Sentimentos Cruzados

55 Só quero ouvir você dizer que sim!


Notas iniciais
Olá meus queridos! ❤ Quase vocês ficam sem capítulo hoje, minha internet quis me trollar, mas eu trollei ela também. Como nós tivemos muito drama, eu não ia pular alguns momentos de love agora e encerrar tipo fim de novela que acontece tudo no último capítulo. Então, se não se incomodam, vamos apreciar o casal em pré lua de mel. O capítulo de hoje, quero dedicar a TODAS as autoras Wonderbat. De one-shots, short-fics, long-fics… E não é porque algumas delas me dão a honra de me acompanharem aqui, mas é porque me deram a honra de me inspirar nelas um dia e de evoluir acompanhando sua dedicação às fanfics. Tanto as veteranas, que são muitas, não vou citar nomes porque eu li todas, mesmo as que já pararam de escrever ou deram uma pausa, quanto as que chegaram depois de mim, todas têm sua cota de contribuição para que Sentimentos Cruzados nascesse e crescesse. Dedico até para aquelas que hão de vir. E quero que nasçam muitas outras mais, porque compartilhar dom e talento, aprender e ensinar, é maravilhoso. Se você que me acompanha sonha em escrever, se realize, tem espaço para a sua luz brilhar, porque não é a técnica que torna uma estória perfeita e atraente, mas o coração. Técnica a gente adquire e aperfeiçoa, a sensibilidade, a verdade do coração, é um tempero único. Tenham uma ótima leitura! Kisses❣

O amor é

Escrever um livro

Que te faça rir e chorar

O amor é

Falar a verdade

Porque é feio mentir

O amor é

Dar como presente

A nossa felicidade

O som delicioso das gargalhadas de Diana preenchia a suíte máster da mansão Wayne, enquanto Bruce se deleitava provocando-lhe mais risos, usando os lábios, dentes e língua em pontos específicos que ele descobrira na barriga da amazona, que lhe causavam cócegas.

Os fracos pedidos para que ele parasse, em meio aos risos, só o entusiasmavam a provoca-la mais, satisfeito com as risadas que ecoavam e com o leve contorcer de Diana ante as sensações.

A noite havia sido curta para o casal de amantes, assim como a enorme cama king size parecera pequena para comportar tanta sede de amar. Mesmo tendo utilizado-a verticalmente, horizontalmente, não satisfeitos rolaram até pelo chão, visitaram o banheiro e fizeram a hidromassagem ferver em sua passagem por lá.

Cansados, deram uma nova chance ao leito, dormindo algumas horas. Mas tão logo a leve brisa da manhã invadiu o quarto, os despertando, abriu-lhes o apetite para amarem-se novamente, sem pressa, sem reservas, sem pudores.

O momento de descontração era apenas uma pausa para o corpo preparar-se para uma nova investida de ajustamento, ainda que o prazer dessas pequenas intimidades entre o casal não fosse menor em comparação com a completude do prazer sexual.

Quase sem ar, de tanto rir, ela mergulhou uma das mãos nos cabelos de Bruce, puxando-os levemente, até fazê-lo olhar para ela e deixa-la se recuperar. Bruce apoiou o queixo sobre o umbigo de Diana, e sorriu ante a visão maravilhosa do rosto resplandecente de sua princesa, os cabelos encantadoramente bagunçados e o sorriso iluminado.

Quando finalmente ela estava no controle da respiração, apenas o olhando com expectativa, ele baixou novamente a boca em direção ao abdômen de Diana, mas desta vez os beijos, lambidas e mordidas tinham outro teor, outro propósito, fazê-la estremecer, gemer, suspirar, sussurrar seu nome de modo incrivelmente sexy.

A boca percorria a estrutura corporal da amazona, enquanto a mão corria pelas laterais, moldando e reconhecendo cada curva. Carícias lentas foram dispensadas, enquanto Bruce a saboreava, ambos sentindo o corpo em chamas crepitantes. Os mamilos enrijecidos, generosamente saudados pela boca faminta do moreno e as mãos hábeis, fazia o prazer de ambos aumentar.

