Sensations

15 Ducere.


Notas iniciais
Hey, pessoas do meu Universe. Como cs tão?
Bem, eu gostei de escrever esse capítulo, só fiquei preocupada com que ficasse um pouco rápido.
Para hoje, apenas uma sugestão de música:
1 - Flight of Icarus Act - VAREKAI (Cirque du Soleil). Ela deve ser colocada para tocar com 2 minutos e 6 segundos.
P.S.: Como ela foi tirada de uma apresentação, a música só começa a partir desse momento. Eu não consegui achar outro vídeo só com a parte tocada.
Espero que se divirtam com vídeo depois, por que é muito lindo. ;)
P.S. 2: Se eu não casar com o Tomo (-Não) eu vou casar com esse menino do tecido por que ele é lindo dimais. -qq
Link direto:
http://www.youtube.com/watch?v=W6wGRCFGYF4
Chega de conversa, divirtam-se.
Falo com vocês lá embaixo.

Ela não aceitou se casar de imediato, porém concordou em realizar uma cerimônia em poucos dias.

Deixou a organização por minha conta, mas exigiu o mais simples dos arranjos.

Voltamos à Nova York.

A barriga de Mia crescia rapidamente o que me deixava cada vez mais ansioso pela chegada de nosso filho.

A acompanhei no ultrassom. Estava tudo bem. Logo, o médico nos perguntou se queríamos saber o sexo. Ela me olhou divertida e maliciosa.

-Podíamos manter o mistério.

Fiquei sem respondê-la. Eu definitivamente não queria esperar.

-É brincadeira, querido. Pode falar, doutor.

-Pensei que fosse me matar agora, pestinha.

-... Não agora... E nem do modo como está pensando. –Continuou com um tom sedutor.

Foi minha vez de sorrir.

-Estou contando os segundos, garota. –Mordi o lábio.

O único indivíduo que ainda restava além de nós pigarreou nos chamando a atenção para o mais importante.

-Com esse fôlego todo vão ter uma grande família.

Que abuso!

-Desculpe-nos. Mas tente entender, tenho apenas 17 anos e já vou ter um filho. Tenho que aproveitar já que eu já fui pescada pelo bonitão aí.

-Insatisfeita? –Cutuquei-a.

-Jamais.

-Que bom.

-Sobre o sexo do bebê... –Interrompeu-nos. –Prontos?

-Claro. –Eu disse.

-É um menino.

Um menino!

Eu sempre quis um filho homem. Uma cópia e uma continuação.

Minha felicidade foi tamanha que mal pude perceber que o sorriso de Mia desaparecia lentamente.

-Eu sempre sonhei com um menino.

-Felizes? –Perguntou a ela.

Ainda forçou um entusiasmo. Não conseguiu.

-Uhum. –Se limitou a responder.

Manteve-se calada por todo o trajeto de carro. Sentia-me inquieto.

-O que aconteceu?

-Nada. –Falou baixo.

-Não minta. Está assim desde que soube que teríamos um filho. Não está feliz?

Ela me olhou e hesitou.

-... Eu queria uma menina.

Sorri como tentativa de tranqüilizá-la.

-É tão nova, minha querida. Teremos mais filhos, tenha certeza.

-E se não vier uma menina?

-Não tente adivinhar o futuro. Tentaremos até conseguir.

Riu.

-Daqui a pouco vamos ter trinta filhos.

-Fôlego não falta.

Novamente me encarou.

-Quero fazer amor.

-Eu também.

-O que está esperando?

Ri nervoso. Merda! Ela sempre me fazia perder o controle.

-Prefere almoçar primeiro ou vamos direto para o motel?

-Não quero motel. Quero aqui e agora.

Não dizem que o apetite sexual de mulheres grávidas aumenta conforme passam os meses?E quando a grávida é uma adolescente? Ela vira uma devoradora de pênis?

-... Maluca. –Ri. –Vou procurar um lugar reservado para estacionar.

-Enquanto isso, vamos para as preliminares.

Antes que eu pudesse argumentar, já se encontrava abrindo minha braguilha e se abaixando de encontro com o meu membro.

-Oh, merda!

Me fazia perder o juízo. Por inúmeras vezes freei o carro para não bater em algum outro ou avançar o sinal. Gemi alto e dei graças a Deus pelos outros motoristas não conseguirem ouvir a série de nomes que chamei minha amada futura esposa em momentos de intenso prazer.

