Notas iniciais
Oi! Como vai você? #PCSiqueiraModeOn Voltei com mais um capítulo (depois de um ano huehuehue) pros meus queridos leitores assassinos... Ou templários né, vai saber. Vale lembrar que comentários, criticas e sugestões são sempre bem vindos. Boa leitura! AVISO IMPORTANTE: Toda vez em que um novo personagem for introduzido na história haverá um link no nome dele, cliquem no link para visualizar a página da database do Animus referente a ele para obter mais informações sobre o mesmo. Na história, a database do Animus é criada por Felipe e ás vezes recebe comentários dele e/ou de Vinny.

Aquela pergunta pareceu ecoar em minha mente e me consumir por dentro, foi a pergunta que fiz a mim mesma naquele curto instante de tempo que parecia eterno. Que tipo de assassina eu era? Do tipo covarde que ficaria ali parada e assistiria a morte de um irmão que estava arriscando a vida para me proteger? Ou do tipo corajosa que arriscaria a minha vida para protegê-lo também, lutando, ou pelo menos tentando lutar, ao lado dele? Se antes eu era uma covarde aquilo acabava ali, não queria mais ser uma inútil. Eu não queria ser a responsável pela morte precoce de Altaïr. Não, ele não deveria morrer, não ali, ainda tinha muito o que viver e muito o que fazer pela causa da nossa irmandade.

Tive apenas alguns segundos para sacar a minha pistola semi-automática e disparar um tiro certeiro na cabeça do cavaleiro, um tiro próximo o bastante para que a bala atravessasse seu crânio, fazendo o sangue esguichar de forma violenta, atingindo não só Altaïr como a mim também enquanto o homem caía lentamente. Uma cena traumatizante, que instantaneamente fez todos os cruzados ali ficarem em choque, parados como estátuas, sem reação, aterrorizados e confusos com o que haviam acabado de presenciar. O próprio Altaïr que antes já havia visto minha arma em ação pareceu bastante assustado e vê-lo assim era muito estranho para alguém como ele que sempre estava sério e parecia inabalável. Foi somente ali que realmente me dei conta de que eu finalmente havia tomado uma atitude e fiquei surpresa por ter acertado o tiro no estado em que eu estava. Para uma “assassina”, aquele havia sido o primeiro homem que matei.

Me aproximei um pouco mais de Altaïr e fiquei ao lado dele, apontando a arma para o grão mestre templário misterioso que estava no comando daqueles homens.

— Uma bruxa! — Gritou o templário, apontando o dedo para mim, apavorado. — Ela é uma bruxa!

— Olha, chamar uma dama de bruxa não é nada educado. Cadê o cavalheirismo? Eu esperava mais dos homens dessa época, estou desapontada. — Brinquei, contendo o riso, deixando de lado por um instante todo o meu nervosismo. Confesso que ter uma arma de fogo em uma época onde os inimigos tinham espadas me fez sentir mais segura e confiante, me deu mais coragem. — Armas no chão. Agora! — Ordenei, alterando a voz.

— Como ousa me dar ordens? Não vou me render para uma mulher, muito menos para uma bruxa. — Retrucou, mantendo a pose, embora ainda fosse visível seu medo. — Prendam-na! Será queimada viva para que pague por seus pecados. — Voltou a gritar e dois dos cavakeiros se aproximaram relutantemente, o medo era visível em seus olhos. Antes que eu pudesse atirar neles, Altaïr tomou a frente e atirou uma faca de arremesso em um deles que estava á direita, atingindo-o no peito, ao passo de que cravou sua espada no estômago do outro á esquerda, puxando-a bruscamente e abrindo um corte vertical até a garganta do mesmo, fazendo o sangue jorrar e expondo suas entranhas. Não foi nada agradável ver aquilo, confesso que senti um forte enjoo e por pouco não vomitei ali mesmo. — Arqueiros! — Gritou mais uma vez, fazendo um sinal com a mão, dando ordens aos arqueiros que surgiram quase que instantaneamente no alto da fortaleza. Eram cinco deles, enfileirados e uniformizados com a cruz vermelha templária estampada no peito, parecendo verdadeiros alvos humanos. Tinham as flechas em seus arcos e estavam prestes a disparar, foi fácil perceber que eu não era o alvo deles, Altaïr era, e por mais que fosse incrivelmente habilidoso não teria a menor chance, pelo menos não sem usar a Maçã, o que não fizera antes e eu tive certeza que também não faria naquela hora. Antes que os arqueiros disparassem derrubei todos eles em poucos segundos, atingindo um a um justamente com tiros no peito como se estivesse em um treino de tiro ao alvo, não nego que foi igualmente fácil. Ao ver seus homens serem mortos tão rapidamente e despencarem do alto da fortaleza um após o outro o templário ficou ainda mais aterrorizado e se afastou, seus cavaleiros ainda aguardavam ordens parados.

— Você me desobedeceu. Eu disse para não trazer essa sua arma, Erika. — Altaïr me repreendeu, olhando incrédulo para os arqueiros estirados no chão que eu acabara de matar com extrema facilidade.

— Se eu não tivesse trazido você agora teria uma flecha cravada nessa sua cabecinha encapuzada de assassino. — Rebati, rindo baixo para aliviar aquele momento de tensão.

