Será...?!
10 Apresentando minha mais nova "filha"...
Notas iniciais
–Oi Nina ! -disse a cumprimentando.
–Olá Lola querida, está tudo bem ? -pergunta ela fazendo carinho nos cabelos da Ana. -Quem é ela ? -pergunta olhando para ela. Eu ri da situação que estava acontecendo.
–Ela é a Ana, Nina, vim aqui falar sobre ela mesma... meus tios estão ?
–Não querida, só o seu Pedro, dona Cristina saiu e disse que voltava a tempo da janta. Vai ficar pra jantar com eles, faz tempo que não nos vemos...
–Hm... talvez fique, mas preciso primeiro avisar meus tios da Aninha...onde tio Pedro está, Nina ?
–No escritório dele, disse que precisava fazer umas ligações... vá lá.
–Obrigada Nina ! -disse dando um beijo na bochecha dela, a Nina era e é a única empregada do tio Pedro, a única que confiamos à vida. Subi as longas e largas escadas de mármore, e fui até o fim do corredor, o escritório do tio... pouco entrei lá, e quando entrei foi a mando do próprio. Bati na porta.
–Tio Pedro !?-falei abrindo a porta com cuidado. Ele me olhou atento com um copo de, aparentemente, whisky.
–Heloisa querida, entre ! –diz ele, se levantando um pouco da cadeira, mas ainda atrás da grande mesa de madeira dele. Sorriu para ele e abro mais a porta e entro, fechando logo em seguida. Ele me olhava e olhava a Ana em meus braços até que um tanto assustado. –Querida, quer me dizer quem é ela e o que faz com ela ? –fala ele e me sento no sofá de couro, logo ao lado de sua mesa. Começo a contar toda a história da Aninha até agora comigo e quando termino...
–Heloisa filha, você sabe que não é legal por lei ficar com uma criança que não seja tecnicamente “sua”, certo ? –diz ele e assento, fazendo que ele continue – Sendo assim, temos que nos adequar à lei e ver o que podemos fazer por ela e se você quiser ficar com ela, terá que provar ao nosso governo daqui do Canadá, que você tem um trabalho, uma casa, uma família e uma condição financeira estável... –ele faz uma pausa -...E isso não leva apenas uma ano, além do mais você é jovem, solteira, mora e trabalha no Brasil e para tê-la como filha, deve se pensar muito bem, pois você terá que se mudar para cá por pelo menos 5 anos e só então, depois poderá sair com ela do país. –ele parou e respirou fundo, levantando de sua cadeira e se servindo de mais bebida; para ser sincera, eu nem sei o que estava pensando, com o show de realidade que o tio Pedro me deu, acho que minha vida ficou tão confusa quanto a cabecinha da Ana com tanta novidade e agora talvez mais algumas, só que mais drásticas...das quais eu estou bem confusa e sem ter o que responder pro tio. –Heloisa, pense, ela deve ter pais, uma família e nós podemos procurar por eles e dizer que estamos com ela...há chances dela ter sido sequestrada quando bebê e os pais podem achar que ela está morta ou sumi-o de vez; você não é obrigada a ficar com ela e...posso lhe dar um conselho ? –me pergunta ele, se sentando na beirada do sofá ao meu lado, assenti em sim –Acho que você é muito nova, tem muito futuro e tanto para o bem dela, quanto para o seu bem, deveríamos achar a família dela e não apressar o seu futuro em relação à casamento, mudanças de país, trabalho, casa e tudo mais. Será muito difícil para você em especial, além do mais que você não teria como arranjar um casamento em meses, não é assim, não funciona assim, por mais que nós queiramos, mas não dá... –ele parou mais uma vez; as minha conversas com o tio Pedro, eram sempre muito “cabeças” e sempre me ajudavam em alguma coisa, mesmo que fosse em mínimos detalhes, mas ajudavam. Meus olhos estavam ardendo e marejavam, minha cabeça estava a um turbilhão, nem estava pensando direito, mas a sensação que iria me ficar de deixar uma criança em um orfanato, ou dar para uma família que nem temos certeza que seja os pais dela, é muito ruim, é doloroso, mesmo estando com ela à poucos dias, ela é uma criança que merece uma infância digna com brinquedos e brincadeiras, não seria humano da minha parte, simplesmente abandonar ela novamente como o “pai” dela fez, eu teria que pensar e pensar muito bem, estou lidando com duas vidas, dois caminhos que estão nas minhas mãos e eu terei o veredito. Estava olhando o rostinho de anjo dormindo no meu colo, levantei a cabeça engoli as lágrimas de confusão que queriam me escapar, e olhei para tio Pedro, que nos observava atento.
–Obrigada tio Pedro, vou pensar com muita calma e depois digo o que decidi... –falei deixando a frase morrer e tentei dar um sorriso, mas foi uma tentativa em falso. Ele balançou a cabeça em sim e me deu um beijo na testa. Fomos até a porta de seu escritório em “passos de tio Pedro”, chamo assim por serem os passos dele, calmos e firmes, mesmo os meus não estando tão firmes assim.
–Pense bem e com calma, não tenha pressa, estarei aqui para quando precisar, Heloisa. –fala passando a mão em meus cabelos e sai pela porta com toda a calma que ele estava me passando, dei alguns passos e olhei para ele. –Mande um abraço aos meninos por mim, talvez amanhã passemos lá !
–Pode deixar, estaremos esperando vocês, tio ! –falei com um sorriso no rosto, já um pouco mais relaxada. Desci as escadas e sai passando pela sala de estar até a porta, a Nina não estava lá, talvez estivesse no bassment, mas eu só queria era ir pra casa. Fui pro carro, coloquei a Aninha no banco de trás e dei a volta no carro até o lado do motorista; o caminho foi com silêncio, não liguei o rádio nem nada, apenas dirigi de volta pra casa, o que não levou muito tempo e logo estacionei o carro na garagem, peguei Aninha no banco de trás e entrei porta à dentro para a sala.
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