Separados Pela Profecia

33 32- Problemas nas Coortes


Notas iniciais
Presente número 2. Olhem como sou fofa né? Comentem porque eu sou muito fofinha e estou de aniversário. E me desejem parabéns também kkk.

Estávamos numa clareira no meio da mata. Eu estava sentada sobre uma pedra e a uns quatro passos a minha frente o Augusto havia se sentado no chão. Havíamos acabado de sentar.

–Por que me chamou? – ele perguntou sem expressão.

–Preciso de ajuda, Guto. – olhei pra ele envergonhada. – Passei muito tempo fora e não quero pedir ajuda pro Martin. – ele assentiu me dando o direito a prosseguir. – Toda a Centúria está completa?

–Não. Muitos veteranos saíram quando Reyna e Jason morreram. Martin disse que se ele consegue guiar uma legião, sozinho, eles conseguiriam guiar a Coorte também.

–E deu certo? – perguntei, mesmo já sabendo da resposta. Ele deu uma risada sarcástica.

–Não. As Coortes estão divididas internamente, há brigas e muita hostilidade. A Terceira e a Quinta são as exceções porque estão completas, mas a Terceira não consegue formar uma boa estratégia para os jogos porque a Primeira e a Segunda ou brigam internamente ou se juntam para brigar uma contra a outra.

–E o augure?

–Martin mandou o Octavian sair do Acampamento assim que você sumiu. E não colocou ninguém no lugar. Disse que profecias não são importantes.

–Está tudo errado! Não pode ser assim... – comecei a falar comigo mesma.

Porém, ouvimos um barulho na floresta. Joguei o braço pra cima transformando o anel em espada e ficando em posição de defesa. Atrás de mim, o Guto tirou a espada do coldre e imitou a minha posição. Ela, no entanto, não foi necessária, quem apareceu ali foi um dos cães metálicos, Aurum. Trazia uma mensagem clara. Estava na hora de voltar. Entreolhamo-nos e voltamos.

O refeitório estava cheio, mas era evidente a diferença da última refeição que eu fizera ali, antes de fugir. Havia muitos grupos cochichando, muitos olhares raivosos e muita raiva predominando o local. O Augusto se sentou com a sua Coorte. Ele era da Quinta. E eu vi a Terceira ali, se divertindo. Sentia falta disso.

Numa mesa na parede oposta a porta estava Martin, com Argentium ao seu lado esquerdo. Quando caminhei, atravessando, todos se levantaram e esperam eu sentar para sentarem-se novamente. Fiz minha refeição, tendo o pressentimento que logo teria que dar um basta naquilo. Ao meu lado, o Martin parecia estar se divertindo com todo aquele ódio, o que foi a gota d’água para mim.

Com um soco estrondoso sobre o tampo de minha mesa, um empurrão raivoso e um grito, eu consegui silêncio total.

–CHEGA! – caminhei com passos fortes para frente da mesa, os cães se postando cada qual em um dos meus lados. – Se levantem todos. – e eles me obedeceram. Também, nem eu ousaria desobedecer alguém com o tom autoritário que eu carregava na voz. – Primeira Coorte apresente-se a pretoria!

Caminharam em movimento uniforme, juntamente com seus poucos integrantes até a minha frente. Ajoelharam-se e abaixaram a cabeça.

– Centuriões! Descansar. – e então uma garota, de cabelos ruivos e olhos verdes, se levantou e olhou fixamente em frente. – Relatório de Coorte.

– Primeira Coorte se apresenta. Legionários totalizam um grupo de 12 guerreiros. Centúria incompleta. – respondeu.

–Centúria apresente-se. – ordenou o Martin, agora ao meu lado. Ele achava que sabia o que eu queria. Só achava.

–Eu sou a Centutiã. Meu nome é Isabelle Fortinelle. Filha de Apolo. Três anos de prestação de serviços. Primeira geração da família. – ou seja, ela era a única semideusa da família.

–Coorte! Descansar! – ordenei. Todos se levantaram. – Sentem-se a primeira mesa à direita. – instrui. – Segunda Coorte apresente-se a pretoria! – estes eram um grupo um tanto maior, porém todos fizeram o mesmo que a Coorte anterior. – Centuriões! Descansar. – e então uma menina pequenina, com o nariz um pouco arrebitado, porém extremamente bonita se levantou e olhou fixamente para frete.

–Relatório de Coorte. – falou o Martin com um sorriso divertido brincando nos lábios.

–Segunda Coorte se apresenta. Legionários totalizam um grupo de 20 guerreiros. Centúria incompleta. – ela respondeu. Sua voz estava enjoativa, do tipo meloso. E então o sorrisinho. Uma raiva me subiu, mas não demostrei.