Levantou seu rosto e lambeu os lábios para me provocar.

-... Víbora.

Sorriu e voltou a seu banco.

-Se importa de eu me dar um pouco de prazer?

-Sim, me importo. –Disse seco.

-Depois sou eu a víbora.

Estacionei na primeira rua deserta que achei.

A puxei bruscamente para beijá-la. Trouxe suas pernas para envolver meu quadril. Permiti que ela tirasse seu vestido, mas impedi que não me desse a oportunidade de arrancar seu sutiã.

Seus seios estavam maiores e magníficos.

Contemplei-os sem demora.

-É maravilhosa, meu amor. Maravilhosa. –Degustei a última palavra salivando.

Sorriu.

-Me excita tanto quando fala assim.

Meus olhos seguiram para sua boca.

-Levante-se, meu bem.

Lentamente ela ergueu seu corpo. Vestia uma calcinha de renda.

-É perfeita em suas escolhas. –Puxei a única roupa que restava em seu corpo, fazendo estalar em contato com sua pele.

-Eu penso em você para cada uma.

Não pude mais agüentar.

Rasguei a peça.

O som que soltou, não posso definir como um gemido ou um lamento, mas me fez desejar ainda mais estar entre suas coxas.

Não foi necessário pedir. Encaixou-se em mim enquanto a acompanhava com minhas mãos em sua região lombar. Meu rosto a acariciava no pescoço. Dei-lhe pequenas mordidas para instigá-la a se movimentar mais rápido. Me vangloriei por estar com a barba por fazer, pois a cada roçar sua pele se arrepiava. Mia jogou sua cabeça para trás e aumentou o ritmo.

-Assim, vida. Assim.

Atingiu o orgasmo. Alguns segundos depois foi a minha vez. Seus olhos estavam fechados e sua expressão satisfeita.

Eu adorava olhá-la após o sexo. Sempre fazia com que me sentisse bem por satisfazê-la e por ela existir em minha vida.

Relaxou em cima do volante. Tanto que acabou por encostar as costas na buzina, ocasionando um enorme barulho. Se assustou, mas começou uma crise de riso em que acabei por embarcar.

-Essas são as desvantagens em transar no carro. –Disse rindo, encostando sua testa na minha.

-Fizemos amor, não transamos.

-Fazemos amor todos os dias, Jared. Seja quando acorda e me dá bom dia, seja quando me prepara um delicioso prato para o almoço, seja quando me presenteia com sua presença todos os dias, seja quando me diz “Eu te amo” — Falou em português e me beijou docemente. –Mesmo que eu esteja com cara de bolacha. –Riu um pouco.

Dessa vez, a deixei rir sozinha.

-É linda, Mia. Nunca conseguirá ser feia mesmo que queira. –Tirei uma mecha de cabelo de seu rosto, colocando-o atrás da orelha. –Não minto quando digo que é a mulher mais linda que já encontrei.

-Está apaixonado.

-Já estive. Hoje eu te amo.

Antes que replicasse a calei colocando meu dedo indicador em seus lábios.

-Minto. –Sorri. –Eu te amo desde a primeira vez que te vi naquele vídeo. Desde quando provocou meus mais adormecidos instintos e me provou que eu poderia ser melhor do que o meu passado.

Abaixei meu dedo.

-Me endeusa tanto.
-Você me tinha como ídolo. Tenho-a como uma agora.
-Não fiz mais do que minha obrigação.

-Obrigação? –Franzi o cenho.

-Maneira de falar. Não faço nada por obrigação. Mas eu achava sim que deveria melhorar como ser humano. Eu o amava tanto. Pensava que se não tinha oportunidade de lhe falar tudo o que eu sentia ou deixava de concordar em relação a sua vida deveria pelo menos colocar para fora. Me fazia mal guardar tudo aquilo. –Riu fraco depois de uma pausa. –Te considerava meu mais do que tudo. Não queria que se perdesse... Era minha responsabilidade, era minha... –Já possuía a mão no peito como se estivesse para explodir.

-Sua...

-Missão.

Avistei um carro que se aproximava. Pedi que fosse para o banco traseiro se vestir. Era perigoso que continuássemos naquele lugar.