— Esse é um bom argumento. — Foi um pouco mais gentil, embora ainda usasse o seu natural tom de voz sério.

— Não é? — Ri mais uma vez, fazendo uma pergunta retórica. Respirei fundo e olhei ao redor, tanto o grão mestre templário quanto seus homens ainda permaneciam parados, com medo, relutantes em tomar uma atitude. Voltei a apontar a arma na direção deles, atenta aos seus movimentos.

— O que faremos agora? — Perguntou Altaïr em voz baixa, ele também ainda parecia um pouco assustado e confuso, sua pergunta só confirmou isso.

— Você é o mentor aqui. É você quem deveria dar as ordems e me guiar, não? — Olhei para o assassino ao questioná-lo, era realmente estranho vê-lo daquela forma, nem parecia ele.

— E você é a viajante do tempo aqui. É você quem deveria saber o que acontece e o que devemos fazer, não? — Retrucou.

— Eu não sei de tudo! — Falamos juntos de forma que pareceu até ensaiado e ao me dar conta disso tive que me conter para não rir mais uma vez, porém era visível que eu havia gostado daquilo. — Que bom ouvir isso de você. Parece que já não é tão arrogante quanto eu pensava. — Falei ao esboçar um curto sorriso.

— Não temos tempo pra isso, Erika. Olhe! — Direcionou o olhar para a fortaleza de onde mais cavaleiros surgiam, se juntando aos que estavam ali parados. Agora eram dezenas deles, mesmo que eu quisesse não teríamos como enfrentar todos.

— Eu acho melhor a gente correr enquanto ainda há tempo, o que acha? — Sugeri, já dando alguns passos para trás.

— Acho que pela primeira vez você disse algo que faz sentido. — Altaïr saiu correndo na minha frente e eu o segui.

— Atrás deles! — Ordenou o templário, gritando. — Não os deixem escapar.

Ao olhar para trás vi os cruzados correndo atrás de nós, carregando suas espadas, sedentos por sangue, pareciam furiosos e destemidos, mas eu sabia que na verdade estavam apavorados e só cumpriam as ordens por dever. Não era difícil compreendê-los, em uma época como aquela certamente nunca haviam visto algo como uma arma de fogo, para eles e suas cabeças ignorantes a única explicação “plausível” era magia. Altaïr tinha razão sobre o mundo ainda não estar pronto para ver tal tecnologia.

Correr não tinha sido uma boa ideia, principalmente estando cansada do jeito que eu estava. Não demorou muito para que eu ficasse a uma distância considerável do assassino, tentei apertar o passo, mas ao fazê-lo quase caí. Quando eu finalmente achei que tivesse alcançado Altaïr, o vi subir no telhado de uma casa, tão rapidamente que faria os autores daqueles vídeos de parkour na internet parecerem estar em câmera lenta. Passou a correr pelos telhados, saltando de um para o outro com extrema agilidade e esbanjando equilíbrio ao saltar por entre as estacas dos andaimes de madeira das construções em andamento, ver ele fazer aquilo tão facilmente dava a impressão de ser tão simples como brincadeira de criança. Seus movimentos eram belos e graciosos, seu manto ao vento o fazia parecer um pássaro em pleno voo e observá-lo me fez voltar a sorrir feito boba por alguns segundos, maravilhada, até me dar conta de que eu não estava aguentando correr e que se não me apressasse certamente o perderia de vista.

— Ah! Qual é? Isso não é justo! — Falei em voz alta, me lamentando. — Não dava pra agir como uma pessoa normal e correr pelo chão também? O que há de errado com o bom e velho chão?

— Te peguei! Agora você morre! — Fui surpreendida por um cruzado que me agarrou e colocou sua espada sobre o meu pescoço antes que eu sequer pudesse pensar em atirar nele, tentei reagir, porém ele era bem mais forte do que eu. Fechei os olhos, imaginando que morreria ali mesmo quando estranhamente senti o homem me soltar devagar e ao abrir os olhos o vi no chão com uma faca cravada em sua cabeça.

— Você está bem? — Altaïr perguntou do alto de uma casa.

— Estou. Obrigada. — Respondi com a voz ofegante e um pouco sem jeito, eu não estava bem e isso era visível, mas menti mesmo assim por mais uma vez querer evitar ser um incômodo, principalmente em uma situação como aquela onde nossas vidas corriam sério risco.

— Eles estão nos alcançando, temos que correr. Venha! Eu te ajudo. — Estendeu sua mão, na certa percebendo a forma como eu estava exausta e imaginando que eu fosse subir.

— Não, eu não... — Fiz alguns gestos aleatórios com a mão, toda atrapalhada, sem saber como dizer a Altaïr que eu não tinha a menor habilidade para escalar e saltar aquelas construções de pedra como um verdadeiro assassino deveria ter. — Eu não consigo. — Falei de uma vez por todas. Eu me senti ainda mais inútil ao ver o modo como o assassino me olhou, claramente desapontado. Essa era a segunda vez que eu o decepcionava em praticamente menos de uma hora. Abaixei levemente a cabeça, sem saber onde enfiar a cara.

— Então corra, não temos tempo a perder. — Disse em um tom um pouco rude, se antes eu queria evitar ser um incômodo naquele momento tive certeza de que realmente era. Voltou a correr e saltar sobre os telhados como se nada tivesse acontecido, me deixando para trás.

