Ser a sombra e ser a luz
2 Lembranças : Um mês depois....
Notas iniciais
Como prometido, Kuroko e eu fomos a escola juntos aquele dia e nos próximos que vieram a seguir-se...
Olhei a mim mesma no espelho.
Havia cicatrizes em meu torso.
Marcas irregulares e tortas, algumas que quase sumiram e umas rosinhas, mas as memórias nunca sumiam...
Vieram de uma época sombria, cuja qual nem mesmo meus pais sabiam pelo o que passei. Eu preferia que fosse assim. Que essa fase continuasse no escuro.
Mesmo com todas elas ali, minha pele ainda era macia, provando que eu não fui completamente maculada. Eu havia vencido.
Após arrumar-me e arrumar a mochila, desci para comer um bolinho o 'Ana Maria', que tinha trazido do Brasil, o suficiente para um mês.
E então alguém bateu a minha porta. Três pancadinhas suaves, que me fizeram sorrir, eu já sabia quem era.
Fui a passos rápidos e abri-a suavemente, com o bolinho em minha boca, um pacotinho nas mãos, a bolsa pendurada em um ombro, quase caindo, e tive de erguer a cabeça para encarar a pessoa parada ali:
— Kuroko-san. Ohayo. — Murmurei, me concentrar para não deixar o bolinho cair.
— Ohayo, Yozora-chan. — Ele olhou atentamente para o bolinho antes de partir um pedaço e comê-lo. — Que gostoso. — Comentou.
— Ladrãozinho. — Ri dele. — Tem um farelo no seu rosto. — Alertei.
Ele limpou-o e lambeu-o de volta, envesgando os olhos por um momento, então, olhando para mim de cima, com sua expressão de costume.
— É bom ter alguém menor que eu, para variar. — Disse com um sorriso quase invisível.
— Cale a boca. — Empurrei-o um pouco antes de me virar para trancar a porta.
Nós estamos 'andando' juntos faz um mês. Kuroko é meu primeiro amigo aqui.
Fomos até a esquina e esperamos o sinal fechar. Dividi o último bolinho com ele, que ele aceitou com um sorriso doce.
Olhei-o de lado, mordendo o resto do bolinho e desviei minha atenção para o sinal quando ele me notou.
Nunca fui de andar com os meninos, ainda mais... tão perto.
Eu costumava a jogar, na educação física, cumprimentar e ir embora.
Um 'alô' e 'bom dia', de vez em quando.
Sem perceber já estávamos nos portões e ele nem havia terminado sua parte.
De repente, ele a comeu todo de uma vez, fazendo-me rir.
— Yozora-chan? Você é da mesma sala que o Aomine-kun? — Perguntou de repente.
— Aomine? Um rapaz moreno? — Questionei, inclinando a cabeça e estreitando os olhos.
Ele concordou com um aceno.
— Sou sim. Porque a pergunta? — Questionei.
— Queria saber como ele é quando não está jogando. — Comentou, quando voltamos a andar.
— Ele parece ser um cara legal. Brincalhão até. Não falo com ele. — Acenei como faria uma velha sábia.
Ele olhou-me um pouco e depois sorriu.
Sorri de volta, apesar de não saber o porque.
Kuroko era uma pessoa com quem você pode falar com facilidade, apesar de suas poucas emoções.
Eu gostava da companhia dele, mesmo que não fosse para falar nada. Era menos solitário.
Além disso, parecia que nos conhecíamos há muito tempo.
— Quer tomar Milkshake no Magi Burguer depois da sua aula de violino hoje? — Perguntou.
— Seria maravilhoso. — Sorri.
Nesse mesmo dia...
" Respira e inspira." Lembrei-me enquanto corria.
Já fazia um mês que estudo aqui, mais precisamente um mês e uma semana que moro no Japão.
Só os professores falavam comigo, nenhum amigo, exceto Kuroko.
Agora era aula de educação física e o professor resolveu nos fazer correr ao redor da escola.
Eu estava correndo ao lado do menino de cabelo azul marinho, o tal Aomine que Kuroko mencionou mais cedo.
Tinha de admitir: apesar do costume, era muito estranho não ser notada. E pensar que tive a esperança de aqui seria diferente, mas é óbvio que não.
" Como ele é rápido." Comentei em pensamento.
Estávamos na frente, liderando o grupo e ele começou a me passar.
