Sentidos, o Imperador
3 Capítulo 2 - Mãos de pedra
Cara é melhor você açodar se não vai se atrasar e o Sr. R detesta atrasos.− Quem falava aquilo também batia na minha perna – Você já dormiu demais.
Eu abrir os olhos e recordei o que aconteceu comigo nas ultimas 48hs. Minha mãe e meu padrasto tinham morrido em um acidente de carro enquanto voltavam do trabalho, eu como não tenho ninguém vivo na família tive que ir para um orfanato e nada melhor do que você ir para um orfanato que já conhece. Era essa minha situação. E esquece de falar que estou completamente bêbado de sono, mas não posso dormir porque tenho um jantar de apresentação. Que vida boa eu estou levando, agora só resta a sombra e água fresca.
Eu já tinha passado um dia inteiro no orfanato. Hoje de manhã quando acordei fui com Roger fazer minha refeição não tinha quase ninguém. Logo depois eu voltei ao quarto para arrumar minhas roupas no armário. Terminei umas horas depois e desce de novo para poder almoçar. E finalmente voltei e descansei um pouco.
Quando abri os olhos vi o Roger sentado na minha cama batendo em meus pés, tive vontade de espancá-lo, mas eu sabia que ele é duplamente mais forte do que eu.
− Roger que horas são? – Perguntei em um tom sonolento.
− Exatamente 06h30min – Ele falou apontando para o relógio que eu vi pela primeira vez no quarto. − Ou seja, é melhor você ir se arrumando porque eu falei ao meu irmão que não irei me atrasar.
Demorei um pouquinho para me levantar meu corpo ainda pedia um pouco de cama. Estou completamente dolorido e cansado como se não dormisse há dias. E, de repente, ouvir um barulho estrondoso no meu estomago, ou seja, estou morrendo de fome.
− Eu trouxe a sua roupa do orfanato essa é a de cerimônia, você ainda vai receber a de combate. – Ele apontou para o meu armário. – Eu to descendo te espero lá em baixo no rol de entrada do dormitório. Não demore.
Meus olhos ainda não conseguiam abrir direito, fiz um maior esforço para sair da cama, que por sinal esta muito bem confortável uma oferta tentadora comparado a um jantar, que com certeza será muito parecido com o café e com o almoço o refeitório vazio e a comida para servirem o balcão. Meu estomago roncou de novo e decidir de uma fez tomar banho.
Fazia dias que eu não me olhava em um espelho não tive muito tempo para isso desde que chequei de viagem. Quando vir meu reflexo no espelho do banheiro fiquei espantado, eu estou horrível. Meu rosto que normalmente é bronzeado estava completamente branco como se essa fosse a minha cor. Acho que emagreci uns quilos, pois não encontrava mais aquele excesso de peso que eu tinha quando morava em Porto Sul. Meu cabelo está um pouco grande, nem me lembro mais a ultima vez que os cortei, preciso urgente de uma boa escova para poder penteá-lo. Até meus olhos que são cor de mel (a parte que eu acho mais linda em todo o meu corpo) se encontravam vazios sem esperança. Agora eu entendo a expressão de que os olhos eram a janela da alma.
Corri para debaixo do chuveiro querendo mudar completamente meu estado de espírito, porém eu ainda estava com o morte da minha mãe e do meu padrasto na cabeça é completamente difícil se preocupar com vaidade em uma situação como essa.
Não demorei muito no banho já que eu estava atrasado. Olhei para o relógio na parede que indicava 06h45min, tenho dez minutos para vestir a roupa, pentear o cabelo e descer para jantar, A roupa do santuário era incrivelmente bonita. A blusa é de gola pólo e branca,mas era o branco mais limpo que eu já tinha visto em toda a minha vida, na parte de trás da camisa tem uma grande fênix vermelha. A calça era preta e os sapatos também, porem uma coisa me chamou atenção tinha uma caixa aberta debaixo da roupa e dentro dessa caixa tinha um colar. O colar tem dois pingentes: O primeiro era a inicial do meu nome, talvez de prata; e o outro pingente é uma mão pequena aberta, muito parecido quando mandamos alguém parar. Quando acabei de vestir fui no espelho dar uma olhada, para ver se ficou bonito. Está tudo certo a roupa ficou muito bem em mim, olhei novamente para o relógio e marcava 6:54.
Sair correndo do quarto me lembrando das palavras que o Roger tinha me dito, estou rezando que o Sr. R não fique irritado por um pequeno atraso. Pedir o elevador e quando cheguei no saguão o Roger estava acompanhado de dois garotos, já tinha visto os dois no colégio.
