Semântica
30 Habena
Notas iniciais
Pergunto-me em que momento dessa narrativa eu parei de contá-la para o diário e tornei-me a você — como se estivéssemos de volta a sua cama.
Você é o som da chuva atingindo a janela fechada tão levemente, embalando-nos.
Comecei essa obra sentindo que havia algo reconfortante em nossa história. Algum ensinamento, talvez.
Você é a brisa de verão, acariciando suavemente meus cabelos numa tarde quente.
E embora julgarmos saber tudo — eu percebo que ainda somos crianças. Após anos, ainda buscando no calor de uma mão a segurança para dar nossos próximos passos.
Você é aquele abraço que aguardamos para dar em quem há muito não víamos.
Talvez a mão que devêssemos procurar fosse a nossa própria, mas ela sempre esteve cheia — com flores ou espinhos.
Você é aquele último sorriso de despedida, manchado de saudade.
A antiga habena, no entanto, não mais me açoita — eu aceitei meus erros.
Você é o sol, cujos raios sempre me encontram — mesmo quando eu mantive as cortinas fechadas para mantê-lo longe.
E agora que aprendi a andar, vou ao seu encontro — mais uma vez. De mãos vazias.
E ainda, você é você.
Por favor, se lembre de mim.
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