Notas iniciais
Minha amiga secreta é a Carla

“Não sei ao certo o que aconteceu, mas de repente minha turma virou uma turma de casaizinhos. Eram Marina e Franja, Titi e Aninha, Denise e Xaveco, Nimbus e Dorinha, Carmem e Jeremias, Cascuda e DC... Até o Dudu ta de namorico com a Maria Cebolinha! E eu aqui, solteira, sozinha...”

- MÔNICAAAAA!!!!!! – uma livrada na cabeça acordou Mônica de seus devaneios.

- Aii Magali! O que foi? Pra quê tanta violência?

- Olha quem ta falando de violência! A menina do coelho azul assassino!

- O que você quer? Eu estava aqui pensando na vida...

- Isso eu notei, mas o sinal do intervalo já bateu e todo mundo já saiu... Vamos, antes que a inspetora tranque as classes.

Tarde demais. Magali mal terminou a frase quando ouviu-se o som da porta sendo trancada.

- Droga! – reclamava Mônica – Por que você não me acordou antes?

- E quem consegue? Eu fiquei um tempão gritando seu nome! No que você estava pensando, hein?! – Perguntava Magali curiosa.

- Em como a turma mudou, sabe? Todo mundo está namorando, e eu não tenho nem um mísero pretendente... Nem um ficante casual, nem um menino pra dar uma bitoquinha de vez em quando...

- Credo Mônica, que depressão! Até parece que não tem ninguém que goste de você... E o Cebolinha? Ele é louco por você desde sempre, todo mundo sabe disso!

De repente ouviu-se um grito vindo do meio das carteiras, do outro lado da sala:

- É Cebola! Ce-bo-la! Mas que dloga! E eu não gosto dessa dentuça!

- Cala a boca Careca! – levantava Cascão logo em seguida, dando um forte pedala em Cebola.

- Posso saber o que vocês estão fazendo aqui? – Mônica levantava já com as mãos em punhos.

- Não queríamos descer pro pátio e nos escondemos aqui atrás das carteiras. – respondia Cebola, dando de ombros.

- E o que vocês iam fazer na classe durante o intervalo? – indagava Magali

- Fuçar nas coisas da Mônica, ué. – Cascão soltava logo a verdade.

- CASCÃO!- uma porrada muito bem dada acertava o braço do sujinho – Por que você sempre nos entrega?

Nesse momento Mônica saiu correndo para dar uma surra em Cebola, que saiu pela sala, fugindo da dentuça. Cascão encostou na carteira ao lado da Magali e esta sem perceber tombou a cabeça no ombro do amigo:

- Tsc tsc... Esses dois não aprendem – comentava a comilona, olhando pra cima

Cascão riu e observou a velha cena, que se repetia desde que ele se conhecera por gente:

- Pois é, nunca aprendem. O importante é que eu quero ser padrinho do casamento desses dois. – ria novamente o sujinho, olhando para Magali, que não tirara os olhos dele desde que terminara de falar:

- O que? – perguntava Cascão, estranhando o jeito que a garota o olhava.

- Nada. – Magali sorria – Você tem toda a razão!

Enquanto isso a dentuça corria atrás do ex-careca como se tentasse pegar um ladrão, até que o garoto tentou pular uma carteira, enroscou o pé e caiu com tudo, batendo a cabeça no chão:

- CEBOLINHA! – Mônica gritava desesperada

- É Cebola, pô! – sussurrava com uma das mãos na lateral da cabeça.

- Cê, você ta bem? Machucou muito?

Mônica tirava a mão da cabeça do garoto, para ver se havia algum ferimento. Nada, graças a Deus. Descobrir isso a fez abraçar Cebola com força, numa expressão mista de carinho e alívio. Mas foi um abraço diferente para os dois, uma sensação nova e deliciosa.

Cascão e Magali, ao verem o amigo caido, correram para socorrê-lo, mas Mônica foi mais rápida. Restou aos dois esperar para ver se Cebola estava bem. Quando Mônica viu sua testa e suspirou de alívio, Cascão, que estava ao lado da amiga comilona, encostou a cabeça em seu ombro e suspirou também. Ela sentiu o calor do amigo, que não mais fedia e o abraçou, tentando acalmá-lo do susto que o amigo deu neles. Novamente uma sensação nova, gostosa. A sensação de ser confortado pela pessoa certa.

Não aconteceu nada demais naqueles minutos em que eles ficaram presos na sala. Cebola ficou bem e a turma seguiu seu curso, mas com uma pequena mudança: novos amores pareciam estar nascendo e aflorando nos corações de velhos amigos, com a descoberta de novos sentimentos e novas sensações.

Notas finais
Recadinho para minha amiguinha: Desculpa o atraso na entrega, mas eu só consegui sentar pra escrever hoje.

Queria te desejar um Feliz Natal atrasado e um Ano Novo maravilhoso, com muita paz, saúde, dinheiro, garotos e muita, muita felicidade! Que Deus te abençoe! Beijoocas!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!