Sentimentos Ocultos
14 Capítulo 13 - E o inferno!
Notas iniciais
Como esquecer um dia destes? Afinal foi a véspera, a véspera do dia em que enfrentei os meus piores medos, revi os meus maiores receios em que combati contra mim mesmo e achei nunca mais poder retornar, para a minha casa, para a minha vida, para a minha shokunin.
E quando achei que o meu “E viveram felizes para sempre!” estava mais perto…
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Narrador: Soul
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Vocabulário:
Shokunin — usuário/ a
Baka — idiota/ parvo
Hai — Sim/ OK
Dõmo Arigatou (Domo) — Muito obrigado/a
Kami- Meu Deus/ Deus
Anno – Bem...
Mochi mochi – Estou sim... (maneira de atender o telefone)
Hontoni/ Honton: É verdade/ De verdade.
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Caminhei sobre a areia escaldante e sentei-me a observar todos eles, todos os meus amigos a divertirem-se e a sorrir, livres, despreocupados… sem dúvida este estava a ser um dia perfeito!
Estendi-me sobre a minha toalha protegendo os meus olhos dos raios solares com o braço e pela primeira vez em muito tempo, pude finalmente relaxar.
Maka (rindo): Soul, reage!
Quase que imediatamente coloquei ambas as mãos à minha frente impedindo um certo objeto voador não identificado de bater no meu rosto.
Maka: Gomen ne! Podes passar-me onegaiii?
Soul (sorrindo): Queres a bola? Vem busca-la! – sorri provocativamente enquanto me levantava de golpe e começava a correr pela praia.
Maka estava longe de se dar por vencida e rapidamente começou a alcançar-me.
Maka (gritando): Soullllll!
Soul (sorrindo): Atirar a bola contra mim? Definitivamente vais pagar! – ri-me ao ver a expressão frustrada de Maka.
Corri em direção ao mar e olhei para a minha shokunin, triunfante.
Soul: Vem buscar! — desafiei.
Maka (murmurando): Tu sabes bem que eu não sei nadar… — disse enquanto desviava o olhar, amuada e envergonhada.
Soul: Hai, hai! Ainda assim não é como se não "tivesses pé" aqui ou algo — murmurei entre-dentes
Maka: Baka! – disse enquanto entrava lentamente no mar e vinha na minha direção.
Afastei-me um pouco mais e reparei que o mar tinha um grande desnível então levantei o olhar para avisar a Maka, mas já era tarde demais.
No segundo em que Maka chegou ao meu lado e sentiu a distancia entre si e o solo entrou em pânico e rapidamente rodeou o meu pescoço com os seus braços e lançou o seu corpo sobre o meu, fazendo-me largar a bola de voleibol.
Maka (assustada): Soul …
Soul (surpreendido): Não te preocupes, eu não te vou largar – disse enquanto os meus braços trémulos a abraçavam firmemente.
Agradeci mentalmente à fria água por acalmar o sangue que neste momento ardia por todas as veias do meu corpo e amaldiçoei o mundo por não poder ficar assim mais do que uns segundos.
Levei a Maka de volta à areia e sentei-a na minha toalha, sentando-me junto a ela em seguida.
Soul (preocupado): Gomen nasai Maka, eu não devia ter-te forçado a entrar no mar.
Maka: Não tem problema, eu devia mesmo aprender a nadar e … — corou um pouco – desculpa ter…
Um ligeiro som fez-se soar desde a bolsa da Maka e vi como ela retirava de lá um pequeno espelho.
Shinigami-sama: Mochi mochi!/ Maka: Alô Shinigami-sama! – fez uma continência/Shinigami-sama: Tudo bem? Vejo que estão todos na praia – disse enquanto observava as 3 outras equipas./ Maka: Hai…/ Soul (impaciente): Vá direto ao assunto./ Maka (com olhar assassino): Soul!/ Shinigami-sama: Hai! Tenho uma missão para o Soul-kun!/ Soul: Qual é?/ Shinigami-sama: Soul-kun, um kishin invadiu uma cidade vizinha e está a destruir a cidade com a sua loucura, e pior ainda a transformar humanos em ovos de kishins. Precisamos de detê-lo com urgência!/ Soul e Maka: …/ Shinigami-sama: Está na altura de teres a tua primeira missão como minha arma!/ Soul: Hai!