O corpo de Diana remexia inquietamente sob o de Bruce, ela segurou firme os cabelos dele à altura da nuca, deixando-o embevecido ante as expressões faciais que seus dedos provocaram ao encontrar a intimidade quente, macia e úmida, esperando por ele. Os movimentos fizeram o calor aumentar e Diana contorcer-se, gemer, sem tirar os olhos de Bruce, deixando-o louco para enterrar-se nela mais uma vez e preenche-la com muito mais prazer.

Os olhares, feito imã, denunciavam todos os desejos que tinham, sem qualquer reserva. Os lábios se encontraram, as línguas duelaram, suprimindo alguns suspiros e eclodindo outros. Beijos quentes, intensos e deliciosamente apreciados pelas bocas famintas eram mantidos quase ininterruptamente.

Os dedos do moreno trabalharam ainda mais ágeis, o corpo de Diana se arqueou mais, até fraquejar e sucumbir à onda de prazer que a invadiu. As mãos se apoiaram trêmulas nos ombros de Bruce, fruto dos espasmos que a dominaram, até se firmarem novamente à medida que a respiração retomava seu ritmo.

Ela o puxou para si, com um desejo insaciável. Ela queria mais e ele não queria menos, precisavam, ansiavam encaixarem-se mais uma vez. Beijaram-se, morderam-se, lamberam-se, entre carícias e sussurros quentes, sem a timidez de externar de todas as formas o que queriam e o que sentiam. Bruce a tocou novamente e ela queimava, fazendo seu cérebro ordenar uma irrigação ainda mais intensa para baixo de sua cintura.

Invertendo as posições, ela o empurrou de encontro aos travesseiros, cobrindo seu corpo com o dela. Os olhos azuis tinham um brilho peculiar de desejo e admiração pelo homem que lhe sorria, fazendo-a acariciar o rosto dele com ternura antes de beija-lo sem pressa.

Quando as mãos de Bruce fecharam-se sobre seios firmes, ela soltou um leve murmúrio rente aos lábios dele, mordiscando-os em seguida e levando os lábios em um passeio sinuoso do queixo até o pescoço do moreno. Ela o sondou, cuidando para não deixar nenhum mínimo pedaço de pele do pescoço dele sem seu estímulo labial.

Ambos eram dominadores e gostavam do domínio que um exercia sobre o outro quando assumiam a regência das preliminares e da consumação do ato em si. Quando pensavam já ter encontrado o limite de satisfação um do outro, descobriam-se redondamente enganados, sempre sendo surpreendidos com uma interação nova e uma capacidade inimaginável de se darem prazer.

As mãos fortes e hábeis de uma guerreira incomparável desceram delicadas e precisas pelo peitoral marcado e bem esculpido de Bruce, até abaixo de seu ventre, alcançando seu sexo pulsante, dominando-o com carícias avassaladoras, fazendo-o se perder em meio as sensações e ser incapaz de coibir grunhidos e suspiros suaves em meio ao clima úmido e doce que os envolviam.

A boca sorvia os lábios grossos e firmes de Bruce, gemendo delicadamente junto com ele, que puxava de leve seus longos cabelos negros e raspava a barba por fazer contra a pele sedosa de seu rosto. A outra mão apertava impiedosamente o quadril da morena contra seu corpo, em pedido de clemência.

Comungando do mesmo desejo incontrolável de seu parceiro e ansiosa para tê-lo dentro de si mais uma vez, Diana ergueu-se, envolvendo os quadris de Bruce entre suas pernas, abaixando-se vagarosamente, sensualmente, para revestir o membro ereto em seu interior em chamas. Os cabelos negros caindo pesadamente sobre o rosto e ombros de Diana, como uma cortina de seda, moldavam ainda mais a imagem da beleza nua a se mover cadenciadamente sobre seu amante.

Os movimentos iniciais o torturavam deliciosamente, fazendo-o lutar para não sucumbir rápido demais, para deixar o prazer estender-se, para poder admira-la subir e descer sobre si, rebolar e encara-lo com confiança e desafio, a ponto de quase fazê-lo se descontrolar.