–Centúria apresente-se! – o Martin continuava.

–Eu sou a Centuriã. Meu nome é Valência Mikael. Filha de Vênus. Um ano e quatro meses de prestação de serviços. Segunda geração da família. – então ela piscou. E vários pensamentos vieram a minha mente: “Um ano?! Como ela está na centúria se entrou há um ano? Não sabe que piscar não é comportamento de uma Centuriã?”.

–Sentem-se... – levantei a mão e interrompi o Martin, deixando um olhar confuso estampado na face de Valência.

–Valência. – ela fixou o seu olhar em mim. Olhos da cor do mel. – Um ano e quatro meses? – ela confirmou. – Quem a colocou na Centúria?

–O pretor. – ela respondeu ainda confusa.

–Obrigada. – e continuei com a voz alta. – Segunda, sentem-se na primeira mesa à esquerda. – ela saiu da minha frente, com o olhar confuso. “Ai que menina pata!”, pensei. – Terceira Coorte apresente-se a pretoria. – então um grupo relativamente grande se postou na minha frente e se ajoelharam todos com um sorriso de orgulho, semelhante ao meu. – Centuriões! Descansar! Relatório de Coorte!

Um menino magricelo e uma menina muito forte levantaram. Eu os conhecia. Ele era o mais indicado a Centúria assim como ela. Quando saí, eles ainda eram novos, deveriam ter uns 14 anos e 16 anos. Ela é mais velha que ele. Hoje ele deveria ter uns 18 anos e ela 20. Sentia falta deles.

–Terceira Coorte se apresenta. Legionários totalizam um grupo de 40 guerreiros. Centúria completa. – o menino disse.

–Centúria apresente-se! – falei com a voz controlada.

–Eu sou a Centuriã. Meu nome é Amada Belacour. Oito anos de prestação de serviço. Sou filha de Marte. Quinta geração da família. – ela era adorável mesmo com a cara cruel. Direcionei lhe um sorriso saudoso e respeitoso.

–Eu sou o Centurião. Meu nome é Patrick Ian Louis. Seis anos de prestação de serviços. Filho de Baco. Segunda geração da família. – ele e seus dois irmãos gêmeos, a Panny e o Philip, viravam minha vida de cabeça pra baixo, sendo os mais novos da Coorte com seus 14 anos. Hoje aos 18 quase 19, um deles desenvolveu a liderança que eu previ que teriam.

–Coorte descansar. Sentem-se à mesa ao meio do refeitório.

Eles se dirigiram a mesa com soquinhos e tapas. Todos se divertindo e era isso que a nossa Legião era. Não o que ela se transformou agora.

–Quarta Coorte apresente-se a pretoria. – o Martin falou um tanto rápido e estupido, me despertando do transe ao admirar minha Coorte. E depois sumiu do meu campo de visão.

Eu não me importei, pois a minha frente estaria o meu maior desafio. A Primeira e a Segunda estavam razoavelmente divididas em dois ou três grupos cada, mas essa Coorte... Ao se dirigirem a minha frente, surgiram guerreiros solitários ou em grupos de três nos máximo. Todos de direções aleatórias, jamais juntos.

–Centuriões descansar. – falei com a voz suave, tentando apaziguar o ódio visível em seus rostos por estarem todos juntos. Porém ninguém se levantou.

Eu sabia que o Martin não me ajudaria nessa questão por dois motivos. Motivo um: ele era o pior filho de Marte existente, amava esse ódio e revolta que pairava por aqui. Motivo dois: ele estava mais interessado na Centúria da Segunda do que com todo o resto que o cercava. Ele estava centrando toda a sua atenção naquele nariz arrebitado. Eu iria achatar aquele nariz, iria matar aquela filha da... (linguagem imprópria). Ah eu ia. E dane-se se eu estou com ciúmes de dois caras ao mesmo tempo.

–Essa Coorte não tem Centúria? – perguntei e obtive um negar de cabeças coletivo.

Eu precisava de um relatório. Então eu fui até a ponta dos guerreiros postados a minha frente. O último me fez sentir o que Reyna descreveu como senso de liderança. Era um garoto pequeno, pouco forte e quando parei em sua frente, ele tremia. Ele estava com medo de mim. Eu soltei uma risadinha ao perceber isso. E com ela ganhei a atenção da Legião.

Reyna dizia que, quando o senso de liderança aparece, há um clique total que ninguém escuta, mas todos sentem. Acho que estou em um senso de liderança. E eu não ia parar ele.