− Cara você demora para tomar um banho. – Ele me olhou com se estivesse chateado – Ah claro esqueci que estou falando com a bela adormecida. − os dois garotos que estavam do seu lado riram. − Meu irmão está com raiva de mim por sua causa, então espero que ande logo.
Eu não sei exatamente o que falar nessas horas, mas não podia ficar calado depois de uma patada dessas.
− Desculpa, mas eu não tenho culpa se você se esconde atrás de seu irmão.
Juro que eu falei isso sem pensar, esse é tipo de coisa que você nunca deve falar para seu novo companheiro de quarto no seu primeiro dia em um orfanato. O Roger me olhou com uma cara eu pensei que nunca mais ele ia falar comigo. Os dois carinhas que estavam ao seu lado riram um pouco depois do que eu falei, mas uma olhada do Roger os fizeram irem embora.
− Obrigado pela gracinha, Victor. – Ele falou com um tom de magoado.
Se eu não me engano essa foi a primeira vez em todo o dia que o Roger me chamou pelo meu nome, aonde foi para o “cara”. Isso me fez sentir culpado pelo que eu fiz e preciso pedir desculpas. Mas também tava na cara do Roger que esse irmão deveria ser a única família que ele tem e mesmo se eu pedisse desculpa não ia mudar muito a situação.
− Desculpa, foi você que pegou pesado no começo.
Isso não suou como queria mais ele continuou andando sem falar nada comigo.
Quando chegamos à Casa principal (ainda me pergunto porque não chamam essa casa de castelo) havia centenas de meninos e meninas entrando depressa e conversando animados logo na entrada. Passamos por eles e entramos. Dava para entender porque não chamam de castelo, tudo naquele lugar era novo parecia uma casa de artista que várias pessoas cultivavam, ou seja, o nome adequado era mansão. Havia várias plantas na entrada e todas as paredes eram de vidro a porta se abri sozinha e o ar condicionado estava forte. Seguimos por um corredor amplo que tinha vários quadros na parede com homens com o mesmo uniforme que eu estava usando, mas só que todas as fotos eram antigas e a medida que avançamos pelo corredor elas iam ficando novas. Em baixo de cada quadro se tinha um número e o ultimo quadro tinha a foto do Sr.R com o mesmo uniforme e um sorriso vitorioso no rosto.
Ao terminar o corredor havia uma porta que também abri sozinha e do outro lado dela havia um enorme refeitório com mesas de 30 acentos e no final do refeitório via-se um lugar elevado, que deve ser a mesa principal onde se encontrava alguns professores e talvez funcionários. Roger apontou para uma mesa que ficava perto da janela e também da mesa principal. A mesa que ele tinha apontado estava um pouco cheia igual a todas as outras no refeitório. Eu ia questionar que era melhor ficarmos numa mesa perto da cozinha, pois era a que eu fiquei hoje no café e no almoço, mas o Roger estava tão distante de mim que acho que nunca iria ouvi nada.
Caminhei atrás dele e fomos em direção a mesa. Nela se encontrava oito pessoas 5 garotos e 3 meninas. Alguns deles eram mais velhos do que eu mas os outros eram da mesma idade ou até mais novos. Eu não conhecia nenhum deles e tinha visto três deles no colégio e no orfanato.
− Então esse é o novo aluno. − Perguntou o cara que usava óculos para o Roger.
− Sim, e Thiago não tente jogar seu H para cima do cara. − Ele voltou se para mim. − Você sabe que ele é meu companheiro de quarto e não quero sentir o cheiro de maconha. Eu só alérgico.
Maconha... aquele cara de óculos era o tipo traficante... caraca e eu pensando que ele é um desses nerds que se junta a um grupo de caras malhados e populares no colégio para se dar bem com a mulherada.
− Roger dar pra você parar de gracinhas. Eu não faço isso não entendeu , oh companheiro.
Balancei a cabeça fazendo uma afirmativa e me sentei do lado de uma garota que estava já no final da mesa.
− Vocês viram meu irmão? – Perguntou Roger sentando do outro lado do banco, ficando logo após de mim.
− Seu irmão foi conversa com o Sr. R. – Disse a menina mais bonita do grupo e do jeito que ela fala parece que é amiga do irmão do Roger.
− Muito obrigado Sheila. − Falou o Roger meu que forçado. − Então será que dessa fez eu irei ser convocado?
