Notas iniciais
Eu sei que é pouco, mais a pessoa que vos fala é muito ansiosa e queria postar essa "coisinha" aqui, de qualquer forma, espero que gostem. Boa Leitura!!!

O valor de uma marca dágua em papel, o preço atribuído a douradas pedras, ninguém imaginaria que em anos, esse valor seria pago com sangue.

Ouvíamos histórias, lendas de tempos em que tudo começou. O ápice do capitalismo, o inicio da guerra. Anciões a chamavam de terceira guerra mundial, estudiosos e corrompidos pesquisadores a atribuíam como evolução humana, mais no final das contas, ambos falavam de perda da essência, o detrimento da humanidade.

Por todo país ninguém vive,caminhamos e respiramos para a morte, nascemos a chorar, um choro que perpetua durante a senda para o fim.

A constituição foi esquecida, os direitos se perderam, e agora nos tornávamos peças. Fazíamos parte do jogo, inseridos sem querer, transformados para vencer.

Há três gerações que as transformações começaram. Primeiro em soldados mais fortes e livres, depois tropas inteiras estavam geneticamente modificada, e por fim o erradicar do comum.

E os que não davam certo, os que não eram capazes de lutar, eram descartados. As Aberrações eram jogadas fora, como uma mistura que não deu certo, uma tentativa frustrada na culinária, um prato que não podia ser consumido pela guerra.

Alguns torciam para que quando sua hora chegasse, as deformações tomassem conta de seu corpo, para que fosse exilado, melhor morrer como uma Aberração, do que deitar no colo da morte pela maldita pátria.

E hoje que parei para refletir em tudo isso. A Terra não precisaria mais exalar o frio do sangue em seu solo, os comandantes não precisariam ouvir o zunir dos armamentos e o arfar de seus homens, e eu não precisaria sofrer mutações aos dezesseis anos. Mais para a sorte do escuro, eu não posso mudar as coisas.

Cada um tinha o seu momento, o tempo para se unir ao mal comum. Alguns eram obrigados a servir aos dez anos, por conta de seu composto sanguíneo. E outros não chegavam a sair de seu abrigo na placenta. Mães eram obrigadas a abortar seus pequenos, por não serem fortes o suficiente para batalhar.

Enquanto isso, bebês mais fortes eram saudados com seu fardo, sua missão para com a guerra. E suas mães contempladas com lágrimas do saber, conhecendo o dia que seu filho irá partir, e a anomalia que virá se tornar.

E comigo não foi diferente.

Depois de doze horas em trabalho de parto, fui aconchegada nos braços de Angelina Blair, minha doce figura materna. Minha mãe conta que nunca se sentiu mais feliz, seu sorriso iluminava a minha pequena face, que ainda se acostumava com a luz do novo mundo. Mas rapidamente fui retirada de seu embalo, para ser submetetida a todos os testes.

Há três gerações que minha família era adulterada, o sangue Blair se misturou a substâncias impostas, e em matrimonio se juntou a modificados sangues de outras famílias. E apesar de todos saberem o risco que isso poderia representar, poucos eram os que se importavam.

Até que a verdade veio à tona, através de pequenas e recém-formadas veias.

Senhorita Blair, sua filha representou um quadro sanguíneo jamais visto.

Minha mãe se recordava como o médico a olhou nos olhos, enquanto entregava o vivo embrulho a sua geradora. Era um rapaz jovem, recém-formado talvez, sorrindo, orgulhoso de sua descoberta. Ela se lembrava como ele ficou olhando para mim, os olhos brilhando enquanto perguntava meu nome, o seu silencio analisador, e sua pergunta chave.

A senhora já segurou uma arma nas mãos?

Como ficara confusa ao responder, ela nunca segurara uma, apesar de ter servido boa parte da vida a batalha.

Considere-se sortuda senhora Blair, pois talvez esteja segurando a maior arma que o mundo já viu.

Ela não entendia, estava confusa e com medo daquele rapaz doutorado. E antes de sair ele sorriu e disse pretensioso: Alyssa Blair. A estrutura bélica, a esperança em carne. Seu futuro será decidir que lado vencerá.