Ser a sombra e ser a luz
9 Lembrança: relacionamentos
Notas iniciais
011.Lembranças : mistura de cores
No dia seguinte ao incidente com Kise,Momoi apareceu na porta da nossa sala.
—Ari-chan!Ari-chan!- Ela veio correndo,seus peitos pulando para qualquer um ver.
Ergui uma sobrancelha,mas assisti-a em silêncio parar ao lado da minha mesa.
—Aqui! Aqui!- Exclamou,pondo um caderno em minha mesa.
Tinha um esquema de cor simples que consistia de rosa e azul bebê,no centro uma rosa delicada ,cujo cada pétala tinha uma cor do arco-íris_exceto verde que estava presente no caule e também na folha que acompanhava._
—Que bonito.- Sorri,pensando que ela queria me mostra-lo apenas.
—Gostou? É para você! Como prova de nossa amizade! Pode usar como diário se quiser.-Sussurrou a última parte.
— ...Mais Momoi-san...eu não tenho nada para você...-Comecei.
— Não precisa,sua fofa!- Ela espremeu minhas bochechas e ficou fazendo caretas,como geralmente se faz para bebês.
—Unn...se você diz...-Concordei relutante.
Ela deu-me um sorriso brilhante e um abraço_ Que quase me sufocou no processo,já que ela se agarrou ao meu pescoço._
Vi-a falar algo com Aomine,antes de sair saltitando da sala.
Encarei o caderno,tentando compreender tudo.
—Uhn. Um caderno...Ela fez esse estrondo todo para te dar um caderno...-A voz de Aomine murmurou atrás de mim ligeiramente sonolenta.
Olhei para ele e dei um sorriso leve.
— Foi muito legal da parte dela.-Comentei.
—Sim. Satsuki costuma a fazer esse tipo de coisa.- Ele concordou,examinando o caderno agora em suas mãos.-As folhas são uma de cada cor...- Murmurou de novo.
—Ne? Do que ela gosta?-Pedi.
—Hnm...porque a pergunta?- Perguntou de volta.
—Quero dar algo a ela.- Sorri.
Durante a pausa no almoço,Aomine insistiu que eu ficasse com ele e os meninos do seu clube.
Alguns minutos de argumentos com ele,eu estreitei os olhos aborrecidas e disse a Kuroko o que aconteceu por mensagem,antes de concordar com ele.
— Apenas pare de me olhar assim.-Ralhei,enquanto ele fazia olhos de cachorrinho e beicinho.
Então_depois de uma pequena comemoração sua_alegremente me arrastou para o refeitório. E de onde estávamos,pude ver a cabeleira roxa de Murasakibara e a verde de Midorima.
Aomine olhou-me por cima do ombro,como se estivesse checando se eu estava bem e deu-me um sorriso caloroso que não pude deixar de devolver.
—Hn? Zorachiin. Bom dia.-Murasakibara disse quando viu-me um pouco atrás de Aomine.
—An...bom dia.- Consegui dizer de volta, de repente me sentindo desconcertada.
Todos eles voltaram-se para mim,cada um dizendo bom dia e acenei o cumprimento de volta.
Aomine fez-me sentar entre ele e Midorima,de frente a Murasakibara.
Fiquei em silêncio em boa parte do almoço,apenas assistindo os outros falarem.
As vezes,Murasakibara e Midorima discutiam e era realmente engraçado.
Suspirei,satisfeita ao terminar meu almoço e esperei Aomine terminar o dele.
Mexi-me de forma desconfortável na cadeira.
Akashi apenas não parava de me encarar.
—Isso me lembra.-Midorima disse de repente.- Qual é o seu signo?- Perguntou a mim.
— An...Áries.- Respondi um pouco confusa.
—Bom.Sou de câncer.- Ele acenou e pareceu pensar em algo.
— Ignore isso.- Aomine sussurrou no meu ouvido.-Ele é supersticioso.- Continuou.
Dei de ombros levemente,enquanto ele se empanturrava de comida.
Quando voltamos a sala,Aomine sentou-se em minha mesa e começou a divagar sobre o campeonato que estava por vir.
