Sentidos, o Imperador

6 Capítulo 5 - Armas.


Corria desesperadamente naquela floresta sem fim. Não sentia nenhuma parte do meu corpo, as pernas faziam movimentos mecânicos, e meu coração acelerava a cada passo. Eu não podia engana a morte, muito menos fugi dela. Já exausto, tropecei numa raiz de árvore indo de encontro ao chão.O cheiro úmido e irritante no meu nariz que buscava ar junto com minha boca. Os passos latentes atrás de mim se compassavam com as batidas do meu coração.

Tentei me levantar, meu esforço só me levou a ficar de joelhos. A dor era insuportável, e o ar entrava com muita dificuldade nos meus pulmões. Meus olhos correram mais uma vez pelo cenário da minha morte. As árvores centenárias formando um grande labirinto. Eu estou perdido. Não, eu estou morto.

− Achei você.

Meus olhos marejados pelas lágrimas que corriam se viraram para a pessoa de capuz vermelho que mais uma vez tinha conseguido me pegar. A única parte do seu rosto que conseguia ver era o sorriso de pura maldade, ele estava sem nenhum remorso. Dessa vez eu sabia que não ia me perdoar. Eu já havia dito muitos “não”.

De repente havia outras duas pessoas naquele lugar. Elas se encontravam do lado direito do meu agressor. Eram dois garotos, um deles usava capuz e outro não. O garoto sem capuz olhava-me completamente perdido, sem saber o que acontecia ali. Prestei mais de atenção em seu rosto e quando olhei para seu corpo, meu coração voltou a bater mais rápido.

Ele era uma fênix.

Nunca iria me esquecer daquela roupa branca e colada ao corpo, do desenho da fênix tatuado na espada empunhada em sua mão. Era a mesma espada que meu tio usava.

O grito que estava preso na garganta finalmente saiu

­- Socorro.

Meu agressor não virou, continuou na minha direção e sua mão tampou meus olhos

***

− Acorda Victor, você vai se atrasar.

Acordar sempre foi um sacrifício principalmente quando meu corpo pedi tanto cama que eu não consigo sequer abrir os olhos. Relembrei o meu sonho, que foi tão estranho. Tinha alguém do meu lado que estava observando um homem de joelhos no chão e outro em pé,um deles estava exausto e assustado. A última coisa que me lembro é que o rapaz no chão ter olhado pra mim e ter gritado socorro, mais nada.

Fui ao banheiro tomei um banho rápido e vestir a roupa da escola. Roger havia saído a poucos minutos. Então peguei rapidamente a minha mochila e sair correndo pelo corredor em direção as escadas. Quando eu cheguei no refeitório olhei para todos os lados e não conseguir identificar ninguém. Comi rapidamente e fui direito para a minha sala de aula.

Foi meio estranho está de volta, pois da ultima vez a minha mãe ainda estava viva e agora tudo o que eu tinha, se fora. Meus olhos ficaram lacrimejados, mais reuni todas as minhas forças para não chorar, eu não podia chorar. Vieram algumas lembranças, e fiquei ali por um tempo até me recompor.

Quando cheguei na porta da sala a aula já havia começado. Eu abrir a porta e pedir licença ao professor, ele parou a explicação e veio com os braços abertos pra mim abraçar. Corresponde o abraço e ele falou no meu ouvido que sentia muito.

Isso tudo contribuiu para me lembrar mais ainda de minha mãe, as lágrimas que tanto contive antes se soltaram uma por uma. Limpei os olhos e dei uma olhada em toda a sala. E a única cadeira vazia era a do lado de Roger, que me olhava com uma cara de quem não sabia o que dizer.

Coloquei minhas no chão e abrir meu caderno e dentro dele tinha algum tipo de carta ou um recado. Sem querer deixei ele cair no chão e o Roger pegou pra mim. Resolvi abrir ali mesmo,e vir que na verdade era um recibo da compra de algum livro na biblioteca local no dia da morte de minha mãe, estranhei um pouco mas amassei o papel e joguei fora.

Como é aula de português, resolvi prestar atenção um pouco mais, porque nunca fui bom nessa matéria. O professor falava de orações, coordenação e subordinação. A aula ainda teve uma pequena atividade para ser feita em casa, no meu caso eu vou fazer no orfanato e com a possível companhia do Roger. Quando o horário bateu uma parte dos alunos saíram da sala e outros vieram me cumprimentar.

