Era uma manhã ensolarada de domingo, mesmo com o parque cheio, Jane não suportava a ideia de ficar presa em casa, quando podia se divertir jogando futebol americano com TJ, ou melhor, ela não curtia a ideia de ficar em casa com a Mamma Rizzoli paparicando Tommy. Apesar dos protestos de Maura, Jane conseguiu levá-la consigo, afinal, não poderia deixá-la entregue a esse pequeno sofrimento também.

— C’mon, Maura! Preciso que me ajude a ensinar TJ!

— Jane! Ele é só uma criança...

— E?

— E ele mal sabe andar, como você quer que ele jogue?

— Justamente por isso. Ele já crescerá amando o Red Sox. Definitivamente ele precisará amá-lo.

— Não se pode obrigar alguém a amar, Jane!

— Sim, por isso ele vai amá-lo, porque isso está no sangue, não há quem não ame o Red Sox.

— Bem, eu não amo...

— Maura, eu ainda não estou convencida que você não seja um robô. Vamos, TJ, vamos fugir desse robô mau que quer nos atacar e impedir de jogarmos. – entregando a pequena bola oval ao garoto, Jane correu com ele, enquanto Maura os acompanhava de longe.

Observar a forma com que Jane se comportava quando estava com o sobrinho era uma das atividades preferidas de Maura. Ver a amiga agindo com tanta dedicação e carinho, transpondo a postura muitas vezes mais dura com que encarava a vida, devido à profissão, era um frescor muito bem recebido por ela. A espontaneidade da policial lhe conferia traços mais juvenis, o que ia de encontro a ingenuidade da própria Maura, fazendo-as naquele momento um par muito bem coordenado.

Enquanto a policial corria com o sobrinho nos braços a bola que este segurava caiu de suas mãos, descendo o declive pouco acentuado da planície em que estavam, parando aos pés de um homem alto, vestindo uma blusa dos Yankees. O loiro se abaixou, apanhando a bola, observando a volta procurando a quem pertencia o objeto. Jane logo se aproximou pedindo a devolução.

— Ah, então você é a dona deste objeto? – a interrogativa foi seguida por um olhar lânguido que incomodou a mulher.

— Sim, sou eu. Na verdade é de meu sobrinho, pode me devolver?

— Claro, o que eu negaria a uma mulher como você?

Estendendo a mão, sem se importar em responder, Jane olhava-o de maneira exasperada. Com relutância ele se aproximou e entregou o objeto, antes porém acariciou a cabeça de TJ, o que o fez imediatamente cair no choro.

— Olha o que você fez, seu idiota! Calma, TJ, não precisa chorar. Calma.

Maura já havia alcançado os dois, vendo a cena chegou perto, retirando o menino do colo de Jane, acalmando-o instantaneamente.

— Então ela é a mãe desse loirinho?

— Que te importa saber? Saia daqui, você já foi inconveniente demais.

— Ah eu não incomodo mulheres, ainda mais bonitas como vocês.

— Claro que não! Porque nenhuma chega perto de você.

— Jane – Maura se colocou ao lado da policial, tocando seu ombro – não ligue para o que ele fala. Não vale nossa atenção.

Vendo que o homem fazia menção de aproximar-se de Maura, Jane interpôs-se entre os dois, impedindo o caminho.

— Não se aproxime desta mulher.

— O que você fará comigo por mexer com essa mulherzinha?

— Mais respeito com ela, seu canalha!

— Por quê? Ela é sua mulherzinha, por acaso? Porque se for, que loucura deve ser vocês duas na cama!

— Seu idiota!

Sacando rapidamente seu distintivo, Jane respondeu:

— É melhor você calar essa boca ou será preso!

A atitude inesperada assustou o homem, que exclamando um palavrão qualquer se afastou rapidamente sem olhar pra trás. Jane fez menção de segui-lo, mas foi segura por Maura.

— Acalme-se, Jane. Ele já foi.

— Me acalmar? Você viu as coisas que ele falou? E...

— Jane! Como se fosse a primeira vez que alguém mexe com você assim.

— Com a gente né? Porque ele falou de você também... Que idiota! Por que você me segurou? Ia acabar com a raça dele!

— Claro! Manchete de amanhã: “Detetive da Polícia de Boston mata homem que a aliciou”.

Com uma tentativa de careta de reprovação, Jane riu.

— É, não seria bom para o meu currículo.

— Sim. Você viu que ele pensou que fossemos... – neste momento o telefone de ambas tocou.

— Rizzoli.

— Isles.

Do outro lado da linha, as vozes passavam informações sobre a cena do crime para a qual haviam sido convocadas.

