Senna
10 Capítulo VIII - "O Retorno A Casa: Entre Lembranças e Novas
Ayrton senta-se em seu assento no avião, próximo a janela, observando a paisagem familiar da Itália desaparece no horizonte. Ao seu lado, Alain envolve sua mão com força—um gesto discreto de apoio que fala mais que palavras. A reabilitação física pode ser árdua, mas o companheirismo é uma âncora forte.
As semanas se passam enquanto a família Senna Prost se acomoda à rotina em casa. Alain faz de tudo pra manter a casa organizada—cozinhar, arrumar, cuidar dos meninos, fazer companhia a Ayrton nas sessões de reabilitação—enquanto seu companheiro tenta se recuperar totalmente. As noites são longas, repletas de dor e frustração, mas Alain é sempre um ponto de apoio inabalável para o companheiro.
São quatro da manhã numa noite sem luar e Alain está de pé, preparando algo na cozinha enquanto os meninos dormem tranquilamente. Ayrton aparece na entrada da sala, mancando, apoiando-se na bengala. Alain olha para ele por cima do ombro, observando com atenção as dificuldades de seu companheiro:"De novo?"
Ayrton suspira e se aproxima da cadeira de cozinha, sentando-se com dificuldade. Seu rosto está marcado pela dor, mas ele tenta se controlar.
Alain termina rapidamente a refeição básica que preparou—sanduíche de ovo e requeijão—enquanto Ayrton luta contra um espasmo nas costas. Alain leva a bandeja até ele, colocando-a na mesa ao lado com cuidado.
Ele se senta no outro lado e observa seu companheiro pegar o garfo, as mãos trêmulas apesar de todo esforço para esconder. Depois de alguns instants, ele finalmente se decide por quebrar o silêncio:"Você deveria estar dormindo."
Ayrton senta-se em seu assento no avião, próximo a janela, observando a paisagem familiar da Itália desaparece no horizonte. Ao seu lado, Alain envolve sua mão com força—um gesto discreto de apoio que fala mais que palavras. A reabilitação física pode ser árdua, mas o companheirismo é uma âncora forte.
As semanas se passam enquanto a família Senna Prost se acomoda à rotina em casa. Alain faz de tudo pra manter a casa organizada—cozinhar, arrumar, cuidar dos meninos, fazer companhia a Ayrton nas sessões de reabilitação—enquanto seu companheiro tenta se recuperar totalmente. As noites são longas, repletas de dor e frustração, mas Alain é sempre um ponto de apoio inabalável para o companheiro.
São quatro da manhã numa noite sem luar e Alain está de pé, preparando algo na cozinha enquanto os meninos dormem tranquilamente. Ayrton aparece na entrada da sala, mancando, apoiando-se na bengala. Alain olha para ele por cima do ombro, observando com atenção as dificuldades de seu companheiro:"De novo?"
Ayrton suspira e se aproxima da cadeira de cozinha, sentando-se com dificuldade. Seu rosto está marcado pela dor, mas ele tenta se controlar.
Alain termina rapidamente a refeição básica que preparou—sanduíche de ovo e requeijão—enquanto Ayrton luta contra um espasmo nas costas. Alain leva a bandeja até ele, colocando-a na mesa ao lado com cuidado.
Ele se senta no outro lado e observa seu companheiro pegar o garfo, as mãos trêmulas apesar de todo esforço para esconder. Depois de alguns instants, ele finalmente se decide por quebrar o silêncio:"Você deveria estar dormindo."
Alain suspira e pega o garfo da mão de Ayrton, cortando a comida em pedaços menores. Ele empurra o prato de volta para ele com um olhar firme.
"Coma. Devagar."Ele ordena, como se estivesse falando com um dos meninos."Você precisa manter suas forças—ou vai acabar caindo no meio do treino amanhã."
Ayrton rosna mas obedece, engolindo os pedaços com dificuldade enquanto Alain assiste cada movimento como um halterofilista vigiando uma barra perigosa.
