Semini Lucis - Gênesis II
4 Poço de Almas
Notas iniciais
Cap 2
–Vamos logo garoto – Gritou o Semini que puxava Ciel pelo braço. – Você tem que ser mais rápido, precisamos chegar no mestre logo!
–Calma! – Ciel respondeu. – É difícil correr quando você acaba de acordar!
O Semini que a Líder Franchini havia selecionado para guiar ele e todos os outros tinha uma altura comum, seu cabelo era longo para o de um homem, ia até o fim do pescoço, sua pele era pálida e seus olhos, sem pupilas, eram castanhos.
–Vamos lá pessoal! – Gritou o Semini que guiava Ciel e as outras centenas de Lucis que os acompanhavam.
BOOM!
–Se Abaixem! – Gritou ele.
Ciel se abaixou e por centímetros não foi atingido em cheio por uma criatura com asas brancas que passou por cima dele.
–Os Anjos estão nos encontrando, vamos nos proteger.
O Anjo que passou por eles havia caído, devia ter sido derrotado em alguma batalha e perdido o controle do voo. Os seminis observaram por um instante o anjo caído e avançaram, Ciel foi levado pela multidão sendo obrigado a avançar junto, mas algo aconteceu. Todos, inclusive o recém transformado, foram arremessados ao ar e caíram ao chão.
–Sério que vocês se acham fortes para lutar comigo? – Gritou o anjo que a um tempo atrás se encontrava caído, mas agora estava a poucos centímetros do chão com suas asas abertas. – Eu sou Varizi, o Anjo herdeiro dos arcanjos, vocês nunca me derrotarão com tão pouco poder, raça de...
Varizi, o Anjo Herdeiro, não teve tempo de terminar o longo discurso, quando se deu conta, havia um urso em cima dele com as presas expostas.
–Obrigado Well. – Gritou o Semini que os comandava.
Well o urso fez um sinal com o focinho, os mandando avançar. O Semini pegou a mão de Ciel e continuou correndo junto com as centenas que os seguiam. Ciel só pode ouvir um grito de angustia e um rugido de raiva da fera que os defendera.
–A propósito. – Gritou o Semini que guiava Ciel. – Meu nome é Mazzeu, sou um Semini transformado como você, já fui humano um dia, mas isso foi a uns 500 anos atrás.
–Sou Ciel. – Respondeu. – Acabei de descobrir que sou... “isso”.
Ciel continuava sendo guiado por Mazzeu.
–Relaxa. – Continuou o Semini antigo. – Você vai se acostumar a tudo isso logo logo, e ganhará seus poderes com o tempo...
Antes de Mazzeu continuar 4 anjos passaram voando por cima de toda a raça e pararam na frente da população de Lucis.
–Vocês ai. – Gritou um dos anjos. – Parem agora mesmo.
Mazzeu soltou Ciel e fez um gesto com as duas mãos. O chão tremeu e lava jorrou do piso onde estavam, acertando somente os anjos que flutuavam, até alguns instantes, na frente deles. A lava cessou e os anjos haviam sumido.
– Viu. – Mazzeu continuou. – é só questão de tempo.
Ciel sorriu e os dois continuaram a correr seguindo a caminho do tal “mestre”.
___________________________________________________________
– Chegamos. – Gritou Mazzeu. – Venha Ciel.
Ciel, acompanhado de toda o resto da raça chegaram no que parecia ser um auditório enorme, la estavam mais alguns milhares de Semini Lucis.
Mazzeu soltou Ciel e disse:
– Me siga.
Os dois foram atravessando a multidão com esbarrões e empurrões até chegarem em um local que havia uma Semini de costas.
–Mestre! – Disse Mazzeu.
–Mazzeu, já estou ciente da guerra que está acontecendo. – disse o mestre.
Sua voz era estranha, não era uma voz, mas sim várias em uníssono, ele se virou mostrando-se para Ciel, não era “uma Semini”, mas sim “um”, era forte, seus cabelos eram longos, porem estavam amarrados em um rabo de cavalo, sua face não se mostrava com mais de 15 anos, parecia um adolescente.
–Este é Ciel, um recém-transformado. – continuou Mazzeu. – A líder Franchini me deu ordens para trazê-lo ao senhor.
–Senhor? – Perguntou Ciel.
O mestre abriu um pequeno sorriso.
–Eu sou mais velho do que aparento ser garoto.
–Continuando. – Interrompeu Mazzeu. – Me desculpe senhor, mas temos que dar um jeito de tirar todos daqui, os anjos estão destruindo o local.
–Já estou tomando as devidas providências Mazzeu. Os nossos feiticeiros estão focando suas energias para abrir o portal para o nosso “plano B”.
–Ok Mestre!
Ciel olhou para os feiticeiros e viu eles fazendo uma espécie de ritual, logo em seguida uma luz que quase cegou os olhos de Ciel surgiu, o recém-transformado tampou os olhos com as mãos e quando as tirou viu um enorme circulo reluzente com uma imagem totalmente escura do outro lado.
–Vamos! – Gritou Mazzeu para os milhares de Semini apontando para o portal.
Todos os milhares da raça correram em direção ao portal, Ciel ficou ao lado do “mestre” esperando todos entrarem no “portal”.
–Vamos, jovem Semini, você tem muito que aprender conosco.
–Mas e a Fran? – Ciel perguntou.
–Sinto o poder dela interagindo em luta, ela ira sair viva, acredite, ela é mais forte do que aparenta.
Ciel olhou para a saída do caminho que havia percorrido e se virou para seguir o Mestre que se dirigia a caminho do portal aberto para algum lugar, mas algo lhe chamou a atenção. Ouviram-se gritos de dor vindos da saída do túnel e logo em seguida passos leves e rápidos que só eram ouvidos por Ciel graças aos sentidos aguçados da nova forma.