Diana sabia jogar com os seus sentidos, sabia encontrar caminhos que nenhuma outra percorreu, porque o invadia por inteiro. Não era só o maravilhoso desempenho de amante quente e naturalmente versada em dar prazer, graças a generosidade de Afrodite. O olhar, o sorriso, o suspirar, tudo tinha uma medida e um ponto que causava não somente reações no corpo de Bruce, mas também na sua alma.

Quando ela abaixou-se sobre ele com mais velocidade, trazendo o corpo para frente, para beija-lo com força e luxúria, Bruce arrastou o corpo para trás, arqueando-se mais para corresponder melhor as investidas da cavalgada alucinante que se iniciava. As mãos firmes na cintura da amazona, enquanto ela coreografava um ir e vir frenético.

Os sons incontidos da intimidade formaram uma sinfonia afinada, enquanto o corpo clamava pela saciedade plena. Os movimentos ritmados, fortes e firmes de ambos deram o tom dos gemidos e ditaram a respiração irregular que os dominava.

Quando uma nova onda longa e poderosa de prazer a invadiu, ela tremeu e desmoronou, o interior apertado elevou a pressão do membro envolto, fazendo-o liberar a prova do prazer dentro dela, deixando ambos saciados e ofegantes.

Caindo sobre o peito de Bruce, mesmo sem separarem os sexos, ela fechou os olhos, concentrando-se nas batidas do coração do moreno, enquanto o corpo absorvia a corrente elétrica que lhe percorria da cabeça aos pés. Ele enterrou o rosto nos cabelos negros desgrenhados e beijou-os, enquanto os dedos brincavam de dedilhar as costas nuas da morena, a transpirar com o empenho da atividade recém-findada. Ambos descansaram, exaustos e felizes.

(...)

O amor é

Lançar um beijo ao vento

E saber que ele tem destino

O amor é

Uma carta onde se diz

Tudo que a boca não quer dizer

O amor é

A carícia envergonhada

Do primeiro namoro

O amor é

Uma palavra imensa

Com sílabas de chocolate

Diana sabia que Bruce iria se atrasar para ir à empresa, e estava deveras surpresa que ele houvesse caído em mais uma hora de sono profundo já com o dia claro, sendo tão metódico em cumprir suas obrigações tanto de empresário como de vigilante.

Ela separou-se dele, com a maior sutileza possível para não despertá-lo, mas quando achou que tinha concluído a tarefa com sucesso, se posicionando ao seu lado, descobriu que o motivo da segurança do sono tranquilo de Bruce estava na sensação de proteção e conforto que o seu calor lhe proporcionava. Bastou a amazona se afastar poucos centímetros para Bruce sentir frio, vulnerabilidade e acordar instintivamente em busca dela.

Ela sorriu ante o olhar assustado dele, beijando-o impetuosamente para ajuda-lo a dissipar a sonolência.

― Eu não quis te acordar. – Ela desculpou-se, penteando os cabelos do moreno com os dedos e beijando seu peitoral, antes de sentar-se sobre a cama e recostar-se contra a cabeceira.

Bruce dignou-se a olhar as horas no celular sobre a mesa de cabeceira, erguendo uma sobrancelha em espanto. Ele tinha uma droga de reunião em uma hora, mas quando olhou novamente para a sua princesa radiante, coberta pelo fino lençol de fios egípcios, ele deu de ombros para a constatação de que iria se atrasar. A julgar pelo motivo, ele sequer se importaria em não ir.

― Descemos para o café? – Ele a questionou, surpreendendo-a com a tranquilidade que pairava em seu rosto.

― Se você quer mesmo ir à empresa, descemos. — Ela franziu o cenho enquanto ponderava e sorriu quando chegou a conclusão das possibilidades. ― Mas se quiser correr o risco de não ir, tomamos café aqui.

Ela o desafiou com o olhar e fez Bruce sorrir com a provocação inesperada. Puxando-a sobre si, ele a deitou de costas, rumo aos pés da cama, subindo sobre ela como um felino que avalia sua presa, prendendo seus pulsos nas laterais da cabeça. O sorriso travesso dela o levou ao limite do auto controle.

― Não é uma escolha justa, princesa. Uma reunião com velhos chatos e bajuladores ou passar o dia em atividades diversificadas com uma deusa nua em minha cama.