Comecei uma corrida invisível com ele, tentando ultrapassa-lo sem estarmos competindo.
Eu tinha me inscrito no clube de música, o professor havia me indicado.
Com a ajuda dele eu toco violino perfeitamente.
Comprei, com minha mesada, o instrumento de segunda mão para praticar.
Minha mesada estava cobrindo tudo, mas eu não posso deixar de me sentir culpada e ando procurando um emprego. Era errado ficar vivendo as custas do meu pai.
Assim, eu tendo meu salário, ele pode reduzir a mesada pela metade, (porque mamãe ia faze-lo depositar nem que fosse 40 reais por mês.)
Para variar, eu continuava sendo espetacularmente cdf, tirando notas altas sem muito esforço, podendo até escolher qual trabalho fazer e deixar de fazer uns sem que a nota caísse demais. Ser inteligente tem suas vantagens.
Mesmo não tendo com quem conversar (durante o horário escola, porque eu só falava com Kuroko na entrada, almoço e saída),eu ainda estava me divertindo muito e eu ligava para minhas duas melhores amigas uma ou duas vezes por semana (o trabalho escolar daqui é dobrado e nem sempre tenho net ou crédito.)
Comecei a ultrapassar o rapaz moreno tranquilamente, mantendo a respiração regular para manter uma boa oxigenação dos músculos.
No exato momento que estava a sua frente, com uma certa dianteira de uns trinta centímetros, senti olhos em mim e ouvi um engasgar de surpresa.
— Mas o que!? — Disse.
Olhei para trás, o rapaz moreno estava olhando-me muito assustado. Seus olhos eram de um tom azul marinho, como lápis lazúli.
— Quem é você? — Perguntou.
— E quem é você? — Devolvi-lhe um pouco rude, avançando um pouco mais.
Ele alcançou-me olhando surpreso e um pouco irritado, mas muito surpreso.
— Aomine Daiki. — Apresentou-se.
— Yozora Arisu. — Lembrei-me de adicionar o sobrenome na frente.
— Oh? Você é aluna de transferência? — Perguntou e concordei com a cabeça. — Haha. Você não tem muito sotaque. Quando chegou? — Ele ergueu uma sobrancelha, curioso.
— Estudo aqui desde o início do ano. — Respondi secamente.
— Mesmo!? Mas, eu nunca te vi! — Protestou.
— A culpa não é minha que não preste atenção. — Continuei, sem olha-lo.
Com o canto do olho vi-o abrir a boca para protestar, mas então seu rosto ficou rosado e ele olhou pra longe, parecendo fazer beicinho.
Ouvi-o suspirar em derrota segundos depois.
— Hey... desculpe por isso. — Pediu suavemente.
— Estou acostumada. Não é realmente culpa de ninguém. — Virei para olha-lo e sorri gentilmente com olhos cansados.
Ele pareceu chateado com algo, mas eu voltei a olhar para frente.
Eu era muito desajustada se não prestasse atenção ao que fazia.
— Então... De onde vem...? — Perguntou.
— Brasil. — Sacudi a questão.
— Mesmo!? Como é lá? — Perguntou animadamente.
— Muito quente. Muito barulhento. Muita corrupção. A lista é longa. — Olhei-o com a sobrancelha erguida. — Mas, onde eu morava até que era tranquilo, só o índice de violência era um pouco alto, assaltos sabe? — Dei de ombros.
— Entendo. — Ele pareceu pensativo. — E que tipo de esportes vocês costumavam a praticar na sua escola? — Perguntou.
— Queimado e vôlei eram frequentes. Além de futebol, mas geralmente só meninos que jogam. — Encolhi os ombros. — Eu não participava de nada, porém. — Escondi um bocejo.
— Por que não? — Perguntou, meio fazendo beicinho.
Ri um pouco de seu comportamento infantil.
— A última vez que joguei meus óculos quebraram e eu não consigo ficar muito tempo sem eles. Claro, dava para jogar um pouco sem eles, só que os alunos ficam muito... hm... 'agitados', vamos dizer assim. — Fiz uma careta de ligeira raiva.
— Ah... Bem. Não precisa se preocupar com isso por aqui. — Garantiu-me.
Permaneci em silêncio quando visualizei o professor um pouco a frente.
— Hm... de que clube faz parte? — Ele voltou a perguntar.
Olhei-o com um olhar curioso, me perguntando porque ele estaria puxando assunto comigo.
