Notas iniciais
E aqui estamos nós com o capítulo da semana.

– Bom, acho que não estamos incomodando não é?

Separamos subitamente, haveria de ter sido por instinto apenas, mas mesmo assim quase aconteceu.

– Não, não estão incomodando. – Pedro respondeu com uma voz cansada, agora que eu tinha reparado, ele apresentava marcas de quem havia dormido também. Talvez até mesmo antes de mim.

– Então, como vai ser?

Quem perguntava era a Ingrid e com os olhos se acostumando novamente à claridade podia afirmar que todos já estavam ali reunidos, os outros quatorze jovens também se encontravam conosco. Agora seria feito a escalação.

– Bom, estamos todos aqui não é? Diga-nos Pedro, haverá algo que devemos nos preocupar?

– Parece que está com certa animação na voz hoje não é Dryka? – Ele não evitou o sorriso. – E sim, terão coisas para se preocupar, e com muitas posso dizer.

– Somos quinze. – Ela respondeu debochando. – O que pode nos ferir?

– Almir, você sabe o que esse portão representa não é?

– Uma área proibida professor. E isso me faz querer saber o porquê de ter sido esse o lugar de encontro.

– Meus parabéns. Parece que alguém andou estudando o local. Essas olheiras devem ser um troféu para você não é?

Ele olhou meio encabulado. Realmente parecia que havia passado a noite em claro analisando cada detalhe daquele lugar. Eu deveria ter pensado em fazer o mesmo. Mas preferi dormir.

– Então você traz a todos os alunos para uma área proibida como se não fosse nada? – Quem perguntava agora era o José. Podemos dizer que as perguntas dele recentemente estavam bem elaboradas.

– Não como se não fosse nada. – A garota com roupas largas respondeu. Qual era o nome dela mesmo? Sim, lembrei, chama-se Clara. – Supostamente o motivo é maior do que imaginamos.

Eu não pensei nessa possibilidade, mas realmente, ser levado a um lugar proibido para uma simples tarefa escolar não é algo que um professor estaria disposto a fazer.

– Conhecer aqueles que estão a minha volta não é?

Falei em um tom quase inaudível e que apenas ele poderia me ouvir e me respondeu no mesmo tom.

– Sim e não. Você verá que o verdadeiro motivo é ainda maior.

Ele empurrou o portão e com um pouco de dificuldade e com um rangido seco ele finalmente se abriu. E sim, ele contou com a ajuda de algumas pessoas. Não tínhamos tanto tempo para gastar, então foi necessário.

– Acho que mesmo que seja por um pouco de tempo vocês terão que confiar tão cegamente que nem eu mesmo teria coragem de confiar. Vocês estão dispostos a isso?

– Não podemos dizer que sim, mas a única opção que temos é confiar não é? – O Almir parecia calmo, não demonstrava nenhum sinal de medo, todos podiam dizer isso. Notei uma coisa diferente, os seus olhos denunciavam o nervosismo.

– Sim, eu confio. – Um coro de algumas vozes nervosas mais decididas ecoou logo atrás. Todos estavam tensos. Não tínhamos motivos para continuar ali.

– Não posso esperar a resposta de todos. Mas apenas mais uma... Diego, você vai confiar?

Foi difícil decidir o que eu estava disposto a fazer não queria confiar em algo que eu nunca antes havia visto, ou em alguém que eu não tinha intimidade suficiente. A confiança vem da intimidade, então como eu poderia confiar? Minha mente dizia que não. Meu coração queria. Então...

– Sim, eu confio. Mesmo não sabendo até onde isso pode me levar.

Um sorriso, olhos determinados começaram a se levantar depois de ter mirado o chão por alguns minutos, já estava na hora de tudo isso começar.

– Sigam-me. – E com esse simples comando, entramos na área do portão três. Acho que esse nome vai pegar depois. Mesmo assim, seguimos sem temer, no começo...

Ele estava com o passo apressado, atravessamos o portão e seguimos para o leste daquele colégio. Havia algo de macabro envolta de tudo aquilo, algo um pouco mais supersticioso do que qualquer outra coisa. Eu poderia dizer que estava com medo, mas não era o único. Pela primeira vez vi rostos apreensivos naquelas pessoas. Elas haviam sido reunidas por um proposito e agora estavam próximas de saber qual.

Uma escadaria, bom não havia nada de ruim nela. Até o momento que podia determinar todos os pontos.

– Não estão com medo? Ou agora vão dizer que estão?

Um sorriso macabro se formou no rosto de alguns ao pronunciarem o seu melhor “não”. Pelo menos eles estavam tentando esconder isso, alguns nem conseguiam.

Havia do lado do colégio um tipo de porta que dava a entrada a um porão, não exatamente um porão, considerando o que já foi mencionado posso pensar até na área 51 agora... Ele abriu as escotilhas. Levantou as portas e conseguimos ver, havia uma escadaria que levava pra muito abaixo do solo.

Começamos a descer aquelas escadas mal acabadas. Não sabíamos como chegaríamos ao final sem nenhuma iluminação, mas logo víamos o que realmente dava pra ser feito, a cada 15 metros tinha uma pequena iluminação e isso facilitava o acesso aquele lugar. Poderíamos seguir sem nenhuma preocupação, pelo menos era isso que eu achava.

Chegamos ao final da escadaria, nos deparamos com seis portas. Agora sim eu entendi o motivo de ter sido essa quantidade de alunos escolhidos. O que vai acontecer agora?

Notas finais
Que animação! Estou querendo saber o que vai acontecer depois disso...