− Depende garoto, o Sr. R. não quer assustar ninguém – O rapaz mas forte e mais alto de todo o grupo falou se inclinando em cima de Roger – Eu acho que o velho ta surtando ...
Sinceramente eu não consigo ver nexo na conversa então me virei e dei de cara com um cara bem mal humorado. Ele estava batendo em um garotinho para lhe dar o lugar. O menino saiu e foi correndo para outra mesa eu continue olhando sem saber que fosse um erro mortal, pois normalmente esses caras não gostam que ninguém fique olhando o que eles fazem. E, de repente, ele virou-se e reparou que eu estava o observando, seu rosto era cheio de cicatrizes,de diversos tamanhos, marcas de batalha, parecendo um galo ou um cachorro depois de uma briga. Meu coração disparou ao ver aquele olhar sustentando o meu.
− Iai, como é mesmo seu nome mesmo que eu já me esqueci ?
Eu me virei rapidamente e vi quem estava falando comigo. Ele é o cara mais popular em toda a escola, ele foi me dar boas-vindas no meu primeiro dia de aula. Pelo visto ele fazia fama entre as mulheres. Tinha um rosto muito bem desenhado parecendo o Ken, o namorado da Barbie.
− Victor. – Respondi.
− Iai, Victor soube que seus pais morreram deve ser barra pesada para você? − Ele parou de me olhar e soltou um beijo para uma menina que passava. − Já ia me esquecendo meu nome é Matheus, você já deve ter ouvido falar sobre mim.
Ele estendeu a mão para cumprimenta me. Eu apertei a mão dele e tentei ser educado soltando um sorriso.
− Eu acho que já estou melhor e já ouvir falar muito de você... – fui interrompido por uma voz feminina
− Com certeza deve está melhor, um janta em sua homenagem. Me poupe, isso só acontece no final do ano e esse branquelo recebe um jantar só para ele. – É Sheila que esta falando tudo isso de mim sem nenhuma vontade de pedir desculpa. – Meu namorado que merece um jantar em sua homenagem não esse daí. −Ela se levantou da mesa e outra garota foi junta.
Não sabia que esse jantar é em minha homenagem, e se talvez ela esteja certa eu não mereço esse jantar. Tentei chamar a atenção do Roger, mas ele estava numa conversa importante com o Thiago (aquele que vende maconha).
− Ei, não se estresse ela sempre foi assim com todos. − falou a garota que estava do meu lado. – Meu nome é Alice, como eu já sei o seu nome fica meu sem graça, mas quem sabe você possa dizer alguma coisa interessante. Adoro conversa cm as pessoas novas elas estão sempre assustadas, então o que você pretende fazer aqui? Você sabe fazer alguma coisa interessante que queira me mostrar? Se não tive pode deixar...
Alice é menina magra e baixa não tão bonita quanto a Sheila. Seus cabelos são curtos na altura da orelha e seus olhos negros. Ela carregava um bastão pequeno do tamanho de um livro. Quando eu abrir a boca para responder uma de suas perguntas alguém falou
− Cala a boca Alice. − Falou o rapaz mais velho de toda a mesa, pelo menos aparenta ser o mais velho. – Não cansa de ficar enchendo o saco não. Enquanto a você garoto é bom saber que eu sou muito bom na espada então é melhor segui meu conselho não queira cruza meu caminho. Estou aqui nesse jantar que me parece ser muito importante para o meu futuro, então não pense que eu vou tolerar algum tipo de conversa. – ele voltou-se para frente, e continuo falando.− Ao contrário do que todos pensam esse jantar não é para você meu querido.
Ele se virou e Alice olhou diretamente nos meus olhos como se quisesse ver algo além, algo que aquela cara viu. Ele falou como se eu tivesse algo escondido e essa coisa lhe causava raiva.
Um sinal tocou e todos os garotos e garotas que estavam na porta entram apressadamente e tomaram seus lugares todas as mesas estavam em um silêncio. Todas as luzes se apagaram e as únicas que ficaram acesas iluminam a mesa central. Todas que naquela mesa se levantaram para cumprimentar o Sr. R. e três acompanhantes que apertavam a mão de cada um .