— Ne? Você promete ir a todos os jogos?- Pediu, os olhos cintilando.
— Que?- Perguntei.- Porque quer que eu vá?- Ergui uma sobrancelha.
— Para torcer pelo time,claro!E também é sempre melhor quando algum amigo nosso está na arquibancada. — Disse.
— Isso da mais segurança?- Sugeri e ele acenou com um sorriso.- Não vou prometer nada,mas vou tentar.- Suspirei.
Ele comemorou baixinho novamente e eu revirei os olhos mais sorri para suas ações.
— Ne? Sei de um conto sobre flores coloridas.- Comentou ,olhando para o caderno que Momoi me deu.-Minha mãe me contava. Quer ouvir?- Perguntou e eu assenti levemente.- Bem...-Ele forçou a garganta.-"Era uma vez,um ser transparente...
Ele era sozinho e muito triste.Os outros seres coloridos riam dele e ,um dia, ele correu para longe e se isolou.
— Quem sou eu?- ele se perguntava...
Dentro de uma caverna,triste e deprimido,um coelho se aproximou e deitou em suas pernas...E assim o ser sem cor coloriu-se de rosa afetuoso.O ser sorriu para o animal,gostando de sua companhia silenciosa...
A noite começou a cair e o ser observou o céu noturno.Então o ser levemente tingido de rosa ganhou listras de um azul profundamente acolhedor...
Vaga-lumes saíram da floresta e iluminaram as folhos das árvores elegantes.O ser se alegrou.Viu como bonito era. Então,de repente, tinta verde foi lindamente traçada em formatos cuidadosos em seus braços,o verde era muito zeloso...
Sentindo-se de bom humor, o ser acolheu o pequeno animal em seu colo e começou a caminhar vagarosamente,até uma campina repleta de flores...
Um sorriso o ser deu e logo saiu um som saiu,sua própria risada,como ele deitou-se perto de flores roxas.Então,o ser percebeu que usava roupas roxas e riu novamente.Um pouco de vermelho cobriu-lhe as faces e ele sorriu para a lua cintilante...
Uma noite se passou e o ser acordou com um pouco de dificuldade...
Sua primeira visão foi o azul protetor que pairava acima de todos,o céu limpo e brilhante.O ser levou o coelho até um lago e olhou seu reflexo...Estava coberto de tinta ,rosa,verde e dois tons de azul. Sua roupa,ambos saia e camisa eram de um roxo-violeta. Seu cabelo,de tão ruivo que era,ficou alaranjado.Seus olhos eram amarelos,dourados,como os de uma ave sempre a espreita e um vermelho persistente não abandonava suas bochechas.
Vendo isso,o ser se alegrou: — Eu sou alguém.- Suspirou e sorriu.- Eu posso ser alguém.-Disse ao coelho.
De repente,ele se sentiu cansado e se sentiu frio,ele não estava muito bem.Mais ainda sim se sentou perto do lago...
Um brilho escaldante lhe envolveu e o ser se sentiu muito feliz feliz,uma lágrima desceu serenamente.
Em seu lugar,uma flor apareceu,com as cores que antes lhes foram dadas.Assim foi como ele decidiu ser alguém...
A flor só apareceria para aqueles que não tinham mais esperança e se encontravam perdidos no mundo e a flor iria ajuda-los a ter algo que ela sempre desejou: -amigos..."— Ele terminou com um suspiro triste.
— É muito bonito.- Sorri.
— Sim...-Ele sorriu de volta.- E sabe o que? O ser transparente me lembra de você...- Disse.
Inclinei a cabeça ,um pouco confusa,mas não tive tempo de pensar muito,pois o professor entrou em sala e já havia começado a brigar com Aomine por estar na minha mesa.
Mais tarde,eu verifiquei com meus colegas do clube de música e eles disseram que nosso professor havia parado de mandar partituras pelos seus e-mails.
Fiz uma nota mental para verificar de noite.
Suspirando,pensei em ir ver Kuroko,mas também queria evitar ser arrastada por Aomine para fazer absolutamente nada além de observa-lo.