Toquei no ombro do garoto e ele olhou pra mim. Olhos verdes misturados com azul. Olhos lindos. Neles aparecia um brilho travesso fraco que se escondia atrás de tanto medo. Um filho de Mercúrio.

–Levante-se e se apresente a mim, por favor. – falei com um tom doce, como minha mãe havia me ensinado. Ela dizia que acalmava. Ela estava certa. O medo começou a sumir de seus olhos.

–Desculpe-me, Pretora, mas eu não sei como fazer isso. – ele me respondeu com as bochechas coradas.

–Eu te ajudo. – sorri pra ele. Tinha perdido a noção do mundo, era só eu e ele. Isso me enchia de alegria, saber que eu realmente estava no lugar certo, fazendo o que queriam que eu fizesse. – Qual o seu nome? Ele completo.

–Eu... Eu... – ele gaguejou e eu sorri para acalmá-lo. Ele suspirou e continuou. – Eu me chamo Logan. Logan Ícaro Rodrigues.

–Filho de quem, guerreiro? – eu já sabia, mas queria que todos soubessem.

–Sou filho de Mercúrio.

–Qual a sua geração? E quantos anos de prestação de serviços?

–Segunda geração e três anos de prestação, Pretora.

–Logan, poderia fazer o relatório de Coorte pra mim? – sorri.

–Quarta Coorte se apresenta a pretoria. – ele disse. Sua voz ia aos poucos se elevando. Parecia se esforçar e isso era bom, ele queria provar que era merecedor de atenção. – Legionários somam um total de uns 60, eu acho, pretora. E a Centúria está vazia. – ele falou e eu sorri pra ele. Ele suspirou como o mundo saísse de seus ombros e eu senti o clique final. O clique que sinalizava que eu havia encontrado o líder perfeito para aquela Coorte.

Tecnicamente eu não podia simplesmente coloca-lo como Centurião, mas hoje, essas regras não funcionavam mais.

–Sentem-se a segunda mesa à direita. – falei e esperei todos se sentarem. Porém, como ninguém queria ficar perto de ninguém fui andando lentamente, parei na frente da mesa deles esperei eles sentarem. Mesmo assim, muitos não se sentaram. E eu fiquei com raiva. Ali estava um mais uma vez batendo com a mão na mesa. – Ou vocês sentam todos nessa mesa, ou eu uso quem ficar em pé de brinquedo para Aurum e Argentium. – e assim, com esse tom de voz baixo e ameaçador, todos sentaram e eu voltei para frente da Legião. – Quinta Coorte apresente-se a pretoria. – falei já com o tom de voz normal.

O bom de tudo é que seria só uma Coorte que me causaria dor de cabeça. A quinta tinha os dois Centuriões, porém estava divida ao meio. Metade com o Centurião e metade com a Centuriã. “Por Júpiter! O que o Martin fez aqui?” pensei.

–Centuriões descansar. – falei autoritária. Uma garota miúda com olhar superior e um garoto grande com o olhar relampejante se levantaram de lados opostos. – Relatório de Coorte.

–Quinta Coorte se apresenta a pretoria. – ele começou interrompendo a menina. – Legionários somam um total de 100 guerreiros. – e resmungou algo que deixou os guerreiros do lado da menina com expressão de ódio, mas que eu não ouvi. – Centúria completa. – e veio uma risadinha debochada. Magnifico, um filho de Júpiter pra acabar com o meu dia!

–Querido Centurião. Diga-me o que você resmungou que eu não ouvi. – ele ficou vermelho e desconectou o seu olhar do meu. – Diga-me! – disse com a voz mais agressiva.

–Somente 50 sabem lutar. – ele falou muito baixo.

–Ah! Veremos. – disse com um brilho assassino nos olhos. Eu tenho algo para esses Centuriões... – Centúria, apresente-se a pretoria.

–Eu sou a Centuriã. – a menina falou enquanto ele ainda estava avermelhado. – Meu nome é Cinthia Leguar. Sou filha de Ceres. Quatro anos de prestação de serviços. Primeira geração da família. – ela tinha complexo de autoridade, por isso a Coorte estava dividida.

–Eu sou o Centurião. – o menino disse ainda meio espantado. – Meu nome é Jonathan Lionel. Sou filho de Júpiter. Tenho seis anos de prestação de serviços. Sou a primeira geração da família.

–Quinta! Dirijam-se a última mesa à esquerda! Se necessário acrescentem mais uma para que todos se sentem.

"Hora das mudanças" pensei.

Notas finais
Comente, recomendem, favoritem, divulguem! E serei muito mais generosa com os caps se recomendarem :3 (Sim, pressão psicológica) E não esqueçam da foto kkk