O segui, cambaleando pelo caminho, desviando com dificuldade dos civis e tentando driblar os cavaleiros que queriam me capturar. Por diversas vezes fui empurrada pelos loucos que surgiam em minha frente, caindo bruscamente no duro chão de pedra ou contra as barracas dos comerciantes, rasgando o meu manto branco e manchando-o de sangue, colecionando alguns cortes e hematomas pelo rosto, braço e todo o corpo. Acompanhar Altaïr era uma tarefa cada vez mais difícil, eu estava ficando sem forças, completamente exausta e esgotada, com a visão escurecendo e sentindo muita dor, imaginei que desmaiaria a qualquer momento, eu já não aguentava mais quando finalmente cheguei aos portões da cidade. Estranhamente haviam apenas dois homens guardando os portões, talvez porque os demais cruzados estivessem empenhados em nos perseguir, e de fato não estavam muito longe de nos alcançar, eu podia até vê-los. Com a visão comprometida errei o primeiro tiro e precisei disparar uma segunda vez para matar um deles que já desembainhava sua espada, enquanto Altaïr que já estava no chão veio correndo rapidamente e saltou sobre o outro, levando-o ao chão, ativando sua lâmina oculta e cravando-a na garganta do cavaleiro antes que o mesmo pudesse sequer ter uma reação ao ver o assassino.

— Venha, Erika. Vamos! — Altaïr mal levantou direito e já saiu correndo depois de limpar sua lâmina na roupa do homem que acabara de matar, desativando-a logo em seguida. Já fora da cidade, montou rapidamente em seu cavalo e vendo o estado em que eu me encontrava ele me puxou pela mão e me ajudou a montar em seu cavalo também, sabendo que eu não teria condições de guiar o meu. — Segure firme. — Advertiu, e no mesmo instante eu agarrei sua cintura com as duas mãos como se estivesse pegando carona com um motoqueiro, sem nem perceber acabei apoiando a minha cabeça nas costas dele na altura do ombro, foi tão automático que só depois de alguns minutos me dei conta e imaginei que o assassino poderia não gostar nada daquilo. Foi um forte indício de que me sentia segura ao lado dele e também a confirmação de que eu estava realmente sentindo por ele algo que não deveria. Sem dizer nada, Altaïr cavalgou para o deserto rumo á Masyaf e ao olhar brevemente para trás vi Acre bem distante, finalmente tínhamos despistado os cruzados e pude ficar mais tranquila embora soubesse que eles poderiam nos seguir. Fechei os olhos e fiquei ali pertinho dele, foi estranho, me senti tão bem que acabei até dormindo.

Acordei no meio da noite, no deserto, perto de uma fogueira e um poço como nas outras vezes que havíamos “acampado”. Altaïr estava sentado ao meu lado mexendo em algo, de primeira não vi muito bem o que era, mas assim que me sentei me dei conta de que o objeto que ele tinha em mãos era o meu smartphone, em um reflexo rápido quase que instintivo o peguei da mão dele e guardei de volta no bolso no meu manto.

— Ei! Isso é meu! O que pensa que está fazendo? — Questionei já irritada, quem visse aquela cena facilmente acharia que eu iria bater nele logo em seguida.

— Tenha calma, você ainda não me parece estar muito bem. Não se esforce. — Estendeu a mão e a colocou sobre o meu abdómen, de certa forma me segurando para impedir que eu me levantasse, depois passou a segurar meu braço e aplicou certa força bem de leve me fazendo deitar outra vez. — É melhor que descanse. Temos uma longa viagem pela frente. — Com um pedaço de tecido úmido ele limpou o sangue dos meus ferimentos, meio desajeitado e de forma um pouco rude comparado ao que eu esperava e fazendo alguns deles doerem, mas ainda sim um gesto gentil que me arrancou um sorriso. — Está melhor?

— Sim. Um pouco melhor, obrigada. — Respondi baixinho, com a voz falha.

— Aqui. Beba um pouco d'água. — Gentilmente levou o cantil com água até a minha boca para que eu pudesse beber.

— E você como está? Também se feriu, não é? A culpa foi minha. Eu sinto muito por isso, por não poder te ajudar quando você mais precisou. — Falei envergonhada e desapontada comigo mesma, evitando olhar nos olhos dele.

— Estou bem. Foram só alguns cortes leves. Já estive bem pior. Não se culpe, fui eu quem a colocou nessa missão. Eu não teria solicitado que me acompanhasse se soubesse que você...

— Que eu sou uma inútil? — Perguntei, o interrompendo.

— Eu não disse isso. — Me repreendeu.

— Mas iria dizer. — Rebati.

— Devo admitir, é realmente muito estranho pra mim encontrar uma assassina que não sabe lutar e correr livremente pelos telhados como todos nós fazemos aqui, mas considerando que você viajou séculos no passado imagino que no seu tempo a irmandade deve agir de outros métodos. Por isso você usa armas tão estranhas e diferentes das nossas como aquela... Coisa que dispara projéteis. — Ao falar parecia pensativo como se estivesse tentando imaginar o futuro do qual eu vinha e isso era bem interessante de se ver, ele se mostrou muito mais compreensivo ao cogitar tais possibilidades e ao mostrar que as aceitava sem nenhum problema, eu nunca o tinha visto agir dessa forma antes.

