Será?

10 Papo família


Notas iniciais
Hey people / Boa leitura!!

O almoço foi aquele loucura que acontece quando a casa está cheia de gente, e o cheiro do churrasco pairava pela casa inteira. Perto da churrasqueira estava meu pai e alguns tios e na mesa grande do quintal estava minha mãe, umas tias, minha madrinha, Carol e eu. Algumas crianças corriam pelo quintal e outras brincavam na sala.

— A louça é sua Betina. – Disse minha mãe.

— Ainda continua fugindo da louça Beh? – Perguntou Carol.

— Ah, não sou fã. Acaba com minhas unhas, mas é necessário né?! – Respondi. – Tu seca! – Falei saindo da mesa e apontando para Carol.

Recolhi os pratos da mesa com a ajuda de minha madrinha e levei para a cozinha.

— Quer que eu lave filha? – Perguntou minha madrinha.

— Não madrinha, pode deixar que eu lavo. – Falei pegando a esponja.

— Tá bom, qualquer coisa a madrinha está lá fora. – Disse ela me dando um beijo na testa e saindo.

Algumas pessoas me chamam de fria em relação à meus pais. Eu os amo, só não demonstro, mas os amo muito. Porém, com minha madrinha, é um amor mais público, talvez por passar muito tempo longe, toda vez que eu estou perto quero mostrar meu amor e ela sempre foi carinhosa comigo.

Sou a única menina afilhada dela e a mais próxima por isso acho que demonstro todo esse carinho. Meu primo Felipe também é afilhado dela. Quando éramos crianças ele sempre competia comigo em tudo, mas a atenção sempre era para mim. Eu sei que ele era mais próximo dela antes quando eu estava junto, agora ele trata ela mais como tia do que madrinha. Talvez seja coisa da minha cabeça, mas eu sinto isso e minha madrinha também até porque ela gosta da família unida e de ter quem ela ama por perto, mas Felipe está se afastando cada vez mais.

Mesmo longe eu e minha madrinha ainda somos ligadas, no meu aniversário ela é a primeira a me ligar logo cedo, sempre quer estar presente mesmo de longe e eu prezo muito isso.

— O que tanto pensa? – Perguntou Carol encostando em meu braço e fazendo eu quase derrubar um prato ensaboado que estava em minha mão.

— Nada... – Respondi sem vontade de compartilhar meus pensamentos.

— Tá bom, vou fingir que acredito. Me conta mais sobre como é sua vida lá Beh! – Falou ela.

— Não tem muito a falar. Moro com minhas amigas, estou amando a faculdade de jornalismo e meu trabalho é muito bom. – Falei resumidamente.

— E o namorado? – Carol fez a pergunta que todo mundo quer saber a resposta.

Revirei os olhos e lembrei de Eduardo falando sobre conhecer os sogros, adicionei uma nota mental dizendo “chamar Eduardo para ser meu namorado de aluguei por um fim de semana, assim não precisarei responder essa pergunta.”

— Não estou namorando. Estou focada na carreira e nos estudos. – Respondi.

— Sei... você sempre foi assim né?! Vou te fazer uma pergunta e por favor, não fique brava comigo! – Falou ela meio sem jeito.

— Ok, fala. – Disse.

— Você é lésbica? – Perguntou Carol.

Parei com a pergunta. Só porque não namoro, não significa que eu seja lésbica... Comecei a rir.

— Por que você acha isso? – Perguntei em meio a crise de risos.

— Ah, não sei. Tu nunca apresentou ninguém, achei que tivesse vergonha de falar que é... – Disse ela confusa com minha reação.

— Só porque nunca quis apresentar ninguém você me julga lésbica? – Perguntei, mas não dei tempo para ela responder.

Parei de rir e me virei para Carol.

— Eu não sou lésbica e mesmo se fosse não teria vergonha, até porque tenho várias amigas lésbicas e amigos gays e tenho muito orgulho deles. Eu só nunca senti vontade de apresentar ninguém, não estou nem aí para status ou rótulo. Estou focada na minha vida profissional! – Completei um pouco mais ríspida.

— Nossa, ok. Não está mais aqui quem falou. – Disse ela vendo que eu estava começando a ficar irritada.

Voltei a lavar a louça e o silêncio prevaleceu entre nós duas.

É justamente por isso que não gosto daqui. Todo mundo quer saber da vida do outro, os boatos se espalham e cada boca distorce mais a real verdade. Se eu estivesse namorando o assunto seria “ele é bom o suficiente para você?”.

— Olha, me desculpa tá?! Eu não quis ofender ou qualquer coisa do tipo. – Falou Carol quando terminamos de limpar a cozinha.

— Tudo bem, já passou. – Falei.