A comida diminui gradualmente, até que Ayrton finalmente faz um gesto indicando que não come mais. Alain suspira aliviado, embora ainda pareça preocupado. Ele coloca o resto da comida no microondas para esquentar mais tarde, se aproximando de Ayrton novamente.
Ele apoia as mãos sobre os ombros tensos do companheiro e começa uma massagem com movimentos circulares. Alain murmura baixinho enquanto pressiona os músculos:"Você tá fraco como uma criança que acabou de nascer."
Alain aperta um ponto específico na base do pescoço de Ayrton, fazendo-o arquejar—metade dor, metade alívio.
"Aqui,"ele diz com firmeza,"É onde você tá segurando toda a raiva. Para de fingir que não dói."
Ayrton range os dentes mas não se afasta. Lá fora, Nico chuta o travesseiro no quarto dele e grita:"Papai! Tô com sede!"
Alain continua a massagem enquanto responde em voz alta, seus dedos trabalhando nos pontos tensos dos ombros de Ayrton:"Eu vou lá."
Ele se levanta, dando um último aperto reconfortante antes de se afastar. Enquanto se distancia, ele sussurra:"Não ouse se mover enquanto eu não voltar."
Ayrton fecha os olhos, finalmente relaxando a cabeça contra a mesa enquanto espera pelo retorno do companheiro.
Alain rapidamente atende a Nico, trazendo um copo de água gelada para o filho antes de se despedir e voltando aos poucos para Ayrton. Quando ele entra na cozinha novamente, nota que Ayrton está exatamente como o tinha deixado—sentado, quieto, com a cabeça descansando na mesa. Alain se aproxima e passa os dedos pelos cabelos do companheiro, um gesto quase carinhoso em meio à tensão.
Ele murmura, baixinho:"Tá mais tranquilo?"
Ayrton suspira profundamente, levantando a cabeça para olhar para Alain. Seu rosto ainda está marcado pelas dores da noite sem sono, mas seus olhos se encontram com o do companheiro com uma intensidade que só eles conseguem expressar.
"Não totalmente,"ele responde em voz baixa,"Mas é menos pior quando você tá aqui."
Alain sorri—desta vez é um gesto pequeno, porém significativo. Ele se senta na cadeira ao lado de Ayrton, pegando suas mãos entre as suas.
"Eu não vou embora."Ele promete em voz baixa, seus dedos ainda massageando pequenos círculos na pele marcada dos companheiros."Eu não vou deixar você enfrentar tudo isso sozinho."
Ayrton aperta a mão de Alain com força, agradecido pela presença tranquilizadora. Sua voz é rouca quando finalmente fala, como se estivesse se abrindo mais do que gostaria:"Eu sei... às vezes parece que eu não mereço sua presença. Que eu sou só uma carga pra você."
Ele abaixa a cabeça, evitando olhar para Alain diretamente, mas ainda segurando suas mãos com uma força quase desesperada.
Alain levanta o rosto de Ayrton com um gesto gentil, forçando os olhos a se encontrarem. Ele encara aquele rosto forte porém frágil, marcado por cicatrizes físicas e emocionais.
"Isso nunca foi e nunca vai ser verdade."Ele diz em um tom firme, porém suave."Você não é uma carga, Ayrton. Você é meu companheiro, minha força, a melhor parte de mim."
Alain segura o rosto de Ayrton com ambas as mãos, seus polegares limpando discretamente qualquer traço de lágrima que ameaça escapar.
"Você acha mesmo,"ele sussurra, aproximando os lábios da testa do companheiro,"que eu trocaria isso? Que eu deixaria você sozinho depois de tudo?"
Nico aparece na porta da cozinha esfregando os olhos:"Papai... tá tudo bem?"
Alain se afasta rapidamente, escondendo a expressão de preocupação. Ele dá um sorriso forçado para Nico, passando uma mão no cabelo do menino:
"Tudo ótimo. Só o papai aqui cansado."Ele olha por cima do ombro de Ayrton e acrescenta num tom mais leve:"Vem cá, me ajuda a pegar leite na geladeira."