— Já estamos a caminho. Bye, Frost.

— Preciso passar em casa para me trocar e pegar meu material.

— Certo, vou ligar para o Tommy ir buscar o TJ. Vamos.

***

O apartamento localizado no segundo andar de um prédio residencial de cinco patamares era pequeno. Dois quartos, sala, cozinha e um banheiro, com decoração simples, mas de bom gosto.

— Bem, uma pena ela ter morrido. Gostei da forma com que fez a distribuição dos móveis, poderia pedir sugestões para a minha casa. – Maura avaliava o corpo estendido à cama, trajando um vestido preto, curto. Sua aparência era de quem havia passado a noite numa festa.

— Sempre temos a opção de roubar os móveis dos corpos que encontramos. Por que não tenta?

— Hum... – olhando à sua volta, Maura refletiu. – Não, esses móveis não combinam com o ambiente.

Rindo da resposta da legista, Jane circulou pelo quarto, depois foi até a sala procurando por Frost e Korsak que vasculhavam o recinto a procura de pistas.

— Quem achou o corpo?

— Uma vizinha.

— Onde ela está?

— No momento recebendo atendimento, está em estado de choque.

— Certo. Ela conseguiu fornecer alguma informação?

— Apenas o nome e a profissão. Lynn Davies, produtora de TV.

Observando algumas fotos espalhadas pela estante, a detetive pontuou.

— Uma jovem bonita. Mais uma vida desperdiçada.

De volta ao quarto, observou Maura analisando o corpo.

— E então, já temos uma causa para a morte?

— Jane, eu não adivinho. Só posso te responder isso depois que removermos o cadáver e realizar alguns exames.

— Certo, mas podemos saber do que ela não morreu. Bem – olhando ao redor, disse – não há sinal de luta ou invasão. Nenhum tipo de lesão com sangramento...

— Jane, pare de adivinhar!

‘ — Não estou fazendo isso, apenas aponto o óbvio!

— Jane, Korsak encontrou alguma coisa. – Frost interrompeu a discussão chamando-a na porta do quarto.

— O que é, Korsak?

— Encontramos esses bilhetes e este celular.

— E no que pode nos ajudar?

— Bem, todos os bilhetes são assinados por um tal de J. blabla. E no celular há apenas um número gravado, com este mesmo nome.

— Certo e os bilhetes dizem o que?

— São amorosos... – neste momento Frost retirou os papéis das mãos de Vince e os declamou de forma pomposa:

“L.

Saudades de você.

J. Blase”

“L.

Eu já me sinto em você.

J. Blase”

Korsak, ainda rindo, retomou a posse dos objetos, dizendo:

— Bem, esse tal J. declarou-se algumas vezes, mas ao que parece houve algum problema na relação. Alguns bilhetes tratam de uma tentativa de reconciliação. Neste por exemplo ele diz “Não deixe que isso nos separe. O passado não deve refletir nosso presente”.

— Interessante e misterioso. Temos que descobrir quem é esse J.

— Sim, Jane.

Neste momento um paramédico adentrou a sala:

— A testemunha que encontrou o corpo quer conversar com vocês.

— Ela está em condições?

— Sim.

— Traga-a aqui.

— Detetive, ela prefere conversar em outro lugar, não quer voltar ao apartamento.

— Certo, a encaminhe para o DP que nós vamos para lá. – virando-se para os companheiros, solicitou: — Korsak, continue procurando qualquer material que possa ser útil. Eu e Frost vamos entrevistá-la. Vou avisar Maura e pedir para que agilize os procedimentos.

No quarto, a legista analisava minuciosamente o corpo, procurando vestígios que auxiliassem a revelar a causa da morte.

— Maura, precisamos ir. Você já está terminando? Temos que remover o corpo.

— Jane, você sabia que não é saudável apressar um parto?

— What?

— Da mesma forma eu não posso tentar adiantar um trabalho que precisa ser feito com muito cuidado e atenção.

Jane direcionou o melhor olhar exasperado e prosseguiu:

— Então, continue a dar a luz enquanto eu coloco luz neste caso.

— Bem – Maura sorria – nosso bebê está nascendo.

— Como é?

— Veja essas marcas. – elevando uma parte do traje que Lynn vestia e mostrou alguns pequenos hematomas.

— Que tipo de arma causou esse ferimento?

— Jane, você sabia que existe uma quantidade surpreendentemente grande de armas? São cerca de...

— Certo, certo, não sabemos qual pode ter sido. Então, o que será que aconteceu com ela? Isso teria relação com essa morte aparentemente natural?

— Acho que podemos considerar esta uma morte suspeita.

Jane assentiu com a cabeça e retirou-se.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.