Serial Killer - O Despertar.
14 Ep. 13 - There’ll be no Peace! Season Finale
Notas iniciais
Samuel
Samuel estava seguindo em frente, na porta do Inferno. Sentindo o calor de mil sóis, ouvindo os gritos de incontáveis almas e vendo o sofrimento de igualmente numerosos seres humanos. O anjo quase sofria tanto quanto os que ali repousavam.
Ele empacou. No meio do caminho, suas pernas pararam de obedecê-lo, e Samuel permaneceu ali, olhando para os homens que eram torturados, chicoteados e amordaçados por monstros horrendos que nem mesmo um anjo ousaria enfrentar. Era aquilo que resultava de uma vida em pecado, e Samuel sabia que nada poderia fazer para ajudar aquelas pessoas, mas ele era um anjo, e aquele era seu propósito: salvar.
O anjo sentiu uma mão em seu ombro direito, ele virou a cabeça para o lado, vendo o rosto familiar e acolhedor de sua irmã.
– Temos que prosseguir – disse Uriel. Gabriel parou ao lado dos dois. – Não há nada que possamos fazer por estas pessoas, mas ainda podemos salvar Miguel.
– Não se morrerem aqui – disse um homem parado na frente dos três irmãos. Ele tinha uma pele extremamente pálida, como leite; olhos completamente negros e a pele perfeitamente cuidada, sem nenhuma marca ou imperfeição. Carregava uma espada e um elmo, completando sua armadura negra. – Os irmãos angelicais. Aguardei tanto por este momento. É uma pena que ainda faltem quatro de vocês. Ajudem-me a lembrar: Jofiel, Ezequiel, Rafael e... como se chama o quarto mesmo?
– Miguel – murmurou Samuel. Sacando a espada.
– Ah, é claro. – O homem sacou a espada de Via e um corvo voou sobre ele, aparando ao seu lado. – Acho que agora só faltam três irmãos.
O corvo começou a tomar forma humana, primeiro cresceram-lhe pernas, depois braços, as asas cresceram e ficaram brancas de forma que quase cegava Samuel e seus irmãos, os olhos ficaram azuis e a pele negra tornou-se alva. Ele agora era um anjo; tudo que vestia como roupa era uma túnica negra e segurava uma espada longa e dourada, de Cete com a mão esquerda, enquanto a mão direita carregava uma maça negra de Via e ferro.
– Sinto muito, Samuel – disse o anjo, olhando para os irmãos. – É uma armadilha.
Os três anjos viraram-se, e logo notaram o exército de demônios atrás deles. Samuel virou-se novamente para frente, onde estava Miguel e o misterioso homem de olhos negros. Não tão misterioso agora.
– Mateus – disse o anjo, olhando nos olhos do deus. – Seu maldito.
– Matem os dois – disse Mateus. Ele sorriu e lambeu os lábios. – Samuel é meu.
Uriel e Gabriel ficaram um de costas para o outro, protegendo-se. Enquanto Samuel voou em direção ao deus. Mateus deu um passo atrás e Miguel entrou na frente, defendendo o ataque do irmão com sua espada de Cete, as lâminas se chocaram, reproduzindo um barulho extremamente alto. O arcanjo Miguel atacou com a maça, e Samuel desviou por pouco, logo atacando novamente, tentando atingir o braço do irmão com a espada, mas Miguel era rápido demais. Ele desviou facilmente do ataque e revidou com a mesma velocidade, atingindo o queixo de Samuel com a maça, fazendo-o voar quase meio quilômetro para o alto. Então Miguel levantou voo e cravou a espada nas costas de Samuel, enquanto ele ainda caia.
– Desculpe-me – sussurrou Miguel. Ele puxou a espada e deixou Samuel cair com tudo no chão.
Mateus aproximou-se do anjo moribundo e gargalhou.
– Deveria trazer todo o Reino dos Céus para ganhar de Miguel – disse o deus. Ele pegou a espada de Samuel e a levantou, pronto para cortar a cabeça do anjo.
Ele desceu a lâmina velozmente, mas antes que pudesse cortar fora a cabeça de Samuel, uma explosão aconteceu no meio dos demônios que enfrentavam Uriel e Gabriel. Foi tão forte que jogou todo mundo para longe, incluindo Mateus.
– Eu acho que ele trouxe o suficiente – disse Kayo, saindo do meio da multidão de demônios mortos. Ele sorriu e Nanda apareceu ao lado dele. Atrás deles, mais quatro pessoas: Agatha, que caminhava lentamente na direção de Mateus; Caio, que carregava uma espada banhada em sangue; Gislaine que segurava um arco e carregava uma aljava nas costas e Mirella, que segurava duas adagas e estava toda suja de sangue. – Mais algum demônio para matar? Estou muito limpo.
