Será...?!
14 Lembranças...
Notas iniciais
Começou a garoar, olhei para o céu de noite, que estava nítido, fazendo as estrelas brilharem mais ainda. Sai da piscina e entrei em casa, parece que eu sou o único acordado, não é atoa, são 3:00 horas da manhã. Fui pro meu quarto tomei um banho e cai na cama lembrando de tudo que aconteceu de marcante na minha vida....derrepente me surgiu uma lembrança que jamais notei sua existência.
FLASH BACK ON
Acho que eu tinha uns 9 ou 10 anos, estávamos eu e a Lola em uma pracinha/parquinho, com minha mãe sentada em um banco mais à trás nos vigiando. Sabe aquelas argolas que você vai se pendurando ?Então, estava pendurado pelas pernas de cabeça para baixo e fazendo careta pra Lola que estava com medo de descer do topo das argolas. Minha mãe havia me avisado pra tomar cuidado para não cair. Ouvi um grito de criança e ainda de ponta cabeça fui olhar para trás para ver o que era, do nada eu me vi no chão e uma dor enorme surgiu no meu braço, tudo ficou embaçado e quando vi, minha mãe e a Lola já estavam do meu lado. Não tenho certeza mais acho que eu estava chorando, minha mãe me ajudou a levantar do chão e a Lola me olhava preocupada. Minha mãe me enchia de perguntas e eu só alternava o olhar entre as duas. Quando consegui falar alguma coisa, disse que estava doendo muito e minha mãe logo disse que tínhamos que ir no médico. Assim foi, fomos para o pronto socorro e eu havia quebrado o braço, o médico engessou meu braço, do cotovelo até os dedos. Era a mão direita, justo a mão direita, a que uso pra tudo. Aquilo tava latejando, estava doendo pra caramba, fui o caminho todo de volta para casa, olhando pro meu braço engessado. A Lola me olhava o tempo todo.
–Tá doendo muito ?-ela pergunta. Estava sentada do meu lado no banco de trás do carro. Fiz que sim com a cabeça e ela chegou mais perto de mim, abaixei a cabeça de novo para o meu braço, ela me abraçou e me deu um beijo, que digamos que entre a bochecha e a boca. –Já vai passar, Torugo, não se preocupa ! –Torugo....era como ela me chamava, aquilo soou tão bem que acho que meu braço parou de doer, sério não estou brincando, meu braço parou de latejar e doer um pouco. Minha mãe parou o carro e só então percebi que já estávamos em casa. Entramos e acho que o doente ali não era eu, minha mãe avisou que estaria no quarto dela e que qualquer coisa era só chamarmos, a Lola sentou no sofá do meu lado e a sala ficou em completo silêncio.
FLASH BACK OFF
Depois de lembrar tudo isso, apaguei. No dia seguinte, acordei e acho que eram umas 9:30. Levantei, vesti uma roupa qualquer e desci pra toma café. Descendo as escadas, o cheiro de café fez com que meu estômago roncasse. “Iiii, caiu da cama, será ?!Calma Vitor, olha a educação...” .
–Bom dia !-falei olhando ela que descascava algo, e a mesa posta com pão, manteiga, leite, suco e café.
–Bom dia Vitor ! –diz ela lavando a mão e colocando um prato com mamão cortado em fatias, na mesa –Vai tomar café da manhã ?
–Posso ?-falo puxando a cadeira e olhando aquela mesa, que desde quando sai da casa dos meus país, não vejo mais uma mesa posta com algum tipo de comida descente.
–Claro !-ela afirma e assente, se sentando em outra cadeira a minha frente. Me sirvo com um pouco de café.
–Café ?-ofereço a ela.
–Não obrigada, não tomo café há muito tempo, é horrível ! –ela fala e acho que aquilo foi um leve sorriso... o silêncio se instalo e o clima começou a ficar estranho.
–Bem... er... mal nos falamos quando você chegou... chegou bem ? –pergunto tentando disfarçar a tensão do silêncio.
POV Lola
Hm... o clima tava ficando tenso.
–Sim, a viajem foi tranquila, cheguei bem, fui muito bem recebida pelo tio Pedro e a tia Cristina... –falei e sim, eu mandei uma indireta de leves pra ele, que revirou os olhos.
–Hm... que bom ! –falo bufando e comendo um pedaço do pão.
–Kibon eh marca de sorvete –murmurei baixinho e tive que me controlar para não rir da cara que ele fez.
–Ahn ?? –perguntou arqueando uma das sobrancelhas e me olhando com cara de interrogação.
–O que ? –me fiz de desentendida.
–Você não falo alguma coisa ? –tá bom... isso tá parecendo conversa de bêbado.
–A não, nada ! –falei e larguei uma pequena risada que forçava sair.
Se você está se perguntando cadê a Anna... bem, hoje sedo, tio Pedro me ligou dizendo que o pessoal dele, achou um caso em que o pai fugiu com a filha de 4 anos e a ultima noticia do paradeiro desse homem é que ele estava morando em um hotel de prostituição. A mãe da menina está a 6 meses procurando pela filha, que segundo alguns policiais, as características batem com a da Anna. Por um lado estou muito feliz que ela tenha sido achada e já foi entregue a mãe... mas por outro, me apeguei tanto quanto a ela, mas não seria certo ficar com ela, seria fazer o sofrimento de uma mãe e de uma criança que cresceria sem conhecer a mãe verdadeira e sem nem muito lembrar do pai.
–Eu vou sair ! –alguém diz e me disperso dos meus pensamentos, olhei para ver quem dizia e era o Vitor... O QUE ?? mas ele não me deve satisfações !
–Tá ! –eu juro que isso saiu involuntário da minha boca, eu juro. Me levantei um tanto quanto revoltada com o que tinha acontecido. Recolhi os talheres sujos e lavei a louça, deixando a mesa arrumadinha pros preguiçosos que talvez acordariam pro almoço. Quando terminei tudo, fui trocar de roupa, coloquei uma calça leg, uma blusa um pouco solta e um tênis. Catei minhas chaves e fui correr um pouco, ir até a pracinha/parquinho onde adorava ir quando era pequena, que aliás eu ia com o Torug....quer dizer, com o Vitor. Sai de casa e estava um tempinho nublado, nem frio, nem calor...coloquei meus fones de ouvido e comecei a correr em sentido à pracinha. Nos meus ouvidos, tocava I could be the one – Avicii. Estava quase chegando, faltava apenas umas 2 quadras, quando....
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