Olhei no relógio e já era 16:15.

— Preciso ir buscar uma encomenda, quer ir comigo. – Perguntei à ela.

— Vou sim, só preciso avisar minha mãe para ficar de olho nas crianças. – Disse Carol.

— Tá bom. Vou tomar um banho rápido e já vamos. Qualquer coisa estarei no meu quarto. – Falei indo em direção às escadas.

— Já subo lá. – Falou Carol indo para o quintal.

Fui para meu quarto, tomei um banho rápido para tirar o cheiro de fumaça e o suor do corpo, vesti uma blusa azul escura e um shorts jeans preto, amarrei o cabelo num rabo de cavalo e continuei de chinelo.

Por volta das 16:45 já estava pronta.

— Suas amigas? – Perguntou Carol apontando para as fotos minha com a Raissa e Clarice.

— Sim, minhas melhores amigas. – Respondi.

— Bonitas elas, tem cara de ser legais. – Disse Carol.

— São muito legais mesmo... bom, vamos? – Perguntei para mudar de assunto.

Eu não gosto de ficar respondendo perguntas sobre minha vida. Raissa e Clarice são minhas amigas, eu conheço elas e elas me conhecem, nossos pais se conhecem e isso é tudo. Ninguém além de nós precisa se intrometer em nossas histórias.

— Mãe, vou na rua. Quer que eu traga alguma coisa para você? – Perguntei avisando que estava saindo.

— Não vou querer nada não. Cuidado vocês duas! – Falou ela.

— Pode deixar! – Respondi saindo.

Entramos no meu carro e Carol tentou ligar o rádio.

— Como mexe nisso? – Perguntou ela.

— Quer ouvir rádio mesmo ou alguma playlist? – Perguntei enquanto tirava o carro da garagem.

— Rádio. – Respondeu ela.

Ajustei a rádio para ela na rádio local e fomos para o mercado.

Cheguei 5 minutos antes das 17:00 horas.

— Oi, Betina! – Disse Maria quando me aproximei da padaria.

— Oi, vim buscar o bolo. – Falei.

— Está quase pronto. Se você puder esperar uns 10 minutos. – Disse ela.

— Tudo bem, volto depois então. – Falei.

— Ok. – Disse ela.

— Cah, tem sorveteria aqui? – Perguntei para Carol.

— Tem sim, é na outra esquina. – Respondeu ela.

— Vamos lá então. – Falei.

Estávamos sentadas na pequena e única sorveteria da cidade, comendo dois Sundays de chocolate.

— Cadê o Rodolfo? – Perguntei à Carol.

Rodolfo é o segundo marido de Carol, pai do filho mais novo. Ele trabalha em outra cidade e quase nunca está em casa.

— Está trabalhando! – Respondeu ela meio cabisbaixa.

— Entendi. – Falei.

— Temos um acordo, ele trabalha e eu cuido das crianças e da casa. Você sabe que eu nunca gostei de estudar e não sou inteligente igual você, sem falar que meus pais dão tudo que eu quero, assim como os seus. – Falou ela.

— Ah, sim. Ei, eu que pago minhas contas viu. Meus pais pagam apenas a faculdade e é só porque insistiram muito. Meu apartamento foi comprado com dinheiro que eu e minhas amigas guardamos... – Falei sem pensar.

Carol me olhou como se eu estivesse fazendo algo muito errado.

— Me desculpa, mas é que gosto de deixar claro que sou independente. – Falei.

— Eu sei, te admiro por isso. Queria ser igual você, mas não consigo. Me acostumei com essa vidinha pacata e agora com as crianças... – Falou ela deixando a voz sumir aos poucos.

Não culpo Carol por ser assim, na verdade quem errou foi meus tios na educação dos filhos.

— Eu entendo, mas o importante é ser feliz! – Falei tentando alegra-lá.

— Sim, o importante é ser feliz... Mas é difícil quando seu marido não está nunca em casa e ainda tem que aguentar crianças chorando, o importante é ser feliz! – Disse ela. – Que saber?! Acho que você é muito mais feliz que eu! – Completou ela querendo chorar.

No meu ponto de vista eu realmente sou muito mais feliz que ela, essa mesmice, esse lugar, um marido que nunca está por perto, crianças tão cedo... isso não é para mim. Tenho meus problemas, minha vida não é um mar de flores, mas eu sou muito feliz com tudo.

— Prima você é uma guerreira. – Falei abraçando ela.

— Quem me dera... Vamos buscar o bolo que já está na hora! – Disse ela secando os olhos.

Notas finais
Não esqueça de dizer o que achou. É muito importante saber que tenho leitores e qual a opinião de vocês!! Até terça, kisses!