Gemi ,fechando os olhos.
— O que fazer?- Murmurei a mim mesma.
— Falando sozinha?- Alguém sussurrou em meu ouvido.
Meus olhos ampliaram sem vezes mais que o costume e controlei-me para não gritar,mas senti meus músculos enrijeceram e tremerem com o susto.
Virei-me para ficar de frente com a pessoa e para manter-me afastada.
— Ah,Haizaki...boa tarde.- Cumprimentei.
Ele deu-me um sorriso sujo.
Lembrei-me de minha amiga/irmã,Aira e estremeci levemente,pensando no que ela faria se estivesse ao meu lado.
Aira era do tamanho de Kuroko,cortou seu cabelo cacheado na altura do ombro e pintou-o de diversas cores_ Verde fluorescente,cinza e azul eram predominantes_, os olhos castanho-avermelhados sempre carregavam um pouco de diversão. A pele queimada pelo sol de um país tropical.
Ela era japonesa,mas,devido a separação de seus pais,se mudou para o Brasil.
Nos tornamos boas amigas após alguns dias de nos conhecer.
Aira fazia jus ao significado do seu nome, tinha uma ira incontrolável e era extremamente protetora quando se tratava de mim e de Luna.
Luna era outra amiga/irmã minha,elas são as únicas que eu tenho de longa data.
Diferente de mim,que tenho 2/4 japonesa e o resto brasileira e Aira que é 100% japonesa,Luna era 2/4 espanhola e o resto japonesa_ Temos muito em comum,não?_
Luna era a mais alta de nosso trio,um pouco mais alta que Akashi,pele morena,cabelo encaracolado e longo da cor preto fosco e olhos castanho claro,quase mel.
Não muito diferente de Aira,Luna também era conhecida por ter acessos de fúria,mas ela é muito mente aberta sobre tudo e era difícil vê-la de baixo astral,sempre alegre e brincalhona. Mais, ela costumava a reclamar de ser muito magra e de não desenvolver suas 'partes' como eu desenvolvi_ Eu sempre falei da genética para tranquiliza-la ,até disse que poderia correr mais tarde,como ocorreu com algumas das minhas primas._
Sorri discretamente ao lembrar das duas,mas votei ao olhar cauteloso quando Haizaki deu um passo na minha direção.
— Precisa de alguma coisa?- Perguntei aborrecida.
— Sabe,eu estava reparando em você um pouco.- Começou.- E olha que isso é muito difícil,você some a todo momento.- Zombou e eu bufei.- Mais eu notei algo interessante...- Disse,parando a poucos centímetros de mim.
Franzi as sobrancelhas,não gostando do tema nem do tom que usava.
De repente,sua mão pousou sobre meu seio.
— Ah,então não são falsos!- Exclamou,rapidamente se afastando quando levantei o punho para atingi-lo.- Eu fiquei me perguntando se eram,porque muitas meninas daqui fazem isso.- Em seguida deu um riso zombeteiro.- O que dizem sobre baixinhas é verdade então. O que não tem em tamanho tem no resto.- Deu-me um olhar estranho.
Senti-me extremamente irritada e desconfortável sob seu olhar.
Além disso,estava incomodada com aquela emoção em seus olhos. Ela não me era estranha.
Bufei com raiva e dei meia volta,não querendo ficar perto dele.
— Hey,volte aqui.- Disse com falso zelo na voz.
Pegou meu pulso e puxou-me de volta.
— Você até que não é tão ruim. Tem um rostinho bonito e seu corpo não é como uma vara ,igual aos das minhas ex.-Passou um braço pela minha cintura e puxou-me contra si,segurando meu pulso apertado.- Talvez nós...Ghuh!- Ele engasgou quando meu cotovelo colidiu com seu rosto.
Imediatamente ele me soltou e virei-me com o rosto vermelho e chutei-o onde o sol não bate.
— Nunca mais faça isso.- Rosnei,tremendo com raiva.
Ele enviou-me um olhar assustado e concordou rapidamente.
Soltei um suspiro,que saiu em forma de vapor_ Parecia até desenho animado,quando o personagem sopra fumaça de sua raiva._
— Consegue levantar?- Perguntei depois de segundos,começando a me sentir mal.
