Senhor dos Dragões
6 Capítulo 5 - Renascimento
Notas iniciais
Capítulo 5 — Renascimento
A visão de Klodike parecia diferente. Ainda mais aguçada, talvez. Desiderius simplesmente se jogara do topo da montanha, mantendo as asas grudadas contra o próprio corpo enquanto descia como um míssil na noite, porém ainda assim conseguia ver cada detalhe da encosta. O vento ressecava seus olhos, mas não exatamente o incomodava.
Quando olhou para o que estava em suas mãos, percebeu o ovo. E suas garras. E o fato de que não estava se segurando e por algum motivo sobrenatural não caíra das costas de Desiderius e se tornara uma massa sangrenta um dia chamada Klodike.
Ergueu a mão diante o rosto. Parecia que havia passado anos dentro do templo, sua pele estava tão pálida que parecia cor de osso, as garras negras eram lustrosas como as escamas de Desiderius. Com a língua, tocou seus caninos, e sentiu presas ao invés. Emitiu um suspiro. Talvez devesse estar aterrorizado, porém sentia como se fosse algo previsível.
– Está tudo bem, Klodike?
– Sim, está. – respondeu. – Já me viu?
–... Já, como todos os dias.
– Não... Você não me viu. – respondeu. – Não agora.
Olhou fracamente o ovo dourado. Ele pesava, porém não era um martírio levantá-lo. De onde ele saíra? Simplesmente curvou-se para frente, acompanhando a velocidade de Desiderius por um instante, então fechou os olhos. Deveria encontrar outros Dragões. E já fazia alguma ideia de como começar.
– Vamos atrás de Saadi, Desiderius. – disse. – Espero que ela não tenha morrido nesse tempo em que estivemos fora.
– Não diga isso. – o dragão o repreendeu, porém não soube como, a velocidade pareceu aumentar. Desiderius nivelou-se rapidamente e com sua velocidade habitual embrenhou-se entre os obstáculos, desviando-se com maestria.
Soube que havia algo errado quando Desiderius deslizou para dentro da caverna e todos os dragões estavam lá novamente. Todos os milhares de dragões que só vira juntos uma única vez. Desmera, Zan e Carleon estavam suas colunas, e Saadi estava em seu ninho. Mas havia algo, sabia que havia. O calafrio percorrendo sua coluna lhe dizia aquilo.
– Onde vocês estavam?! – a voz de Carleon rimbombou pelas paredes. O dragão vermelho estava furioso. – Isolam-se como se fossem diferentes, como se fossem especiais só pelo fato de...
– Cale-se. – Klodike disse calmamente. Porém não em sua língua habitual, mas sim na língua dos dragões. Um trovão soou por toda a caverna apesar do tom baixo que usara, e mesmo que a ordem tenha sido apenas para o dragão vermelho, todos os outros dragões se calaram. Um feito que jamais havia sonharia em conseguir. Viu nos olhos amarelos – e furiosos – do dragão que ele se sentira acuado, o que era incomum diante seu tamanho.
Antes de Desiderius chegar perto do ninho, saltou de suas costas. Invocou as chamas somente de seus pés, o que o fez voar sozinho até onde estava a velha dragoa, sentindo a surpresa dos dragões ao ser capaz de fazer aquilo. Pisou na grama, seus passos silenciosos e a viu com os olhos fechados, como se dormisse. Por um momento temeu ser tarde demais, porém parte do peito dela ainda subia e descia rapidamente, demonstrando que ela estava viva.
– Saadi? – chamou-a e os olhos dela se abriram imediatamente. Surpresos, cansados e doloridos. A cabeçorra virou-se lentamente em sua direção e quando ela o viu, pelo olhar que adquiriu soube que se ela pudesse chorar, choraria.
– Nunca pensei que viveria para ver um de novo. – ela disse num tom fraco. Abaixou-se próximo a ela, pousando sua mão em seu focinho. – Eu estava certa, você é o Dragão Negro. Vejo em seus olhos que viu tudo e sabe de tudo.