Ela fez beicinho para a resposta, sabendo que era uma justificativa que provava que ele precisava ir, mesmo que não quisesse.

Ele a beijou docemente para compensar a frustração que lhe causara e ficou intrigado quando a encarou de novo, vendo-a apertar os lábios e formar uma linha de expressão na testa, pensativa. Ele esperou pacientemente ela externar o que permeava sua mente.

― Bruce... como, quando vamos contar a Alfred? – Ela corou quando Bruce se afastou e ficou ilegível. Eles não falaram mais sobre o casamento quando chegaram em casa, na verdade nem tiveram tempo, e ela não queria pressiona-lo ou parecer afoita. ― Não é que acho que precise ser agora, mas eu gostaria que fizéssemos isso juntos. Você sabe do meu afeto por Alfred e ninguém torceu tanto por nossa felicidade quanto ele.

Diana sentou-se de frente para Bruce, tentando captar algo de seu semblante reflexivo. Ela esperava que seu desejo de compartilhar a novidade com o mordomo não tivesse levado Bruce para longe, enquanto seus olhos estavam fixos nela e o pensamento em qualquer outro lugar.

A verdade é que Bruce não tinha parado para pensar na felicidade de seu pai de criação ao saber que finalmente suas preces haviam sido atendidas. Enfim Bruce havia encontrado seu lugar ao lado de uma mulher que lutava pelos mesmos ideais que os dele. Que além de compreender e apoiar sua missão, seria uma companheira de vida para o homem por trás da máscara. Tudo que Alfred sempre sonhara. Ninguém merecia saber mais dessa novidade do que o fiel mordomo.

Bruce tomou as mãos de Diana nas suas, avaliando-as enquanto permanecia pensativo. Havia muitas questões a se resolver quanto ao casamento, e Alfred ajudaria com precisão e prazer em tudo, mas antes de ser comunicado, havia um detalhe que Bruce precisaria resolver, pois o fiel amigo não o perdoaria por essa displicência.

Beijando as mãos de Diana, ele pediu-lhe um minuto, deixando-a curiosa. Levantando-se, completamente nu, ele seguiu rumo ao closet, vendo de soslaio quando Diana virara a cabeça para acompanha-lo com os olhos.

Bruce adentrou o closet, parando ante um modulado e afastando algumas peças de roupas para o lado. Arrastando o fundo falso por trás do mesmo, revelou-se um cofre de segurança, cujo código de abertura faria os melhores hackers do mundo se desafiarem no limite de sua genialidade para desvendá-lo.

O olhar de Bruce parou sobre uma pequena caixa de veludo em específico, fazendo sua garganta secar e o coração galopar com a emoção latente. Ele pegou a caixa na mão, abrindo-a e contemplando por alguns segundos o belo solitário guardado em seu interior. Ele poderia dar uma joia muito mais moderna e cara à Diana, mas nenhuma teria tanto valor quanto esta.

A saudade e a dor começaram a invadir seu coração, sem pedir licença, mas ele fechou a caixa em suas mãos, fechou os olhos e respirou fundo, sentindo algo em torno de si lhe dizer que eles estavam felizes por ele. Muito felizes.

Voltando para o quarto, ele viu Diana sentada sobre as pernas, com um olhar de ansiedade fixo em sua direção. Para descontrair, ele desfilou rumo a ela, exibindo-se descaradamente para fazê-la corar e vê-la admitir pelo olhar sua apreciação pelo belo representante da espécie masculina que ele era.

Ele flexionou um joelho no chão, a beira da cama, no melhor estilo cavalheiresco, mesmo havendo uma dose de diversão em suas expressões destoando do gesto.

― Sobre o casamento, princesa, eu não me lembro de ter ouvido o seu sim. – Ele trouxe a caixinha para o campo de visão de Diana, vendo-a ficar boquiaberta ante o gesto e a visão do belo anel que lhe estava sendo oferecido.

― E o pedido sendo refeito, nu, é para garantir que eu não mude de idéia? – Ela descontraiu, percebendo-o ligeiramente tenso.

