Será...?!

20 Encarcerados


Notas iniciais
Olá peoples, aqui vai mais um capítulo fresquinho. Acho que não demorei para postar e peço desculpas as pessoas que acharam o capítulo anterior pequeno, mas nem sempre consigo fazer um especial como o que vai agora, então... BOA LEITURA ! ;)

–Agora já pode tirar a venda ! –gritou alguém do outro lado da porta. Tirei a venda e olhei à volta. Alguém sai do banheiro enrolado na toalha.

–O que tá acontecendo aqui nesse quarto ? –pergunta o..

–Vitor ! –falei me deparando com ele molhado e só de toalha na minha frente

–O que você tá fazendo no meu quarto ?Errou a porta ? –ele falou indo até a porta do quarto.

–Ahh... eu... quer dizer... os meninos, eles me vendaram e me trouxeram até aqui... –falei sem entender nada. –Foi sem querer... eu já estou saindo –falei e fui até a porta onde ele deu um passo para trás. Girei a maçaneta e a porta não abriu. Tentei novamente e já estava ficando nervosa. Ele passou na minha frente, e tentou. A porta não abria. Olhei para a chave da porta, toda porta tem uma do lado de dentro. –Vitor, cadê a chave da porta ? –perguntei irritada. Já estava achando que ele tinha armado alguma pra cima de mim.

–Ha, e eu que sei ?Eu é que te pergunto... –ele falou tentando uma última vez, abrir a porta.

–Guilhermeee ! –gritei furiosa –Esse filho da mãe me trancou aqui ! –falei e comecei a bater na porta, ou melhor, comecei a esmurrar a porta. Ouvi os meninos rindo lá fora.

–Calma Lola, o espaço é pequeno, mas o Vitor não morde não –o Lue falou e parecia se aproximar um pouco da porta.

–Lue, abre já essa porta, deixa de brincadeira sem graça –falei tentando abrir a porta novamente.

–Ih Lola, a chave nem tá comigo, ficou com o Gui e o Nando e eles acabaram de sair mais o Leo... –ele disse deixando a fala morrer e parecia já mais longe da porta. Bufei irritada e me deixei escorregar porta a baixo. O Vitor saiu do banheiro novamente, agora já vestindo com uma calça de moletom.

–Uma hora eles se cansam e abrem, só querem ver pancadaria, mas não vou deixar você me tirar do sério... –ele falou e se jogou na cama, olhando pro teto.

–Arrr ! Filho da mãee ! –falei jogando uma almofada que estava na cadeira da mesa do computador, nele.

–Ai filha da puta ! –ele xingou levantando a cabeça –Para de ser louca, garota !

–Ei, se você ainda não percebeu, eles me trancaram dentro de um quarto com você, desgraça... –falei me levantando do chão –Não sei por quanto tempo, nem por que, mas pelo tempo que for e pelo motivo que for você vai ter dividir essa bagunça de quarto comigo, então começa sendo legal. –falei indo até a metade do quarto e ele sentou na cama, cruzando os braços.

–Garota, nem sei se isso não é armação tua, e depois também que eu não to nem ai se tu ta aqui ou não, o quarto ainda é meu –ele falou e passou pegando o controle da televisão que estava na mesa do computador e voltou a sentar na cama. Estreitei os olhos e respirei fundo pra não voar no pescoço daquele moleque.

*****

Depois de algumas horas trancada ali dentro com ele, eu já estava com fome, sono e irritada e ele já tinha assistido TV e apagou. Ouvi alguém bater na porta.

–Até quenfim ! –falei indo até a porta na esperança de alguém abrir.

–Eai Lolinha, como anda por ai ? –pergunta o Gui zuando.

–Há-há Guilherme, adorei a brincadeira, agora já pode ir abrindo a porta... –falei sem muita paciência.

–Vai sonhando Lolita, só passei pra avisar que vocês vão ficar ai por um tempinho e quanto a comida, bebida e o que vestir, vou te dar algumas roupas e a comida vocês vão saber depois... –falou.

–Não Guiii... –falei choramingando e ele riu –Sério Gui, não faz isso, eu to com fome, to com sono e se continuar me deixando presa com essa animal aqui, vou acabar matando –falei me irritando em pensar que ia ter que aturar por mais um tempo ele ali no mesmo ambiente, trancado, comigo.

–Sem drama Lolinha, vocês tem que aprender a conviver juntos novamente –ele falou e gargalhou –Depois eu trago comida pra vocês, não se matem –falou e saiu rindo.