Como tinha pouco tempo na cidade e no colégio, não tive tempo de fazer amigos, só conversei até agora com um casal de irmãos gêmeos. O nome dele é Bruno e o dela é Bruna. Bruno é um pouco mais alto do que eu, ele é magro tem cabelos castanhos e olhos negros, super engraçado e eu tenho uma pequena certeza de que ele é afim de Roger. Sua irmã Bruna, é completamente diferente dele, tem os cabelos loiros e olhos castanhos claros uma pele completamente macia e um sorriso encantado, uma menina que não deixava transparecer seus sentimentos.

­­- Iai você já está melhor? – O Bruno me perguntou já sentando na cadeira que o Roger estava sentado há pouquíssimo tempo.

- Sim.

- Soube que agora você está morando no Orfanato daqui do colégio, é verdade?

- Sim.

- Bruno, cala a boca num ta vendo que o Victor não quer conversa. – Bruna estava na minha frente de braços cruzados.

- Podem falar eu não ligo é até legal, preciso me divertir um pouco.

- Então como é o orfanato? – Falou Bruno enquanto discretamente mexia no caderno de Roger, que esta na porta conversando com Tiago

- Até agora é bem legal, e o único lugar onde posso viver.

- Não fala assim, com o tempo você vai se acostuma, sem falar que você já tem 15 anos daqui apouco você completa 18 e pode ir para outro lugar.

- Também acho maninha, você pode até se mudar dessa cidade, que eu acho insuportável.

- É pode ser. – digo enquanto, Bruna senta na cadeira na minha frente e começa a me olhar.

- Você não me disse como é o orfanato, você tem um quarto só para você? Como é o refeitório? Você fala com alguém? – Brunao me perguntou curiosa.

- Eu divido o quarto com o Roger, e o refeitório é o mesmo que serve o almoço aqui na escola. E antes que você me pergunte lá é super organizado, não tem violência ou qualquer outro tipo de coisa que está acostumada a ver.

- Você divide o quarto com o Roger? – O Bruno fez uma cara de espanto.

- Sim.

Antes dele falar qualquer coisa o professor de História entrou na sala, e todos que estavam fora de seus lugares ou no corredor se acomodaram. Bruno praticamente foi arrastado por Bruna para seu lugar conseguir sentir um pouco de raiva que saia dele. O Roger demorou um pouco a sua conversa com o Tiago e quando ele sentou, me olhou com uma cara de dúvida.

Então percebe que havia escutado a conversa e principalmente o ataque que o Bruno deu. Ele continuou calado olhando para mim, voltei minha atenção para o professor que no final da aula veio me cumprimentar. E logo após sua saída arrumei minhas coisas e fui para o laboratório do lado de Roger, conversamos sobre a aula de história e ele me perguntou duas vezes porque o espanto do meu amigo ao saber que dormíamos no mesmo quarto.

Meu parceiro de laboratório também foi ele, tivemos que fazer um pequeno experimento em dupla. Porém, toda fez que eu olhava para o Bruno ele estava olhando para a nossa bancada e fez um gesto pedindo pra falar comigo depois. Formos os primeiros a terminar o experimento, meia hora depois do início da aula, então o professor nos liberou. Antes de sair da sala fui até a bancada de Bruna e Bruno e me despedir deles e mais uma vez conseguir sentir a raiva que saia dele.

Fui direto para o quarto tomar banho e trocar de roupa para almoçar. Quando eu cheguei lá o Roger já estava saindo, ele me disse que vai almoçar e treinar que eu tinha que me virar sozinho, e que hoje eu ia ser levado para saber qual seria minha arma.

- Esteja no refeitório antes de 14:00 hs meu irmão irá acompanhá-lo não se esqueça de colocar aquela roupa que está em cima de sua cama. Ela é a roupa para o treinamento. Até mais tarde bebê mijão.

- Até mais tarde, Roger.

- Ah e ver se não fica com os arqueiros, porque vou achar que é perseguição.

Abrir a boca do banheiro para perguntar o que ele queria dizer, mas já tinha ido embora. Então cumprir todas as orientações que ele havia me passado. Não demorei muito no banho e fui almoçar exatamente as 13:45.