– Sim... Eu vi tudo. A cidade, os dragoneses. Os Dragões. Nadezdha estava lá. – os olhos dela se cerraram de um modo carinhoso. Klodike suspirou e decidiu voltar a usar a língua poderosa. – Ônix realizou a Sagração, eu compreendi a língua. Agora os dragões poderão voltar a usá-la. Tente.
Ela entreabriu a boca, as presas tão brancas quanto suas escamas.
– Que Asmait o observe pequenino. – os trovões ressoaram com suas palavras. Os dragões estavam imóveis, quase inertes, observando tudo. Mesmo o líder, Zan, e o impetuoso Carleon mantiveram-se em silêncio. – Você trouxe mais coisas de volta do que pode até compreender. Vejo nos olhos de Desiderius que ele também esteve lá. Que ele aprendeu coisas por ele mesmo. – ela emitiu um longo suspiro.
– Shirong disse-me para ir atrás dos dragoneses, para mais uma vez reuni-los sob estas montanhas. Já sei por onde começar, e também... Há isto. Este ovo, que não sei bem de onde veio, mas que deve significar algo.
Os olhos dela foram até o ovo nas mãos de Klodike. Abrindo a boca lentamente, ela soprou seu fogo branco nele. As chamas não consumiram as roupas do rapaz, nem lhes causaram as mesmas sensações ruins que causaram na primeira vez que fora abarcado pelas chamas de dragão. Quase imediatamente ele começou a tremer em seus braços, girando como se quisesse soltar tal qual um bebê demasiadamente ativo. Com um estalo audível, a casca se rompeu e o pequeno dragão dourado pôs sua cabeça para fora, os olhos fechados e coberto por um liquido que provavelmente preenchia o ovo além de uma fina membrana esbranquiçada. O dragãozinho soltou um guincho agudo e Klodike pôs o que restava do ovo no chão, e ele deslizou para fora, cambaleante.
Ele deveria ser do tamanho de um gato. Sua cabeça era achatada e larga, sem possuir os chifres ou espinhos característicos de um adulto, suas asas grudadas contra o corpo. Abaixou-se, arrancando a membrana com as garras e o bichinho caiu no chão, ainda guinchando, sem conseguir aguentar o próprio peso. As pequenas escamas imediatamente brilharam como joias, como se cada uma fosse feita do mais puro ouro. Ele lambeu as mãos de Klodike talvez à procura de comida, e ainda era desdentado. O tórax do pequenino subia e descia rapidamente, acostumando-se a usar seus pulmões.
– A cada morte, um nascimento. Um sinal. – Saadi suspirou. – Neste momento próxima à minha morte, é a primeira vez que vejo um dragão dourado em toda minha longa vida. Consigo apenas pensar na alegria que Munir teria com este nascimento.
– Munir?
– O jovem irmão de Shirong, o Dragão dourado, que entretanto, não possuía seu dragão. – A voz de Saadi estava cada vez mais fraca. – Ele tinha a sua idade. Um rapaz de bom coração, cuja vida levou toda sua alegria... Que em seu leito de morte simplesmente desapareceu, uma semana antes de sua raça morrer. Mas não é o momento para isso. – Saadi olhou para o dragãozinho, que com esforço deslizou para os braços de Klodike, aninhando-se exatamente como um gato faria, seu peito vibrando. – Vejo uma fêmea em você. Pela primeira vez, assim como a primeira em que vejo um dragão de sua cor, não tenho um motivo para escolher seu nome. Apenas me parece ser o apropriado. Se chamará Kayerith.
Ela ergueu sua cabeça mais uma vez, fitando dessa vez Klodike.
– E você, Klodike, o Dragão Negro. Quando a vida se esvair deste corpo, sabes onde deverá entrega-lo, sabes onde deve pô-lo. Porém, toda a carne que reveste meus ossos e todo sangue que corre por minhas veias será seu, bem assim como o meu coração quando ele parar de bater. Pode ser que meus companheiros não entendam estas palavras, mas você as compreenderá. Divida-a com Kayerith, e ela deverá crescer forte para tudo o que vira.
