Notas iniciais
*Reeditado: 14/10/14

– Está falando sério? — pergunta surpreso

– Sim... — diz Magali ainda tentando manter a postura firme

– Fico feliz — diz Quim com um sorriso — Bem... Te vejo amanhã?

– Claro! — diz Magali — Obrigada pelo o convite!

– Eu que agradeço por ter aceitado, vamos nos divertir muito... — diz Quim com um sorriso — Vai ver!

Eles se despedem novamente, e dessa vez Magali vai para sua casa. Ao chegar, sua mãe logo nota que a filha estava abatida, Dona Lili até tenta conversar com ela e tudo mais, mas a garota não queria falar no assunto, ela apenas se isola em seu quarto até a hora do jantar. Depois de comer e ficar satisfeita, ela se despede da mãe e volta para seu quarto.

Agora apenas restava uma noite de descanso para Magali, foi muita energia negativa num dia só. Assim, ela toma banho e vai direto para a cama ver se conseguia pegar no sono, o que para ela, também estava sendo difícil.

Enquanto isso, Mônica estava relendo a carta de seu admirador secreto pela milésima vez. Ela pensava que era impossível ele ter escrito aquelas palavras tão bonitas, para agora não dar mais as caras. E ela também se perguntava, quando vai ser seu próximo sinal de vida?

– Mônica! — gritava Dona Luísa da sala — Chegou outra carta pra você!

Ao ouvir aquilo, Mônica não pensa duas vezes e vai correndo até sua carta. Ela a pega das mãos da mãe, que ficou surpresa com a pressa da filha, e volta correndo para o seu quarto para poder lê-la enfim.

Assim, ela a abre e lê:

"Querida Mônica,

Não me aguento mais me ver longe de você

Por isso mesmo , quero que você vá ao baile comigo

Entregue essa carta para a bibliotecária amanhã com sua resposta

Ass: Seu admirador secreto"

Mônica chega a ficar ansiosa com a proposta e tudo mais, mas acaba ficando estática por alguns minutos ao se lembrar de Cebola. Se ela aceitasse, o garoto poderia ficar triste com ela, mas por outro, ele poderia chamar outra garota ao invés dela. Eram muitas questões, mas a dentuça logo se decide a responder seu admirador, e confirmar sua presença.

Depois de algumas horas, enfim chega a madrugada e Magali não estava conseguindo dormir. Ela ainda não havia pegado no sono desde que tinha voltado para o seu quarto depois do jantar. Foi naquele momento que ela escuta algo batendo na janela, ela se levanta e vai até lá ver o que estava acontecendo. Quando a garota abre as cortinas fica surpresa com a cena: Cascão estava em cima da árvore que era próxima a janela de seu quarto.

Ela respira fundo e abre a janela.

– Não acha que estamos nos encontrando muito hoje? — pergunta Magali debruçada na janela

– Sabe que já estamos no dia seguinte, né? — diz o garoto

– O que está fazendo aí, sem noção? — diz Magali sem paciência

– Eu precisava falar com você! — diz Cascão — Será que eu posso entrar?

– Como é que é?! — diz Magali nervosa — Eu não vou deixar vo...!

Antes que terminasse de falar, Cascão acaba entrando pela janela. Magali fica surpresa e ao mesmo tempo irritada por ele tê-la desobedecido. E no mesmo tempo, ela começa a reclamar com ele:

– O que te faz pensar que pode invadir o quarto dos outros assim?!

– Será que você pode parar de reclamar por alguns segundos? — diz Cascão de cara feia — Eu não consegui dormir, então vim aqui tentar me resolver com você, de novo!

Ao ouvir aquilo do garoto, Magali se sente culpada e dá um suspiro.

– Me desculpa, é que... — diz ela sentando em sua cama — Eu também não consegui.

Cascão percebeu que a garota havia ficado com uma afeição triste, então ele se senta ao seu lado, e tenta melhorar as coisas.

– Er... Me desculpa também, eu acho que exagerei — diz ele

– Não, você está certo — diz Magali — Até agora, eu só consegui discutir com você.

Eles ficam alguns minutos em silêncio, até que Magali cria coragem e fala:

– Eu... Eu acho que só pioramos as coisas...

– Como assim? — pergunta Cascão surpreso

– O que estou tentando dizer é que... — diz Magali — Nós não devíamos ter ido longe com esse plano maluco, olha só o que aconteceu com a gente!

– Ele aconteceu por que queríamos isso, Magali — diz Cascão — Não fomos obrigados a nada!

– Mas você ainda é conectado com a Cascuda, ela ainda gosta de você e... — diz Magali — Você ainda gosta dela!

Cascão começa a estranhar aquela conversa, até que a garota finalmente diz:

– Eu vi vocês dois no parquinho hoje!

– Ah, Magali... — diz Cascão — Aquilo não foi...

– Aquilo foi o suficiente pra mim perceber que, nós dois não fomos feitos pra ficar juntos de verdade — interrompe Magali — Aceita o convite dela, Cascão!

– Ficou maluca agora?! — diz Cascão surpreso

– Eu sei que parece loucura, mas... — diz Magali — O que vocês tiveram era amor de verdade, vocês se completavam e...

Antes que a garota pudesse terminar de falar, o sujinho a puxa para si e a olha nos olhos bem cara a cara. Ele está prestes a beija-la novamente, até que ele pensa em uma possibilidade, assim ele hesita e se afasta, então pergunta para ela:

– O Quim te chamou, não chamou?

Magali dá um suspiro e acena com a cabeça afirmando.

– E... — diz Cascão — Você aceitou, não aceitou?

Ela afirma novamente com a cabeça, só que com lágrimas nos olhos. Assim, o garoto continua a falar:

– Eu demorei demais pra perceber, mas eu realmente pensei... — diz Cascão decepcionado — Que ia dar certo... Então, é só isso? Prefere que a gente perca um ao outro?

– Não podemos perder, o que nunca tivemos... — diz Magali, olhando com seus olhos cheios de lágrimas

Cansado de ouvir toda aquela desculpa, Cascão volta para a janela. E antes de pular para a árvore, ele acaba falando:

– Ah, eu vou sim ao baile com a Cascuda — diz ele num tom sério — Pelo ou menos, ela não me decepcionaria, não é?

Magali até tenta falar algo para ele, mas Cascão acaba saindo pela janela. Assim, Magali o olha ir embora de cabeça baixa, então, ela sente um vazio enorme em seu peito, mas sabia que aquilo que tinha feito não ia ter volta. Decepção, será que o que houve entre eles foi só isso?

A manhã finalmente chega, e como de costume, Dona Lili vai até ao quarto da filha ver se ela já tinha acordado, e quando entra, fica surpresa ao ver a filha sentada em um canto de sua cama e de cabeça baixa entre suas pernas. No mesmo momento ela fala:

– Magali! O que aconteceu aqui?!

– Mãe... — diz Magali levantando a cabeça lentamente, ela estava com as olheiras fundas — Eu... Eu tive uma péssima noite...

– Ah, querida... — diz Dona Lili sentando na cama ao lado da filha, que a abraça em seguida — Sabe que pode conversar comigo, não sabe?

– Eu... Eu vou te contar — diz Magali

Continua...