Sentidos
1 Capitulo Único
Notas iniciais
^ ^
-,
A Noite
Derrepente tive um encontro já esperado e inevitável comigo mesma
Derrepente olhei, e vi a lua entristecida e linda
Derrepente sem perceber fui ao seu encontro
Derrepente...
Talvez, você não entenda
Talvez, a lua se apague
Talvez, o dia se esvai deixando uma neblina cinza
Talvez...
Derrepente tive medo
Derrepente me vi só a olhar...
Talvez fique sem voz
Talvez quisesse ficar a li só a olhar
O dia amanheceu calado
A brisa a sonhar, enfatizado
O luar a declamar. Ferido
Na sensação de estar perdido
Com o corpo marcado
E a alma perfurada
Me vi calada
Esperei, a noite acabar
Esperei, você retornar
Esperei, o dia clarear
E assim perdida a sonhar quis chorar então esperei...
Sem saber se algum dia poderia voltar
Na calada, e fria madrugada
Esperei, a melodia tocar
Talvez a minha voz voltar
E na alma machucada, perdida
Com os olhos fechados, rasgando-me
Com o rosto molhado
Na noite calada.
..............................................................................................................................
A palavra
Abra a porta, feche a janela
Sinta o gosto amargo do vento que sopra em direção oposta
Veja eu estou aqui, eu não sai.
Ligue o carro e caminhe pela braça
Observe as imagens distorcidas das nuvens que passam
Sinta quão friamente escurece o dia.
Feche os olhos para ler tais palavras que escrevo rapidamente
Escute as folhas que caem no instante que permito me vê assim tão calada, quieta num canto
Sinta que eu não estou aqui.
As palavras ditas tão ferozmente
Não dizem nada, palavras peculiares
Me assustam, são translúcidas e frias
Feche a porta, abra a janela
Sinta quão fria são as madrugadas de um dia outoniço
Veja que ainda permaneço em torno de palavras que não dizem nada e são tudo
Tudo e tão nítido, obscuro e distante
Perto de tudo, frio e peculiar
As palavras se formam criam vida, e se vão como brisa, num dia de verão.
..............................................................................................................................
06/12/2010 01:49
Caminhos
Ando pelas ruas sem rumo, sem destino
Caminho procurando por companhia
Procurando alguém pra jogar conversa fora
Pra falar de borboletas e beija-flor
Conversa sem destino, sem rumo
Caminho só pelo mundo, em ruas de concreto, pessoas de concreto
Cruzo o jardim Grimaldi, sua praça
Seu ar me lembra uma rua, um numero
Percorro o caminho sem motivo, sem desvio
Te encontro no portão, sem grades
Te encontro a suspirar pelos ares
Vejo entoa teu rosto magro, vago
O olhar a delirar as águas de maio
Entro, na mesa cinzeiro posto
Cigarros a queimar, a se apagar
Nos copos café, a conversa a se iniciar
Longo tempo passa rápido passa
Me despeço, despeço do cometa em seu dorso
Despeço do seu rosto, do olhar vago e distante, me despeço
Caminho sem presa, sem rumo novamente me encontro
Cruzo sua praça a lembrar meu canto
Quantos delírios, fantasias e desencantos
Quantas inspirações a cruzar
Jardim Grimaldi e seus bancos
As pessoas a passar não mais me interessam seu pensar, tuas conversas tua pressa
Olho o céu nublado, seu vento gélido a me cortar, a me banhar
A lua se esconde no teu olhar
Se esconde no céu cinza do meu pensar
Mas algo me invade a alma,
Me cria à esperança de um novo acordar
E me dá certeza que o sol virá
E assim iluminar tuas ruas.
E meu ser se enche a te cruzar,
Jardim Grimaldi de o meu sonhar.
..............................................................................................................................
Dor
A dor, a triste e infinita dor
Demasiada ubíqua
A dor imergindo do âmago das entranhas
Essa dor profana.
Olhares perdidos, perdido olhar
Vagando suavemente sobre o brilho das estrelas
Abrindo portas, esse olhar amargo.
