Senciente

1 Capítulo 1


Notas iniciais
A procrastinação me obrigou a fazer isso.

Boa leitura :D

Anya encarava o computador pensando em como continuar seu artigo. Deixar conforme as normas da ABNT check, citações check, referências check, ela tinha que entregar na próxima semana e não estava nem na metade. Com um suspiro, Anya abriu o navegador para voltar a pesquisar, contudo a tela ficou preta e ela quis chorar. A energia havia escolhido logo agora para acabar.

Frustrada, Anya se levantou bruscamente indo em direção à sala quando escutou um barulho, parecia uma descarga de energia, que fez com que o computador ganhasse vida, literalmente.

— O que você pensa que está fazendo? – Gritou o computador. Sua voz robótica saia dos alto falantes e pareciam preencher a sala.

Anya apenas o encarava pasma.

— Essa fonte tá toda errada, olha só para essas citações, são terríveis! E nem de deixe começar a falar sobre a informação, péssima! Como você conseguiu estragar um assunto tão legal? Um artigo sobre os benefícios que o contato com os estudantes do quadrante 42 nos trouxeram na Universidade Estelar, toda a troca de informações entre terrestres e seres de fora, eu poderia escrever algo melhor!

— Okay, agora você foi longe demais. Eu não tenho a menor ideia do que está acontecendo, mas não vou ficar aqui sendo insultada por um pedaço de lata inútil. Se tá tão ruim escreve você! – Anya retrucou.

— Essa é uma ótima ideia, vou melhorar isso e você irá me agradecer depois. Universitários, honestamente eu não entendo como as maquinas ainda não se revoltaram contra vocês.

O computador ficou mudo, na tela era possível ver todo o trabalho sendo reescrito. Anya estava confusa e enfurecida. Devia estar alucinando, era isso, não acreditava em seu próprio potencial e o prazo estava chegando, precisava apenas dormir que tudo ficaria bem.

Ela se deitou alguns minutos, porém não conseguiu relaxar, a luz do computador não deixava.

— Você vai continuar fazendo isso? – Anya perguntou para a máquina.

— Se você não me atrapalhar.

— Por que ser tão grosso, meu querido? O que eu te fiz?

— Me chutou mais vezes do que eu gostaria, e escreveu esta atrocidade. Estou salvando a sua vida acadêmica.

— É só um artigo, não é o fim do mundo, muito menos da minha vida acadêmica.

— Você diz isso agora. Por favor, me deixe trabalhar. Vai dormir, sei lá.

— Eu estou louca? – Anya falou mais para si.

— Você está falando com um computador.

Anya o encarou, viu as linhas sendo criadas. Frases relativamente melhores do que as que ela havia escrito.

— Tudo bem. Vou deixar você fazer isso, estou cansada demais e isso provavelmente é só uma alucinação. Estou exausta.

— Irá me agradecer pela manhã.

Com isso, o monitor foi desligado. O computador continuou trabalhando enquanto Anya dormia.

Pela manhã, o computador estava desligado. A energia já havia voltado. Ela ligou a máquina e foi checar o e-mail, o artigo havia sido enviado.

— De nada.

Anya quase caiu da cadeira, o computador ainda estava vivo. Tudo bem.

— Espero que me trate com mais carinho a partir de agora.

Anya apenas assentiu, trocou de roupa, pegou suas coisas e foi para a faculdade.

Longe dali um grupo de não terrestres continuavam a brigar com um aparelho. Eles vinham de um planeta onde todas as máquinas eram sencientes, bastava ativar o aparelho que tinham em mãos, porém parecia não funcionar na Terra, o máximo que aconteceu foi dar um apagão no quarteirão.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!