Quando voltamos para casa preparei algo para comermos. Ela foi para o notebook ver as novas atualizações que eu mesmo tinha feito. Como disse:

-Preciso ver se cometeu algum erro de ortografia em seus veículos sociais.

Retornei a sala e a vi concentrada.

-Algo errado?

-É de embrulhar o estômago ver todas essas fotos.

Referia-se a algumas que tirei com Terry e outros em um evento.

-Por quê? –Encarei-a incrédulo.

-Tanta hipocrisia.

-São meus amigos, Mia.

-Não existem amigos no seu mundo, Jared. Acorde.

-... É preciso manter as aparências para uma boa imagem.

Ela me aplaudiu.

-Finalmente a máscara está caindo. Estava com medo de que eu fosse uma criança que ainda acredita em boas amizades?

-... Você é esperta demais para se deixar iludir, meu amor.

-É bom que tenha consciência disso. — Se levantou.

Sorri.

-Agora poderia me explicar por que tanto desfile de moda? Se quiser mesmo se promover, há lugares mais interessantes onde aparecer.

-A moda é um hit eterno em Paris.

-É uma pena ouvir isso. Uma cidade tão especial e que guarda tantos segredos... São poucos os que conseguem enxergar sua real magnitude.

-E você, consegue?

-Até onde as minhas vistas podem alcançar. –Disse olhando a vista com um sorriso sincero no rosto.

A tinha deitada com a cabeça em cima de meu quadril.

-Por anos eu nunca consegui entender a significância da palavra “Você” em uma canção de amor.

-E eu sempre buscava alguém para dedicar às músicas.

-Será que perdemos com tudo isso?

-Eu ao menos não desperdicei meu tempo com falsas promessas de um amor eterno com quem nem me dei o trabalho de conhecer... –Pausou e suspirou. –... Ou gostar.

-As coisas parecem mais fáceis de encarar quando fala.

Ela murmurou.

-Queria que sempre fosse assim.

Houve um minuto para o silêncio, mas a minha mente ainda continuava um tumulto.

-Às vezes eu acho que não sou tão bom para você.

-Eu sou grande o suficiente para saber o que é ou não bom pra mim.

Sorri inconscientemente.

-Me passa tantas vezes pela cabeça sempre a mesma frase. “Ele não é o grande amor da vida dela, mas ela é a grande razão da existência dele.”

Levantou e se apoiou em um cotovelo me olhando.

-Desencana, garotão. Eu não vou te largar. Pára de ficar jogando esses papinhos pra eu te deixar.

Ri um pouco.

-Foi a única que me fez sair do meu próprio mundo. Me fez enxergar o quão pequeno eu estava sendo em me importar com tantas coisas sem conteúdo. Eu não quero te perder, Mia. Nun... –Me interrompeu.

Colocou seu dedo indicador em meus lábios para me impedir de completar.

-Não diga essa palavra. Todas as vezes que eu a pronunciei acontecia exatamente a coisa que eu mais temia. Esqueça isso. Vamos viver e deixar rolar. Fica tudo mais fácil assim.

Beijei seu dedo.

-Eu te amo, sabia?

-Não, não sabia.

-Então vou ter que te provar. –Provoquei-a trazendo-lhe para mim e mordendo sua orelha.

-Gostei disso...

No dia seguinte, Mia visitou o estúdio de dança. Fiquei em casa conforme me pediu. Disse que eu precisava descansar de sua presença se não duvidaria que ainda a aturaria depois do casamento. Tola.

Voltou algumas horas mais tarde. Seu semblante estava fechado, me preocupando. Antes que pudesse perguntar...

-Me cortaram do ballet.

-Como assim cortaram?

-Mikhail disse que eu estava cortada até ter o meu filho.

-Eu acho ótimo.

Seu olhar se transformou. Fúria.

-É claro que acha ótimo. Se pudesse, me trancaria nesse apartamento e não me deixaria às vistas de ninguém.

-Não é uma má idéia. –Brinquei para tentar descontrair aquela tensão que pairava no ar e evitar uma possível briga.

Foi inútil.

Ela saiu em disparada para o quarto e se trancou. Bati várias vezes, intercedi para que me desculpasse, mas tudo fora em vão.


