Notas iniciais
Desculpa a demora, obrigado a todos que estão lendo de verdade. Esse capítulo ainda é parte da introdução. E eu espero que vocês gostem.

Pude ver da janela as pessoas saindo de suas casas, elas cochichavam entre si. Eu fiquei mirando aquela imagem por um tempo. Como poderiam ter chegado tão cedo?

Eu não sabia o que fazer, há tanto tempo vinha me preparando para isso. Fiquei esperando, aguardando algum sinal de que não só eu havia percebido que a hora chegara, e depois de um tempo ele veio, em forma de um choro sentido e baixo.

Dirigi-me ao quarto à frente, e o som ia se intensificando a cada passo, abri lentamente a porta, e só o que vi foi um emaranhado de cobertores. Ao que parecia não haviam percebido minha presença, mas dava para escutar suas vozes baixas e embargadas vindas debaixo das cobertas. O quarto era unicamente iluminado pela luz exterior, e havia algumas roupas e brinquedos no chão, como a boneca de tecido branco que consegui para Briana no ultimo natal, ela sorria, sempre sorria. Se ela pudesse pensar, pobre boneca, perceberia que suas costuras a obrigam sorrir em vão.

–Ela não vai voltar Naná, não vai. – pude identificar a voz de Finn.

–Vai sim. – Briana chorava, e dizia coisas que para mim que estava fora do casulo de lençóis, eram indecifráveis.

–O que está acontecendo? Eu os escuto, mas não os vejo. – tentei chamar a atenção para mim.

Finn se livrou da cabana arranjada, e apesar do ambiente estar mal iluminado, pude ver a vermelhidão de suas faces.

–Venham aqui. – ordenei, com um nó sufocante em minha garganta. – Eu sei que vai demorar para que eu veja vocês novamente, e que – eu não iria mentir. – Talvez eu nunca mais os veja. Então, Finn você está no comando agora, na verdade sempre esteve – sorri. – Você é o homem da casa, então a sustente como um pilar, suporte tudo, por mim e pelo pai. – prendi a respiração. – Nosso pai, o carregue em seu peito, não deixe que vá. – eu sabia que estava exigindo demais dele, mas estava convicta de que era tão forte como qualquer um de nós.

–Tudo bem Alyssa, eu prometo. – ele se esforçava para segura-lá, mas a pequena lagrima já escorregava sem se importar com a dignidade do novo homem que acabara de nascer. – prometo.

–Sei que sim. – dei-lhe um sorriso fraco. – E Briana, você é tão linda. – A abracei. – Não quero que chore, continue a alegrar essa casa, quando eu voltar – se voltar. – quero encontrar o lar mais feliz de Ponta Ártica, e quero que esse lugar seja aqui.

Inclui Finn em um abraço triplo, um em aranhado de braços e lágrimas.

–Eu amo vocês mais que as gostas que caiem do céu. – comecei em um sussurro. – mais do que as que em um oceano cabe.

–Eu amo vocês mais do que os acordes de um piano. –Finn prosseguiu. – E mais do que as infinitas melodias que nele se pode formar.

–Eu amo vocês mais do que a lua ama brilhar. – Briana se recordava aos soluços. – Mais do que a temperatura do sol pode chegar.


–E os amo tanto, que nem sequer quero imaginar, o espaço que necessitariam para as cinzas, se um dia esse amor vier a acabar. – Minha mãe adentrava o quarto, com lagrimas presas em seus belos cílios.

–Como se fosse possível uma fonte inesgotável secar. – conclui.

Relembrar meu pai sempre era doloroso, e relembra-lo em situações como essa, era como deixar de existir por um momento. Morrer por segundos.


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–Senhora Angelina?

–Sim.

–Eu sou Annah Castle, chefe da CT. – A moça fardada esticou a mão para um cumprimento. — Coordenação de Transformados. Posso entrar?

–Claro. – minha mãe deu passagem para jovem.

Eu me encontrava no sofá, junto com Briana e Finn, que ainda choravam.

–Bom dia, eu sou Annah Castle. – Apenas assenti, com um encetar de um sorriso. – Você deve ser... – Ela parou para checar um papel que trazia consigo. A lista da remeça deste ano, pude perceber alguns riscos de vermelho, e carimbos por toda a folha. – Alyssa Blair.

– Sim senhora. – falei sem jeito. Olhando fixamente para a lista que ainda estava em suas mãos.

–Por favor, sou apenas cinco anos mais velha que você, e dispenso formalidades. — ela falou como se estivesse lendo em algum lugar. – Como devem ter visto nos noticiários, perdemos o apoio do Extremo Capricorniano, e para piorar, a remeça deste mês é escassa, além de ter mais de cento e dois jovens que se alistaram a GP, de forma que está lista estará fechada por enquanto.

–Mas isso é injusto. – Minha mãe interveio. – Todos tem o direito de escolher, por que eles tiveram a opção e você privará minha filha de fazer o mesmo?

–Nós sentimos muito, mas precisamos de mais jovens no campo. Não temos escolha. – Ela fez uma pausa, e com um tom mais severo acrescentou. – A União veio apoiando a sua e as demais famílias por todos esses anos, é nítido que devem retribuir de acordo com as necessidades do governo.

–Eu entendo. –Foi só o que minha mãe disse.

–Senhora Blair, não foi só por isso que vim pessoalmente tratar com você. Com tudo que está acontecendo precisamos de toda ajuda possível, e decidimos adiantar a remessa do ano que vem.

–Você não pode me pedir isso. – Minha mãe começava a chorar novamente.

–Eu sinto muito. – A moça de cabelos curtos e olhos negros, não demonstrava o que sentia. – Finn Blair, peça ajuda a sua irmã para preparar suas coisas, vocês têm meia hora. — E a mulher se retirou marchando.

– Não entendi. – Naná disse inocente.

–Adiantaram o relógico. – Falei, tentando me convencer de que o que acabara de acontecer era real.

–E a minha infeliz hora chegou. — esclareceu Finn.

Notas finais
Está dramático ainda, eu sei, eu sei... Mas calma, ainda têm muita coisa para acontecer e prometo que vai ficar melhor.
Críticas, dúvidas, reclamações, opiniões, e etc e etc, vocês sabem a onde ir.
Obrigado por lerem e até o próximo hihihi