De um bocejo comprido

Nasceu o Senhor Sonolento

Um ser muito vivido

Mas talvez um pouco lento


Senhor Sonolento já viu muito

Já apreciou o belo mar

Nadou no céu azul profundo

Sem nunca, nunquinha, descansar


O problema, vejam só

É que ele é muito exigente

E só consegue repousar

Num lugar bem diferente


Ele já bebeu leite morno

E deitou em sua cama

Fechou bem os seus olhinhos

E pensou em quem mais ama


Mas, ó, que terrível

Não conseguiu descansar!

Isso é inadmissível!

Vamos outra vez tentar


Sentado à beira-mar

Sob o brilho das estrelas

Apreciando o luar

E o canto das sereias


Um bocejo e mais outro

Os olhos a pesar

Pensamentos dispersando

Finalmente repousar


....Nananinanão

Ainda não foi dessa vez

Senhor Sonolento tinha a sensação

De já não dormir há um mês


Passos lentos, cambaleantes

Mas a jornada há de prosseguir

Talvez o vagar incessante

O leve aonde deve ir


No caminho infinito

Decidiu ovelhas contar

Aquele truque tão antigo

Que ajuda a descansar


Uma, duas, três

Quarenta, oitenta, um milhão

Duzentas e noventa e seis

Seu caso não tinha solução?


Mas então o Senhor Sonolento

Encontrou enfim o lugar ideal

Não era a cama ou o mar

Nem o céu ou um milharal


A solução era óbvia!

Ele devia num sonho entrar

Pois é nos sonhos, meu bem

Que podemos repousar


Então, minha criança

É hora de os olhinhos fechar

Sonhe um sonho bem bonito

Onde o Senhor Sonolento possa estar


Mas a hora da história acabou

Então preciso ir

Só espero que esse velho novo conto

Te ajude a dormir.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!