Separados Pela Profecia
8 7- O semideus
Notas iniciais
Quando a aula acabou, o Lucca e o amigo dele, o Ricardo saíram da sala. Tive que correr pra alcançar eles. Peguei o Lucca pelo braço com uma força que até a mim surpreendeu, fazendo-o parar e se virar para mim.
–Por que você me agradeceu? – perguntei antes mesmo de a sua surpresa sumir do rosto.
–Do que você está falando? – perguntou ainda meio confuso.
–Eu cheguei atrasada do intervalo e você me agradeceu. Por quê? – Ele olhou para o Ricardo, trocando olhares de quem sabe mais do que qualquer um. Odeio quando as pessoas olham assim umas para as outras em minha presença, me sinto menosprezada. – Parem de olhar assim, um para o outro! – falei quase berrando.
–Ele disse obrigado, sim, mas foi por você fazer algo que eu deveria fazer. – disse o Ricardo, apesar de o Lucca ter tentado várias vezes, em vão, impedi-lo. Ele olhou para o Lucca. – Ela tinha o direito de saber.
–Pera ai. – eu disse. Eu estava confusa, muito confusa. – Como assim, o que você deveria fazer? Do que vocês estão falando? O que eu tenho que saber?!
–Sam, se acalme – disse o Lucca, com uma voz suave, melodiosa. Sabe, aquele tipo de voz que parece o mar, você tem que prestar atenção no que vê, mas nesse caso, eu me sentia impulsionada a ouvir e respeitar as ordens dessa voz. – Isso, agora me mostre o caminho da sua casa, eu te levo lá.
Então eu comecei a voltar a mim, mas eu sabia que não teria problemas em mostrar pra ele onde era a minha casa. Andei, mesmo sabendo que ele estava me seguindo sozinho, apenas me observando. Mesmo sabendo que o Ricardo tinha ido a outra direção, sem nem dizer uma única palavra de despedida. Simplesmente andei e andei até chegar em casa.
Quando cheguei ao portão de casa escutei a Sasha começar a latir do meu quarto, mas, simplesmente entrei, sem nem me importar. Sabia também que o Lucca continuava me seguindo. Nada disso me importava agora, eu só queria meu sofá, encostar minha bochecha na almofada e perguntar o porquê de tudo dar errado comigo. Queria sentir minha mãe passando a mão no meu cabelo enquanto eu chorava e ela apenas dizendo que tudo ia dar certo um dia. Mas nem isso aconteceu.
Quando entrei e coloquei minha mochila no chão da entrada, o Lucca fazendo o mesmo por sinal, eu sentei no sofá e minha mãe veio me receber. Porém, ao ver o Lucca, eu deu um grito e deixou a bacia com a salada da nossa janta cair no chão e se dividir em mil pedacinhos.
–Mãe?! – falei, sentando ela no sofá. Ela não falava, apenas encarava fixamente o Lucca. – Mãe, tudo bem, esse é o Lucca, ele estuda comigo lembra?
–Esse é o menino que você falou? – ela disse com a voz vacilante.
–Olá, senhora. Meu nome é Lucca, eu estudo com a Samantha. – disse ele educadamente.
Nesse instante apareceu na sala uma Sasha brava que rosnava e olhava fixamente, assim como a minha mãe, para o Lucca, como se ele fosse um intruso que não tivesse o direito de estar ali.
–Calma Sasha! – disse, fazendo carinho na cabeça dela, mas ela não relaxava. – Sasha, senta! – deu falei com a voz firme, e ela sentou, mas ainda tensa e olhando para o Lucca. – Boa garota, agora fica. – ela olhou para mim como se eu estivesse fazendo uma loucura, mas não se moveu. – Ótimo... – sentei no sofá e coloquei a mão na cabeça. – Tá todo mundo maluco, só pode. – fiquei murmurando isso por um bom tempo, até me acalmar. – Agora, Lucca, você me seguiu, pra me dizer alguma coisa, agora fale de uma vez.
Minha mãe continuava a encarar ele assim como a Sasha, e vi que ele estava ficando tenso com isso. Assim ele não vai me falar nada, pensei.
–Chega! – gritei, fazendo a minha mãe, o Lucca e a Sasha olharem pra mim. – É um garoto, um menino que estuda comigo! Não é um assassino, não é um psicopata, não é um fantasma, não é um assaltante! É um aluno! Um adolescente!
Todos ficaram em silencio por alguns instantes, até que, minha mãe e o Lucca, falaram ao mesmo tempo:
–É um semideus...
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