— Eu sou uma novice, Altaïr. — Tomei coragem e disse de uma vez, voltei a me sentar, aguardando pela reação do assassino.

— Você o que? — Arregalou os olhos, incrédulo. Até deixou cair o tecido sujo de sangue com o qual havia limpado meus ferimentos, que ainda estava em uma de suas mãos.

— Eu sou uma novice. De onde venho faço parte de uma equipe de apoio. Eu nunca estive em nenhuma missão antes. Essa é a minha primeira. — Complementei.

— Então você está me dizendo que a irmandade do futuro mandou uma novice pra me ajudar? É isso? — Perguntou em um tom de superioridade usando de sua arrogância a qual eu imaginei que não veria nunca mais.

— Eu sinto muito se não sou boa o suficiente pra você, oh “senhor habilidade”! — Revirei os olhos. — E você não tem muito o que falar, afinal não faz tanto tempo assim que foi rebaixado a novice pelo seu antigo mentor. — Acabei soltando essa de pirraça, só pra acabar com a arrogância dele.

— Não precisa me lembrar. — Respondeu de forma rude, me encarando, furioso. Eu certamente consegui deixá-lo bem irritado, porém notei que ele tentou se conter. — São casos muito diferentes, não seja ignorante. Eu errei no passado, mas aprendi minha lição. Sou um homem diferente agora. — Deu uma pausa e respirou fundo. — Me desculpe, Erika, mas não faz o menor sentido terem lhe enviado em uma missão extremamente importante como essa se você nunca sequer esteve em outra missão antes, não é possível. Quando você me contou como tinha viajado no tempo e porque estava aqui eu não pude esperar nada menos do que a melhor e mais habilidosa assassina do seu tempo para ter feito uma façanha tão incrível e para se dispor a me ajudar dessa forma.

— Na verdade na primeira vez que nós nos vimos no deserto eu não tinha sido enviada pela irmandade. — Falei olhando para um ponto qualquer, ainda hesitava em olhar para ele, embora tivesse tomado coragem para dizer a verdade eu me sentia envergonhada imaginando o que um assassino como Altaïr pensaria de mim. Se antes eu já me sentia inútil, naquele momento eu estava atestando isso perante o membro mais importante da irmandade na história.

— O que? Você me disse que havia sido enviada pela irmandade. Isso foi uma mentira? Sobre o que mais você está mentindo? — Desta vez segurou meu braço com força. — Estou falando com você, Erika. Olhe pra mim! — Ergueu um pouco o tom de voz, na certa assustado com a possibilidade de eu o estar enganando com algum objetivo maluco que poderia estar passando pela cabeça dele, embora eu soubesse que o mesmo jamais admitiria isso.

— Minha verdadeira intenção era usar o Animus para adquirir habilidades através do bleeding effect, porém eu não sabia que um dos membros da minha equipe havia modificado a máquina combinando a nossa tecnologia com a da civilização precursora e ao invés de ir parar em uma simulação virtual das suas memórias eu acabei viajando no tempo e te encontrando de verdade. — Tentei falar claramente da forma mais calma que conseguia, mas ao olhar para o assassino nervoso daquela forma confesso que tive um pouco de medo.

— Fale algo que faça sentido! — Ainda segurando meu braço com força me deu uma sacudida e me encarou olhando bem fundo em meus olhos. Ele sabia ser persuasivo de uma forma assustadora quando era preciso.

— Mas eu estou falando, estou lhe contando o que de fato aconteceu. — Estava difícil manter a calma enquanto eu tentava fazê-lo me soltar, já estava começando a sentir dor.

— Não faz nenhum sentido pra mim. — Insistiu.

— Vai fazer sentido se você parar de me intimidar e deixar eu explicar! E vê se me larga! Mas que droga! — Ergui o tom de voz também, perdendo a calma de vez. O empurrei para que me soltasse e logo me levantei. — Presta atenção! — Respirei fundo e comecei a caminhar, pensando em como explicar melhor as coisas para ele e também procurando não me exaltar mais. — Está vendo isso? — Peguei o pedaço de tecido sujo de sangue do chão. — Através do sangue ou de outras amostras como saliva ou fios de cabelo é possível obter o DNA de um indivíduo. O DNA é um composto orgânico cujas moléculas contêm as instruções genéticas que coordenam o desenvolvimento e funcionamento de todos os seres vivos. Os segmentos que contêm a informação genética são denominados genes. Em uma explicação extremamente simples o DNA é o que faz de cada um de nós o que somos. — Joguei o pedaço de tecido na fogueira para me livrar dele, lavei as mãos no balde com água do poço e prossegui: — É o código genético que transmite as características hereditárias de cada ser vivo, o que significa que você pode e vai herdar características de seus pais, avós e outros ancestrais, como também vai transmitir essas características para os seus descendentes. Por exemplo, o fato de você ter olhos claros pode ser porque herdou essa característica de seu pai, sua mãe ou outro ancestral seu. — Ao falar eu fazia alguns gestos com as mãos.

— É um pouco complexo, porém fascinante! — Pareceu interessado e o conhecendo como eu conhecia ele certamente deveria estar. — Eu não fazia ideia de que você era uma mulher tão sábia. — Por alguns segundos me olhou com certa admiração, confesso que gostei muito daquilo.