― Exatamente, princesa. Se você quiser voltar atrás, ao menos quando lembrar deste pedido, se lembrará também da minha imagem e vai se arrepender pelo que perdeu. – Ele sorriu e ela revirou os olhos, como de costume ante seus atos de convencimento.

― É sério, Bruce, você não precisa... – Ela interrompeu-se, a pedido dele, para que ele pudesse terminar de falar, vendo-o ficar sério novamente.

― Este anel, princesa, foi dado a minha mãe quando meu pai a pediu em casamento. – As palavras passaram como uma navalha na garganta de Bruce, mas ele respirou fundo para não embargar a voz. E Diana arregalou os olhos, surpresa com a revelação. ― Você é o que eu tenho de mais precioso, princesa, por isso quero que o aceite, como símbolo do meu amor e do meu compromisso de compartilhar com você o que eu tiver de mais valoroso.

Diana ficou totalmente sem reação por alguns segundos, sentindo apenas algumas lágrimas de emoção percorrerem sua face, enquanto absorvia o significado daquele gesto, muito além de mera formalidade.

― Bruce eu... eu... . – Ela quase disse que não poderia aceitar, mas sabia o quanto isso o ofenderia. — Eu não sei o que dizer. – Ela admitiu, disposta a aceitar o anel e honrar o presente por toda sua vida, sem saber como agradecer tal gesto e tamanha demonstração de amor.

― Eu só quero ouvir você dizer que sim, princesa! – Ele sorriu para não sucumbir à emoção que o sufocava e respirou aliviado quando ela retribuiu o gesto.

― Sim. Sim. SIM! – Ela sussurrou, reafirmou, gritou, se jogando nos braços dele, depois que ele colocou o anel em seu dedo e beijou sua mão em seguida.

O amor é

Acreditar que a felicidade

Não se ganha em concursos

O amor é

Saber que ser amigo

Também é amar

O amor é

A maior viagem

Que fazemos na vida

(...)

Alfred já havia arrumado milimetricamente a mesa para o café um par de vezes, a espera de seu patrão e de Diana, com uma ansiedade incomum para sua postura tranquila. O coração do mordomo estava, de fato, alertando-o para o prenúncio de boas novas, mas como seu amado patrão já frustrara sua intuição tantas vezes, ele não deu tanta atenção para a sensação desta vez.

A verdade é que Alfred estava um tanto curioso também para saber das novidades e impasses da viagem de Bruce e Diana a Nova York. Ainda que ele os tivesse visto chegar no dia anterior, tele transportados para a batcaverna, totalmente descompostos, contando por alto o ocorrido com Circe no hotel, havia acontecido mais coisas nessa viagem que Alfred poderia imaginar, isso o velho Pennyworth tinha certeza.

Separando os jornais e as notícias relevantes que poderiam interessar ao herdeiro Wayne, Alfred fez questão de colocar uma revista de celebridades em destaque, cuja capa estampava Bruce Wayne ao lado da Mulher Maravilha, com o título que Bruce havia aprovado ‘Bruce Wayne preso no laço da Mulher Maravilha’. Nos dizeres abaixo, uma fala do playboy: “Eu vou me esforçar para conquista-la.” Alfred não escondeu o sorriso ante a imagem e a matéria publicada.

Quando ouviu o som de passos vindos da escada e a conversa sussurrada do casal, Alfred conferiu a hora no relógio de bolso, surpreso pelo atraso nada habitual de Bruce. Por sorte, ele já havia avisado que o empresário iria chegar mais tarde à reunião marcada para às dez da manhã. Mas, para o mordomo, o atraso era um ótimo sinal, confirmado quando ele viu o semblante sereno de seu patrão e o rosto iluminado de Diana ao sentarem-se à mesa.

A inquietação do casal e a troca de olhares intrigaram Alfred, mas Bruce sabia que a finesse britânica impediria o mordomo de questioná-los. Entretanto, nada passava despercebido ao olhar sempre atento de seu pai de criação, por isso Bruce o media discretamente enquanto ele servia o café de Diana, para não perder sua reação quando ela segurasse a xícara e ele visse o anel de Martha, reluzente no dedo dela.