— Clube de música... — Respondi vagamente. — E você? — Questionei.
— Eu sou do clube de basquete. Jogo no time principal. — Sorriu com orgulho.
— Oh, que legal. — Sorri . — Eu gosto de basquete. — Nós paramos, quando vimos o sinal do professor e pegamos uma garrafa de água cada.
— Já jogou? — Perguntou, um certo brilho em seus olhos.
— Faz tempo que não jogo. Não sou exatamente boa e estou bem 'enferrujada'. — Sorri sem jeito.
— Hm. — Ele encarou-me por breves instantes. — Ei, por que não vem assistir nosso treino depois da aula? — Disse. — Nós somos muito bons. — Afirmou com certa arrogância.
— Talvez o sensei me deixe ir. Mas talvez não. Se der eu apareço por lá. — Concluí, tomando um longo gole de água.
Ele sorriu e ficou me encarando.
— ... — Olhei-o de volta.
— ... — Ele permaneceu em silêncio.
— ..... — Mexi-me sem jeito.
— ... — Ele não esboçou reação.
— ........Dá para parar com isso? — Pedi, desconfortável.
— Hehe. Desculpe. — Ele fechou os olhos um pouco e abriu-os novamente, parecendo feliz . — É que durante o tempo que estou aqui você é a segunda pessoa com quem fala comigo como se eu não fosse alguém famoso. É uma boa mudança. — Sorriu mais amplo.
Pisquei, olhando-o sem entender.
— Claro que vou falar normalmente. As pessoas continuam sendo pessoas independente de qualquer coisa que as faça diferentes. Pessoas que se comportam de forma diferente para com os outros geralmente se cegam com riquezas e bens materiais. — Respondi tranquilamente.
Ele abriu a boca em ligeiro choque e sorriu de novo.
— É. Acho que está certa. — Seus olhos brilharam em curiosidade em seguida. — Deixe-me adivinhar. — Ele franziu o rosto em concentração. — Você gosta de filosofia? — Ergueu uma sobrancelha.
— Literatura. — Sorri suavemente.
— Eu vejo. — Ele fechou os olhos e fez uma pequena carranca. — Eu sou péssimo nos dois. — Lamentou, fazendo-me rir baixinho.
— Se quiser... eu posso ajudar. — Ergui uma sobrancelha.
— Faria isso!? — Gritou, fazendo-me recuar levemente. — Desculpe. — Pediu com um olhar preocupado.
Dei de ombros rapidamente, com um aceno.
— Claro. Eu gosto de ajudar. — Olhei-o calmamente.
Ele sorriu tão largamente que pensei que sua boca ia rasgar.
— Obrigado! — Abraçou-me.
— Uhn. De nada. Mas, me solte, você está suando e fedendo. — Ele não fez movimento, mas balançou-me de um lado para outro, apertando o rosto no meu. — Aomine-san, estou falando sério. — Empurrei-o, mas ele não se moveu. — Me solte! — Ok, agora eu estava zangada.
— Opa. Desculpe. — Sorriu sem jeito, o rosto ligeiramente rosado.
O cheiro de suor masculino não era lá rosas da primavera.
Algum bicho morreu em baixo daqueles braços?!
— Aomine-san. Por favor, vá tomar um banho. — Lamentei e ele apenas riu de meu sofrimento.
Extra ending:
Kuroko No Basket: NG_SHUU ( erros de gravação)
— Esqueça, por favor.
Erro 1:
Fui a passos rápidos e abri-a suavemente, com o bolinho em minha boca, um pacotinho nas
mãos, a bolsa pendurada em um ombro, quase caindo, e tive de erguer a cabeça para encarar a pessoa parada ali.
— Kuroko-san. Ohayo. -Disse de bolinho na boca.
— Ohayo, Yozora-chan. — Ele olhou atentamente para o bolinho antes de partir um pedaço e comê-lo. — Que gostoso. — Comentou.
— Ladrão de bolinhos. — Ri dele. — Tem um farelo no seu rosto.- Alertei.
Ele limpou-o e lambeu-o de volta, olhando para mim de cima, com sua expressão de costume.
—... Não me encare quando fizer isso. É estranho. — Reclamei.
— Porque? — Pediu.
— Parece aqueles cara que querem seduzir alguém. — Comentei, fechando a porta.
—...-
—...-
—...-
—... Oh... não me diga que tentou isso!? — Gritei
— Esqueça, por favor.-
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