Os alunos permaneceram no silencio até o Sr. R. cumprimentar todos da mesa depois disso virou se para nós e todos os alunos falaram em uníssono “Boa noite Sr Roberto, saudações da fênix“. Olhei para quem estava do meu lado e Alice pegando o meu olhar soltou um meio sorriso. Com essa pequena distração não deu para ouvir o que o Sr. R falava para os dois moços que estavam do seu lado. Não é muito difícil de ouvir uma conversa quando está há alguns metros de distância da mesa onde os três estavam. E finalmente quando todos os estudantes começaram a se sentar menos o que estavam na nossa mesa, principalmente eu.
− Podem sentar-se meus queridos.
Falou o Sr. R apontando para nossa mesa e como todos os outros estudantes nós sentamos.
− Vocês devem está há horas se perguntando o motivo desse jantar. Muitos acham que já sabem o motivo e outros não ousam sequer questionar. – O Sr. R ia caminhando ao redor da mesa enquanto discursava e por incrível que pareça todos estavam em silencio. – Porém meus senhores há um motivo de grande importância. A essência de todo o treinamento de vocês pode ser colocada em prática é só vocês quererem.
Ele saiu do espaço elevado e começou a andar por entre as mesas.
− A partir de amanhã comecem a trabalhar duro, não percam nenhum treinamento, sejam os melhores naquilo que vocês fazem. Porque nessa missão iremos escolher pouquíssimos alunos e esses precisam ser de total confiança e muito habilidosos, pois cada vez mais eles estão se fortalecendo e nós também precisamos nos fortalecer. – O Sr.R desceu da elevação onde a mesa fica e começou a caminhar na direção das mesas e continuou falando – Nosso destino depende de vocês eles tem sangue novo e eu não sei como eles conseguiram tal proeza chegou a nossa hora de rebater e ganhar deles mais uma vez. Viva os Fênix.
E como numa explosão todo o refeitório se levantou (eu só me levantei porque Alice tinha me puxado) e todos gritaram em uníssono.
− Viva.
E continuaram a aplaudir o Sr. R e aquele discurso emocionante de que eu não entende nada , pelo jeito íamos ter algum tipo de competição de esportes chegando e todos os alunos precisavam nessa reta final se esforçar cada fez mais. E quem seria essa adversário que eles já haviam ganhado antes e voltaram a se reerguer tão rápido?
Nesse momento todos da mesa se levantaram e foram para uma fila pegar a sua comida eu fui o quarto a se levantar e andar até a fila que já estava enorme. Porem todos que estavam comigo naquela mesa começaram a passar na frente de outros estudantes que estavam perto de serem servidos e eu fiquei sozinho no fundo.
Reparei que os professores que estavam na mesa já foram servidos e muitos deles comiam a sobremesa, foi então que e vir um garoto alto de olhos mel tão iguais aos meus que até me espantou. Ele parecer ser algum tipo de segurança ou conselheiro de um dos professores daquela mesa. Seu olhar rodava todo o salão como se estivesse procurando alguém. “ Pare de olhar ele não vai gostar nada disso “. Olhei para os lados para ver quem falou aquilo e só conseguir ver um garotinho na minha frente e duas garotas atrás de mim. O desespero rondou minha mente, desde que minha mãe morreu tinha começado a ouvir coisas e isso talvez não fosse nada bom. Será que eu tenho que falar com alguém sobre essas vozes?
Tentei me concentrar na fila e ver se ela andava e vir que parecia cada vez mais cheia em vez de vazia. Minha vez se aproximava lentamente então eu olhei de novo para a mesa e já não tinha mais todos os professores alguns já foram embora o garoto também se fora. Olhei também para a mesa que eu estava sentando e ali se encontrava Alice, Roger, Thiago e o cara da bronca. O resto talvez já tenha comido e foram embora.
Finalmente eu peguei meu prato e fui me sentar o assunto na mesa era como todos iriam conciliar os horários com o treinamento, eu não falava nada até porque nunca fui bom em esportes e acho que não tenho esse dom. Então comecei a devorar a comida que esta muito gostosa por sinal, porém tudo estava um pouco frio quando me serviram. Terminei uns 5 minutos para comer e levantei para ir pegar a sobremesa só havia sobrado na mesa o Roger e a Alice que discutiam o que eu seria.
Ao chegar na fila da sobremesa que estava um pouco menor do que a da comida, observei que o menino que tinha apanhado do cara mal-humorado estava na minha frente chorando. Olhei ao redor e não vi ninguém fazendo nada com ele ou mandando-lhe fazer alguma coisa. Ao passo que a fila ia andando o menino ia chorando mais, só entende o motivo do choro quando chegou sua vez de pegar a sobremesa. O mesmo cara que tinha batido nele para levantar entrou na sua frente na fila, e ele não se contentou só com isso ele também pegou o doce que o menino pegou.
