Sentidos

1 Capitulo Único


Notas iniciais
Espero que gostem !!!

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A Noite

Derrepente tive um encontro já esperado e inevitável comigo mesma

Derrepente olhei, e vi a lua entristecida e linda

Derrepente sem perceber fui ao seu encontro

Derrepente...

Talvez, você não entenda

Talvez, a lua se apague

Talvez, o dia se esvai deixando uma neblina cinza

Talvez...

Derrepente tive medo

Derrepente me vi só a olhar...

Talvez fique sem voz

Talvez quisesse ficar a li só a olhar

O dia amanheceu calado

A brisa a sonhar, enfatizado

O luar a declamar. Ferido

Na sensação de estar perdido

Com o corpo marcado

E a alma perfurada

Me vi calada

Esperei, a noite acabar

Esperei, você retornar

Esperei, o dia clarear

E assim perdida a sonhar quis chorar então esperei...

Sem saber se algum dia poderia voltar

Na calada, e fria madrugada

Esperei, a melodia tocar

Talvez a minha voz voltar

E na alma machucada, perdida

Com os olhos fechados, rasgando-me

Com o rosto molhado

Na noite calada.

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A palavra

Abra a porta, feche a janela

Sinta o gosto amargo do vento que sopra em direção oposta

Veja eu estou aqui, eu não sai.

Ligue o carro e caminhe pela braça

Observe as imagens distorcidas das nuvens que passam

Sinta quão friamente escurece o dia.

Feche os olhos para ler tais palavras que escrevo rapidamente

Escute as folhas que caem no instante que permito me vê assim tão calada, quieta num canto

Sinta que eu não estou aqui.

As palavras ditas tão ferozmente

Não dizem nada, palavras peculiares

Me assustam, são translúcidas e frias

Feche a porta, abra a janela

Sinta quão fria são as madrugadas de um dia outoniço

Veja que ainda permaneço em torno de palavras que não dizem nada e são tudo

Tudo e tão nítido, obscuro e distante

Perto de tudo, frio e peculiar

As palavras se formam criam vida, e se vão como brisa, num dia de verão.

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06/12/2010 01:49

Caminhos

Ando pelas ruas sem rumo, sem destino

Caminho procurando por companhia

Procurando alguém pra jogar conversa fora

Pra falar de borboletas e beija-flor

Conversa sem destino, sem rumo

Caminho só pelo mundo, em ruas de concreto, pessoas de concreto

Cruzo o jardim Grimaldi, sua praça

Seu ar me lembra uma rua, um numero

Percorro o caminho sem motivo, sem desvio

Te encontro no portão, sem grades

Te encontro a suspirar pelos ares

Vejo entoa teu rosto magro, vago

O olhar a delirar as águas de maio

Entro, na mesa cinzeiro posto

Cigarros a queimar, a se apagar

Nos copos café, a conversa a se iniciar

Longo tempo passa rápido passa

Me despeço, despeço do cometa em seu dorso

Despeço do seu rosto, do olhar vago e distante, me despeço

Caminho sem presa, sem rumo novamente me encontro

Cruzo sua praça a lembrar meu canto

Quantos delírios, fantasias e desencantos

Quantas inspirações a cruzar

Jardim Grimaldi e seus bancos

As pessoas a passar não mais me interessam seu pensar, tuas conversas tua pressa

Olho o céu nublado, seu vento gélido a me cortar, a me banhar

A lua se esconde no teu olhar

Se esconde no céu cinza do meu pensar

Mas algo me invade a alma,

Me cria à esperança de um novo acordar

E me dá certeza que o sol virá

E assim iluminar tuas ruas.

E meu ser se enche a te cruzar,

Jardim Grimaldi de o meu sonhar.

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Dor

A dor, a triste e infinita dor

Demasiada ubíqua

A dor imergindo do âmago das entranhas

Essa dor profana.

Olhares perdidos, perdido olhar

Vagando suavemente sobre o brilho das estrelas

Abrindo portas, esse olhar amargo.