Depois de falar com o Shinigami-sama fui despedir-me de todos convencendo-os a ficarem na praia e voltei para casa com a Maka, que insistiu em vir comigo.
____EM CASA______
Tomei um curto banho, vesti uma roupa comum e respirei fundo. Não era nada fixe admitir mas… eu estava nervoso! Esta seria a minha primeira missão sem a Maka.
“E se eu não for forte o suficiente?”
“E se o kishins for ainda mais perigoso que o kishin Ashura?”
Perguntas como estas começavam a apoderar-se da minha mente e a alimentar o meu receio.
Passei o rosto por água fria para tentar esquecer as minhas dúvidas e fui almoçar junto com a Maka e a Blair.
Ajudei a minha parceira a arrumar a cozinha e caminhámos os 3 para a entrada.
Blair: Soul-kun não demores muito! A Blair vai ter saudades miauu!! – disse na sua forma de gata enquanto se roçava na minha perna.
Soul: Hai.
Blair ronronou e saiu da sala deixando um silêncio perturbador pairar sobre mim e Maka.
Maka (rindo um pouco): É bom que voltes inteiro!
Soul (sorrindo): Conta com isso Maka!
A expressão divertida de Maka depressa se transformou numa expressão séria e a Maka fitou-me por uns segundos antes de desviar o olhar e suspirar.
Maka: Anno Soul…
Soul (curioso): Hai?
Maka: Preciso que me prometas que … — fitou-me de novo com um olhar preocupado – que voltas para casa a tempo do jantar, são e salvo.
Soul (surpreendido): …
Maka (murmurando): Onegaii não faças nada desnecessário…
Soul (sorrindo): Certo! – disse dando uns passos em frente, ficando em frente a Maka e estendendo-lhe uma das minhas mãos.
Maka agarrou a minha mão no nosso cumprimento habitual selando a promessa.
Maka: É uma promessa…trata de cumpri-la!
Soul: Um tipo fixe cumpre sempre as suas promessas… — disse enquanto dava costas a Maka e abria a porta – principalmente as promessas que faz à sua parceira. Ja ne! – disse acenando ainda de costas para Maka e saindo de casa.
Encontrei-me com Shinigami-sama à saída de Death City e fomos até à cidade vizinha que estava a ser atacada, caminhando em busca de pistas para a localização do kishin, uma vez que as ondas de insanidade vinham de todos os lados.
_______30 MIN. DEPOIS________
Todas as pistas que conseguimos reunir foram dar a um armazém abandonado por risco de desabamento.
Soul (pensa): “Isto não será demasiado ‘cliché’?”
O rosto de Shinigami-sama depressa cambiou para aquela mesma expressão séria e assustadora que só vi 2 vezes na minha vida, ao nos conhecermos de uma maneira muito pouco convencional e na sua batalha contra o kishin Ashura, e seguiu com o olhar cada movimento daquela criatura maligna que acabara de aparecer na nossa frente.
Kishin: Humanos? – olhou mais fixamente- Não... Shinigami e a sua arma, certo?
Soul: Hai, hai... Vamos despachar isto Shinigami-sama! – disse tirando as mãos dos bolsos e refletindo uma calma que não sentia.
Saltei, elevando-me no ar e assumindo a minha forma de arma, mais precisamente de Death Scythe, uma foice enorme coberta com inúmeras lâminas, dividida entre preto e vermelho.
Shinigami-sama tomou-me em suas mãos e dirigiu-se para o kishin.
Shinigami-sama (voz assustadora): Kishin Boro, é meu dever como Shinigami coletar a tua alma!
Kishin (rindo): Deveres, obrigações… começa a soar como um humano Shinigami!
Shinigami-sama: Talvez uma parte de mim ainda seja humana, mas … a tua existência já NÃO TEM SALVAÇÃO!!! – disse de novo com a voz que me causa arrepios.
