Sempre
1 Capítulo 1
Notas iniciais
- Você sabe… Não precisa fazer isso. — Olhei para seu rosto e sorri.
- É uma promessa.
- Éramos crianças, muito jovens para prometer algo desse tamanho. Vá embora. Não suporto ver você aqui por minha causa. Eu mereço morrer. Você não.
- Você realmente merece morrer, é muito chato para o mundo ter que te aturar! — Ele riu fracamente e ambos demos sorrisos tristes com lágrimas nos olhos.
- Eu queria te dizer que te amo. Você é a pessoa mais importante pra mim no mundo, sabe disso, não sabe?
- Claro que sei, você também, é… Minha vida. — Ele sorriu. — Literalmente. — Ambos apertamos nossas mãos como um sinal de companheirismo.
- Pode considerar promessa cumprida, agora vá embora. Não aguento assistir a isso.
- Promessa de mindinho, esqueceu? Sempre juntos. Nada pode nos separar, nem a… — Suspirei. Não é fácil falar nem a morte nos separa. Nada fácil.
- Ela pode nos separar, você sabe disso, mas quer me ver sofrer em meus últimos momentos.
- Eu quero cumprir a promessa, só isso. — Estiquei o braço e eu mesmo prendi as amarras em torno do mesmo, preparando minha veia para o golpe final. Meu companheiro fez o mesmo, derramando lágrimas. Olhei em seus olhos e segurei em seus ombros depois de ter apertado as tiras de silicone. — Saiba que não estou fazendo isso só pela promessa, e sim porque eu não teria vida sem você. Agora, você têm que me prometer uma última coisa.
- Qualquer coisa, sempre.
- Na próxima vida, você não vai cometer o mesmo erro. — Ele abaixou a cabeça, o rosto molhado e triste, mas ainda sim, admirado com o meu gesto. Eu não estava chorando, não me arrependia de nada que estava fazendo, mas queria que ele se arrependesse. Pode não parece justo aos seus olhos, mas você não sabe de toda a história.
- Nunca mais, aprendi a lição. — Ele sorriu e um dos médicos falou que estava na hora. Me sentei e esticamos os mindinhos, apertando com força um o do outro. Promessa cumprida. — Te vejo na próxima vida, cara.
- Só tente não nascer como uma garota gostosa que eu possa pegar, ok?
- Se você não nascer como meu irmão mais novo e irritante, tá valendo. — Sorrimos e sentimos a picada na veia. Meu corpo estava queimando, minha vida se dissipava, mas eu sorria. Promessa Cumprida. Era o que passava em minha mente, e a última coisa que vi foi aquele dia, quando tinhamos 7 anos.
”- Você não sabe jogar nada, Bruno! — Falou ele bem alto.
-Cale a boca, Rafael. Você é um inútil! — Então começamos a nos bater, até nos vermos rindo e rolando no chão.
- Sabe, minha irmã fez uma promessa com a amiga dela. Elas juraram que iam ficar a vida toda juntas, até que morressem.
- E daí? — Perguntei
- A gente podia fazer uma assim… O que você acha? — Ele olhou pra mim e então eu sorri.
- Ok, mas vamos fazer melhor! Vamos morrer juntos! — Ele sorriu radiante e levantou.
- Isso! — Então me mostrou o menor-dedo. — Promessa de mindinho.
- Promessa de mindinho. — Repeti. Então fiz uma arma com cada mão, apontando uma para seu rosto e outra para minha cabeça. — Pow! — E aí começou uma guerra de bang-bang.”
- Sempre. — Murmurei como um último suspiro.
Fale com o autor