Tristes olhos tão vagos

Que brota água salgada, doce e áspera

Uma límpida mistura pura

Que rasga lhe a pele

A dor, a doce e amarga dor

O espinho e a flor

A dor, o vazio impetuoso

O precipício rochoso

- O fim! Não o começo! Meio!

Os punhos fechados, o peito esmagado,

A garganta trancada, os olhos vagos

Os olhos pérfidos, petrificado.

-E no tal sublime ato, a lagrima.

Rasgando-lhe a face, queimando a

Alma, arrancando-lhe o ar.

A dor, a tristeza

A áspera ferrugem do tempo

A dor a triste e infinita dor.

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Esvaeceu

As palavras ditas tão ferozmente

Soam como facadas no peito

Arde, queima, me destrói totalmente

Mais não consigo parar, e mais forte que eu

Não consigo me controlar.

E quando te vi assim, olhando pra mim

E as lagrimas escorrendo sobre seu rosto

Me vii encurralada, um monstro aprisionado

Tentando explicar algo inexplicável

É isso não tem volta.

Tentando entender, tentando compreender

Vi as marcas que não podia desfazer

E tudo se esvai diante dos meus olhos

Tudo se esvai.

Quero sumir, me esconder

Lembro claramente

E meu peito arde, dói

Lembrando das marcas causadas

E meu peito sufoca

E tudo se esvai novamente

Tudo se esvai tudo se esvai...

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06/12/2010 01:50

A rua estava deserta, as casas pouco iluminadas

E eu a andar perdida, olhava o negro céu de poucas estrelas

Imaginando quando pararia de caminhar, de me sujeitar a pequenas migalhas que você trilhava no chão, sujo, imundo como os becos que tantas noites eu passei em sua companhia, limitada, desgastada.

A lua estava límpida, e jogava seu véu sobre os caminhos que já tracei, ela brilhava intensamente, vibrando meu inseguro ser, mas os pensamentos me roubavam o ar, e minha garganta fechava ao querer gritar, sentia vontade de correr tão, correr pra tão longe, e quem sabe assim me afastar do imenso vazio que preenchia minha alma sempre que eu caia em mim.

A madrugada acordava, e eu ainda a andar perdida sobre passos insertos, querendo ser certos, cogitava o amanhecer, tudo era escuro, áspero, diante de mim, de ti, nossas vidas estavam incrédulas, não, já era tarde, tarde de mais para acordar ou adormecer, e não seria mais possível sonhar, sonhar.

Uma bela nuvem cinza passou diante a lua á cobrindo, deixando apenas pequenos fragmentos à vista, aminha vista, será que uma bela nuvem cinza está diante de mim? Será que sou como a límpida lua, radiante no negro céu? Será?

Mas eu continuo a caminhar, nem sei, mas porque continuo a te observar, suas manias, áridas, frias, calculista, sua sombra a cobrir a minha, e minha vida disfarçada, acobertada.

A rua esta deserta como todas as noites que ando sem destino, cumprindo o teu destino, fugindo da alma vazia, fugindo das pessoas, aflitas, fugindo de mim, fugindo de ti.

Mais ainda estou aqui, e não posso mais sonhar!

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Meu anjo

Meu anjo lindo e inexperiente traz em sua face tal sorriso envolvente

Que ilumina o caminho a traçar

Meu anjo tímido inconseqüente

Traz contigo canções transparentes

Que em sonho me perco a cantar

Meu anjo puro inocente

Declama em olhares envolventes

Delírios de um eterno luar

Eu prisioneira de pecados atheu, pagã de sentimentos singelos

Me prendi em teu arco

Eu que não abria os olhos

Que não via tal brilho

Me vi hipnotizada ao luar

Meu anjo me vi febril

Meu anjo inexperiente, inconseqüente, inocente

Vi ti a suspirar, arrepio-me só de pensar,

A olhar os olhos teus a uma lagrima a rolar

Em instantes me perdi a te encontrar

E nos teus olhos não o vi declamar, as canções

Não cantar, mas em teu sorriso tive a certeza

Que em outra aurora irias voltar,

Pois hoje sou eu que declamo delírios de um eterno luar

A te olhar.

