Senhor Inabalável
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Notas iniciais
Eu já não sabia mais que horas eram enquanto andava de um lado para o outro pela gravadora, mas, mais do que ser a adversidade de ser assistente pessoal do the GazettE, era de ser namorada do Senhor Inabalável!
Eu achava graça quando os meninos chamavam Kouyou daquela forma, mesmo que ele realmente o fosse e isso significasse muitas vezes não ter hora pra voltar pra casa ou que esse apelido lembrasse o agouro do Dai Maou que eu lera em Nana... Desde a primeira vez que eu soubera daquela história, quando ainda não passava de uma simples fã do outro lado do mundo, eu gostara daquele título, por ser atribuído por exageros dele que eu também cometia frequentemente.
Mariana e Yutaka brincavam que sempre lhes fora mais do que óbvio que Kouyou não seria capaz de ficar com alguém que não fosse tão inabalável quanto ele, com alguém que não amasse o trabalho dele tanto quanto ele próprio. E eu era feliz em afirmar que era completamente apaixonada por aquele serviço e isso que me fizera assistente pessoal do the GazettE! A Ny-chan era plenamente capaz de amar a banda mais do que a si mesma! Até mesmo, mais do que amava o Kouyou! Era esse o tipo de mulher que ele queria pra si, ao seu lado pelo resto da vida: alguém que compartilharia daquele sonho e lutaria ao seu lado para protegê-lo!
Isso significava também ficar dentro da gravadora dias inteiros sem encontrá-lo, só sabendo onde ele estava, mas sem poder ficar junto a ele... Eu entendia isso perfeitamente! Aquilo era trabalho! Ele era o guitarrista e não meu namorado, não podia sentir aquela posse por ele lá dentro!
Podia até ser considerado um pouco frieza da nossa parte por algumas pessoas que sabiam de nossa situação (o pessoal do staff não podia desconfiar de nós dois), colocar o trabalho antes dos sentimentos daquela forma... Mas não para nós! Antes de começar a trabalhar na gravadora, conversamos durante muito tempo para discutirmos as regras que seguiríamos dali em diante à risca... Eu era uma ocidental, trabalhando no Japão, cercada por orientais, num cargo que qualquer um deles desempenharia brilhantemente e que todos adorariam ter, tudo o que Kouyou pensara era para me proteger! Pra que eu não tivesse mais um problema contra mim naquele lugar... Eu já teria de provar que merecia aquele cargo, mesmo tendo sido contratada... E não seriam poucas vezes...
Essa tinha sido minha maior preocupação desde o começo daquela história, mas Kouyou estava dez passos na minha frente, voltando já com a solução do problema, meu Senhor Inabalável!
Terminei de arrumar a mesa sempre desorganizada da minha sala e me preparei para buscar por Kouyou e tentar convencê-lo a ir embora.
— Ainda está aqui? – ele se surpreendeu e eu dei risada, assentindo. – Pensei que já tivesse ido embora... Não precisa ficar aqui até tão tarde quando eu pero a noção das horas, Sereny...
— E quem iria fazê-lo ir embora, então? – eu brinquei, vendo-o fazer uma careta emburrada.
— Mas você não precisa se sacrificar desse jeito só porque seu namorado é um maníaco! – ele falou baixinho, seguindo comigo pelo corredor.
— Eu tive tempo de arrumar minha sala e adiantar um pouco o trabalho de amanhã... – expliquei.
— Daqui a pouco, está pior do que eu, Senhora Inabalável! – ele brincou, enquanto entrávamos no carro.
— Você é uma verdadeira inspiração! – nós gargalhamos.
— Bom... Já que estava arrumando suas coisas, talvez saiba me responder... Tem alguma cópia das letras em que o Ruki estava trabalhando? Eu acho que está faltando uma delas... Revirei tudo o dia todo e não achei...
— Sumiu? – perguntei, espantada e aflita.
— Ou sumiu... Ou eu imaginei... E eu não sei o que é pior... – Kouyou deu risada.
— Eu vou olhar, mas não me lembro de ter comigo as cópias... Lembra se já tinha nome?
— Não lembro... Acho que não... Mas eu queria já começar a juntar todas pra pensar melhor no conjunto e não encontrei essa...
— Pode deixar comigo! Pode se concentrar no seu trabalho e deixar que eu procuro isso! Nem que eu precise virar o prédio de cabeça pra baixo amanhã, vou encontrar essa letra! – ele me olhou com um sorriso divertido nos lábios. – É pra ajudar nessas horas que eu estou ao seu lado!
Sua mão tocou a parte de trás de minha cabeça e ele acariciou meus cabelos, parecendo ainda mais divertido.
— É mesmo? – Kouyou soou surpreso, apesar de eu reconhecer o tom de brincadeira facilmente em sua voz. – Pensei que estava aqui só para tirar minha concentração... – eu fiz um bico emburrado, encarando-o contrariada e tapei os ouvidos com as duas mãos, fazendo-o rir ainda mais.
— O quê? Você disse alguma coisa? – tentei ignorá-lo.
Ele gargalhou gostosamente. Quando parou o carro, ele puxou minha mão para afastá-la do ouvido e aproximou seu rosto do meu, beijando minha face ainda com seu sorriso lindo enfeitando sua expressão serena.
Olhei-o de esguelha, desconfiada, só esperando pelo que ele faria a seguir. Minha respiração já estava arfante antes mesmo de ouvir sua voz sussurrada.
— Eu disse que te amo!
Notas finais
a próxima fanfic se chama "A Casa de Kouyou"
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