Horas se passaram. Tínhamos combinado de ir a uma festa que Kanye estava dando para comemorar o sucesso de sua grife de moda. Abri a porta com uma chave extra.
Dessa vez não tinha deixado a original na fechadura.

Estava deitada. Concluí que dormia, mas me equivoquei.

-Está quase na hora da festa do Kanye.

-Eu não vou.

-Por que não?

-Não quero.

-Mia... –Escolhi as palavras. Não podia errar agora. –Vamos, por favor. Eu realmente não quero aparecer sozinho e agüentar pessoas comentando um possível rumor de separação.

Ela riu sem humor.

-É só nisso que se preocupa. No que os outros vão falar ou pensar.

-Só não quero que bombardeiem nossas mentes.

-... É igual a todos eles. O que está esperando para se juntar a sua trupe?

Decidi não insistir. Tinha certeza que mudaria de idéia a me ver sair por aquela porta.

Demorei a me arrumar para dar tempo a ela. Se eu me atrasasse um pouco mais com certeza não chegaria a tempo. Parei por alguns instantes e pensei se devia implorar que fosse comigo.

Seria baixo demais...

Foda-se.

Entrei no quarto. Continuava deitada, mas agarrada ao meu travesseiro. Ressonava baixinho. Tamanha foi minha decepção ao ver que realmente estava adormecida. A cobri e aumentei um pouco o ar condicionado como sabia que gostava. Encarei-a um pouco, beijei seus lábios e depois sua testa. Saí lentamente esperançoso que despertasse.

Não aconteceu.

(Mia’s POV)

Eu ainda podia sentir o cheiro do perfume dele no ar. Peguei no sono sem ao mesmo notar.

Tinha sido intransigente, mas era orgulhosa demais para admitir. Queria ter ido naquela festa, não queria ter o deixado sozinho.

Bufei.

E se ainda tivesse tempo?

Olhei para o relógio. Acreditei que pudesse conseguir.

Levaram trinta minutos para chegar à casa de Kanye. O ambiente que encontrei não era o dos mais agradáveis. Personalidades, modelos e outros se divertiam dançando promiscuamente, se drogando entre demais coisas a qual se pode imaginar.

Eu só queria encontrar Jared. Seria assim tão difícil?

Não foi.

O reconheci de perfil.

Falava animadamente com uma loira. Falava? Sussurrava em seu ouvido. Parecia provocante.

A levaria para cama? Provavelmente. É o que deveria sempre fazer pelas minhas costas.

Umas malditas lágrimas escorreram. Me condenei por sofrer, mas pouco importava... Eu não o faria mais. Não por ele.

-Mia? –Uma voz me chamou e eu não precisei virar para identificar seu locutor.

Shannon.

Fingi não escutar. Caminhei rapidamente para a saída. Não queria que ele me visse chorando e me perguntasse o motivo. Era óbvio demais, claro e inútil demais... Estava sendo enganada o tempo todo e só eu que não queria enxergar.

Talvez eu tivesse escutado ter sido chamada de novo por uma voz qualquer, mas ignorei.

Andei pelas ruas desnorteada. Talvez estivesse no quarto quilômetro quando meu pé virou.

-Pelo menos eu tenho flexibilidade e não o torço.

Arranquei meus sapatos e os joguei longe. Tinha consciência de que suava frio e estava fraca.

E se eu morresse agora? Sentiria minha falta?

-Daria uma ótima estrofe para o Hurricane 3.0. –Ri sarcástica.

Tinha minha sola dormente e com prováveis bolhas.

-E se eu morresse agora? Cuidaria do meu funeral? –Gargalhei.

Um estrondo de moto quase interrompeu meu momento criativo.

-Mia.

Ignorei novamente. Era uma alucinação. Ninguém pensaria em mim.

-Eu te vi na festa e vim atrás de você. Te procurei por toda parte.

-E se eu morresse agora? Me beijaria por uma última vez?

-Do que está falando?

Parei. Uma pontada forte vinha do meu útero.

Gritei.

A moto parou e vi Shannon do meu lado.

-O que está acontecendo?

-Vá embora. É apenas uma criação da minha cabeça.

-Mia, sou eu, Shannon.

Segurei seu rosto. Era ele mesmo.

-Shannon... Meu filho está nascendo.

Seus olhos se arregalaram.

-Vou te levar pro hospital.