Aira sempre reclamou da minha natureza.
Eu simplesmente não conseguia não sentir piedade _ Acho que era isso_
Mesmo que ele tenha merecido uma pancada,não pude deixar de me sentir culpada.
Ouvi-o dar uma respiração aguda.
— Não acredito...-Ele riu.- Mesmo assim se preocupa?- Perguntou.
— Se consegue então vou deixa-lo em paz.- Dei a volta por ele,não querendo assunto.
Consegui ouvi-lo levantar e ele deu um bufo.
Não pude deixar de me perguntar qual era o problema daquele garoto.
Olhei por cima do ombro,para vê-lo me observando.
E soube imediatamente o que ele estava observando.
— Amarelo?- Perguntou com um sorriso.
Fiquei segundos encarando-o,com a mente quase em branco.
— Não é carvão.- Ele gargalhou.- Imbecil.- Murmurei, a sensação de estar com raiva de alguém me surpreendeu um pouco.
— Uma visão muito agradável. Amarelo fica bem em você.- Riu de novo.- Seu sarcasmo é ótimo,falando nisso.- Deu meia volta,calmamente.
Se olhares pudessem matar,ele estaria fuzilado neste exato momento.
— Idiota.- Murmurei de novo,dando um giro completo,meu cabelo seguindo o movimento.
Depois de um mês e alguns dias,finalmente tenho alguém que eu odeio.
Fiz um som desconfortável,como eu tive a sensação de estar sendo seguida.
Andando com passos ritmados na calçada da escola,verifiquei o telefone após uma vibração.
Uma mensagem de Kuroko.
—" Nem pense em ir para casa sozinha,Yozora-chan."- Dizia.
Sorri e vi-me um pouco confusa.
"Como ele sabia que eu estava saindo?"
Outra vibração tirou-me do torpor em que eu estava.
—" Dê meia volta ."-Desconhecido.
Franzi a testa para isso.
Quem quer que seja é muito mandão.
Virei-me para ir ao encontro de Kuroko.
—Buff!- Foi o ruído que saiu de mim quando esbarrei em algo que simplesmente não estava ali antes.
Senti braços ao meu redor e logo entendi que era uma pessoa.
Respirei fundo para recuperar-me do susto e um cheiro de um perfume muito bom,misturado a suor encheu meus sentidos.
Com isso concluí que devia ser alguém do time.
Lentamente levantei a cabeça para poder me desculpar.
— É muito perigoso ir sozinha. Por favor,espere nosso treino acabar.- A voz de veludo disse antes que eu pudesse dizer algo.
—Akashi-san.- Murmurei.-Un,desculpe por isso.- Afastei-me e ele deixou seus braços caírem em seus lados.- É que eu tenho um gato em casa,ele deve estar com fome.-Expliquei.
— Mais ia voltar para encontrar alguém.- Ele ergueu uma sobrancelha.
" Para um menino com um rosto tão fofo ele é bem sagaz não?" Pensei,colocando meus óculos no lugar com ligeiro nervosismo.
— Bem,sim. Ele pediu para eu não ir sozihna. Ia só ver se ele ia demorar muito.-Expliquei.
— Ele? Quer dizer o Daiki?- Perguntou,inclinando a cabeça.
" Ok. Você é muito fofo,mas pare de me investigar."
Neguei levemente com a cabeça.
— Bem,tenho certeza que 'ele ' não ficará chateado se um de nós te acompanhar.-Ele estendeu a mão para mim.- Atsushi ,Shintaro, e eu já terminamos nossa formação.- Aceitei-a hesitante e ele conduziu-me para a escola.- Então,se você esperar que tomemos um banho rápido,podemos levar você.- Disse.
—Un...tudo bem...- Concordei,me sentindo sem jeito.
Ele estava falando tão abertamente comigo e nem nos conhecíamos direito.
Sua abordagem era diferente dos outros e me deixava ligeiramente assustada e inquieta.
Como mesmo ele chegou tão perto de mim sem que eu ouvisse?
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