— E não sou, isso é apenas um conhecimento muito a frente do seu tempo. Por isso pode parecer algo incrível pra você. — Disse um pouco sem jeito, acho que até corei.

— É mesmo incrível, mas o que isso tem a ver com você ter sido enviada ou não pela irmandade? — Questionou.

— É exatamente o que vou explicar agora. — Dei uma curta pausa. — Com a descoberta de que as memórias também são transmitidas através do DNA os templários do meu tempo, que usam o nome de Industrias Abstergo como fachada, desenvolveram um projeto e criaram uma máquina para reviver memórias genéticas em uma simulação virtual. É claro, com os próprios interesses deles, os quais você já pode imaginar que não são nada bons. Com o tempo a irmandade também desenvolveu uma máquina dessas. Essa máquina é chamada de Animus. A exposição prolongada ao Animus pode gerar alguns efeitos colaterais como alucinações e 'visitas' às memórias de seus ancestrais sem a necessidade do uso da máquina, mas também faz com que o indivíduo adquira as habilidades do quem ele está revivendo as memórias, é o que chamamos de bleeding effect. — Altaïr ouvia tudo atentamente sem dizer nada e aparentava estar cada vez mais interessado, até pude ver um certo brilho em seus olhos. Me sentindo mais confiante, voltei a me sentar ao lado dele e passei a olhar para o mesmo enquanto explicava. — Pois bem, eu estava cansada de atuar em uma equipe de apoio, de não poder fazer mais pela nossa causa... Lutar de verdade, sabe? Eu abandonei tudo para me juntar a irmandade, minha família, meus amigos, minha antiga vida, e eu sentia que tudo isso tinha sido em vão. Eu queria fazer a diferença, mas eu não tinha, ou melhor, não tenho as habilidades para atuar em missões e isso você mesmo viu. Então eu decidi arriscar tudo e usar o bleeding effect para adquirir as habilidades que eu precisava revivendo suas memórias e foi aí que...

— Espera... Minhas memórias? — Me interrompeu, olhando feio pra mim.

— Sim, suas memórias. — Segurei o riso.

— Isso significa que você pode ver tudo o que eu vivi sem a minha autorização? — Pelo olhar fuzilante dele na certa não havia gostado nada daquilo.

— Ééé... Sim. — Tive que segurar o riso mais uma vez, não foi fácil.

— Isso não é certo. É invasão. Isso é...

— Não seria muita novidade, como disse eu já sei mais sobre você do que você mesmo. — O interrompi antes que ficasse nervoso outra vez.

— Se iria reviver minhas memórias isso faz de você minha descendente, certo? — Perguntou, me olhando de cima a baixo, claramente confuso, talvez procurando por alguma semelhança entre nós.

— Não, eu não sou sua descendente. Pelo menos não até onde eu sei. — Toquei seu ombro. — Eu conheci um descendente seu, e foram as amostras genéticas dele que usei para chegar até suas memórias.

— Conheceu? Quem é ele? Como ele é? Ele é um assassino também? — Foi só ouvir aquilo que instantaneamente Altaïr se mostrou um verdadeiro curioso e todo entusiasmado, foi muito engraçado vê-lo assim e dessa vez acabei rindo um pouco.

— Vamos com calma, prometo que depois eu te falo um pouco sobre ele. Isso é assunto pra outra conversa. — Parei de rir e voltei a falar mais sério.

— Se não é minha descendente então porque escolheu a mim? Por que escolheu reviver as minhas memórias especificamente quando imagino que poderia escolher as de qualquer outro assassino?

— Porque nenhum outro assassino é tão lendário quanto você. — Respondi falando com toda a admiração e pela primeira vez vi Altaïr esboçar um belo sorriso que até me fez esquecer por alguns segundos do que eu estava falando, fiquei ali parada olhando para ele.

— E então? Prossiga. — Sugeriu, e me dei conta de que eu estava em outro mundo já fazia algum tempo, causando um silêncio constrangedor. Fiquei preocupada com medo de ter parecido uma boba enquanto eu o olhava.

— Certo... O que eu dizia? Ah... E foi aí que eu vim parar aqui acidentalmente, porque como eu falei antes um dos membros da minha equipe havia modificado o Animus combinando a nossa tecnologia com a da civilização precursora usando um artefato deixado por eles, criando assim, sem nenhuma intenção, a viagem no tempo.

— Isso significa que você é a primeira pessoa a viajar no tempo? — Se mostrou surpreso.

— Sim, sou.

— Eu pensei que de onde você vem isso fosse algo mais comum. Quero dizer... Não tão raro a ponto de você ser a primeira.

— Ah, claro! De onde eu venho todo mundo tem uma TARDIS. — Comecei a rir.

— O que? Não entendi.

— Não entenderia mesmo. Esquece. — Parei de rir e cruzei os braços, desapontada. É, não tinha a mínima graça fazer essa piada sem ninguém pra rir comigo, o Vinny entenderia.

— Se você é a primeira é uma façanha ainda mais incrível. Não consigo imaginar como deve ser assustador. — Desta vez foi Altaïr quem tocou meu ombro, certamente sensibilizado. Era estranho vê-lo demonstrar algo assim, ele me parecia ser tão frio.