O mordomo estava prestes a perguntar se o casal desejava mais alguma coisa, antes de se retirar, mas ele se viu mudo e estático quando Diana tomou o primeiro gole de café e estendeu a mão para pegar um pedaço de brioche.

― Você está bem, Alfred? – Bruce o questionou, com certo divertimento, atraindo o olhar emocionado de Alfred alternadamente para si e para Diana.

Alfred nunca esqueceria aquele anel. Martha nunca o tirava. Ele o guardou no cofre junto com outras joias depois da morte do casal Wayne. Ainda se lembrava de uma conversa com Bruce na juventude, em suas inúmeras tentativas de convencê-lo que ele ainda seria feliz, que um dia ele poderia encontrar a mulher certa e dar a ela aquele anel.

Alfred sabia que Diana era essa mulher, desde a primeira vez que a viu, mas não esperava ver aquele anel reluzindo no dedo dela tão repentinamente. Ele estava certo, havia perdido muitos acontecimentos importantes nas últimas quarenta e oito horas, mas sequer se importava em saber dos detalhes agora, bastava aproveitar a felicidade que estava explodindo em seu peito.

― Ainda bem que eu não perdi as minhas esperanças, senhor. – Foi só o que Alfred conseguiu dizer, sentindo-se um pouco encabulado por não conseguir conter a emoção.

Diana levantou-se e burlou as regras dos padrões britânicos que Alfred seguia a risca, abraçando o mordomo com o carinho de uma filha, sem pressa e sem cerimônia.

― Espero contar com a sua ajuda para carregar o tradicional sobrenome Wayne, Alfred. – Diana segurou as mãos do amigo, sorrindo docemente.

― Eu estarei a sua disposição para tudo, alteza. – Alfred beijou as mãos de Diana, devotadamente, sinceramente grato pelo bem que ela trouxera à vida de seu menino. ― Acho que vou precisar tirar alguns dias das minhas muitas férias vencidas, senhor. – Alfred virou-se para Bruce, enquanto Diana se sentava, deixando-o intrigado.

― Alfred, você acha seguro deixar Diana, recém-casada, lidando sozinha com minhas rabugices enquanto você descansa?

― Talvez, senhor. Mas não quero descansar, necessariamente. – O mordomo deu um pequeno sorriso, ao se justificar. ― Acontece que em meio às muitas preces, fiz também muitas promessas para viver e ver chegar o dia em que o senhor me daria esta alegria de vê-lo feliz. Preciso fazer algumas peregrinações para paga-las, não quero correr o risco de ficar em dívida com os céus.

Diana e Bruce não contiveram o riso, enquanto Alfred aproveitava o momento descontraído para se recompor.

― Tudo bem, Alfred, tire as férias, mas só daqui há um mês, depois do casamento.

― Um mês?! – Diana e Alfred reagiram com a mesma surpresa.

― Não temos motivos para esperar mais, temos? – Bruce questionou e Diana meneou a cabeça, apenas preocupada em como organizar um casamento em tão pouco tempo. ― Alfred, dê todo o suporte que Diana precisar, eu vou cuidar dos detalhes burocráticos e em breve seremos oficialmente senhor e senhora Wayne.

Bruce estendeu a mão sobre a mesa, para segurar a mão de Diana e acaricia-la sutilmente, enquanto via os olhos dela transbordarem emoção mais uma vez.

Tendo se prontificado a atender todas as ordens de seu patrão, Alfred se retirou furtivamente, sem quebrar o clima de felicidade que irradiava e preenchia toda aquela casa, prestes a ser novamente um lar.

Parando no corredor, diante do enorme quadro que retratava o feliz casal Thomas e Martha Wayne, Alfred permitiu enfim que algumas lágrimas saltassem de seus olhos, fruto da emoção pelo momento e a sensação de dever cumprido. Ele sabia que aquela imagem antiga do casal a sorrir na pintura, era hoje, uma realidade certeira, onde quer que eles estivessem velando pelo seu amado herdeiro.

Notas finais
Continua... Os versos usados ao longo do capítulo são trechos do livro "O que é o amor?"Coleção José Jorge Letria Os versos serão usados a partir deste capítulo até o capítulo 60.