Eu fiquei olhando para os dois e me dirigir para pegar a minha sobremesa com muita raiva daquele cara quando do nada uma mão surgi diretamente na minha cabeça, alguém tinha me dado um tapa que estralou fazendo um eco. Levantei devagar e fechei com força total minha mão que foi de encontro a barriga do meu agressor.
Meu agressor é o mau-humorado da cicatriz. Eu não havia reparado o quanto ele era gordo e alto, muito mais alto do que eu por sinal, seus olhos completamente negro, e é careca. Ainda não havia se recuperado do murro que levou então aproveitei para ir de encontro a saída, mas ele me pegou pelo braço e ficamos frente á frente.
Nesse exato momento aproveitei e joguei toda a minha sobremesa em cima dele fazendo com ele ficasse todo melado de chocolate e todo refeitório começou a rir de sua cara cheia de cicatrizes. Ele olhou diretamente nos meus olhos dava para perceber o ódio, sua mão começou a fechar, eu me virei e tentei achar a saída mais uma vez e não fui rápido o suficiente.
Ele me agarrou pela camisa me virou e golpeou um soco no meu rosto que fez doer todo meu maxilar, fiquei tão tonto que cair no chão. Tentei me levantar mais ele começou a me chutar freneticamente um atrás do outro sem chance alguma de reação, sentir os olhos de todos em cima de mim.
“concentre-se em suas mãos, transfira toda a sua energia para lá, por favor, confie em mim.” A voz mais uma voz na minha mente falava coisas sem nexo, mas será que eu devo obedecê-la? Antes de qualquer tentativa de resposta comecei a ser esmagado por um pé que estava bem em cima de meu pescoço, eu estou sufocado e não conseguia ver mais ninguém. “faça o que eu te falei, AGORA.”
A voz suou como um grito e imediatamente obedece. Tentei me concentrar na minha mão que estava junto da minha perna percebe o quanto o chão estava frio, e aquela frieza lentamente se transferia para a minha mão e quanto mais fria mais dura. Meu corpo entrou em sintonia naquela mudança, já não sentia o pé dele sobre o meu pescoço. Levantei a minha mão e apertei o seu pé com tanta força que ele saiu de cima de mim, finalmente fiquei de pé outra fez todos os olhos na minha direção. Vir que estavam segurando a Alice e o Roger que gritavam alguma coisa incompreensível. Voltei minha atenção ao meu oponente que já havia se recuperado do apertão no pé e novamente fechou a sua mão e correu na minha direção para outro soco.
“Esquive” disse a voz e eu obedeci.
Ele soqueou o vento e perdeu seu equilíbrio, quando se virou eu aproveitei a falhar e mandei todas as minhas forças à mão e lhe dei um soco no meu da cara então ele caiu no chão sangrando. Quando olhei para ele tomei um susto, eu havia matado o cara no meu primeiro dia de orfanato, mas com eu tinha feito aquilo ?
Olhei para a arma do crime, minha mão. A sua tonalidade era a mesma tonalidade do chão do refeitório era como se um pedaço tivesse ali. Meu deus eu tinha colocado um pedaço do chão na minha mão, eu não posso acreditar em tudo isso.
Fechei os olhos com a maior força possível, e comecei a rezar pois eu sabia que isso tudo foi só um sonho. Demorei alguns segundos assim e voltei a abri-los, tudo continuava ali no mesmo lugar.
Minha cabeça começou a doer, tinha perdido todas as minhas forças dando aquele murro. Eu cair no chão, uma dor dilacerante percorreu por todo o meu corpo. Voltei a olhar para minha mão que voltava ao normal lentamente. Ouvir alguns gritos e quando eu olhei para cima vi Alice e Roger correndo na minha direção.pararam ao meu lado e um deles perguntou;
− Como você está? − Aquela voz era de Roger ele estava ofegante. – e como você fez isso tudo?
Quando eu comecei a formular uma resposta sentir todo o meu corpo ficando fraco e a minha cabeça voltou a doer, uma dor muita mais intesa do que a primeira. Nesse momento não sentia mais nada, então desabei no chão não tinha mais força alguma, fechei os olhos e comecei a procurar respostas para o que havia acabado de acontecer. E a ultima coisa que ouvi foi a voz dizendo “Muito bom, agora você está a salvo. Só precisa descansar ”,obedece mais uma fez aquela voz e o mundo ficou preto.
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