Separados Pela Profecia
26 25- Lucca
Notas iniciais
Havia passado semanas desde que a Samantha voltou para sua casa, porém somente algumas horas desde que brigara com meu irmão. Em meu interior sabia que o meu irmão estava certo.
Ela era de uma naturalidade que nasceu para odiar-me, assim como eu nasci para odiar os semelhantes a ela. No entanto, algo não saiu como deveria, e eu acabei amando quem deveria odiar e não deixaria os meus e nem os dela me impedir de ser feliz.
Era uma tarde comum, mesmo depois da conversa, e estava calma. Eu estava sentado na margem da praia, estava gazeando minha programação.
Não sabia dizer quanto tempo havia se passado desde que se sentara ali, porém, alguém colocou a mão em meu ombro e me fez entrar em posição de ataque. Ao olhar quem se encontrava a minha frente, relaxei.
–O que você quer Meg? – disse com a voz entediada.
Desde que Sam foi embora, ela não largava do meu pé. Todo momento livre que tinha, tentava me esconder dela para poder relaxar. Ela estava afim de mim, dava para perceber, mas eu não queria magoá-la com ilusões e fora isso que eu falei para ela já no começo. Ela, porém, não desistia.
–Você está péssimo... – ela disse.
–Jura? – perguntei com sarcasmo. – Tente você ficar separado de alguém que você goste e saber que não pode voltar a vê-lo.
Sabia que fora rude, mas já havia me cansado dela.
–Quíron quer ver você, na Casa Grande. – disse ela com a voz repleta de mágoa.
Foi à beirada da praia e deixei a água salgada bater em meus pés por alguns instantes e quando me virou ela ainda estava ali.
–Você realmente está péssimo. – disse ela novamente.
–Quer saber Meg? Chega! A garota que eu amo está em um lugar que eu nunca poderei ir e onde todos me odeiam! Quer que eu esteja como feliz? – disse com raiva.
–Poderia tentar comigo... – disse baixinho.
–Meg, quantas vezes vou ter que repetir? Eu não gosto de você! – disse cada palavra entonada. – Você nunca será algo mais que uma colega! – respirei fundo. – Tenho que ir.
Virei às costas para ela e segui para a Casa Grande. Subi os degraus lentamente, tentando evitar ao máximo qualquer outro contato que me fizesse falar.
Quando entrou, chamou por quem o chamara.
–Quíron?
–Aqui! – ele gritou da terceira porta de um corredor.
Essa porta revelava uma espera de sala, um pouco aconchegante até. Sentados em poltronas macias encontravam-se Dionísio, ou Sr. D., como preferir e Ares, e em sua cadeira de rodas, Quíron estava um pouco tenso.
–Mandou me chamar, Quíron?
–Na verdade, – Ares disse antes de Quíron sequer poder abrir a boca. – fui eu quem te chamou aqui.
–Essa é minha deixa, fui! – disse o Sr. D., evaporando sem deixar qualquer coisa além de um cheiro de uvas.
–Como essa conversa é particular, também vou sair. – disse Quíron e saiu da sala.
–Então... – eu disse depois de um momento de silêncio tenso. – Mandou me chamar, o que quer senhor?
Ares sentou na poltrona indicando outra para que eu me sentasse.
–Vim passar o mesmo aviso que eu passei a minha neta. – ele respondeu.
Ele começou a se transformar de motoqueiro malvado para soldado fortemente armado.
–Eu sou Marte, o deus romano da guerra. Sou avô da Samantha e vim te aconselhar para poder se defender de possíveis problemas.
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