–Ciel! – Gritou o Mestre a alguns passos do grande portal. – corra para cá, “ela” está vindo.
Ciel desviou o olhar para fazer a pergunta que lhe vinha à cabeça, “Ela quem?”, mas foi tarde demais. Sentiu algo lhe empurrando ao chão e perfurando-lhe os ombros, eram como mãos gigantes, pior, eram garras.
–Parece que você terá um belo jantar hoje Orion. – Disse uma voz feminina atrás da criatura gigante.
Ciel não prestou muito atenção na voz, mas sim na criatura que aparentemente se chamava “Orion”. Era amedrontadora, sua face era a de um Leão, porém seguindo seu corpo suas patas traseiras eram de bode, e sua cauda se mexia independente, aliás, era uma serpente.
–Não se assuste com Minha Quimera garoto. – Continuou a voz Feminina. – Ainda há mais para ver.
Ciel recuperou a consciência e conseguiu desviar o olhar da criatura vendo a portadora da voz. Ela parecia baixa, seus olhos brilhavam em cores diferentes, sendo o esquerdo Azul e o direito Verde, seus cabelos curtos e loiros eram jogados para o lado e suas asas brancas emanavam um brilho que causava uma leve irritação aos olhos. Era uma “anjo”, mas o que mais surpreendia Ciel não era a garota, mas sim a outra criatura que ela estava montada. Havia o mesmo tamanho de “Orion, a Quimera”, porém sua face se assemelhava a de uma águia e haviam asas na criatura, mas seu corpo era de uma enorme leão.
–Gostou desse aqui? – Perguntou a “anjo”. – Este é Iron, meu grifo, é tão lindo não é? Mas ele é mais “frescurento” com comida, não come qualquer carne podre igual a de vocês, Seminis.
–Largue ele Mila! – Gritou o mestre que estava próximo ao portal. – Deixe-nos ir e eu prometo que não lhe machucarei.
–Me machucar? – Mila, aparentemente a “anjo” soltou uma alta e psicótica gargalhada. – Eu sou Mila, A invocadora do Éden, filha de *Bastet e de Uriel, o Arcanjo, acha mesmo que pode comigo, raça de podres.
–Bastarda! – Gritou o mestre com suas várias vozes mostrando uma leve irritação. – Seu pai traiu a regra dos céus por ter se apaixonado por uma deusa menor, você tem sorte de ter sido aceita no Éden.
Ciel viu a expressão sorridente de Mila mudando para uma expressão de irritação.
–Parabéns. – Ela disse. – Parece que alguém irá para o esquecimento hoje.
Mila olhou para Ciel com uma leve expressão de nojo, logo depois mostrando um pequeno sorriso.
–Adeus!
Mila fez um gesto com as mãos sinalizando que Orion Poderia devorar a presa, os olhos da fera emanaram fúria logo em seguida levando os dentes ao pescoço do Recém-Criado. Mas algo aconteceu, Ciel fechou os olhos aceitando a morte, mas não sentiu nada, quando os abriu para ver o que havia acontecido, viu vários tipos de “auras humanoides” em volta dele, segurando os dentes da fera.
– Parece que não sabe com quem esta lidando, bastarda. – disse o Mestre dos Seminis.
–“Poço de almas” – Disse Mila com um tom surpreso. – Então você, líder dos Seminis ousa me desafiar.
A “bastarda” fez outro gesto com as mãos, Iron, o Grifo, avançou no protetor de Ciel, o Recém-Criado aproveitou a distração jogando Orion para o lado, não sabia como conseguira, mas sentia que estava mais forte.
– Eu vou levar sua cabeça ao meu pai, e no Éden comemoraremos a sua morte. – Disse Mila em tom festivo.
O “Poço de almas”, como Mila havia chamado o Mestre, girou os braços, e as almas que protegiam Ciel apareceram em sua frente, criando uma barreira.
–Maiorum defendis – Pronunciou o Mestre.
Ciel sentiu um vulto em suas costas, e quando olhou para frente de novo viu a Quimera atacando a barreira de almas.
O Mestre carregava uma expressão de cansado no rosto, não iria aguentar por muito mais tempo, Ciel pensou em atravessar o portal e pedir ajuda no outro lado, mas não haveria tempo para voltar e ajuda-lo.
Rachaduras começavam a aparecer na aura azul em forma de barreira, Ciel em um golpe instintivo, correu até o mestre e no exato momento que a barreira se quebrou Ciel sentiu algo em seu corpo, seus ossos, pareciam mais pesados, ele conseguia senti-los, como se fossem uma parte separada do seu corpo, os sentia mais duros, mais resistentes, Ciel se concentrou e focou sua força nisso, na sua nova resistência, no seu novo corpo.
_______________________________________________________
–Mas onde eles estão? – Perguntou Mazzeu. – Os magos não vão aguentar muito mais tempo com esse portal aberto.
No exato momento que Mazzeu terminou a frase, duas pessoas brotaram do portal, eram eles, porém havia algo de errado. O recém criado carregava o Mestre em asas esqueléticas que brotavam de suas costas. Ciel carregava em uma das mãos o que parecia ser uma espada, porém não era feita de aço ou qualquer outro tipo de metal, era seca, branca e manchada de sangue, asas feitas de ossos enraizavam-se e saiam de suas costas, uma ferida reta em seu braço direito lhe arrancava sangue e seus olhos sem pupilas brilhavam.
–É, Grande Mestre. – Disse Ciel. – Cumpriu sua promessa, você não a machucou, eu fiz isso!
Fale com o autor