Sephiroth

11 Epílogo


Notas iniciais
O Final!
Ps: Vista grossa aos erros de formatação kkk

Tóquio, 15 de Novembro de 2008 – 7:56 a.m.


Uruha’s Point of View


Já era noite e eu ainda não voltara para casa.


Pisei fundo no acelerador, vendo o velocímetro chegar aos 200Km/h. O motor do Corvette amarelo roncou alto, pedindo pela próxima marcha.


Embreagem, câmbio, acelerador.


Segurei forte no volante ao passar por uma viatura policia. Dei os ombros sabendo que eles não iriam me perseguir.


Não quando se estava a quase 300km/h.


Yuu dizia que eu era um louco por testar meu carro dessa forma, e que um dia o motor ia explodir!


Eu gostava de velocidade, deixava meu coração mais calmo e a possibilidade de acertar um poste era sempre bem-vinda.


Havia alguns dias que eu não dormia direito, pensamentos iam e vinham na minha cabeça, não me deixando ficar em paz: as lembranças do dia que eu aparecera no apartamento, imerso em desespero e em busca de perdão pelos meus atos.


Todos eles.


Só uma pessoa me fazia esquecer do meu passado e me motivava a seguir em frente.


Shiroyama Yuu... O melhor presente que o destino poderia ter me reservado – mesmo eu não merecendo. Ele era um homem incrivelmente maravilhoso e gentil, que movia céus e terra para me fazer feliz.


E o mais incrível é que ele conseguia, mesmo que parcialmente.


Com Aoi, eu colocava de lado todas as atrocidades que um dia cometera e viva bem, alegre!


Mas ao mesmo tempo que o Aoi era o antídoto, era o meu veneno.


Toda vez que eu encarava aqueles orbes negros eu me deparava com uma triste realidade: ele era o portador de Sephiroth.


E Sephiroth lembrava o meu último ato chocante.


Estacionei o carro na garagem do prédio, ao lado da bela Lamborghini verde-limão. Fiquei encarando o automóvel por um longo tempo, e me sentindo o mais canalha de todos os tempos.


Eu mentira para Yuu.



–– X ––

–– Nós devíamos jantar fora hoje – disse Yuu, largando os papéis que segurava ao me ver entrando no escritório com a bandeja de chá.


–– Algum motivo especial?


–– Você. Não é um excelente motivo?


Ele abriu um sorriso radiante, daqueles que ofuscam tudo. Sem graça, depositei a bandeja, pegando uma xícara para ele e outra para mim.


–– Não acho uma boa ideia... – comentei leviano. Aoi tinha que evitar sair, mesmo que fosse comigo.


Sua segurança ainda era prioridade. Mesmo que o principal inimigo estivesse partido.


Nunca se sabe quando outros poderiam surgir.


O moreno me pareceu triste com minha posição. Ele trabalhava tanto durante a semana, talvez eu devesse baixar a guarda por um instante...


Não! Definitivamente não poderia. Por mais que eu o amasse e quisesse satisfazer todos os desejos, sair de casa se tornava cada vez mais um martírio.


–– Vamos ficar em casa! – insisti com um tom manhoso – Eu prometo fazer um jantar delicioso para nós.


Ele bebericou o chá, pensativo. Yuu era um cara inteligente, com certeza já teria sacado essa minha recusa de sair. Porém, os motivos disso... Ele não fazia a menor ideia.


Vendo sua expressão desolada, me aproximei. Deixando a xícara sobre a mesa, sentei-me em seu colo e tomei seu rosto entre minhas mãos quentes.


–– Você tem vergonha de mim, Kou?

Ri com sua pergunta, e principalmente com sua carinha de menino triste.


–– Não, Yuu! É claro que não! Eu só... Tenho problemas em admitir que tudo acabou mesmo. Que eu já posso ter uma vida normal, por mais que já tenha.


Alisei seu rosto, olhando-o com devoção. Yuu era tudo para mim.


A pessoa que me salvou, a pessoa que me deu vida novamente.


A pessoa pela qual eu matei. E pela qual eu poderia morrer.


