Quando DC chegou em casa toda sua família já havia almoçado e Nimbus já tinha saido para se encontrar com a turma. Fazia pouco tempo Nimbus estava andando mais com a galera do que de costume, mas DC logo descobriu o motivo, sempre que a turma se reunia, Nimbus chamava Ramona para sair com eles, o que Do Contra não entendia era o motivo do seu irmão não pedir logo a garota em namoro, era obvio para todo mundo que ele gostava dela e vice-versa, mas suspeitava que seu irmão era o único que não enxergava isso.

Depois de almoçar sozinho, DC decidiu ir tocar um pouco de bateria, fazia um tempo que não tocava, mas se sentia estranhamente animado naquela tarde, nem reparou o tempo passando, era sempre assim quando se dedicava a tocar, por isso se assustou ao ver o irmão entrando na garagem, onde ficava a bateria.

— Pensei que fosse ficar o dia todo assistindo aquele filme chato – disse Nimbus ao irmão que já havia parado de tocar, embora ainda estivesse sentado em frente a bateria.

— Eu iria assistir ao O Palhaço e a Panqueca, que não é nenhum filme chato, muito pelo contrario, é um filme… — ia dizendo quando foi interrompido pelo Nimbus.

—Incrivel e sei lá mais o que, eu sei o quanto você gosta dele, mas você disse que iria sair com a turma ao invés de ficar trancado dentro de casa, só não insisti mais que você saisse com a gente hoje quando disse que iria ver a nova versão desse filme, mas to vendo que foi só uma desculpa né DC. Cara já faz mais de um ano, você precisa superar isso.

— Eu já superei isso Nimbus – mentiu – eu realmente ia assistir a este filme hoje, ate o comprei, mas só havia um exemplar dele na loja e tive que disputar por ele com uma garota, ela desistiu primeiro, mas ela queria tanto ver o filme que acabei dando ele pra ela.

— Espera ai, quer dizer que você conheceu uma garota que gosta desse mesmo filme estranho que você? — perguntou empolgado, dando enfase a palavra garota — E você ainda deu pra ela seu filme favorito?

— Foi oque eu acabei de falar.

—E como ela era? Rolou um clima entre vocês? Qual é o nome dela? Eu a conheço? — perguntava Nimbus cada vez mais entusiasmado, mas deixando seu entusiasmo morrer ao ver a explessão do irmão que apenas balançava a cabeça de forma negativa com a cara fechada – Você ao menos pegou o número dela né?

— Respondendo as suas perguntas em ordem, eu nem reparei direito como ela era- mentiu DC — e não rolou clima nenhum entre a gente, apenas conversamos sobre o filme – respondeu se lembrando de quanto tempo ficaram com as mãos unidas sem perceber, e de como o rosto dela corou ao notar aquilo, quis rir com a lembrança, mas se esforçou para não mostrar nenhuma reação- não perguntei o nome dela, e acho que você não a conhece, a encontrei em uma loja do outro lado da cidade, ela não mora aqui no Limoeiro.

Nimbus ficava cada vez mais decepcionado com as respostas do Do Contra, quando DC falou sobre essa garota, em milessimos de segundos já havia criado esperanças de que o irmão fosse finalmente superar a Monica, mas ela se desfazia a cada resposta do irmão.

— Mas ainda não respondeu, pelo menos pediu o número dela? — perguntou já imaginando que a resposta também seria negativa.

— Não, mas ela pegou meu celular e guardou o próprio número, foi quando ela desistiu de comprar o filme, porque tava atrasada para não sei o que, só depois disso que decidi dar o filme pra ela, quando a encontrei no ponto de onibus.

—E você já ligou pra ela ou mandou uma mensagem? — perguntou Nimbus, recupeerando um pouco a esperança de ver o irmão se envolvendo com outra pessoa e esquecendo a Monica.

— Não, ainda nem vi com que nome ela salvou seu contato na minha agenda, afinal ela só me passou o número para que eu pudesse emprestar o filme pra ela, agora que ela tá com o filme, não tem mais motivos pra falar com ela.

Nimbus bateu sua mão em sua testa, não podia acreditar na burrice do irmão, mas agora pelo menos ele ainda tinha uma leve esperança que os dois pudessem pelo menos se reencontrar, e se quem sabe surgisse alguma coisa a mais… Ele nunca viu o irmão falar de garota nenhuma que não fosse a Monica, e mesmo dizendo que nem reparou nela, a garota era no minimo tão estranha quanto DC, já que gostava do mesmo filme bizarro que o irmão.

— É verdade, mas por que você não pega o filme emprestado com ela? Ou melhor, por que não assistem juntos? Não é você que vive reclamando que não tem ninguém que entende a magnitude desse filme, pois então, agora você encontrou alguém que entende.

Nimbus tinha razão, e vendo a explessão pensativa de DC ele viu que tinha ganhado. Do Contra não entendia como ele mesmo não tinha pensado nisso antes, sempre quis uma companhia para ver esse filme junto com ele, e quando encontrou a companhia perfeita pra isso, nem se deu conta.

Antes que pudesse perceber, Nimbus já estava com o seu celular na mão, que ele havia deixado no armario de ferramentas que ficava ao lado da bateria.

—Bom, vamos descobrir qual é o nome da garota misteriosa – disse Nimbus buscando por algum nome que desconhecesse entre os contatos do irmão ou algum nome repetido, em poucos segundos achou o contato dela, e riu ao olhar o nome salvo. — Acho que não vai ser agora que descobriremos o nome da sua garota – terminou rindo passando o celular para o irmão.