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Quem me dera

Quem me dera que nada tivesse mudado

Quem me dera que nada tivesse acontecido

Quem me dera que eu não fosse assim

Quem me dera um dia acordar e vê que o mundo é essa fantasia que eu imaginava

Quem me dera ser mais eu e menos você

Quem me dera poder me entender

Quem me dera saber as respostas das minhas perguntas

Quem me dera parar de fugir de mim mesma

Quem me dera que minha cabeça não fosse confusa

Quem me dera poder te encontrar, mesmo sabendo que não vai acontecer nada entre agente

Quem me dera que meus sonhos fossem realidade

Quem me dera acordar e por alguns segundos te ter do meu lado

Quem me dera que o mundo não fosse assim

Quem me dera chorar, é chorando acabasse a minha angustia

Quem me dera que por um dia inteiro eu fosse feliz.

Quem me dera que nada tivesse mudado

Quem me dera que nada tivesse acontecido

Estou aqui mais um dia, triste, angustiada

Sem saber por quê

Quem me dera que eu não fosse assim.

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Quero que a lagrima role em meu rosto

Quero que o pranto se espalhe sobre o quarto

Que meus medos e desenganos rolem pelo chão

Que as lagrimas cubram minha face

Sei que está pensando.

Quero que a dor se vá, sem que precise abrir a porta

Quero que a solidão desapareça de minha mente

Que tudo que finjo ter me decepcione

E que a decepção abra meus olhos

Sei que disse a verdade.

Quero ouvir o estalo das folhas quando caem ao chão

Quero que o mundo pare

E que as lembranças sessão

Que o ar volte

E difícil acreditar que tudo vai mudar

E difícil mudar, quando todo passado volta a minha mente

Porque não me escuta, grito tão alto

Mais porque não me escuta

Quero fugir e não olhar mais para trás

Quero seguir em direção ao horizonte

Não quero que esse seja o fim

Que acabe num dia de verão

Sei que esta.

Olhe pra mim, quero ir bem longe

Escute-me, escuta meus gritos, sei que está ai

Olhe-me veja estou me degenerando

Ando de um lado pro outro

Não quero lembrar, essas lembranças que me machucam

No que me transformei, não feche as janelas

Sente aqui comigo mais uma vez

E diga o que quero ouvir pela ultima vez

Agora que tudo parece não ter mais sentido

E tudo que sou nada

Se afaste novamente, e observe de longe minha transformação

Vá mais longe possível pra não ver

Olhe pro céu é peço que me tire daqui

Quem sabe criarei coragem e pularei a janela

Quero que as lagrimas vão com o frio e junto dela as dores e lembranças

Não quero suportar e assim me controlar

Veja como estou.

Agora tudo e cinza, uma fria e densa neblina

Da qual me entrego por completo, pois sei que não vira me salvar

E minhas mãos gastas não agüentam mais

Observe mais uma vez minha vida se desfazer

Quero que tudo acabe, e assim me fecho

Tranco a porta de meu mundo, cheio de sombras

E tudo acaba... Dessa vez pra sempre acaba

Escute minha voz meus gritos ao longe. Escute.

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Sonhei como o amanhecer

Sonhei, com as vidas ao longo delas

Sonhei com s ondas de um rio

Sonhei, com a brisa fresca da tarde

Sonhei, com a alegria de sonhar

Então chorei, pois quis chorar

Chorei, como o seu a trovoar

Chorei, como uma criança a se machucar

Chorei, como um velho a se lembrar

Chorei, pois nem sei como gritar

Cantei com o sol brilhar

Cantei como o pássaro a voar

Cantei, como um sorriso no ar

Lembrei do passado a caminhar

Lembrei, de o seu primeiro olhar

Lembrei das asas a quebrar

Chorei, a não te ouvir mais cantar

Cantei, pois vi a saudade se esvaziar

Lembrei da borboleta a pousar

E sonhei que um dia vamos nos encontrar

Chorei, cantei, lembrei, sorri, sofri, caminhei, gritei e voei.

Sonhei, com as asas que fiz brotar

Sonhei, com o entardecer a te banhar.

(Sonhei!)

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!