–Guilherme, filho da mãe ! –resmunguei

–Ai, cala a boca Heloisa –e o Vitor também resmungou, levantando da cama –Aff, tô com fome... –falou esfregando os olhos –...E com dor de cabeça

–Hm grande coisa, também tô com fome e não sei se você ouviu, mas os meninos só vão trazer comida mais tarde e, além disso, eles não querem deixar eu sair daqui, só daqui “um tempinho” –falei fazendo uma imitação barata do Gui. Ele riu e se jogou, deitando na cama novamente. Fiz que não com a cabeça e peguei a almofada que mais cedo tinha tacado nele e agora estava no chão, e me sentei encostando na parede.

–Pode sentar na cadeira, não vou te matar por isso –ele falou virando pra mim

–Tá –dei de ombros e ele riu.

–Não vai sentar lá néh ?! –riu de novo e fez que não com a cabeça –Você continua teimosa ein ?! –falou revirando os olhos

–E você continua chato não ?! –falei também revirando os olhos.

–Ih, já vai começar ? –ele falou levantando da cama e indo pro banheiro, batendo a porta atrás dele. Bufei e me levantei do chão, catando a almofada onde eu estava. Sentei na cama me encostando na parede, apoiando a cabeça nela e os braços sobre a almofada. Fiquei com os olhos fechados por um bom tempo. Estava morrendo já de tédio. Pensei em mexer no meu celular, mas ai lembrei que ele tinha ficado na sala. Liguei a televisão e fucei em todos os canais. Aff, ele só tem canal de sport ou notícia. Vi alguns DVDs e fui ver do que eram. Levei um susto quando ele abriu a porta do banheiro.

–Você só tem DVD de pornô e de sport ? –perguntei me enojando daquelas porcarias. Ele riu.

–Não, tem alguns outros ali em baixo –falou apontando para a estante onde eu estava, só que mais em baixo. Comecei a olhar, mas não tinha nada de interessante, não pro momento... tiro, corrida, guerra, nada disso mataria meu tédio pra agora. Quando já tinha terminado de vasculhar todos os filmes, ele já estava vestido com uma bermuda branca e verde e uma camisa branca, mexendo no celular dele.

–Posso jogar alguma coisa ? –perguntei... não pera !Esse tédio ta me deixando mal, como assim eu to pedindo alguma coisa pra ele ?? ok, deixa em off, ta grave.

–Não tem jogo e também tá acabando a bateria –ele falou dando de ombros.

–Põem pra carregar, ué ! –falei dando de ombros igual a ele. Ele bufou.

–Não está aqui o carregador, Lola... quer dizer, Heloisa –falou pondo a mão no cabelo e cruzando as pernas em cima da cama e jogando o celular pro outro lado dele (oposto do meu), na beira da cama. –Tá no carro... –falou me olhando com cara de saco cheio.

–Tá, então eu vou buscar... –falei indo até a janela e ele levantou correndo atrás de mim –Calma, eu não ia me jogar da janela –falei rindo, por ele ter segurado meu braço.

–Olha pra baixo então... –ele falou e eu olhei –Não lembra da última vez o que aconteceu quando a gente tentou pular da janela do meu quarto ?Tem a bendita roseira da minha mãe, cheia de espinhos que ficaram grudados em mim –ele falou e rimos lembrando do acontecido.

–Você sempre aprontava –falei rindo e sentamos na cama, lembrando desse dia.

*FLASH BACK ON*

Estávamos brincando de circo no quarto do Vitor e ai resolvemos fazer uma “apresentação” no beiral das janelas dos quartos (http://www.saintclassifiedbrazil.com/uploads/celulares-estruturas-7bb29.jpg), quando o Vitor resolveu ir primeiro, mas quando ele ia passar de um beiral para o outro, desequilibrou e caiu... em cima das rosas da tia Cristina, ele começou a chorar e gritar, e eu não sabia se ficava ali ou se corria pra chamar a tia. Quando ela veio socorrer a gente, ele tinha 4 espinhos pelo corpo, dois nos pés e dois nas coxas. Nunca mais a gente se aventurou assim.

*FLASH BACK OFF*

Lembramos disso e ficamos rindo.