DC pegou o celular e também não pode evitar rir ao ver o nome salvo em sua agenda, A Garota e o DVD, era uma clara referencia ao nome do filme que o fizeram se conhecer. Ele apenas deixou de sorrir quando viu a cara que seu irmão fazia ao encara-lo e depois voltou a ficar serio.

— Acho que conseguiu uma nova companhia hein irmãozinho – disse Nimbus dando um leve tapinha nas costas de DC e saindo da garagem, deixando o irmão sozinho fitando o celular.

Pouco tempo depois ele decidiu mandar a primeira mensagem:

DC: E ai, acho que agora é você quem vai ter que me emprestar o filme hein

Ele não esperava que a resposta viesse rápido, então guardou seu celular e resolveu ir tomar seu banho. Já era tarde da noite e ele já estava deitado na cama esperando o sono chegar quando ouviu o barulho de mensagem vindo do seu celular.

A Garota e o dvd: Acho que vou ter sim, mas não venha me pedir spoillers pois ainda não o vi kkkk Alias, com que nome devo salvar seu contato?

DC: Já que você ainda não viu, nós poderiamos assitir a ele juntos, nunca conheci ninguém que gostasse desse filme, o que você acha? E pode me chamar de Garoto Misterioso, foi assim que meu irmão te chamou quando contei sobre você

DC: No caso foi Garota Misteriosa, só pra deixar claro.

Enquanto isso, deitada em seu quarto, já com as luzes apagadas, A Garota e o DVD, lia as mensagens do Garoto Misterioso, com um sorriso no rosto, quer dizer que ele contou sobre mim para o irmão, pensava, mas mesmo assim se assustou com o convite do garoto para assistirem ao filme juntos, ela mal o conhecia, mas ele era bem direto, gostava disso, e alem do mais, ele gostava de O Palhaço e a Panqueca, a única pessoa que conheceu que gostava de seu filme favorito, então depois de alguns minutos ponderando, por fim respondeu.

A Garota e o DVD: Olha eu mal te conheço e já esta me chamando para assistirmos a um filme de mais de dez horas juntos? Kkkk A verdade é que eu ate gostaria, mas não posso ficar tanto tempo assim fora de casa, talvez se assistirmos umas três horas por dia? Mas mesmo assim acho que não precisamos decidir isso agora Garoto Misterioso kkk

Depois dessa mensagem DC e a garota entraram em um longa discussão sobre o filme, eles trocaram mensagens quase a noite toda, ainda não sabiam o verdadeiro nome um do outro, mas DC já havia descoberto que a garota se mudou do interior para São Paulo no dia anterior, e que ia passar o domingo terminando de arrumar a casa, eles tinham a mesma idade, 16 anos, e em meio a conversa descobriram mais coisas em comum como o gosto pelo xadrez, brinquedos radicais dos parques de diverção e bandas celtas pouco conhecidas…

Era quase quatro horas da manhã quando pararam de conversar para ir dormir, a amizade que surgiu entre os dois havia sido instantanea, afinal não havia como ser diferente, ambos tinha gostos tão peculiares que era um verdadeiro milagre achar alguém que compartilhasse do mesmo. No domingo não conversaram muito, afinal a garota tinha que terminar de arrumar a casa e a noite tinham que dormir cedo, já que ambos estudavam de manhã.

Na manhã seguinte DC acordou animado para ir a escola, afinal era segunda-feira, seu dia favorito na semana. Nimbus havia passado o domingo fazendo perguntas ao irmão sobre a garota que DC conheceu, mas o mesmo se delimitou a responder apenas o basico, isso quando não deixava o irmão no vacuo.

Chegando na escola sentou-se em seu lugar de custume, como a primeira aula era de biologia, com o professor Rubens, a paixonite “secreta” de Magali, ela já estava lá sentada na primeira carteira da fileira ansiosa pela aula. Eles estavam estudando sobre a estrutura do DNA humano, por isso eles não estavam na sala de aula e sim no laboratório de biologia para que pudessem usar o microscopio, como este aparelho era muito caro, então os alunos o utilizavam sempre em duplas, já que havia um aparelho em cada mesa de dois lugares.

O parceiro de aula de DC ainda não tinha chegado, não que os lugares fossem marcados, mas já havia um certo custume nisso. Toni sempre chegava atrasado, isso quando não faltava as aulas, então nem estranhou quando o sinal soou e Toni ainda não havia aparecido quando o professor entrou no laboratório.

— Bom pessoal antes de começar a aula, gostaria de apresentar para vocês uma nova aluna, conto com vocês para fazerem ela se sentir bem-vinda, pode entrar Alice – disse apontando para a garota que esperava na porta.

Todos os alunos a encaravam, exceto Do Contra, por motivos obvios. O professor Rubens não a fez se apresentar para a turma toda, ele sentia empatia pelos alunos e sabia como podia ser constrangedor se apresentar para uma sala cheia de adolescentes estranhos, e pediu apenas que ela escolhesse algum lugar para sentar. A garota caminhou ate a mesa do DC sentando ao seu lado.

— E ai Garoto Misterioso, acho que o mistério sobre os nossos nomes durou pouco – falou baixinho para que só ele ouvisse, enquanto ele virou sem acreditar em quem era sua nova colega de turma.