Ao chegar no refeitório, encontrei Alice. Ela estava acompanhada por uma garota que ainda não sei o nome mais estava na mesa na noite da briga. Elas me chamaram para ficarem ao seu lado na fila.

- Então Victor, o menino brigão, como foi a volta as aulas? Conseguiu se concentrar na aula? Se fosse eu é claro, não conseguiria.Soube que você chorou é verdade? Você não devia ficar assim , erga a cabeça a única certeza que temos é que um dia iremos morrer. E pelo que eu sei você não é culpado pela morte de sua mãe ou do seu ...

- Alice deixa o menino falar.

Essa alma boa que eu não me lembro o nome, me salvou da falação de Alice que é assim sempre. Se deixasse acho que iria falar durante todo o tempo até pegar o prato. Foram tantas perguntas que nem me lembro mais da primeira. Então comecei a ri e a menina me acompanhou. Alice não entendeu nada, então ficou com uma cara de não-ache-graça-nenhuma. Rimos por pouco tempo então comecei a responder as perguntas, pelo menos aquelas que eu lembrava.

- Foi até legal volta às aulas, revi alguns conhecidos conversei com eles. – A fila andou e começamos a nos servir. – E não, não estava chorando só meu olho que estava com algum cisco.

- Ata, porque eu pensei que você estava chorando mesmo, sabe né, acabou de perde sua mão e seu padrasto, achei que você ainda estava mal. Que bom que você tenha superado, deve ser um saco o povo deve ficar lembrando toda hora sobre isso...- Alice, voltou a falar compulsivamente até chegarmos a mesa.

- A comida ta com cara de gostosa né ?

- Você só vai saber Alice, se experimentar. – Falou a menina.

- Ta bom, Leila.- Falou Alice, como se estivesse cansada.

Então era Leila o nome da garota que andava com Alice, sim ela é muito bonito. Continuei a comer a comer e observei melhor Leila. Ela tem mais ou menos a mesma altura que eu, ou até um pouco maior, seus olhos cor de mel estonteante, e uma boca lisa. A pele bronzeada, nem parecia que o inverno chegava pra ela. Cabelos longos e encaracolados. Tão linda, talvez a menina mais encantadora que eu tenha visto no colégio.

Comecei a sentir uma onda de vergonha e medo dela, como se estivesse preocupada com algo. Não deixei de comer pensando que ela estava com medo e vergonha de mim, mas a vergonha e o medo aumentavam a cada momento então resolvi olhar para os lados e ver o que estava acontecendo, de quem ela estava com medo. Então vi Xavier se aproximando, o cara chato do jantar, o mesmo que falou para Alice calar a boca e me intimidou.

Ele sorriu para ela de um jeito cínico e sarcástico, e acenou para Alice e eu. No mesmo instante Leila se levantou e jogou o resto de sua comida fora e saiu apressadamente do refeitório,não olhou para trás . Fiquei sem entender, não devia perguntar já que não é da minha conta mais a curiosidade não deixou, então falei.

- Alice, porque a Leila tem medo daquele carinha, o Xavier.

- Todos tem medo desse cara, ele é completamente implacável na espada, e é cruel co muitos garotos daqui do colégio. Nenhuma fez ele arrumou o quarto só outros garotos. O irmão da Leila foi um deles, o Arthur. Porém, teve uma vez que Arthur foi arrumar o quarto dele, e quando voltou ele estava todo ensangüentado e não conseguiu sentar por uma semana. Leila diz que foi porque o Xavier deu muitos chutes na bunda, mas todo mundo acha que na verdade ele foi estuprado.- Ela falou aquela ultima palavra tão baixo que quase não ouvir.

- Mas o Sr.R sabe disso?

- Dizem que o Arthur foi denunciar o Xavier, porém o Xavier alegou que Arthur tinha apostado com ele e foi o Arthur que perdeu. E como o Sr.R leva muito em consideração as palavras e não pode perder um dos melhores espadista, ele pediu que ele evitasse fazer isso com outro, só isso.

- E ele parou.

- Pelo o que eu sei nunca mais estuprou, ou abusou de nenhum garoto.

- Então é gay?