Nico obedece com um aceno sonolento enquanto Alain aproveita para sussurrar no ouvido de Ayrton:"Respira. Eles não podem te ver assim."
Ayrton fecha os olhos por um instante, engolindo a dor e a frustração. Quando abre novamente, há uma determinação feroz em seu olhar—o mesmo que ele tinha no cockpit.
"Você tá certo,"ele murmura, erguendo-se com dificuldade da cadeira. Alain o apoia discretamente enquanto Nico se distraí revirando os potes de leite na geladeira.
Alain sussurra:"Só mais três semanas até sua primeira sessão de reabilitação no Brasil."
Ayrton inala profundamente, sentindo o ar encher seus pulmões como se estivesse preparando para uma última volta na pista. Ele segura a bengala com firmeza, os nós dos dedos brancos de tanto pressionar.
"Três semanas..."ele repete em voz baixa, como se contasse os dias que faltam. Alain percebe o tom de desafio no comentário e aperta discretamente seu ombro.
Nico fecha a geladeira com um estrondo:"Papai! Esqueci meu cobertor!"
Ayrton apenas acena com a cabeça, engolindo o orgulho. Ele segura firme na bengala e se inclina levemente para frente—um movimento doloroso, mas necessário.
Alain percebe a tensão nos ombros do companheiro e intervém: "Nico, vem aqui." Ele pega o menino pelo braço gentilmente antes que ele possa pular em cima de Ayrton."Vamos pegar seu cobertor juntos... Papai tá precisando descansar."
O tom é suave, mas inegociável. Nico faz beicinho por um segundo antes de seguir Alain escada acima.
Ayrton apenas acena com a cabeça, evitando falar. Ele se apoia na bengala e estende o braço livre para Nico, que corre até ele com os braços levantados.
Alain observa de perto enquanto Ayrton ajusta o menino no colo—um movimento lento mas cheio de cuidado. O rosto do ex-piloto está marcado pelo esforço físico, mas seus olhos suavizam quando olha para Nico.
"Vamos pegar seu cobertor,"ele murmura rouco,"Mas devagar... papai tá cansado."
Os dias seguintes passam em uma torrente de preparações. O pequeno grupo se organiza em meio a uma rotina frenética—Alain cuidando dos preparativos da mudança, Ayrton se recuperando aos poucos e Nico tentando entender tudo o que está acontecendo.
Ayrton segue com suas sessões de fisioterapia com determinação, apoiado por Alain que não o larga por um segundo. Os minutos antes de embarcar no avião são tensos, mas Ayrton se concentra em respirar profundamente, contando em voz baixa cada respiração.
A hora de embarcar se aproxima e a família finalmente se encontra no aeroporto, com o check-in feito e as malas prontas para serem despachadas. Ayrton está sentado na cadeira de rodas, cercado por Alain e Nico. É possível sentir a tensão no ar, apesar dos esforços dos companheiros para manter o clima descontraído.
O anúncio do embarque soa alto pelos alto-falantes, e eles se dirigem em direção ao portão de embarque. A jornada para o Brasil acaba de começar.
O voo começa e a família toma seus assentos. Ayrton fica na fileira do meio, Alain a seu lado e Nico na janela. Aos poucos, o barulho dos motores ganha intensidade até que a sensação de decolagem toma conta do corpo deles.
Ayrton fecha os olhos, tentando controlar a dor de sua coluna. Alain aperta discretamente a mão dele, um gesto de suporte que passa despercebido pelos demais passageiros.
O avião alcança altitude de cruzeiro, o ronco dos motores agora um ruído constante. Ayrton abre os olhos lentamente—sua expressão uma mistura de alívio e cansaço. Alain aproveita que Nico está distraído com o cardápio infantil para inclinar-se:
"Dorme,"ele ordena em voz baixa,"Eu fico acordado."
Ayrton resiste por mais três batimentos cardíacos antes que seu corpo ceda ao sono, a cabeça pesada se apoiando no ombro do companheiro.
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