DC acordou mais tarde que o comum, seu celular, que estava programado para despertar às 6:00 horas havia acabado a bateria durante a noite e ele não viu, por isso se assustou quando Nimbus invadiu o seu quarto gritando para que ele levantasse que já eram mais de 6:40h e que ele estava atrasado.

Do Contra e Nimbus não costumavam ir juntos para a escola, já que Nimbus costumava ir pelo caminho mais longo, para ver Ramona que sempre estava cuidando de seu jardim quando ele passava. Nimbus e Ramona tinham a mesma idade, mas a garota havia ingressado um ano mais cedo na escola, por isso, mesmo com 17 anos, já havia se formado no ensino médio e estava cursando seu primeiro ano da faculdade de Engenharia Ambiental, como seu curso era a noite, todas as manhãs dedicava-se a cuidar de seu jardim, e já havia virado uma tradição que Nimbus passasse por lá antes de ir para a escola e quando voltava para que eles conversassem um pouco. Por isso assim que acordou o irmão, saiu de casa sem sequer esperá-lo.

Do Contra se arrumou o mais rápido que pode, imaginando que teria deixado Alice o esperando por muito tempo, saiu de casa sem nem tomar café da manhã direito, apenas pegando uma fruta que iria comendo no caminho. Ao sair no portão, estranhou não encontrar Alice o esperando, já havia se acostumado a vê-la em frente a sua casa para irem juntos à escola. Como ela nunca se atrasou, imaginou que ela houvesse cansado de esperar e decidiu ir sem ele, já que seu celular estava desligado ela podia muito bem ter ligado para ele e caído direto na caixa postal e com a presa que estava nem o pegou antes de sair de casa, já que estava descarregado mesmo.

Depois de andar bem rápido, chegou na escola junto com o primeiro sinal indicando o começo das aulas. Não gostava de ir junto com todo mundo para a sala de aula, já que isso ia contra sua filosofia de vida, preferia sempre chegar bem antes de todos, já que na escola não poderia se atrasar. Imaginou encontrar Alice junto de Denise, já que as duas não se desgrudavam na escola, mas encontrou a ruiva rindo com Monica e Magali, sem sinais de Alice por perto. Na sala de aula se espantou também por não vê-la lá dentro. “Será que ela se atrasou mais do eu, e fui eu quem não a esperou?” Pensava DC vendo o professor entrar na sala.

A primeira aula acabou e Alice ainda não havia aparecido, ele achou estranho já que a garota era uma verdadeira nerd e não gostava nem de chegar atrasada na escola, quem dirá faltar.

—Oi gatz! — cumprimentou Denise que havia se aproximado dele sem que ele notasse enquanto o próximo professor não chegava na sala – O que aconteceu com a Alice? Por que ela não veio hoje?- perguntou curiosa indo direto ao ponto.

—Não sei o motivo dela ter faltado. Eu acordei atrasado hoje, meu celular descarregou no meio da noite, quando sai de casa pensei que a Alice já tivesse vindo pra escola.

—Bom, até as nerds faltam de vez enquanto, mais tarde eu ligo pra ela e vejo oque aconteceu – terminou Denise já voltando para seu lugar.

—Se tiver acontecido alguma coisa com ela me avisa – pediu.

—Hunmm… Está preocupado com a sua crush é amore? Sei que ela vai adorar saber disso – brincou Denise.

—Eu não tenho crush nenhuma Denise, para de inventar – rebateu irritado – só estou preocupado como amigo.

—Tá bom, tá bom, vou fingir que e acredito, mas pode deixar que depois que eu falar com ela te aviso o que aconteceu – terminou de falar com o professor entrando na sala de aula e mandando todos se sentarem.

A hora do intervalo chegou e DC viu Denise no celular, mas decidiu só falar com ela na hora da saída, quando não estivesse rodeada de tantas pessoas que com certeza, assim como Denise, implicariam com ele por estar preocupado com Alice, como se fosse uma coisa impossível um amigo se preocupar com uma amiga sem que nenhum sentimento além de amizade esteja somado à equação.

