Sentimental
1 As incertezas do futuro
Notas iniciais
Pov. Annabeth
Eu e Percy estavámos sentados na minha cama, conversando como sempre. Ele me falava das minas que tinha pego noite passada, sempre foi pegador, desde que tinha descoberto que era só sorrir de lado para qualquer uma da balada, que a mesma já caia aos seus pés. Ele era mesmo muito bonito e sabia disso, tinha cabelos pretos e bagunçados, propositalmente, olhos verdes cor do mar e pele bronzeada do Sol da praia.
Éramos amigos desde que me conhecia por gente, crescemos juntos como se fossemos irmãos, e dividíamos tudo, sabíamos de todos os segredos um do outro, ele me contava e admitia coisas que não conseguia nem para si mesmo. Como quando descobriu que se sentia atraído tanto por homens quanto por mulheres, e é óbvio que fiquei do lado dele ouvindo tudo o que ele precisava desabafar e o aconselhando como pude. Com o tempo ele se conformou, até namorou um menino chamado Nico por um ou dois meses, mas não conseguiu se envolver sério com mais ninguém depois dele.
—E foi assim que eu consegui ficar com aquela inglesa. Ela era mesmo muito gata, até pediu meu telefone, mas acabei dando um falso, para não ter complicações depois — contou Percy.
—Você é mesmo muito canalha — eu disse rindo — podia ter sido sincera com a menina.
—E quando você viu isso dar certo nesse tipo de assunto? Eu não ia dizer “adorei a pegação, mas me esquece, só foi por hoje” aí sim eu ia ser canalha, cafajeste ou o que mais você me chama.
Antes mesmo dele terminar já estava gargalhando, apesar de ser errado, não esperava nenhuma outra atitude da parte dele.
—Agora vamos falar de você, há quanto tempo está na seca? — perguntou direto
—Não faz tanto tempo assim — falei na defensiva -não sou que nem você que tem sede de beijo na boca entre outras coisas.
Ele fingiu estar envergonhado e começou a rir. Dei um tapa em seu braço para calar-lhe a boca, mas não adiantou muito.
—O que acha então de eu e você sairmos hoje? Podíamos fingir estar namorando e terminar no meio da balada, sempre foi muito engraçado.
Pensei por um momento e acabei aceitando a oferta, era mesmo muito engraçado ver a reação das pessoas ao pensar que ele ou eu estavamos traindo e terminando o “namoro”.
Pov. Percy
Era ótimo ter a Annie como amiga, uma visão feminina das coisas sempre é bom, além de me ajudar a entender aquele estranho mundo das mulheres. Ela sempre me apoiou em tudo o que eu decidia fazer, mesmo quando ninguém mais fazia, como meu namoro com o Nico, apesar de não ter dado certo, foi uma experiencia válida.
Annie não era muito de sair, raramente conseguia a convencer de me acompanhar para uma balada ou algo parecido, ela era mais de ficar em casa vendo Netflix ou cinema ou pior estudando. Mas nessas poucas ocasiões aproveitávamos ao maximo. Como vai ser hoje a noite, havia arrumado um par de ingressos para uma festa que ia ser topíssimo.
Esperei ela experimentar um milhão de roupas para depois de três horas coseguirmos sair de casa. Iríamos fazer papel de namorados, como já havíamos feito várias outras vezes, sempre muito engraçado e rendia altas histórias. Andamos de mãos dadas e até trocávamos selinhos para mostrar para as pessoas em volta de que “estavamos juntos” até que saí para pegar umas bebidas e as meninas ao redor quase se jogavam em cima de mim, parecia que ser comprometido era um convite a elas. Era hora do show, escolhi uma menina baixa e ruiva com um vestido curto preto de renda, logo a puxei para o lado para a conversa rápida de “qual é o seu nome?” que vem antes da pegação, depois de uns dez minutos de amassos Annie vêm e faz o maior barraco.
—O que é que você pensa que está fazendo?! Você me namora moleque — e me dá um tapa na cara, não forte o bastante para machucar, mas foi bem convincente.
—Você é maluca? -respondi bem grosso.
— Babaca! Você não presta mesmo — E com essa atuação que bem que valia um Oscar ela saiu em direção ao bar.
Vi que alguns caras já ficaram de olho nela, assim como algumas minas ficaram para mim. Isso sempre funcionava, as pessoas adoram uma treta, principalmente DRs.
Pov. Annabeth
Nunca fui uma menina tímida, e fazer esses escandalos sempre era muito divertido, eu podia sentir a adrenalina da emoção correndo em minhas veias. Sentei no banquinho do bar e pedi uma batida de vodka com morango, minha preferida. Um cara sentou do meu lado, eu precisava manter o personagem e fingir que estava chorando.