- Ela já namorou com uma garota chamada Patrícia, mais depois que ela morreu, junto com seus dois irmãos e sua mãe, ele ficou completamente perdido. Perdeu de ano 3 vezes consecutivas, e começou a abusar de garotas. Porém ele um dia apostou com uma garota e a estuprou. Queriam expulsa-lo, mais ele implorou pra continuar no orfanato, então foi castigado de uma das piores forma. Aí a parte disso ele nunca mais ficou com nenhuma garota.

- Qual foi o castigo que ele tomou?

- Ele foi marcado, na sua virilha, com uma grande Fênix. Só que isso foi feito com um metal aquecido há uns 200ºC em plena praça do colégio.

Não conseguiu mais pensar em nada, o silêncio reinou na mesa durante alguns minutos, eu parei de comer, enquanto Alice ainda estava na metade do seu prato.

- Caralho, então por isso que ele é assim ? Todo calado, reservado, ele foi transformado em um monstro por causa de um perca.

Imaginei a dor que o Xavier, ele perdeu tudo como eu perdi. Não tenho mais família, a única coisa que me restou foi esse orfanato do meu clã, e os meus poderes. Não imagino nem o nome de meu pai e muito menos se ele é Acelta ou fênix. A única certeza que tinha é que precisava me acostumar com o meu novo mundo o meu novo estilo de vida.

- Victor, Meu nome é Ricardo quero que, por favor, me acompanhe.

Meus pensamentos foram interrompidos pelo garoto que tinha mesma tonalidade de cor dos meus olhos, tão parecidos que se ele não fosse tão forte e branco, poderia se dizer que somos irmão. Esse era o irmão de Roger garoto que ia me conduzir para eu escolher uma modalidade de luta. Era só essa informação que eu tinha, até o momento pelo menos.

Me levantei rapidamente e me despedi de Alice soltando um beijo e um leve aceno.

- Espero que escolha o bastão, assim podemos ficar no mesmo treinamento, e vou te ensinar muita coisa.

- Ta bom. – Gritei no meio do refeitório, mesmo sem saber o que significava aquilo.

Caminhávamos em silêncio pelo pátio do orfanato, formos para á área onde eu nunca tinha ido antes, a parte da floresta. Da primeira fez vi como era grande aquele lugar, a gora tenho a impressão de é muito maior do que imaginava. Em um canto há uma grande arena, com muitos garotos e garotas treinando. No outro lado, uma área verde enorme com alguns com alguns meninos treinando arco e fecha. E um pouco atrás, escondido do campo de visão, da pra ver um pequeno celeiro e uma casa ao seu lado.

Continuando o caminho, andamos durante mais uns 5 minutos até avistar um grande prédio, e também escutava o barulho de espadas. O barulho não vinha do prédio e sim da floresta, então deveria está perto aquele treinamento. Então é isso que o Roger e Alice queriam dizer, qu tinha que escolher algum tipo desses treinamentos, que com certeza deve ser para proteger a escola e nos proteger dos Aceltas. Mais porque eu preciso do irmão do Roger para isso?

— Vejo que você está devidamente vestido para começar o treinamento, seu processo de escolha. – Ele parou de falar enquanto abria a porta do prédio. — Quero que preste muita atenção no que vou te dizer, entendeu?

- Sim.

- Ótimo, primeiro antes de tudo eu quero que você relaxe, não é nada complicado o que vamos fazer hoje, mas a escolha que fizer irá acompanhá-lo, então preciso que seja sincero. Evite no momento em que tiver com as armas na mão pensar no seu futuro com ela, ou se distrair com outras coisas.

- Pode deixar.

- Vou lá dentro pegar um carinho para andarmos por todo orfanato enquanto isso quero que corra o mais rápido possível até onde você consegue, entendeu?

Fiz um sinal afirmativo com a cabeça e continuei olhando para ele.

- Então ta esperando o que para começar?

Virei e comecei a correr, primeiro em um ritmo lento, até porque nunca mais fiz nenhuma atividade física. A trilha era cercada por todos os tios de árvores e o como o dia tinha amanhecido chuvoso, é um tempo ótimo para fazer isso. Aumentei o passo e comecei a sentir algumas gotas de suar escorrendo sobre meu rosto, e os meus pés já estava se acostumando com aquele chão irregular e seus de trocos de árvores, folhas e frutos.