— Só depois que todos da equipe souberam o que havia acontecido foi que decidiram me mandar de volta pra cá formalmente em uma missão pela irmandade para te ajudar. E aí nós nos encontramos de novo. — Complementei. Olhei para a mão do assassino em meu ombro e depois passei a olhar em seus olhos sem desviar o olhar como eu costumava fazer. Era como se cada vez eu me sentisse mais confiante ao lado dele. — E sim, é muito assustador. Eu posso nunca mais conseguir voltar pro meu tempo. Não, pior, eu posso alterar o futuro e sem querer causar uma catástrofe ou coisa do tipo. Só de pensar nisso eu sinto que vou enlouquecer... É tanta pressão, não sei se consigo suportar.

— Se isso acontecer, se você por algum motivo não conseguir voltar pro futuro de onde vem, quero que saiba que será sempre bem vinda em Masyaf. — Disse gentilmente. — Vai ser um prazer tê-la ao meu lado, digo... Ao nosso lado, como uma irmã. — Pareceu um pouco atrapalhado o que era realmente estranho, ainda mais considerando o que ele havia dito, por um segundo cheguei a pensar que... Não, não, isso era coisa da minha cabeça. Como eu era boba em pensar essas coisas.

— Obrigada! Muito gentil da sua parte. — Esbocei um largo sorriso, pensei em abraçá-lo, mas considerando que certamente o mesmo não retribuiria como da última vez, achei melhor não.

Pela manhã acordamos bem cedo, embora a noite tenha sido bem fria eu até que tinha conseguido dormir bem, talvez já estivesse me acostumando com aquilo ou talvez tivesse sido o efeito do extremo cansaço. O fato é que, apesar dos ferimentos ainda doerem um pouco, eu já me sentia bem melhor. Cavalgando junto a Altaïr, eu observava a vastidão do deserto que parecia não ter mais fim quando ouvi algo e ao olhar para trás avistei um grupo de cruzados cavalgando a toda velocidade em nossa direção, erguendo suas espadas e gritando, sedentos por sangue.

— Altaïr, eles nos encontraram. Temos que fugir! Rápido! — Falei toda desesperada, agarrando o assassino como fizera ao sair de Acre.

— Vou tentar despistá-los, fique calma. — Foi por outro caminho, subindo pelas montanhas.

— Mais rápido! Assim vão nos alcançar! — De fato os homens estavam cada vez mais próximos e não eram poucos.

— Estou fazendo o que posso! — Segurava firme as rédeas, cavalgando á toda velocidade montanha acima.

— Merda! Estão perto demais. — Tão perto que um deles quase me feriu com sua espada, mas Altaïr foi rápido o suficiente para desembainhar a dele e arrancar a cabeça do homem ali mesmo.

No alto de um desfiladeiro e cercado pelos cruzados, não tinhamos mais para onde ir, por pouco não caímos quando Altaïr puxou as rédeas desesperadamente para que o cavalo parasse. Ainda com sua espada em mãos, o assassino saltou e se colocou na frente dos homens, mais uma vez disposto a enfrentar todos eles sozinho, mesmo desta vez sendo bem mais, um verdadeiro pelotão. Desci do cavalo e me coloquei ao lado dele, saquei minha arma pronta para disparar e quando apertei o gatilho nada aconteceu.

— Estou sem balas. Eu estou sem essas malditas balas! E justo agora. Mas que droga! — Falei toda desesperada, temendo que ambos fossemos morrer ali. — Altaïr, eu não...

— Para trás. — O assassino me interrompeu.

— Não, eu não vou deixar você enfrentar eles sozinhos. — Eu já estava guardando a minha arma e pegando as facas de arremesso.

— Atrás de mim, Erika. Agora! — Ordenou, me empurrando de leve com a mão livre.

Com a espada em uma mão e a lâmina oculta em outra eu vi Altaïr ousar enfrentar todos aqueles cruzados. Desviou de seus múltiplos ataques com extrema rapidez e agilidade, girando, se abaixando, movendo-se para trás e para os lados. Os atacou com técnicas invejáveis, cravando a lâmina em suas gargantas e fazendo o sangue jorrar, abrindo cortes mortais estensos e profundos com sua espada, os empalando até que arfassem e em seguida caíssem mortos no chão, derrubando um, dois, três, quatro, cinco deles em poucos minutos em uma performance impressionante. Mas por mais habilidoso que fosse ele era um só, enquanto eu o observava lutar, boquiaberta, parada ali como se estivesse hipnotizada, vi o assassino despencar do desfiladeiro e cair em um rio vários metros abaixo, foi tão de repente que levei alguns segundos para me dar conta do que havia acontecido. Imediatamente, ignorando meu medo de altura, tive uma ideia louca e saltei atrás dele, mergulhando na água onde permaneci prendendo a respiração por alguns segundos, já imaginando que ele faria o mesmo, visando enganar os homens para que pensassem que nós dois havíamos morrido com a queda. Quando voltei para a superfície e notei que meu plano havia dado certo ao avistar o desfiladeiro vazio lá no alto, comecei a rir sem parar, incrédula.