Klodike respirou fundo, assentindo, e simplesmente disse:
– Assim será, Saadi.
Ela fechou os olhos, para nunca mais abri-los. Finalmente teria seu descanso, após tanto tempo.
O rugido começou. Um a um, os dragões ergueram suas cabeças para o céu, emitindo um longo rugido que preencheu a noite. Um a um, milhares de dragões emitiam o lamento da mais velha dragoa, talvez mais respeitada do que qualquer dragão jamais seria. O som era ensurdecedor, e tinha a certeza de que era ouvido à quilômetros de distância. Mesmo Kayerith, recém-nascida, ergueu a cabecinha e emitiu um guincho agudo, embora claramente não entendesse o motivo daquela barulheira.
Klodike, entretanto, limitou-se a suspirar. Quando lentamente o lamento dos dragões se esvaiu, disse na língua dos dragões, afim de que todos o escutassem:
– Eu preciso de ajuda. Precisamos retirar o corpo de Saadi daqui.
O que viu no momento seguinte foi Carleon pousando pesadamente à sua frente, irritado.
– Não pense que só porque Saadi o achava especial que vamos cumprir todos os seus caprichos, duas pernas. Você é um intruso aqui, e mesmo que tenha feito alguma coisa para se parecer mais conosco, nunca será um dragão, está ouvindo?
– Aí é que você se engana. – olhou-o calmamente. – Eu sou um dragão.
O que aconteceu foi rápido. O dragão vermelho atirou-se para a frente, tentando abocanhá-lo. Não se moveu, apenas fechou os olhos e disse:
– Você não irá me machucar.
Escutou o estalo das presas chocando-se umas com as outras próximas a si. Sentia o bafo quente contra seu corpo e escutava o rosnado baixo e furioso do grande dragão. Kayerith guinchou mais uma vez, pressionando-se contra o corpo do Dragonês, certamente pressentindo o perigo. Abriu os olhos, vendo os olhos amarelos do dragão encarando-o de modo que sentia a fúria transbordar.
– O que você está fazendo comigo, seu ser insignificante... Lhe matarei numa bocada!
– Não, você não irá. – respondeu. – Você não irá me abocanhar, não irá me machucar, e não fará nada do tipo. E eu não sou um ser insignificante como você pensa ser. Eu sou um Dragonês nascido de um Talbordai e uma Bergal que como todos mais descendem dos quatro filhos Asmait, o dragão negro da criação, e como sou um Dragão negro, sou sucessor de Iutho, o primeiro Dragão Branco. Sou muito mais do que você consegue enxergar com essa sua visão fechada de que para ser respeitado, precisa demonstrar a todos a sua agressividade e que não segue ordens.
Carleon abriu a bocarra, e viu claramente quando o brilho das chamas surgiu no fundo de sua garganta. Ergueu uma mão, e como se alcançassem uma barreira invisível, as chamas se mantiveram ali, à seu dispor.
– Você não vai me queimar. – continuou. – Desista Carleon.
– Você apenas acha que é melhor do que nós só porque aprendeu a falar essa língua maldita que...
– Essa língua maldita, Carleon, é a sua língua. – não perdia a calma. Sabia que aquela era a melhor maneira de contornar a situação. – Esta é a língua dos dragões, que foi esquecida há milênios. E que agora está aqui para que a usem novamente. – Suspirou. – Você acha que estou o diminuindo? Eu não estou. Estou fazendo um pedido, que é para cumprir o último desejo de Saadi, e tudo o que você faz é ver algo que não está acontecendo. Com toda essa agressividade, com toda essa relutância em ver a realidade, quem está se diminuindo aqui é você. Se você não tivesse dúvidas quanto à sua força e respeito, não estaria criando esta cena só para demonstrar que é forte, assim, tudo o que consigo ver é um ser inseguro que acredita que ser temido é o mesmo que ser respeitado.