Tristes olhos tão vagos
Que brota água salgada, doce e áspera
Uma límpida mistura pura
Que rasga lhe a pele
A dor, a doce e amarga dor
O espinho e a flor
A dor, o vazio impetuoso
O precipício rochoso
- O fim! Não o começo! Meio!
Os punhos fechados, o peito esmagado,
A garganta trancada, os olhos vagos
Os olhos pérfidos, petrificado.
-E no tal sublime ato, a lagrima.
Rasgando-lhe a face, queimando a
Alma, arrancando-lhe o ar.
A dor, a tristeza
A áspera ferrugem do tempo
A dor a triste e infinita dor.
..............................................................................................................................
Esvaeceu
As palavras ditas tão ferozmente
Soam como facadas no peito
Arde, queima, me destrói totalmente
Mais não consigo parar, e mais forte que eu
Não consigo me controlar.
E quando te vi assim, olhando pra mim
E as lagrimas escorrendo sobre seu rosto
Me vii encurralada, um monstro aprisionado
Tentando explicar algo inexplicável
É isso não tem volta.
Tentando entender, tentando compreender
Vi as marcas que não podia desfazer
E tudo se esvai diante dos meus olhos
Tudo se esvai.
Quero sumir, me esconder
Lembro claramente
E meu peito arde, dói
Lembrando das marcas causadas
E meu peito sufoca
E tudo se esvai novamente
Tudo se esvai tudo se esvai...
..............................................................................................................................
06/12/2010 01:50
A rua estava deserta, as casas pouco iluminadas
E eu a andar perdida, olhava o negro céu de poucas estrelas
Imaginando quando pararia de caminhar, de me sujeitar a pequenas migalhas que você trilhava no chão, sujo, imundo como os becos que tantas noites eu passei em sua companhia, limitada, desgastada.
A lua estava límpida, e jogava seu véu sobre os caminhos que já tracei, ela brilhava intensamente, vibrando meu inseguro ser, mas os pensamentos me roubavam o ar, e minha garganta fechava ao querer gritar, sentia vontade de correr tão, correr pra tão longe, e quem sabe assim me afastar do imenso vazio que preenchia minha alma sempre que eu caia em mim.
A madrugada acordava, e eu ainda a andar perdida sobre passos insertos, querendo ser certos, cogitava o amanhecer, tudo era escuro, áspero, diante de mim, de ti, nossas vidas estavam incrédulas, não, já era tarde, tarde de mais para acordar ou adormecer, e não seria mais possível sonhar, sonhar.
Uma bela nuvem cinza passou diante a lua á cobrindo, deixando apenas pequenos fragmentos à vista, aminha vista, será que uma bela nuvem cinza está diante de mim? Será que sou como a límpida lua, radiante no negro céu? Será?
Mas eu continuo a caminhar, nem sei, mas porque continuo a te observar, suas manias, áridas, frias, calculista, sua sombra a cobrir a minha, e minha vida disfarçada, acobertada.
A rua esta deserta como todas as noites que ando sem destino, cumprindo o teu destino, fugindo da alma vazia, fugindo das pessoas, aflitas, fugindo de mim, fugindo de ti.
Mais ainda estou aqui, e não posso mais sonhar!
.............................................................................................................................
Meu anjo
Meu anjo lindo e inexperiente traz em sua face tal sorriso envolvente
Que ilumina o caminho a traçar
Meu anjo tímido inconseqüente
Traz contigo canções transparentes
Que em sonho me perco a cantar
Meu anjo puro inocente
Declama em olhares envolventes
Delírios de um eterno luar
Eu prisioneira de pecados atheu, pagã de sentimentos singelos
Me prendi em teu arco
Eu que não abria os olhos
Que não via tal brilho
Me vi hipnotizada ao luar
Meu anjo me vi febril
Meu anjo inexperiente, inconseqüente, inocente
Vi ti a suspirar, arrepio-me só de pensar,
A olhar os olhos teus a uma lagrima a rolar
Em instantes me perdi a te encontrar
E nos teus olhos não o vi declamar, as canções
Não cantar, mas em teu sorriso tive a certeza
Que em outra aurora irias voltar,
Pois hoje sou eu que declamo delírios de um eterno luar
A te olhar.
..............................................................................................................................