— É sério que esses caras caíram nessa? Mas que idiotas! Olha lá, Altaïr! Eles caíram mesmo. — Olhei para trás e não vi o assassino como imaginei que veria. — Altaïr? — Parei de rir, chamando por ele um tom mais sério enquanto olhava para os lados, procurando-o. — Altaïr, isso não tem graça. Ok? — Olhei para trás e para os lados outra vez, já começando a ficar irritada. — Eu juro que se essa for outra tentativa sua de ser engraçado eu vou... — Mesmo hesitante mergulhei outra vez, nadei até encontrar Altaïr inconsciente perto do fundo do rio e o agarrei, trazendo-o para acima até a superfície. Com muito medo e não querendo acreditar que o pior havia acontecido eu o levei o mais rápido que pude até a margem do rio, carregando-o com certa dificuldade, e o deitei sobre a areia com cuidado, ficando ajoelhada ao lado dele. Felizmente, não havia nenhum ferimento grave, apenas os leves cortes fruto da batalha em Acre. — Altaïr? — Chamei por ele, nervosa. Dei leves tapinhas no rosto dele, torcendo para que recobrasse logo a consciência, mas foi em vão. — Altaïr, acorda! — Chamei mais uma vez, já entrando em desespero. Segurei nos ombros dele e dei uma sacudida, mas de nada adiantou também. — Acorda, por favor! — Não conseguia sentir sua pulsação, tomada pelo desespero, coloquei minhas mãos trêmulas sobre o peito do assassino e comecei a realizar uma reanimação cardiopulmonar como havia sido instruída no treinamento de primeiros socorros que recebi ao entrar para a irmandade, em seguida abaixei seu capuz e virei a cabeça dele um pouco para trás, me aproximei devagar e ali realizei o famoso procedimento da respiração boca a boca.. — Não faz isso comigo! — Lágrimas já escorriam pelo meu rosto quando tive que repetir todo o processo de reanimação por não ter obtido nenhum resultado. Cobri os olhos, chorando em silêncio ali ajolhada e de cabeça baixa, ainda não acreditando, negando pra mim mesma. Foi quando ouvi algo e ao levantar a cabeça tirando as mãos dos olhos me deparei com Altaïr tossindo e cuspindo água. Meu coração disparou de felicidade por ver que ele estava vivo e tinha reagido, o abracei de imediato e fiquei ali por alguns segundos enquanto o coitado ainda tossia. — Graças a Deus! Que bom que você está bem! — Exclamei ainda com a voz embargada pelo choro, me afastando e segurando seu rosto com ambas as mãos, esboçando um largo e belo sorriso ao olhar naqueles belos olhos cor de mel agora sem o capuz para escondê-los. — Como se sente?

— Mas é claro que estou bem. O que significa isso, Erika? — Questionou, claramente sem entender nada e com a voz um pouco falha. — Você está chorando? — Pareceu ainda mais confuso, me encarando com estranheza.

— Eu? — Retirei as mãos do rosto dele e disfarcei a voz. — Não, não. Claro que não. É só... Uma irritação nos olhos, provavelmente causada pela água do rio. — Disse a primeira desculpa esfarrapada que veio na mente, toda atrapalhada. Altaïr definitivamente não deveria saber que eu estava chorando por medo de perdê-lo, não mesmo.— Se lembra que você caiu no rio, não é? — Me levantei devagar e estendi a mão para ajudá-lo. Seguimos caminhando juntos, bem devagar.

— Não. — Curto e direto como de costume.

— Como assim não?

— Não me lembro.

— Você caiu do desfiladeiro, eu achei que teria a mesma ideia que eu pra enganar os cruzados e pulei logo atrás, fiquei submersa prendendo a respiração por um tempo e quando voltei para a superfície de novo não te vi. — Comecei a explicar, calmamente.

— Não me lembro de nada disso. — Insistiu, me interrompendo.

— Isso porque você estava inconsciente no fundo do rio e eu tive que trazê-lo para a superfície e depois para a margem. — Complementei. — Agora entendeu porque perguntei se estava bem? — Evitei dizer que tinha precisado socorrê-lo, por pensar que ele ainda era arrogante e não gostaria de saber que havia sido salvo por alguém “inferior”, embora eu já o tivesse salvo na batalha em Acre.

— Então você salvou minha vida. Obrigado, Erika. — Parou na minha frente e falou da forma mais gentil que eu já o tinha ouvido usar até então, me surpreendendo e contrariando o meu pensamento sobre sua arrogância. Se ele não fosse tão frio acredito que teria me abraçado, quem sabe.

— Não precisa me agradecer. Você já salvou minha vida inúmeras vezes no pouco tempo em que nos conhecemos. — Voltei a sorrir e segui caminhando, desta vez na frente dele. — Vamos, temos que recuperar o seu cavalo e voltar pra Masyaf.

— Vamos. — Concordou, falando baixinho.

— Então... Você é um mestre assassino e mentor, extremamente habilidoso e ainda assim não sabe nadar? — Não me contive e acabei perguntando, olhando para trás. Era extremamente estranho pensar que alguém tão incrível como ele não fosse capaz de fazer algo tão simples

— Do que você está falando? Mas é claro que eu sei nadar. — Rebateu em um tom sério, levemente rude, pela sua expressão com certeza não gostou nada da minha pergunta.