O moreno colocou a xícara ao lado da minha, e abraçou-me o corpo. Descansou a cabeça em meu ombro e ficou aspirando o perfume de cereja que tanto adorava.


–– Está bem, Kouyou. Mas você vai ter que fazer uma sobremesa com bastante chocolate! – foi impossível não rir de seu pedido infantil, que veio acompanhado de uma mordida na bochecha.



–– X ––

"O caso da grande companhia NeoCell está sendo reaberto nesta quarta-feira. De acordo com o delegado responsável, Kiyoshige Kokura, a explosão dos geradores de nitrogênio não foi acidental..."

Desliguei o rádio desinteressado. Eu já sabia que, cedo ou tarde, haveria a reabertura das investigações, afinal, alguém não iria engolir a história.

Para a sorte deles, eu e Ruki tínhamos um plano bem bolado para dar a volta na polícia. E se eu conhecesse o baixinho, deveria estar executando-o nesse exato momento.

Com isso, não tinha que me preocupar. Os problemas agora eram outros...

Ajeitei-me no banco do motorista, observando o envelope no banco do passageiro. Ali... Ali estava tudo que eu precisava saber sobre o projeto Super-Humanos: todas as minúcias, os pormenores... Tudo dentro de um HD.

Com apenas um olhar preliminar, já concluí: a coisa era mais assustadora do que eu imaginava.

E poderia ficar pior, de acordo com os arquivos.

Tudo indicava que Suzuki Akira havia vendido o experimento, algumas semanas antes. O comprador era... Um milhonário excêntrico que morava numa ilha no oceano Pacífico. Seu nome, Ethan Wyselaskie.

A sorte do Yuu era que a pesquisa havia sido vendida antes de encontrarem Sephiroth nele, então, ele estaria seguro por algum tempo.

A questão era: por quanto tempo?

Independente disso, eu estaria aqui. Eu o defenderia com unhas e dentes.

Ou melhor, o defenderia com uma espada.

Tateei embaixo do banco, retirando dali uma pequenina caixa metálica que sempre andava comigo. Podia ser facilemente confundida com uma carteira de cigarros, mas na verdade era muito mais do que isso.

Abria-a com cuidado, observando a seringa com conteúdo azul-elétrico depositada numa espuma.

Respirei fundo, aquilo era a razão de eu me sentir um canalha: Sephiroth estava intacto, descansando sob o banco do carona do meu Corvette.

Eu não injetara. Mesmo Ruki assegurando que funcionária, eu ainda não havia aplicado a cura que eu bustcara incessantemente. E o motivo? Muito simples.


Shiroyama Yuu.

Esse cara que comprou as pesquisas... Eu não sabia até que ponto ele não começaria a desenvolver o projeto. Até porque não fazia sentido ter tal arma em mãos e não executá-la. Ainda mais tendo acesso aos valores que Akira conseguira alcançar mediante seus avanços.


Se Ethan queria mais dinheiro, Ethan facilmente conseguiria.


Então, por via das dúvidas, era melhor eu continuar do jeito que eu estava. Mesmo que doesse meu coração, pois não era para ser assim. Com o fim da NeoCell era hora de enterrar definitivamente o meu passado e tentar contruir algo novo com Yuu.


E tudo que eu contruí até agora era na base da mentira... Um verdadeiro castelo de cartas, que, a mais suave das brisas poderia derrubá-lo.


Quando isso acontecesse, Yuu jamais ia me perdoar. Jamais olharia na minha cara de novo.


Mesmo com riscos de isso acontecer... A possibilidade de Ethan mandar alguém atras de mim e acabar ferido Yuu, me motivava a manter o segredo. Era por ele, pela vida dele.


Sephiroth era a redenção que eu busquei, mas não era a hora de usá-la. Não as margens de um pesadelo que estava prestes a voltar.


Se no futuro, outra guerra silenciosa iria estourar, eu não sei... Só sei que se Yuu fosse minimamente ameaçado...

Uruha estaria de volta, e agora muito mais forte.


Notas finais
Leitores, esse foi o grande fim... Então, o que vocês acharam? Só para deixar vocês com um gostinho: provavelmente vai ter um segunda temporada. MAS... Só Deus sabe quando kkkk
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!