Neguei com a cabeça. A dor só aumentava.

-Eu não vou agüentar. Preciso tê-lo aqui.

Ele me pegou no colo. Tocou a campainha da casa mais próxima. A demora fez com que chutasse a porta.

-Nos ajude! –Gritou.

Não houve resposta. Insistiu.

-Nos ajude! Há uma mulher parindo aqui!

A porta se abriu.

-Por favor, nos ajude. Ela está parindo.

O homem que nos atendeu deu passagem. Logo apareceram uma mulher e crianças. Ela nos indicou o quarto de hóspedes e acompanhou-nos.

-Por que não a levou para o hospital? –Disse a moça ajudando a me acomodar.

-Não daria tempo. A bolsa estourou.

-Vou ligar para o hospital. Com certeza mandarão uma ambulância para cá. –Falou o homem.

Tiraram as minhas roupas e cobriram-me com lençóis. A mulher me instruiu respirar e me acalmar. Segui suas instruções.

Não demorou a sentir a cabeça do bebê saindo. Gemi alto de dor. Apertei a mão do meu lado. Era a de Shannon.

-Eu não vou poder puxá-lo. Minhas unhas são grandes e poderiam machucá-lo.

-Eu faço isso. –Ele disse sem pensar.

Devo ter aparentado medo, pois me tranqüilizou quando me tocou.

-Faça força, pequena.

Obedeci.

Tantas tentativas. Mal conseguia respirar.

-Só mais um pouco, Mia. Agüente firme.

Eu não conseguia.

-Onde ela está?! –Ouvi uma voz conhecida por perto.

-Eu te levo.

Coloque Flight of Icarus Act — VAREKAI (Cirque du Soleil) – Para tocar em 2 minutos e 6 segundos de duração.

Olhos azuis.

Eu ainda tinha mágoas no coração, mas a força que me faltava voltou apenas pela felicidade de vê-lo.

-Meu amor! –Segurou minha mão. –Acariciou meu rosto. –Ficará tudo bem. Eu te prometo.

-Promete cuidar do nosso filho? –Sussurrei.

-Nós cuidaremos.

Sorri um pouco. Forcei mais duas vezes.

Choro.

-Nasceu.

Shannon segurava meu bebê. Estive cansada demais, mas insisti que me desse. Tomei aquele pequeno embrulho e o aproximei de meu rosto.

-Benedicimus Deum ab patrem, et filium et spiritum sanctum, amen. –Beijei-o.

Olhei para meu noivo e sorri.

-Segure-o, querido.

Me atendeu. O irmão apareceu para dá-lo algum tipo de suporte. Me beijou a testa, mas mostrou-se assustado.

-Está fria. Precisamos levá-la para o hospital!

-Está perdendo muito sangue. –Shannon chamou a atenção.

-A ambulância está na porta. –Disse a mulher.

Enquanto meu coração doia, mal tive tempo para reclamar.

Tudo estava ficando escuro, mas ainda pude captar a última visão do rosto de meu filho.

É tudo como um ensaio...

Sirene de ambulância.

(Jared’s POV)

Meus pensamentos estavam apenas naquela situação. Se eu perdesse Mia, eu perderia a mim mesmo. Era quase impossível ficar sentado, mas eu precisava me controlar. Não precisava?

Esfreguei meu rosto com força. Tinha de ser um pesadelo. Já tivera tantos, devia ser mais um.

Uma mão com um copo d’água surgiu na minha frente. Olhei para a pessoa sentada ao meu lado. Era um senhor com aparência simpática e protetora.

-Não, obrigado.

-Beba. Vai te acalmar.

Olhei desconfiado. E se estivesse envenenado?

Ele sorriu como se adivinhasse o que eu pensava.

-Fique tranqüilo. Só há água.

Sorri sem graça e aceitei. Tomei de uma vez e agradeci novamente.

-Está aflito. O que acontece?

-Minha esposa... Está com hemorragia pós-parto.

-Eu sinto muito.

Olhei para seu rosto e chorei descontroladamente.

-Eu não sei o que fazer. Me sinto tão impotente. Se pudesse, trocaria minha vida pela dela só para não vê-la sofrer.

-A ama de verdade e faria qualquer coisa para salvá-la?

-Qualquer coisa.

-Quando foi a última vez que orou?