Alguns minutos depois já estava chegando perto da a grande arena, já havia passado o treinamento de arca e flecha quando eu ouvi o som de motor. Fui parando aos poucos a minha caminhada para esperar o carro aberto, parecendo os de campo de golfe, que o Ricardo estava dirigindo.

- Até que você corre bem garoto.

- Fazia exercícios no meu antigo colégio.

- Hum, entra no carro vamos agora pra arena, depois por arco e assim sucessivamente até acha o que realmente gosta.

Entrei rapidamente no carro, e formos em direção a arena. A cada segundo ficávamos mais próximos, e da pra ver como realmente ela é grande e desafiadora. Tem mais ou menos o tamanho de uma quadra de futsal, e seu contorno tem desenhos barrocos como grades. Tinha vários garotos treinando artes marciais, como judô, karatê, entre outros.

- Aqui é a arena, independente da arma que escolher, terá que vir aqui treinar alguma arte marcial, para tentar se defender. — Todos que estavam na arena olharam para o carro. — E a primeira arma que vai testar é o chicote.

Não havia percebido que atrás da arena tinha uma pequena inclinação na terra e um espaço muito amplo, onde garotos e garotas estão tentando acerta um alguns pássaros com seus chicotes preso a mão. Uma garota se destacava, a mesma garota que eu admirava tanto no refeitório e que saiu as presas, Leila.

Chegamos no campo e eu fui pegar o chicote que o Ricardo mandou. Continuei olhando para Leila enquanto colocava as luvas. Parece que ela esta dando aulas aos outros garotos, que a escutam com toda a atenção. De repente seu olhar encontrou o meu e eu disfarcei.

- Acho que tem que ouvir essas instruções também Victor. – ela gritou.

- Ta bom.

Andei até ela, conseguir sentir uma pequena ansiedade vindo dela, e muito medo dos garotos e garotas que estão nos olhando.

- Leila, já sabe o que deve fazer? – Perguntou Ricardo com certo ar de superioridade.

- Sei, sim. – ela olhou para mim. – Victor quero que se esforce o máximo para acertar aquele pássaro com seu chicote.- Ela ficou atrás de mim e começou a pegar no meu braço.- Vou fazer com você uma vez, depois você faz sozinho, ta bom ?

- Claro.

Então, ela começou a levantar a minha mão que está com o chicote, flexionou um pouco o joelho e fez um movimento brusco, como um jogador de vôlei batendo numa bola, e todo a extensão do chicote cortou o céu e aceitou em cheio o pássaro que esta há alguns metros de nos. O chicote fez a volta no pescoço do pássaro e nesse momento ela puxou minha mão para cima, fazendo com que o pássaro que nesse momento está morto, parasse em nossos pés.

- Prontinho fácil né?

Eu conseguia sentir o cheiro e calor de seu hálito em meu nariz. Não responde só fiz que sim com um leve movimento na cabeça.

- Então tente fazer sozinho só para testar, e depois fará de novo só que dessa fez o Ricardo estará tocando na sua outra mão.

Fiz que sim com a cabeça novamente enquanto tento me lembrar de como ela tinha acabado de fazer. Respirei fundo, levantei o braço olhei pro pássaro e fiz o movimento com a mão. Porém, não foi no pássaro que o chicote pegou foi numa pedra, que fez um som tão alto que doeu meus ouvidos.

- Você foi bem, agora precisa se sair melhor. – disse Leila enquanto o Ricardo fica do meu lado e tira uma das luvas, e tocana minha mão fechando os seus olhos.

Me concentrei mais uma vez e lancei o chicote. Ele rasgou o céu e acertou nó pássaro, eu podia sentir a textura daquele chicote, como se meu braço se prolongasse. Ele é de couro e na sua ponto tem alguns objetos pontiagudos. Trousse minha presa até mim. Foi quando o chicote saltou de seu pescoço.

Ele vinha na minha direção, tão rápido quanto um raio, não tinha como pará-lo, então fechei os olhos. Quando os abrir novamente o chicote que estaca na mão de Leila se entrelaçou ao meu. Ricardo se afastou e eu tirei o chicote da minha mão.

- Então o que você viu? – Um homem alto que ficou o tempo todo sentando olhando para nós três, ele falava com ar de desprezo e autoridade. – ele vai ser um dos meus?

- Não Sr. Peter, Victor não tem futuro com o chicote, tudo escro e nublado,nada além disso.

