Separados Pela Profecia
23 22- O pergaminho
Notas iniciais
Eram ordens. Romanos cumprem ordens.
Samantha, se você está lendo isto significa que você voltou e que os pretores que você conheceu morreram. E se não for a Samantha que um raio do poderoso Júpiter rache um trecho do domínio do imponente Plutão e lhe derreta com o calor do fogo abençoado de Vulcano.
Esses pretores foram em sua busca no momento em que seu sumiço foi notado. Não se sinta culpada, mas era nossa obrigação ir a sua busca. Ordens. Você tem um grande futuro, não pode simplesmente sumir. Se você está a ler isto, fique sabendo que nossa morte não foi em vão.
Samantha, no momento em que você chegou aqui, ainda nova, fomos notificados de sua grande força e de seu papel no destino. Você não será somente mais uma legionária a defender Roma, você será uma líder! Todo o treinamento pelo qual você passou era uma preparação para esse momento. Nós sabíamos que um dia esse cargo seria seu, só não sabíamos quando.
Você recebeu um treinamento digno de uma grande romana. Porém você não foi treinada sozinha, Martin, outro grande romano, foi encarregado de sua proteção antes mesmo de ambos nascerem. Vocês iram guiar a Legião juntos. Foram treinados para corresponderem um ao movimento do outro.
Porém, com o desenrolar do treinamento, alguma coisa mudou entre vocês dois. De companheiros de luta foram se tornando fortes amigos e isso avançou ainda mais. “Agradeci mentalmente a alma de Reyna por não mencionar mais nada além.” Isso não era bom, desviava-os de seus propósitos. E isso foi modificado, sem nosso consentimento.
Você foi levada de nossa proteção. Foi levada ao mundo mortal, vivendo com sua mãe e seu instinto, suas únicas proteções, porque sua memória foi completamente apagada, ou melhor, todas as memórias que ligassem ao seu passado romano ou divino sumiram.
Garantiram-me que você estaria em segurança antes de eu morrer. E se você está curiosa em como escrevi este pergaminho com todas essas informações e ainda consegui deixa-las para você no Acampamento, pergunte ao seu pai. Ele me ajudou e muito em muitas coisas.
Honre nossa morte, pequena Sam. Honre os sacrifícios que por você foram feitos. Honre sua origem, mostre que você é capaz. Nós acreditamos em você, sempre acreditamos.
S. P. Q. R.
Ao terminar de ler, não sabia o que me afetava mais. Os cães metálicos haviam se sentado um em cada lado. Meu pai me abraçava. Martin estava com uma mão em meu ombro, sussurrando desculpas por seu comportamento. Porém, com toda certeza, após um momento de reflexão, posso lhe assegurar que foram às lágrimas descendo por minhas bochechas que mais me irritaram.
Desvencilhei-me de meu pai e empurrei do ombro a mão do Martin. Procurei na multidão um amigo, alguém que saberia o que estava sentindo, que eu estava irada pelas lágrimas escorrendo por minha face. E lá estava ele. Imponente, com sua aljava pendurada nas costas e o arco na mão. Augusto, o filho de Vulcano mais lindo que você vai encontrar, o mais calmo soldado. Augusto, o leitor do livro aberto que eu era para ele.
Quando ele encontrou o meu olhar, leu a expressão dos meus olhos, juntamente com a minha mandíbula contraída. Ele sabia o que isso queria dizer. Ninguém mais entendia. Só significava uma coisa, porém. Significava: “Estou sendo fraca”.
Mal tive tempo de relaxar, quando vi o arco em sua mão girar e ser usado como um bastão de treino para crianças, porém com muita força. Só tive tempo de lhe lançar um olhar agradecido, antes de receber dois golpes. O primeiro foi o mais rápido, uma forte pancada com o arco na parte traseira de meu joelho que me fez ajoelhar. O segundo foi o mais dolorido, porém o melhor. Uma segunda pancada, porém muito mais poderosa. Essa foi completamente direcionada na parte da minha cabeça, onde ambos sabíamos que não haveria mal algum em sobrecarregar de força. A batida me fez ser arremessada de encontro ao chão e desmaiar na hora.
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