Ele saltou mais uma vez para atacar Klodike, mas para sua surpresa, o maior dragão negro e o líder dos dragões, Zan, saltou em frente, abocanhando o pescoço de Carleon. Viu claramente quando as presas afundaram-se nas escamas, perfurando a carne e o sangue quente começou a verter, incendiando a grama. Zan era ainda maior que Carleon, porém ele sempre mantinha-se retraído e calmo, portanto este fato só se tornara visível para Klodike naquele momento. O dragão negro ergueu-se, fazendo com que as patas dianteiras do dragão vermelho se erguesse do chão enquanto ele se debatia e rugia vigorosamente.
Kayerith soltou outro guincho, dando um jeito de escalar as patas dianteiras para o ombro do rapaz e escondendo a cabeça na curva de seu pescoço. Zan balançou a cabeça, obrigando o outro dragão a aceitar a derrota e ficar quieto, fazendo Klodike perceber que aquele ato em si era muito mais humilhante do que qualquer coisa que poderia fazer. Via o ódio nos olhos amarelos inflados, que encaravam-no quase sem piscar, como se ele fosse o culpado de tudo aquilo.
Zan abriu sua bocarra e Carleon caiu pesadamente no chão com um estrondo, levantando poeira. O sangue escorria do ferimento em seu pescoço e suas patas estavam na posição em que haviam caído. Klodike ouvia a própria respiração e a de Kayerith em meio ao silêncio absoluto. O dragão vermelho ofegava, e o sangue escorria ao chão quase como lava.
– Não precisava, Zan. Porém mesmo assim, obrigado. – Klodike disse. – Isso só vai piorar a situação.
– Não, não irá. – a voz grave do dragão ainda era mais grave que o normal. – Isso ensinará a à Carleon o lugar dele. Posso ser o líder, mas Saadi era a anciã. Ele está a desrespeitando no momento de sua morte, além de estar se humilhando. Está claro para todos os dragões aqui a cada ataque frustrado dele contra você que é uma luta entre um filhote e um adulto. Você se manteve calmo e resoluto, totalmente confiante de suas habilidades sem a necessidade de esbanjá-las para que todos as vissem. Para mim, se isto não for ser um dragão, não sei mais o que é, além de conseguir o meu respeito com o modo que lidou com ele.
Carleon rosnou baixo, descrente das palavras de seu líder.
Pôs Kayerith no chão, que guinchou, reclamando ao cair sem forças para se apoiar. Com um suspiro, foi até o dragão caído, que rosnou ainda mais ameaçadoramente com a proximidade. Foi até o pescoço dele, tocando o ferimento e viu quando ele se moveu num lampejo, talvez numa tentativa de abocanhá-lo. Manteve-se inexpressivo.
– Cure-se. – disse apenas e se afastou quando a carne começou a se fechar à olhos nus. Pegou o filhote do chão e montou em Desiderius, que observava a tudo em silêncio, os olhos ainda pregados no corpo de Saadi. Zan delicadamente prendeu seu lombo entre os dentes, erguendo-se com facilidade. Mesmo que considerasse-a grande, ela parecia pequena comparada ao dragão negro. – Há um local em Nidhi, reservado para os dragões dos Dragões. É para lá que ela quer ser levada.
Ele assentiu precariamente, e Desiderius alçou voo, indo na frente. Mesmo não tendo lhe dito onde fosse, o jovem dragão parecia saber o local, portanto não se objetivou contra. Manteve os olhos pregados à frente, assim não viu quando lentamente, vários dragões os seguiam quase numa procissão.
Nas bordas da cidade haviam construções compridas, brancas e simples. Eram lá. Escolheu uma próxima à uma alta torre branca cuja redoma era de cristal, num formato semelhante à um sino. Aquela era Suzu, um lar para magos, cujo seu último ocupante foi justamente Nadezdha.
