo, cada tropeço, foi uma lição

E agora experiente que somos,

Sabemos que ainda há muito pelo que lutar

Que não estamos mais em guerra,

Mas sim na pausa antes da vitória chegar.

Sabemos que muitas vezes deveríamos ter reagido mais,

Quando a vida nos empurrou para baixo,

Para além da ponta do abismo, nós obrigando a pular

Deveríamos ter olhado de lado,

E visto a árvore, pegado a chave

Aberto a porta e visto o que estava lá.

20/05/2021