Que raio de pergunta era essa?

-Eu... Não me lembro.

Ele sorriu.

-Por que pergunta isso?

-Quando a ciência e a medicina não são eficientes se torna inexistente um local onde nos agarrarmos, não?

-Não.

-Todos nós somos constituídos por espírito e matéria, jovem. Se um não existir o outro não tem motivo para sobreviver.

-Não entendo aonde quer chegar.

Colocou sua mão sobre meu ombro.

-Se a ama como diz ore por sua recuperação. Sinta todo o tempo perdido se esvair e recomece a contagem de seus dias.

-Quem é você? Um representante de alguma igreja tentando evangelizar pessoas desesperadas? –Ironizei.

Ele sorriu mais uma vez.

-Sou um amigo. –Se aproximou. –Ore, pequeno Jared. Nunca foi tão difícil pra você, não é mesmo?

-Deus não me ouve.

-Ele espera pelos seus pedidos sinceros. –Suspirou. — Não há situação melhor do que agora para que possa se entender com seu Pai, irmão. –Riu. — Sempre falou tanto no nome Dele e se acovarda quando tem oportunidade de uma comunicação direta? Não faz seu gênero.

-... E se ela me deixar?

-Só depende da tua vontade.

Voltei a olhar para o chão, mas notei que ele se levantou.

-Aonde vai? –Voltei a encará-lo.

-Preciso voltar.

-...

-Não se preocupe. Estarei aqui sempre quando precisar.

Assenti com a cabeça e deixei de olhá-lo. Quando já estava longe, percebi que ainda tinha uma última pergunta.

-Eu posso começar por ave-marias e pais-nosso?

Ele se virou e sorriu.

-Nem toda oração consiste em palavras gravadas de modo irracional. Converse com Ele e depois reze. Não se esqueça, Ele sabe exatamente do que necessita e só quer que o admita. Seja feliz.

-Você também.

Comecei a prestar atenção no copo em que segurava quando me lembrei de agradecê-lo.

-Obrigado. –Olhei para o corredor. Estava vazio.

Teria sido tão rápido para sumir de vista?

-Orar... Como eu faço isso? Deus nem deve mais lembrar a minha existência. –Fechei os olhos e expirei, encostando minha cabeça na parede. –Eu preciso fazer isso... Por ela. Deus, por favor, salve-a. — Bati minha cabeça. –Não, não é o suficiente. –Respirei. –Eu realmente não sei como fazer, mas eu vou tentar. Talvez a última vez que tenha te pedido algo foi em meus dez anos durante o natal, quando minha mãe dizia que Shannon e eu não iríamos receber presentes se continuássemos levados. –Ri recordando disso. –Eu realmente não sou o mais pródigo dos filhos e nem sei se meu pedido chegará aos seus ouvidos, mas... Precisa salvá-la, Pai. Ela é tão nova, tem uma vida enorme pela frente. Não pode tirá-la esse direito. Não quero ser rebelde, mas não tem esse direito. Não ela, Pai, não ela. –Eu começava a chorar novamente. –Foi a melhor pessoa que conheci e a única que me instruiu a dar os passos certos. Sem tê-la perco meus sentidos... Tiro minha própria vida. –Abanei a cabeça. –Eu a amo tanto que me dói. Será que consegue me entender? Será que o amor que sentia por Maria Madalena era semelhante ao o que eu sinto agora? Ah, Deus... Se a sua cura depender do arrependimento de todos os meus erros o faço já e até por aqueles que ainda estou para cometer. Perdoe todos os meus pecados. –Pausei. — Não a leve agora. –Desabei. — Por favor. Não a leve agora. –Eu sentia um frio tão grande que estive tremendo. –Não conseguirei viver sem ela. Ajude-me, meu Deus. Me ajude.

Uma luz.

Essa que me cobria também me trazia paz.

Levantei o rosto, mas a claridade me impedia de ver o rosto daquele que se apresentava diante de mim. Aos poucos foi enfraquecendo, mas sem perder a sua fortaleza.

Choque.

-Não pode ser... –Murmurei.

Imagens retornavam a minha mente. Informações demais, explicações de menos. Porém, tudo ficava mais amplo.

-Miguel.

-Eu vinha para buscá-la, irmão, mas a sua prece fora atendida. Cuide para que não corra mais nenhum perigo. Sua vida está em suas mãos.