Miguel desceu rapidamente até o solo. Um verdadeiro exército de milhares de demônios surgiu da escuridão infinita, atacando o grupo de reforços de Samuel, que também incluía Uriel e Gabriel, que sobreviveram ao ataque dos demônios anteriores. Caio, por sua vez, resolveu não participar dessa parte da guerra.
Ele e Agatha seguiram lado-a-lado, cada um com sua espada, até Mateus e Miguel.
– O Serial Killer e a deusa do amor – disse Mateus. Ele riu sarcasticamente. – Finalmente poderei me divertir. Miguel, cuide da criança; Agatha é por minha conta.
– Você nunca deu conta de mim antes, Mateus – disse a deusa, girando sua espada na mão. – Não creio que vá conseguir agora.
Miguel encarou Caio e o garoto fez o mesmo.
– Hey, eu soube que você foi infectado, então não leve isso para o lado pessoal, okay? – Caio sorriu e girou a espada. Os olhos dele ficaram vermelhos e seus dentes afiados, assim como suas garras. – É uma questão de princípios.
– Cale a boca e me mate de uma vez, idiota – murmurou Miguel.
O anjo voou em direção ao Serial Killer. Caio desviou da lâmina celestial, e atingiu o rosto de Miguel com um soco, o fazendo voar para o alto. Depois de uma cambalhota no ar, o arcanjo voltou ao solo, pegou sua maça e atacou Caio. Foi por pouco que o garoto não teve sua cabeça penetrada por espinhos de Via; mas ele desviou, e foi atingido apenas de raspão, fazendo alguns arranhões no rosto de Caio – o que doeu muito.
O Serial Killer revidou o ataque. Largou a espada e usou sua melhor arma: as garras de Telem. Mortais até para um deus, por mais que o ferimento fosse pequeno, Caio sabia que seria o bastante para machucar Miguel. Ele atacou, com um movimento rápido, passou as garras no braço esquerdo de Miguel, obrigando-o a soltar a maça; Caio aproveitou e saltou por cima do anjo. Após o movimento digno de medalha olímpica, o Serial Killer parou atrás do anjo, pronto para cravar as garras nas costas dele, quando Miguel abriu as asas metálicas, fazendo com que Caio cambaleasse para trás com o metal batendo no rosto. Ele levantou voo e girou na direção do garoto, pronto para atingi-lo em cheio. Quando, repentinamente, parou no ar.
Miguel caiu de joelhos, com a barriga sangrando e com um buraco no lugar de seu coração. Ele olhou para o lado, espantado e Caio seguiu seus olhos, até localizar a fonte do ataque: Gislaine. Ela não estava pretendendo atacar Miguel, mas foi o que aconteceu quando sua adaga de Cete atravessou o coração de Mateus.
Caio aproveitou a oportunidade; pegou a maça de Via do chão e correu na direção de Mateus, saltou e girou no ar, fazendo com que a arma de espinhos atingisse a parte de trás da cabeça do deus. O sangue rubro jorrou para todos os lados, sujando Gislaine e Caio. No mesmo momento em que a cabeça de Mateus saiu de seu corpo, Miguel gritou. O último grito do arcanjo, antes da parte de trás de sua cabeça criar furos e ela começar a sair de seu corpo lentamente.
– Irmão – sussurrou Uriel. Ela correu até ele.
Caio olhou ao redor. Os demônios estavam extintos, Samuel estava estirado no chão, mas ainda vivo; Mateus estava sem a cabeça e Miguel também. Era uma imagem deprimente, um lugar cheio de sangue, corpos sem cabeça e corações sem corpos. O Serial Killer notou, há cerca de dois metros dali, Agatha caída no chão. Ele correu desesperadamente até ela, e ficou de joelhos ao seu lado.
– Agatha? – chamou. A deusa estava desacordada, mas respirava. – Acorde. Vamos!
Agatha abriu os olhos lentamente, então sorriu.
– Nós ganhamos? – sussurrou.
– Nós ganhamos – assentiu Caio, sorridente. – Que a paz venha!
– Finalmente teremos paz – comemorou a deusa, apesar de estar muito fraca.
Caio não teve tempo de comemorar com ela. Sentiu algo cruzar suas costas, atravessando seu pulmão direito e saindo pela frente. A sensação quente do sangue deixando seu corpo foi seguida por uma dor agonizante, mas o garoto não conseguia falar nada. Ele apenas caiu, vendo Anna limpar a adaga suja de sangue.
– Desculpe, Agatha – disse a deusa. Ela começou a desaparecer, enquanto todos olharam para o Serial Killer agonizando de dor e morrendo aos poucos. Anna o encarou e sorriu friamente. – Mas, não haverá paz.
E lá Caio ficou. Até a vida deixar seu corpo, a única coisa que ele viu além da imagem de Anna desparecendo foi o céu escuro do Inferno. Lá ele pereceu, ouvindo a voz inconfundível de Gislaine gritar seu nome.
– Caio!
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