Serendipity

4 O dia em que as estrelas se alinharam


Notas iniciais
Primeiramente, desculpa pela demora, às vezes nossa intenção inicial não dá certo. Mas eu nunca vou abandonar nenhuma das minhas fics, ok?
Boa leitura, pessoal, o próximo capítulo é o final!

"A pior parte do amor é a hora de deixá-lo ir.” — Children of Eden.



Tão logo ela levantou-se, sua cabeça começou a doer e girar, era como uma ressaca de vinho, porém mais forte.

Ela se encontrava em um quarto de forma redonda, sobre sua cabeça pendia um lustre que brilhava como toda uma pequena constelação, o teto era forrado por um manto, aparentemente de veludo, vermelho e ao seu redor haviam espelhos.

Espelhos irregulares, cada qual refletindo um forma diferente, ou melhor, refletindo uma Rachel Berry diferente. Cada qual uma reflexão viva do que ela seria em um universo diferente.

A sala não possuía portas ou janelas.

“Típico” – Rachel pensou amarga.

Mas ela sairia dali, custasse o que fosse, ela encontraria Finn, eles resolveriam seus problemas, o amor vence sempre no final... ou não?

Se isso fosse uma mentira, era nela que Rachel se agarraria.

Se movendo ao redor da sala e sentindo a textura das paredes rígidas contra a palma de sua mão, ela percebeu que alguém a observava. Olhando por sobre o ombro, ela percebeu que um dos reflexos no espelho a olhava com curiosidade crescente.

Era sua própria versão, porém idosa, com as linhas do rosto cansadas e a boca seca pelos anos e pela vida. Daquela figura exalava uma tristeza assoladora, uma tristeza que ela nunca vira antes.

Seus traços eram nobres, ela vestia roupas de corte fino, mas detrás do sorriso taciturno, existia uma sombra.

– Você finalmente chegou aqui, criança. – Rachel assentiu assustada. – Eu achei que nunca viria.

Rachel abaixou as pálpebras, o peso do mundo sobre si. Lágrimas fartas caiam de seus olhos, ela sentia seu peito subir e descer, a respiração descompassada. Ela estava quebrada. Talvez pra sempre.

– Onde eu estou? – Ela perguntou com a voz entrecortada.

– Em lugar nenhum. – A Senhora no espelho sorriu. – Ou em todos os lugares, a decisão é sua. Aqui estão todas as suas vidas. – Ela apontou para os espelhos de todos os tamanhos e formatos. – Todas as histórias que existem em universos paralelos, todos os resultados das suas escolhas. Todas as diferentes versões do que poderia ter sido. Eu também sou uma das histórias que poderiam ter sido. Você fez um pedido numa noite de Natal e no momento não percebeu o que isso significava. Quando dizem que devemos ter cuidado com o que desejamos, estão certos, desejos são perigosos, traiçoeiros. Uma força maior do que a que podemos entender te deu uma chance. A chance de consertar o que você acha que está errado com a sua vida. Você viajou pelo tempo e espaço, minha querida, seu corpo está suspenso nas areias do tempo.

– Eu não quero consertar nada na minha vida, ela já era perfeita, eu é que fui estúpida e não percebi. – Ela disse com a voz esganada. – Meu marido, Finn, ele morreu em um desses infinitos universos, era ele, porém mais novo, o mais velho estava ao meu lado, nós assistimos o que aconteceu, porém, ele não está aqui agora, por quê?

A imagem no espelho meneou a cabeça, os olhos vermelhos.

– Finn? Vocês se casaram? – Seus olhos brilhavam, Rachel enxergou toda a dor que sua versão de outro universo sentia. – E mesmo estando ao lado dele, você quis ter uma vida diferente, agora eu te perguntou o porquê.

–Nós estávamos nos desentendendo nos últimos tempos. Eu não queria que fosse assim, foi uma atitude impensada. – Ela soluçou.

– O meu Finn morreu na Guerra, nós estávamos noivos. – Ela dizia, a voz vinha de um sonho. – Eu estava tomando chá gelado na casa da mãe dele, quando vieram entregar a carta que avisava sobre seu falecimento. Eu sabia que meu mundo estava destruído ali e junto com ele meus sonhos e qualquer esperança de amor na minha vida. Eu coloquei a bandeira do país sobre seu corpo, eu vi os olhos dele sem vida e eu daria qualquer coisa pra trazê-lo de volta e você me diz que deixou que ele se esvaísse pelos seus dedos, que o deixou morrer?

– Não, eu tentei consertar as coisas, eu queria que nosso passado fosse diferente, eu tinha a chance de fazer algo certo. – Rachel gaguejava.

– Oh, menina tola. – Ela sacudiu a cabeça. – Finn estava, assim como você está, presa num redemoinho do tempo, se qualquer coisa acontece com um dos seus outros eu correspondentes enquanto você está num redemoinho do tempo, isso acontece com você também. É uma consequência direta das viagens do tempo. Você não deveria tentar mudar o passado. O que aconteceu não pode ser alterado, mas você sempre pode alterar suas escolhas e mudar suas atitudes no presente.

– Eu não posso perdê-lo e você está dizendo que o que está feito não pode ser desfeito e que ele se foi, é isso? Como eu vou suportar viver?

– Eu também não podia perdê-lo e como você pode ver, estou bem aqui a sua frente e nossas almas estão tendo essa conversa. – Ela fechou os olhos, procurando se acalmar. – Eu tive que seguir minha vida, jovem. O caminho da fama não é fácil, principalmente quando não se tem um lar, uma família, é fácil se perder. Eu experimentei de tudo, vivi muitas coisas, tive romances breves entre um Martini e uma estação de metrô, mas nada disso preencheu o abismo no meu peito e eu daria de bom gosto tudo o que conquistei por cinco minutos ao lado de Finn. Você teve tudo o que eu não tive, isso é mérito seu e agora você pode salvá-lo, mas se falhar, ele perecerá pra sempre.

– O que eu tenho que fazer? – Rachel indagou esperançosa.

A Senhora a sua frente, respirou profundamente.

– Você tem que sacrificar a sua história e escolher outra vida, só assim ele poderá sobreviver, mas ele não se lembrará de você.

Rachel piscou rapidamente, ela sabia o que tinha que fazer.

A coisa certa.


Notas finais
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