- então o chicote não é bom para mim ?

- Isso mesmo.

- Até mais Ricardo e da próxima fez traga um garoto para mim, estou cansado de vê tanta menina. – O homem voltou a se sentar enquanto eu guardava a luva e o chicote no mesmo lugar.

Olhei para trás mais sentia tanta vergonha, que sair com a cabeça abaixada, não olhei para Leila nenhuma fez. Entrei no carro e eu e Ricardo fomos para o campo de treinamento dos arqueiros. Chegamos rápido, e já reconhece muitos que estão aqui. E um deles é o Roger.

- Irmão, iai tudo bem? – Roger saiu de seu poso para falar conosco. –Já passaram por muitos lugares?

- Oi Roger, até agora só passamos pelos chicotes e até que o Victor não foi um dos piores. — Bateu de leve em meu ombro.- Agora vamos, tenho pouco tempo para fazer isso.

- Tudo bem, venha Victor, eu vou lhe ajudar já que o Arthur não está aqui. Vá pegar um arco e algumas flechas ali no canteiro.

Fui pegar e quando voltei o Roger e Ricardo já estavam prontos. Roger me passou algumas informações e ouvir atentamente, ele terminou. Então ergui o arco do jeito que ele acabou de falar e coloquei a flecha. Mirei no centro de um grande círculo que também estava distante de mim. Respirei fundo e larguei a flecha. Todos ficaram olhando o rumo que ela ia tomar. E foi bem distante, na minha segunda tentativa foi ainda pior, a flecha foi para bem no troco de uma árvore que estava á cerca de 1 metro de distância do círculo.

Definitivamente não é arco e flecha a minha arma.

Me despedir do Roger que riu muito da minha cara que quase caia em um pequeno buraco na grama.

- Agora temos mais duas opções, ou as espadas ou bastões. Você quer ir em qual primeiro? Perguntou o Ricardo.

- Pode ser as espadas.

- Então vamos.

Ele engatou a chave, e em pouco tempo chegamos no campo de treinamento das espadas. Até agora o mais barulhento, o som das espadas se encontrando e de garotos e mais garotos gritando. Gritos que são um novo golpe, uma maneira diferente de tentar acabar com o adversário. Sinto que esse campo é o mais sombrio de todos que passamos.

Vejo que Xavier está ali gritando com um garoto que chora enquanto ouve as palavras. O restante não parou, continuam treinando como se não ligassem para o que está acontecendo. Pensei em falar algo com o Ricardo já que ele é um dos seguranças do Sr.R. e também seu secretário, mas preciso parar com essa mania de defender os inocentes porque no final eu que me encrenco.

Xavier percebeu nossa presença e veio a nossa direção.

- Há quanto tempo Ricardo, nunca mais tive a oportunidade de te ver pelos meus campos. – Sentir um pouco de inveja e raiva dele.

- As coisas lá em cima estão muito interessantes para eu passa aqui, mas quando tiver tempo eu venho te fazer uma visita. Quem sabe assim você larga os maus hábitos. – a recíproca também foi verdadeira.

- Então, vamos começar logo isso já que tem que levar o garotinho para casa.

- Com certeza.

- Toni, venha cá. – Xavier gritou em nossos ouvidos. Um menino magricela e do meu tamanho veio correndo em nossa direção.- Tire o colete e de a ele, e também a sua espada.

O garoto começou a tirar e eu comecei a vestir. O colete é um pouco pesado, assim também a espada, mas me sentir bem com ela na mão.

-Simon, quero que duele com ele.

- Sim, senhor.

- E você Victor, ouça tudo o que eu disse e faça exatamente. – Falou Xavier com o dedo no meu olho. — Ou se não acho que pode machucar o bebê.

- Pode deixar, sou mais forte do que pensa.

- Então pode começar valentão.

Ergui a espada e esperei algum tipo de ordem de Xavier, o garoto na minha frente começou a andar em circulo, me cercando. E olhando nos meus olhos. E no movimento brusco ele jogou a sua espada em cima de mim.

- Bloqueie. – Uma voz tão forte rompeu meu estado.

Levantei a espada e parei o golpe, e impacto foi tão forte que deixei a espada cair, me abaixei pra pega-la. Recebi um chute e quando olhei para cima o garoto está com a espada apontado para o meu pescoço.