—Sinto muito pelo que seu namorado…-ele começou.
—Ex-namorado-o corrigi.
—Ok, ex-namorado fez com você, mas uma menina bonita como você não pode se abalar, com babacas como ele.
—Ah é? Então o que você sugere que eu faça? — perguntei sorrindo de lado e bebendo um pouco da minha bebida.
—Uma pequena vingança, pegando outra pessoa na frente dele — disse sorrindo maliciosamente — e eu tenho um ótimo candidato para o cargo.
—Já imagino quem — disse e o beijei, ele logo correspondeu e me puxou para a pista de dança.
Dançamos um pouco, ele disse que Percy estava perto, então segurou minha nuca me beijando como se sua vida dependesse daquilo, logo ouvimos comentários como “vão arrumar um quarto” e coisa do tipo, e eu não rejeitaria o homem sabia do que estava fazendo. Ele passava a mão pelas minhas coxas e eu beijava seu pescoço. Acho que sair de casa valeu a pena.
No final da festa encontrei Percy me esperando em seu carro, estava me mandando várias mensagens pedindo para ir embora.
—Finalmente! Depois eu que sou o pegador. De nada, viu — disse ele debochando.
—Estava precisando disso, o cara beijava muito bem. Chamava Luke eu acho.
—Era muito bonito também, fico feliz que aproveitou — disse ele me abraçando de lado — o que vamos fazer amanhã?
—Vou visitar minha cartomante, faz tempo que não a consulto, gosto de sempre ver o que o futuro me reserva.
Sempre acreditei nessas coisas desde cartas de tarot até horoscopo, Percy achava besteira, mas respeitava, sabia o quanto era importante para mim. Acho que peguei o gosto porque era uma forma de ficar perto da minha mãe, mesmo depois dela ter ido embora, meu pai me contava histórias de que ela ia ao menos uma vez por mês na mesma cartomante, e desde que comecei a ir, minha energia mudou e eu me senti mais leve e ela sempre acertava, então não tive motivos para não acreditar.
—Beleza, eu vou com você, daí depois podíamos ver um filme, o que acha? — perguntou.
—Perfeito.
No dia seguinte cheguei ao consultório da cartomante, a cumprimentei e sentei a sua frente, ela logo pegou minha mão direita avaliando suas linhas, vendo se algo havia mudado e pareceu preocupada com alguma coisa, mas não disse nada, ficou quieta e pensativa.
— O que foi, Dalila? — perguntei preocupada.
—Nada minha flor — ela disse carinhosamente.
Dalila era uma mãe para mim, a via mensalmente, desde meus nove anos, e ela sempre me recebia muito bem, mesmo se não fosse consulta. Ela já tinha bastante idade, mas sua aparencia não refletia isso, era bem ativa e não se deixava abalar pelo tempo, fazia exercicios e não gostava de pedir favores, preferia fazer por si só. E eu sempre pedia por seus sábios conselhos e ela os dava de bom grado.
Pegou seu conjunto de tarot e colocou três cartas viradas para baixo, pegou minha mão e virou uma carta de cada vez, olhando apreensiva para a última.
A primeira carta tinha o desenho de animais olhando para uma Lua entre as nuvens.
— A carta “Lua” representa sentimentos conturbados ou em desordem, mas também falso saber, ameaça e chantagem. Eu tomaria cuidado com as pessoas a sua volta.
A segunda tinha dois anjinhos segurando um circulo com um castelo dentro.
—A carta “O mundo” pode representar muita coisa, como grande poder da mente, sentimentos amorosos no sentido altruísta ou sorte grande.
E por fim, a terceira carta foi a que me deu um nó no estômago havia um esqueleto carregando uma foice, não precisei de muito para adivinhar o que era, ela nunca havia virado essa carta para mim.
—A carta “A morte” representa morte, perdas, imobilidade, mas também renascimento, criação e renovação de ideias. Eu sei que essa carta pode dar medo, mas não há nada com que se preocupar, minha flor, ok?
Eu não conseguia lhe responder ou ao menos abrir a boca, apenas olhava o nada. Eu só queria ir embora. A abracei e lhe dei o dinheiro da consulta. Peguei o Percy pelo braço, que estava esperando na sala ao lado e pedi para me levar embora.
Ele me olhava de minuto em minuto preocupado enquanto dirigia, não perguntou nada nem tentou fazer nenhuma piada, apenas me deixou imersa em pensamentos. Até que o carro bateu e tudo ficou preto.
Notas finais
E ai o que acharam do primeiro capítulo? Me deixem reviews para melhorar e saber a opinião de vocês :3
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