Pousaram delicadamente em frente ao local, onde Zan depositou o corpo da dragoa sem saber o que esperar. A construção era dividida em diversas salas apenas por paredes, e cada uma era composta por cinco caixas de pedra de quase um metro e vinte de altura por quase um e sessenta de comprimento, extremamente fundos, ao pondo de saber que se caísse lá dentro, precisaria de ajuda para sair; além de um tubo largo bem no centro preenchido por um líquido transparente. Em algumas salas, este tubo ostentava um imenso coração.
Desmontou e pôs o filhote mais uma vez no chão, que foi abocanhada por Desiderius antes que começasse a reclamar. Aproximou-se das caixas, verificando os sussurros que despontavam delas até encontrar uma silenciosa. Com algum esforço empurrou todos os tampos e abriu também o tubo, quase caindo diante o peso. Voltou até Saadi, fechando os olhos e murmurou, os trovões quase não soando:
– Descanse, com seus ossos e vísceras, escamas e carne. Descanse em pedaços, descanse sempre pronta a ajudar. Sua voz sempre será ouvida, seu coração sempre estará à vista. Porque em vida você foi, em morte você será, nos campos Asmait eternamente irá estar.
Recusou-se a abrir os olhos, porém escutou os ofegos e exclamações surpresas dos dragões. Apenas os abriu quando não sentiu nada mais sob seus dedos. O corpo de Saadi parecia ter desaparecido, porém sabia que ele encontrava-se fragmentado nas caixas. Uma preenchida com seus ossos, outra com sua carne, uma com suas vísceras, outra com escamas, e a última com seu sangue. Mergulhado no tubo, seu coração à vista de todos.
Com mais uma dose de esforço, tapou o tubo e todas as caixas, menos a que continha seu sangue. Pediu à Desiderius para que pusesse Kayerith ao chão, e ignorou os olhares de aterramento dos dragões ao chão e sobre os tetos das construções. Pegou o dragãozinho, levando-o para perto da caixa e então mantendo-a no chão.
Mergulhou as mãos em concha no sangue quente, sentindo-o banhar sua pele, e assim abaixou-se, pondo-se próximo à cabeça da filhote. Ela farejou suas mãos timidamente antes de finalmente começar a lamber, solvendo o líquido. Bebeu tudo e ainda lambeu seus dedos e suas mãos à procura de mais.
Quase imediatamente depois de terminar, ela hesitantemente se pôs erguida sobre suas patas, conseguindo manter-se de pé mesmo que trêmula. As asas ainda presas ao corpo caíram com um “paft!” sonoro, se soltando e ficando estendidas no chão. Os olhos se apertaram ligeiramente antes de se abrir, revelando a íris da mesma cor que suas escamas. Eles eram grandes e ingênuos como os de uma criança, e a cabecinha pendeu ligeiramente para o lado ao vê-lo antes de chiar alegremente, ainda desdentada.
– Pelo visto alguém vai precisar de ajuda para comer. – constatou.
– O que pretende fazer, Klodike? – Zan questionou, assustando-o com o som de sua voz. Voltou-se ao dragão negro, surpreso pelo tom que ele usara. Era... Quase respeitoso. Falara algumas poucas vezes com ele durante aquele ano e Zan era uma criatura de poucas, porém certeiras palavras.
– Disseram-me para reunir os Dragões e dragoneses mais uma vez sob esta montanha. Porém, ainda há a guerra entre Bergais e Talbordais. Mantive-me afastado por tempo demais. – suspirou. – Mas no momento, algo me diz que minha prioridade devem ser meus irmãos. – olhou para o dragão negro. – O sangue chama. Embora seria melhor que os Dragões espalhados ou escondidos fossem capaz de me escutar, e se reunissem aqui.
Se encolheu ao ouvir os trovões rimbombando tão alto que a construção pareceu tremer. Repreendeu-se por ser tão descuidado ao ponto de continuar usando a língua sem sequer perceber. Bem, mas sabia que, mesmo que por mais poderosa que fosse sua voz, seria impossível que ela saísse e fosse escutada fora das montanhas.
Ou pelo menos, era o que pensava.
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