- Idiota, nunca deixe a espada cair, ouviu? – Gritou Xavier, vindo na nossa direção. – Segura a espada direita se movimente, imbecil.

Me levantei rapidamente e peguei a espada novamente, dessa fez segurando bem mais forte.

- Veja como se luta, me observe.

Ele pegou sua espada e chamou mais três garotos. Ele ficou no meio da aquele, e rodava com certa habilidade. Um dos garotos atacou e foi seguido pelos outro. Xavier se defendeu do primeiro golpe, e se abaixou evitando que um outro golpe o acertasse. Com o pé chutou um dos garotos e com a espada atacou a outro. Numa velocidade incrível, ele se esquivou de outra espada, enquanto enterrava a sua em um dos coletes. O grito do garoto foi de uma enorme dor. E um outro correu do Xavier.

Depois deter feito isso tudo ele olhou para mim. Sentir dúvida e um outra coisa que não consegui distinguir. Andou até o Ricardo e falou algo em seu ouvido algo que não da para ouvir. E finalmente veio em minha direção.

- A partir de agora imbecil quero que se concentre. – Falava enquanto segura o meu braço.- A espada é uma extensão do seu corpo. Ela é um braço cortante, uma faca sutil.

Me concentrei naquelas palavras e sentir tudo aquilo que ele disse. Ele gritou alguma coisa mas, não entendi. Meu adversário se aproximou, o mesmo garoto que acabou de me derrubar. Ergui a espada e senti, todo o meu braço agora tinha a mesma textura e o mesmo material. O garoto me atacou ouvi de longe o Xavier gritando ‘defenda-se’, obedeci sabiamente, e a espada caiu novamente, mais dessa vez, não me abaixei para pegar, eu me esquiei de um golpe, e me esquivei e outro.

Ele conseguiu me acertar no braço, não senti a dor. Então vi a possibilidade de derrubá-lo e pegar a espada no chão, e foi exatamente isso que fiz. Não deixei ele levantar a espada de novo. O derrubei com um empurrão com a outra mão. Ouvir um grito distante, não prestei atenção, mas sabia que era do Xavier. Conseguir chegar na espada novamente fui em direção a ele. Ora eu golpeava e ele defendia, ora ele golpeava e eu defendia. Ficamos assim por um tempo até eu escorregar numa pedra que estava na minha frente e a espada foi parar um pouco distante.

Ele vinha na minha direção, só tenho um jeito de me livrar dele, usando meus poderes. Quando já estava em cima de mim com um sorriso vitorioso, me concentrei na textura que o chão tinha e golpeie sua espada com a mão que não está sangrando. Ele se surpreendeu, tive tempo suficiente de pegar novamente a minha espada e em um movimento único fui em direção ao colete dele.

Uma mão parou a minha, quando olhei vi que era Ricardo. O garoto se levantou e xingou alguma coisa. Xavier se aproximou e esperou comigo a resposta de Ricardo. Abriu os olhos lentamente e disse:

- É a espada. – Soltou um pequeno sorriso. – é aqui que vai treinar a partir de agora.

Meu olhar saiu dela para Xavier que estava com a mão estendida na minha direção, eu o cumprimentei e sentir uma dor dilacerante. Ele está apertando minha mão com tanta força que acho que se continuar vai quebrar um osso.

- Não pense que vai ser moleza, moleque. – Finalmente soltou minha mão. – Quero ver você aqui amanhã, 14:30 em ponto, lhe garanto que vai se arrepender se atrasar.

Fiz que sim com a cabeça e sorrir, o Ricardo me deu um abraço e parabéns. Sei que isso é só o começo, amanhã seria pior, mas no fundo me sentia feliz. Me sinto conectado, sei que irei muito longe, sinto isso de algum lugar.

“Parabéns, você vai muito longe” falou a voz na minha cabeça.

Notas finais
conto sempre com os comentários de vocês. Demorei um pouco para colocar o cap. 4 e o 5 por causa do colégio mas agora eles estão aí. O que acharam de leila? e da história de xavier? Ele vai ser um personagem importantíssimo descobrir a verdade sobre o pai, então continuem lendo ... bjs e mais uma vez obrigado pelos comentários, são poucos mais me alegram muito .
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.