–Mas doeu viu ?! –ele falou fazendo bico como se estivesse triste e eu ri mais. Estávamos sentados um de frente pro outro, de pernas cruzadas, em cima da cama. O assunto acabou e o clima ficou meio tenso. Depois de tanto tempo aqui, agora que fui parar realmente para olhar pra ele. Aqueles olhos verdes esmeraldas, aquele cabelo castanho escuro, agora molhado. Nossos rostos estavam tão pertos. Não sei onde eu estava, a Heloisa tinha sido amarrada e ali estava os sentimentos da Lola de antes. “Não, volta Heloisa, acorda !” me repreendi pelo vacilo. O celular dele apitou nos desconcentrando por completo. Respirei fundo, aliviada. A porta rapidamente se abriu e colocaram uma sacola com roupas e alguns sanduiches com duas latas de Coca-cola, para dentro e trancaram a porta novamente. Fui até a sacola e a coloquei em cima da cadeira para tirar as coisas melhor. Tirei a comida e coloquei em cima da mesa e fui tirando minhas roupas de lá. Tinha minhas (melhores) roupas íntimas, uma camisola super chic que eu não reconhecia (https://encrypted-tbn2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcT5yyAMK8TAxK3uuE3cU0Pz4xn1-u7-77MTSaPJUk0Y4bzj26dn ), um shortinho jeans, uma blusinha de alcinha laranja e minha rasteirinha, além de uma toalha e meus itens de higiene pessoal. Peguei a toalha, uma peça de roupas íntimas e aquela camisola que eu não sabia que tinha (só observo as coisas surgindo sem eu saber...) e fui tomar banho. Quando entrei no banheiro, até que estava tudo mais ou menos arrumado. Liguei o chuveiro e deixei a água morna escorrer pelo corpo. Aproveitei para lavar meu cabelo e relaxar, apesar de ainda estar com fome. Terminei meu banho, e me vesti. Sai do banheiro e ele estava esparramado na cama, olhando pro teto, com o celular em cima da barriga. Já deveria ser 11 horas da noite e eu já estava até com sono.

–Vitor –chamei cutucando o braço dele. Ele abriu os olhos parecendo confuso. Me olhou estreitando os olhos, me encarando de alto a baixo. Sentou na cama esfregando os olhos. –Onde você tem lençóis ? –perguntei dando espaço para ele levantar, e olhando em volta.

–Em uma das gavetas ali... –falou apontando pro closet, e encostando na parede. Entrei no closet, indo direto as gavetas. A primeira tinha cuecas e meias, a segunda bermudas, a terceira pijamas (por sinal, pareciam impecáveis e novinhos). Na quarta, finalmente achei os lençóis. Peguei dois e fechei a gaveta, deixando o closet. Estendi um dos lençóis um pouco mais afastado da lateral da cama dele. Dobrei a parte de cima do lençol para fazer de travesseiro e com o outro lençol, cobri para fazer de coberta. Voltei para a sacola e tirei dois sanduiches e uma Coca-cola pra mim, deixando a mesma quantidade pra ele. Me sentei na “cama” que tinha feito e comi meus sanduiches. A fome era tamanha, que simples sanduiches de sardinha, se tornaram deliciosamente deliciosos. Ele abriu os olhos, ainda encostado na parede. -Cadê a minha parte ? –apenas apontei para a sacola. Ele levantou, e passou por mim, olhando a “cama” que eu tinha feito. Pegou sua parte e voltou a sentar na cama, mais na beira. –Vai dormir aí ? –perguntou analisando.

–Vou –falei dando de ombros e olhando minha cama, também.

–Tá... –ele deu de ombros. Terminei minha “janta” e fui escovar os dentes e dormir. Quando voltei, ele terminava sua Coca e colocava a latinha na sacola.

–Posso apagar a luz ? –perguntei indo até o interruptor.

–A menos que queira dormir de luz acesa, pode... –falou e entrou no banheiro fechando a porta. Revirei os olhos e fui deitar na minha cama improvisada. Fechei os olhos e ouvi do outro lado da porta, os meninos rirem. “Eles devem ter se matado, está tudo quieto” falou um deles e saiu rindo. Fiz que não com a cabeça e tentei dormir. Ouvi a porta do banheiro de abrir e ele saiu de lá, se deitando na sua cama. Ficou tudo silêncio e escuro, abri meus olhos forçando enxergar. Virei para o lado da cama dele e ele estava de barriga para cima, mas acho que de olhos fechados. Respirei fundo e virei para o outro lado. Por baixo da porta, não se via luz alguma acesa. Fechei os olhos novamente para dormir, mas não estava confortável aquele travesseiro improvisado. Bufei e virei de barriga para cima, tentando novamente dormir...

Notas finais
Ok, ok... não sei se foi isso que imaginaram, maaaas.... o que acharam ?? :D espero que tenham gostado, comentem para mim saber se mandei bem em radicalizar um pouquinho a fic u.u Enfim, veremos o que acontecerá com os nossos "encarcerados"... bjs e até mais leitores felizes ;D