Quem me dera
Quem me dera que nada tivesse mudado
Quem me dera que nada tivesse acontecido
Quem me dera que eu não fosse assim
Quem me dera um dia acordar e vê que o mundo é essa fantasia que eu imaginava
Quem me dera ser mais eu e menos você
Quem me dera poder me entender
Quem me dera saber as respostas das minhas perguntas
Quem me dera parar de fugir de mim mesma
Quem me dera que minha cabeça não fosse confusa
Quem me dera poder te encontrar, mesmo sabendo que não vai acontecer nada entre agente
Quem me dera que meus sonhos fossem realidade
Quem me dera acordar e por alguns segundos te ter do meu lado
Quem me dera que o mundo não fosse assim
Quem me dera chorar, é chorando acabasse a minha angustia
Quem me dera que por um dia inteiro eu fosse feliz.
Quem me dera que nada tivesse mudado
Quem me dera que nada tivesse acontecido
Estou aqui mais um dia, triste, angustiada
Sem saber por quê
Quem me dera que eu não fosse assim.
..............................................................................................................................
Quero que a lagrima role em meu rosto
Quero que o pranto se espalhe sobre o quarto
Que meus medos e desenganos rolem pelo chão
Que as lagrimas cubram minha face
Sei que está pensando.
Quero que a dor se vá, sem que precise abrir a porta
Quero que a solidão desapareça de minha mente
Que tudo que finjo ter me decepcione
E que a decepção abra meus olhos
Sei que disse a verdade.
Quero ouvir o estalo das folhas quando caem ao chão
Quero que o mundo pare
E que as lembranças sessão
Que o ar volte
E difícil acreditar que tudo vai mudar
E difícil mudar, quando todo passado volta a minha mente
Porque não me escuta, grito tão alto
Mais porque não me escuta
Quero fugir e não olhar mais para trás
Quero seguir em direção ao horizonte
Não quero que esse seja o fim
Que acabe num dia de verão
Sei que esta.
Olhe pra mim, quero ir bem longe
Escute-me, escuta meus gritos, sei que está ai
Olhe-me veja estou me degenerando
Ando de um lado pro outro
Não quero lembrar, essas lembranças que me machucam
No que me transformei, não feche as janelas
Sente aqui comigo mais uma vez
E diga o que quero ouvir pela ultima vez
Agora que tudo parece não ter mais sentido
E tudo que sou nada
Se afaste novamente, e observe de longe minha transformação
Vá mais longe possível pra não ver
Olhe pro céu é peço que me tire daqui
Quem sabe criarei coragem e pularei a janela
Quero que as lagrimas vão com o frio e junto dela as dores e lembranças
Não quero suportar e assim me controlar
Veja como estou.
Agora tudo e cinza, uma fria e densa neblina
Da qual me entrego por completo, pois sei que não vira me salvar
E minhas mãos gastas não agüentam mais
Observe mais uma vez minha vida se desfazer
Quero que tudo acabe, e assim me fecho
Tranco a porta de meu mundo, cheio de sombras
E tudo acaba... Dessa vez pra sempre acaba
Escute minha voz meus gritos ao longe. Escute.
..............................................................................................................................
Sonhei como o amanhecer
Sonhei, com as vidas ao longo delas
Sonhei com s ondas de um rio
Sonhei, com a brisa fresca da tarde
Sonhei, com a alegria de sonhar
Então chorei, pois quis chorar
Chorei, como o seu a trovoar
Chorei, como uma criança a se machucar
Chorei, como um velho a se lembrar
Chorei, pois nem sei como gritar
Cantei com o sol brilhar
Cantei como o pássaro a voar
Cantei, como um sorriso no ar
Lembrei do passado a caminhar
Lembrei, de o seu primeiro olhar
Lembrei das asas a quebrar
Chorei, a não te ouvir mais cantar
Cantei, pois vi a saudade se esvaziar
Lembrei da borboleta a pousar
E sonhei que um dia vamos nos encontrar
Chorei, cantei, lembrei, sorri, sofri, caminhei, gritei e voei.
Sonhei, com as asas que fiz brotar
Sonhei, com o entardecer a te banhar.
(Sonhei!)
Fale com o autor