— Bem... Você caiu do desfiladeiro e eu te encontrei inconsciente no fundo do rio, então... — Segurei o riso. — Não sabe. — Complementei.

— Eu devo ter sido nocauteado enquanto lutava, eles eram muitos. — Respondeu, mantendo o tom sério e me encarando.

— Não precisa ter vergonha, é normal. Relaxa! — Acabei soltando o riso.

— Erika, eu já disse que sei nadar. — Parecia que iria me fuzilar com seu olhar.

— Não foi o que eu vi. — Cobri a boca com a mão.

— Já chega. — Me repreendeu.

— Como quiser... Mentor. — Ainda caminhando e tentando conter o riso, deixei que Altaïr tomasse a frente. Passamos por uma ponte improvisada e no momento certo, onde vi que era mais profundo, empurrei o assassino no rio, para tirar aquela minha dúvida louca de uma vez por todas.

— Mas o que é isso? — Gritou, furioso, olhando para mim na ponte acima dele com aquele mesmo olhar fuzilante. Nadou até a margem do rio sem nem tirar os olhos de mim, confesso que deu um pouco de medo.

— Olha só, você sabe mesmo nadar. — Falei rindo alto, descontroladamente. Ver Altaïr, que é sempre tão sério, irritado daquela forma era ilário. — Achei que eu ia ter que ir aí te ajudar de novo.

— Erika eu vou te...

— Matar? Isso não é irônico considerando que nós dois somos... Você sabe. — O interrompi, ainda rindo, vendo-o se aproximar de mim apoiei meu braço em seu ombro.

— Qual é o seu problema? Garota insolente! — Me empurrou de leve e colocou seu capuz, saiu andando na minha frente.

— Tá vendo? Quando a brincadeira de mal gosto é com você não é tão engraçado, não é? — Tentei conter o riso mais uma vez e apertei o passo para alcançá-lo. — Qual é? Foi só um pouco de água. Não precisa agir assim.

Dias depois, de volta a Masyaf, assim que chegamos fomos recebidos por uma mulher, que ao julgar pela aparência e pelo sotaque britânico como o meu presumi que era Maria Thorpe, futura esposa de Altaïr que na época certamente já tinha um relacionamento bem sólido com ele, pelo modo como ambos agiram.

— Altaïr! Ah, finalmente! Como foi a viagem? — Correu para abraçar o assassino assim que ele desceu do cavalo, esboçando um belo sorriso ao vê-lo, seus olhos chegavam a brilhar. O mais impressionante foi ver Altaïr retribuir o abraço e depois dar-lhe um curto porém carinhoso beijo enquanto segurava seu rosto com ambas as mãos. Confesso que não gostei nada de ver aquilo, odiei para ser mais exata. Revirei os olhos, aproveitando que mal podiam ver meu rosto por causa do capuz.

— Maria... — Segurou as mãos dela. — Como você está? Me desculpe não ter te avisado que tinha partido, era uma missão urgente, não tive muito tempo. — Foi tão gentil e atencioso que nem parecia ele.

— Eu deveria te matar por isso. — Pelo seu tom de voz e pela coragem de dizer isso ao Altaïr ela era uma mulher de personalidade forte. — Mas não se preocupe, Malik me avisou. Só não me disse que você não tinha ido sozinho. — Olhou para mim enquanto eu descia do cavalo e me aproximava. — Segurança e paz, irmão. — Disse gentilmente, sorrindo.

— Irmã. — Corrigi, tirando o capuz. O sorriso dela se desfez ali mesmo, me olhou torto e depois encarou Altaïr como se esperasse uma resposta dele, tive que me conter para não rir e não foi nada fácil. — Prazer, sou Erika. — Estendi a mão para cumprimentá-la, usando de um tom mais gentil. — Maria, não é?

— É. — Respondeu vagamente, apertando minha mão como se fosse obrigada a isso. Me olhou de cima a baixo de uma forma que me senti até constrangida. — Eu não sabia que você já estava permitindo que mulheres fizessem parte da irmandade, Altaïr.

— A menos que você seja templária. — Falei baixinho no meu próprio idioma.

— O que disse? — Perguntou Maria, não parecendo nada contente. Foi quando me lembrei de que ela também era inglesa e certamente tinha entendido. Disfarcei, desviando o olhar para um ponto qualquer como se nada tivesse acontecido.

— Erika vem da Inglaterra como você. — Disse Altaïr, quebrando o clima tenso com sua voz séria.

— Percebi. — Cruzou os braços, ainda me olhando torto.

— Agora preciso ir, tenho alguns assuntos de extrema importância para resolver. — O assassino saiu andando. — Erika, pode me acompanhar? — Perguntou, virando-se para trás.

— Mas é claro! — Ri baixinho e o segui, imaginando estar ao som de Snoop Dogg em um daqueles memes Thug Life da internet. Caminhei ao lado dele, passando pelo vilarejo e deixando-a ali parada na entrada de Masyaf. Se Maria não estava nada contente antes, depois disso então pareceu furiosa quando olhei para trás ao caminhar.

Notas finais
Sim, Altaïr sabe nadar. Ele não nada no AC1 devido a um bug no Animus 1.28 (ou preguiça da Ubisoft de programar, o que vocês preferirem). rs Espero que tenham gostado. Não esqueçam de comentar. O feedback de vocês leitores é muito importante. :D