-Eu preciso... Voltar?

-Só se quiser. –Sorriu. –Faz falta, velho amigo.

Neguei com a cabeça.

-Eu não posso.

Ele sorriu, mas pareceu compreender.

-Sempre orgulhoso. Entendo seus motivos. Saiba que sempre terá as portas abertas.

-Eu agradeço.

-... Ela já acordou. Está te esperando.

-... Obrigado.

Senti alguém cutucar meu braço. Abri os olhos e vi Shannon na minha frente. Outra vez, outro sonho.

-Eu não queria te acordar, mas a Mia já está consciente. Pensei que quisesse ser o primeiro a estar com ela.

-Sim. Vou vê-la. –Levantei.

Ao entrar no quarto doeu-me vê-la deitada naquela maca cheia de instrumentos hospitalares em seu corpo.

-Como se sente? –Me aproximei.

Sorriu triste pelo canto da boca.

-Deveriam ter me levado.

-Não deveriam.

Me olhou inquiridora.

-Foi você, não foi?

-... Sim.

-Agora entende tudo o que aconteceu?

-A maioria me parece muito confuso, mas consigo compreender. Eu me transformei, Mia. Não me permitirão voltar atrás.

Não respondeu.

-Mas eu quero cuidar de você.

-De mim ou da loira na festa do Kanye West?

-Andou me espionando, mocinha? –Ri.

-Fui atrás de você. O que não entendo é como alguém que diz precisar tanto da noiva num evento ao dar as costas arranja outra.

-E se te disser que a outra é minha prima?

Olhou-me ressabiada.

-... Não acredito.

-Quer que eu peça para vir aqui?

-Não, tudo bem. Deixa pra lá. Dessa vez passa.

-É adorável te ver com ciúmes.

-Idiota.

-Mesmo internada continua marrentinha.

Ela riu. Cheguei meu rosto mais perto do dela e a beijei.

-Vai ter que me aturar ainda.

-O farei de boa vontade. –Beijei-a novamente.

Interrompeu-me.

-Como ele está?

-Na incubadora. Mesmo sendo prematuro, nasceu perfeito.

Ela sorriu.

-Já escolheu o nome, papai?

-O que acha de Miguel?

Contemplou-me pura.

-É lindo.

Quando voltei, observei meu irmão.

Esse não me viu. Enchia um copo com água no bebedouro. Encaminhei-me até ele.

-Algum problema? –Disse ao perceber minha presença.

-Nenhum. Só quero te pedir desculpas pelas grosserias dos últimos dias. E te agradecer por tudo o que fez por nós três.

Sorriu.

-Você sabe que eu te amo mesmo com todo esse seu jeito escroto de ser.

Eu ri.

-Sempre o velho Shannon.

-Sempre sim, velho não.

Abraçamo-nos. Ele, por sua vez, puxou minha cabeça e bagunçou meu cabelo.

-O caçulinha sempre dando trabalho.

Rimos juntos.

-Já escolheram o nome do bebê?

-Miguel.

-Eu gostei. O médico disse que ficará por observação na incubadora e depois passará para o berçário.

-Está tudo bem agora. O pior já passou.

-O pior ainda está por vir, irmãozinho. Alguém vai ter que trocar as fraldas de cocô.

Contraí o rosto com pesar.

-Eu adoro quando lembra as melhores partes, Shann.

Ele riu.

-Eu te ajudo... A dar banho.

-Filho da puta. –Ri.

-Não xinga nossa mãe.

-Eu deveria lavar sua boca com sabão. –Disse uma voz feminina por trás de mim.

Shannon, que estava de perfil, olhou antes.

-Tá fudido. –Murmurou.
Me virei e fiquei surpreso.
-... Mãe?

Notas finais
Gente boa, reforçando algumas informações:
A fanfic Sensations está disponibilizada no site http://www.30echelonstm.com/ e agora também no site http://alltimefics.com/ -Está na seção Fictions e Fanfics Não-Interativas em Andamento.
Em breve os dois sites acima vão disponibilizar a mesma em inglês.
E o blog das autoras tá meio difícil de sair. Peço paciência.
Muito obrigada pelas reviews e como sempre peço: Recomendem.
Até mais.
Beijoletos. ;)