Assim que a última aula acabou Do Contra foi esperar por Denise no portão da escola e assim que a ruiva saiu já a abordou.

—E ai Denise, conseguiu falar com a Alice? — DC foi direto ao ponto.

—Na verdade não gato, a ligação caiu direto na caixa postal. Ela deve estar aproveitando que não veio na aula pra dormir muito, era o que eu faria, mas mesmo assim deixei um recado pra ela perguntando o que aconteceu.

—Entendi, bem obrigado mesmo assim, vou ver se alguém sabe alguma coisa dela.

—Disponha gatz. E nem adianta perder seu tempo perguntando pra ninguém, sou a pessoa mais bem informada e antenada de todo o Limoeiro, se Denise não sabe, então meu amor, ninguém mais sabe. Beijinhos – disse despedindo-se de Do Contra, que resolveu ir para casa também, afinal ele conhecia Denise o suficiente para saber que ela estava certa, a garota sempre sabia de tudo que acontecia no bairro primeiro que todo mundo.

Assim que chegou em casa conferiu no celular se havia alguma mensagem ou ligação de Alice, mas quando ligou o celular a única mensagem que tinha era da operadora oferecendo um pacote de internet mais rápido. Mandou uma mensagem para a garota mesmo assim, não sabia o porque mais estava com um pressentimento ruim sobre a falta dela, era mais do que uma simples preocupação, algo lhe dizia que ela não estava bem, mas logo tratou de afastar essa preocupação, se tivesse acontecido alguma coisa o pessoal da escola saberia, não é mesmo?

Até o dia seguinte Alice ainda não havia nem sequer visualizado a mensagem que ele à mandou. Mas dessa vez pelo menos não havia perdido a hora, e antes mesmo do horário que costumava sair já estava pronto, já do lado de fora da casa esperando por Alice. O horário que eles costumavam se encontrar logo chegou, mas ainda nada dela aparecer, cinco minutos se passaram, depois dez, quando ele enfim tentou ligar para ela, mas a chamada caia direto na caixa postal, teve vontade de ir na casa dela encontra-la, mas ficou com medo de que pegassem a rua diferente e se desencontrassem por isso preferiu esperar. Mais dez minutos desde o momento da ligação e nada dela aparecer, já havia se arrependido de não ter ido até a casa dela, mas agora não havia mais tempo, ele então desistiu de esperar e foi para a escola, imaginando que talvez ela já estivesse lá e por algum motivo não pode se encontrar com ele para irem juntos.

Dessa vez apenas andar rápido não adiantaria, e teve que correr para não chegar atrasado, mas mesmo assim quando chegou na escola o sinal já havia tocado e a maioria dos alunos já estavam em suas salas, sua sorte era que sua primeira aula era com o professor Rubens, e este não era tão severo quanto os outros em relação a atrasos.

Foi direto para o laboratório, já que esta aula seria ministrada no mesmo, quando o professor autorizou sua entrada, teve esperança de encontrar Alice sentava na lugar que dividiam, mas a mesa deles estava vazia e a garota não estava em lugar nenhum da sala.

Na hora do intervalo, mesmo rodeada pelos amigos, DC não se importou de ir falar com Denise, estava realmente preocupado com sua parceira de laboratório.

—Conseguiu falar com a Alice? — direcionou a pergunta para Denise, que nesse momento também estava falando sobre a ausência da amiga na escola.

—Na verdade não – respondeu a ruiva – acredita que ela teve a audácia de nem visualizar as minhas mensagens aquela coisinha? — disse indignada. — Mas estou preocupada, ela também faltou ontem, e a última vez que a vi ela estava voltando para a casa dela a noite sozinha – confessou, imaginando as piores coisas que poderiam ter acontecido com Alice.

—Você esta preocupada por nada. Ela provavelmente voltou para aquele chiqueiro que ela chama de interior onde morava antes, e duvido muito que lá tenha sinal de internet – desdenhou Carmem, que mesmo sendo ignorada por Denise nos últimos dias ainda insistia em ficar por perto.