Envolvemos-nos numa dança mortal, kishin contra Shinigami, arma contra insanidade, um mero erro parecia inofensivo e a batalha perto do fim.
O kishin Boro não parecia muito veloz e apenas conseguia esquivar-se dos nossos ataques ao último momento, não lhe sobrando quase nenhum tempo para ripostar.
Shinigami-sama: Soul-kun, está na hora!
Soul: Certo!
Shini/ Soul: Ressonância – fizemos soar enquanto ambas as nossas almas se aproximavam, para se unirem numa só – de Al… — as nossas almas chocaram gerando uma corrente eléctrica com mais de 1000 volts, que parecia prestes a fritar todos os meus neurónios, fazendo ambas as almas repelirem-se mutuamente.
Soul (gritando): AHHHHHH! – ainda no meu modo de arma.
Aquela sensação…
::::::::RECORDAÇÃO:::::::::::
Shinigami-sama viu a alma de Soul, estava consumida pela loucura e no entanto ainda continha uma réstia de sanidade... seria ali que a bondade de seu coração se tinha escondido?
Soul transformou-se de novo num híbrido, metade humano, metade kishin e correu em direção a Shinigami-sama tentando matá-lo com as suas garras.
Shinigami-sama pousou a sua arma no chão e emitiu ondas de alma fortes na direção de Soul que o fizeram cair de joelhos no chão.
Soul: AHHHHHHHH!
Shinigami-sama caminhou na sua direção, a cada passo que dava as ondas de alma ficavam mais intensas e a dor também.
Soul: PAREEEEEEEEEEEEEEE! ACABE LOGO COMIGO!!! — disse debatendo-se enquanto agarrava a sua cabeça que parecia prestes a explodir.
Shinigami-sama: A tua alma ainda tem salvação não te posso matar sabendo que ainda te resta um pedaço de sanidade!
::::::::FIM DE RECORDAÇÃO:::::::
De novo com aquela sensação…
De novo naquele inferno….
_____NA MENTE DE SOUL______
Soul (gritando): O que se passa? – gritei enquanto agarrava a minha cabeça e fechava os olhos com força, desesperado.
XX (rindo): Hum hum hum ….
Aquela insuportável dor ainda persistia em apoderar-se da minha mente, impedindo-me de pensar.
Soul: Não…tu…
____DE VOLTA À BATALHA_____
De novo naquele mesmo inferno…
Shinigami-sama (desnorteado): O-o quê?
Kishin (rindo): Problemas no paraíso?
O kishin sorriu maléfica-mente antes de ganhar velocidade e começar a atacar-nos de todos os lados, nem parecendo o mesmo monstro que enfrentámos à uns segundos.
“Ele estava a testar-nos?”
“Porque a ressonância de almas não funciona?”
“O que se passa comigo?”
A minha voz rouca pelas dúvidas ecoava pela minha cabeça sempre pronunciando as mesmas perguntas…
O líder da Shibusen tentava bloquear ou esquivar-se dos seus ataques mas o choque de à pouco tinha o feito baixar a guarda.
Shinigami-sama estava prestes a ser atingido pelo kishin mas conseguiu bloquear o seu ataque com o meu cabo (cabo da foice). Grunhi com o impacto de ambas, a minha energia e a do kishin, a chocarem ferozmente.
Aquela insanidade estava maior que antes e começava a afetar-me cada vez mais.
Shinigami-sama (preocupado): Soul-kun, estás bem?
Soul (aparecendo na lâmina): H-hai!
O meu artesão recebeu mais um poderoso ataque do kishin Boro ficando gravemente ferido.
Esta batalha estava muito longe do fim!
_____NA MENTE DE SOUL______
Soul (sussurrando): Maka, lamento … parece que não vou chegar a tempo do jantar… – disse enquanto pousava uma das minhas mãos sobre os meus ferimentos.
XX (sorrindo): Que tal se eu te der uma pequena ajudinha… em honra dos bons velhos tempos, parceiro?
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Mostraram-me céu… para logo em seguida me atirarem para o inferno.
Hontoni, a vida é mesmo irónica!
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