—Nem começa Carmem que hoje eu não to podendo, algo serio pode ter acontecido com ela – respondeu Denise seria, deixando DC ainda mais preocupado e preocupando também os outros amigos da turma.

—Calma gente, não acho que tenha acontecido nada com a Alice, talvez ela tenha só pego uma gripe forte por ter andado a noite – disse Cebola acalmando os amigos.

—É verdade, ela é tão miudinha que deve se resfriar fácil – completou Cascão.

—Cascão uma coisa não tem nada a ver com a outra – disse Monica – mas o Ce esta certo, não acho que tenha acontecido nada com ela, porque se tivesse acontecido algo grave o irmão dela avisaria a escola, mas os professores parecem não saber nada sobre a ausência dela.

—Mas é muito estranho que ela tenha saído da minha casa a noite e depois não aparecer mais na escola nem atender as minhas ligações – Denise falou preocupada.

—Calma Dê, o pessoal tá certo, se tivesse acontecido algum crime ou algo grave com ela, todos do bairro já estariam sabendo, principalmente você que é super antenada – disse Xaveco com as mãos nos ombros da ruiva para acalma-la – e se ela não tivesse chegado em casa depois que saiu da sua, a primeira pessoa que o irmão dela ia procurar para descobrir alguma coisa seriam os amigos dela, e ninguém entrou em contato com a gente.

—Vocês tem razão – admitiu Do Contra, mas por mais que a lógica dissesse que estava tudo bem, não conseguia deixar de se preocupar. — Mas alguma coisa aconteceu para ela faltar.

—Acho que alguém poderia ir na casa dela ver como ela está, para ter certeza que esta tudo bem – sugeriu Cebola, bolando mais um plano — A gente sabe que ela não gosta de visitas, já que sempre que alguém fala sobre ir na casa dela ela inventa uma desculpa, mas poderíamos ir lá para entregar a matéria que ela perdeu, ela deve estar preocupada com isso, já que é tão estudiosa. E seria melhor se fossem no máximo duas pessoas, do que ir a turma toda, já que a família dela parece ser bem reservada.

—Cebola, seus planos infalíveis são ótimos quando não são dedicados a derrotar a Monica — “elogiou” Denise — Depois do almoço eu vou passar na casa dela com o DC, já que eu sou a melhor amiga dela – gabou-se — e a pessoa mais indicada e com os meios mais rápidos para passar a informação para vocês depois sobre como ela tá, e o DC, por motivos óbvios né.

—Que motivos óbvios Denise? – perguntou DC um pouco alterado com a insinuação da ruiva.

—Ora, porque ninguém além de você sabe onde a Alice mora. Por que a pergunta querido, pensou em algum outro motivo? – alfinetou Denise.

—Na verdade nem eu nunca entrei na casa dela, eu mesmo só sei aonde ela mora porque era a única casa que estava vazia naquela rua, e nenhum dos outros moradores havia se mudado de lá recentemente – explicou DC, preferindo ignorar a provocação da ruiva – o único problema é que hoje depois do almoço eu já tenho compromisso, meu primo do Japão esta visitando o Brasil e eu prometi ensinar ele a tocar bateria, mas hoje é o ultimo dia dele aqui, então podemos ir lá depois das 18:00? E vai ser até melhor nesse horário, porque Alice já me contou que não pode receber visita de nenhum garoto quando o irmão dela não esta em casa, e nesse horário ele já deve ter chegado do trabalho.

—Por mim tá perfeito então, o único compromisso que eu tinha marcado pra hoje era passear no shopping e estudar, mas acho que dá pra cancelar os estudos e encaixar a visita à Alice no lugar dele – disse Denise não surpreendendo ninguém com sua escolha de ir ao shopping ao invés de estudar, e já muito mais calma e menos preocupada depois da conversa com os amigos, enquanto reparou que DC ainda mantinha a mesma expressão angustiada no rosto, como se não acreditasse que estivesse tudo bem com Alice.