Semideuses do Zeyggterasu

8 Não é preciso provar quem é, para levar a culpa


Notas iniciais
Quando o computador colabora, cá estamos... Quando não... Na Quarentena; deviam ter mais capítulos? Sim. Tenho muitos trabalhos de faculdade? Sim também. E agora?? Capítulo novo♥ ~Enjoy♥

—Eu não gostaria de me intrometer; mas, já me intrometendo. – A Oráculo começou. – O que vocês pretendem fazer? Porque ambição por algo que te faz imortal? E como isso prejudica a convivência com os outros Oráculos? Faz quanto tempo que vocês estão pensando nisso?

Peter e Thomas encararam Begpep que estava do lado esquerdo da Oráculo, ele estava com os braços cruzados para trás e tinha um sorriso estampado no rosto. Como se debochasse deles. Ela falava e os dois ouviam, porém, estavam bem nervosos com Begpep. Os dois foram pegos de surpresa quando estavam indo conversar com Brenton impedindo que ele fosse ele fosse falar com quem que fosse. Foi daí que a Oráculo os chamou deixando eles parados no meio do corredor, falta pouco para saírem para o pátio e tentarem alcançar o primo.
O Oráculo era uma figura muito importante em uma Sessão, e Vanessa Aspen era essa figura de muita importância na Sessão Grega. Todos precisavam da energia dessa figura que emanava sabedoria e previsões. E era um motivo muito forte para eles não darem as costas e simplesmente a ignorarem; ela podia também jogar uma praga, vai saber.

—O que esse egípcio te falou? – Começou Peter, interrompendo a garota. – Tudo o que ele contou foi mentira; tirando a parte que é verdade. – Thomas passou a mão no rosto.

—O que é verdade? – Perguntou Vanessa cruzando os braços. Foi aí que Begpep se esticou esperando uma resposta.

—Aan... O que ele não te falou. – Disse Peter sem olhar nos olhos dela.

—Ele não me falou nada. – Ela disse sutilmente, com aquela voz meiga e rígida. – Eu ouvi ele murmurando algo; refletindo sobre alguma coisa, segundo ele: “interessante”. E envolvia vocês dois. Então havia algo sobre imortalidade e achei vocês dois. Eu quem ouvi ele.

—Nós dois? – Perguntou Peter com a face de desacreditado.

—Sim.

—Cala a boca Peter. – Começou Thomas.

—Porque nós dois?

—Cala a boca... – Dizia Thomas.

—Nem foi a gente que fez nada; foi uma ideia. E realmente uma ideia muito boa; qualquer um ia aceitar.

—Ideia? – Vanessa ergueu uma sobrancelha. – Que tipo de ideia?

—Cala a boca...

—Tipo; como posso dizer; sabe o Quadro Inacabado? Nós. –Peter foi interrompido.

—PETER CARAIO! – Falou Thomas tampando a boca do primo e o afastando da garota com uma rapidez assustadora. Como um raio. – Custa você calar essa boa? – A Oráculo olhou assustada. – Parece que custa; você é muito estúpido, não é possível. Eu não acredito nisso.

—Ouh! – Exclamou Vanessa assustada. –Então é isso? O Quadro Inacabado? Sempre vamos sempre acabar falando dessa maldição? – Os garotos ficaram quietos e deram ombros. – Ele é a fonte da imortalidade? É por isso que estão com olheiras de quem ficou acordado a noite inteira. – Begpep deu um sorriso e Thomas franziu a testa.

—Você não devia andar com ele!

—Não?

Não? – Perguntou Begpep colocando a mão no peito com exprerssão de surpresa, e um falso sorriso entre sua expressão.

—Não! – Exclamou Thomas. – Ele é falso, estranho, medonho... Suspeito. – Ele olhou fixo para Begpep.

—Mas, ao menos, eu não tenho olheiras. – Vanessa olhou para Begpep que deu um sorriso pra ela; ela analisou o rosto de ambos.

—Ficou acordado a noite inteira?

—Eu não sou foco aqui. – Ele apontou para os gregos. – São eles.
Não era de hoje que Begpep saia da Sessão Egípcia, que era a sua Sessão e passeava por entre as Sessões durante a noite; assim que o sol se escondia, e sumia no horizonte, quando o deus Rá, realizava a sua viagem de volta para o Oriente, que era o local onde o sol nascia; era a hora que Begpep saia da sua cama e ia caminhando, até Rá tomar o seu lugar fazendo assim o sol nascer, então ele voltava para a cama; sabe-se lá o porquê ele fazia isso, a mais de um mês, na verdade durante todo o ano foi assim. E ele nem parecia cansado, nem sinal de exaustão, ao contrário de Thomas e Peter que estavam péssimos; ainda com pijama e mentalmente desnorteados.

—Mas, nós não estamos com olheiras... – Exclamou Peter assustado, Vanessa o olhou fixamente nos olhos, ele ia falar alguma coisa, mas, ficou sem palavras, respirou fundo enquanto Thomas passava a mão na cara.

—Então porque estão com olheiras se não ficaram a noite inteira acordados? – Perguntou Vanessa cruzando os braços com um olhar de desconfiança.

—Né, Porque? – Perguntou Begpep no canto, encostado na parede

—Acordados a noite inteira? – Peter deu um sorriso quase espontâneo, enquanto Thomas segurava em seu ombro. – Claro que não. Imagina... Nós acordamos junto com os outros!

—Peter querido; que outros? – Thomas queria sair daquela conversa absurda, mas; na verdade ele sabia que não podia. – Outras pessoas? Outros Semideuses? Que outros? – Por razões de não querer ser seguido pelo egípcio, e de não querer dar explicações do que eles iriam fazer após encontrarem Brenton, e pedir para ele ficar em silêncio, que se organizassem direitinho, os três sairiam beneficiados... Ele ficou ali. Observando Peter se afundar aos poucos, mesmo sendo filho de Poseidon.
Tinha que manter uma boa aparência, aliás, A Oráculo conversava com outros Oráculos, estes que tinham influência em outras crenças. E por esse caso, não queria ter a sua imagem manchada, por um equívoco de um egípcio influenciando a Oráculo.

—Hãn... Eu disse outros? Com essas palavras? Tipo; eu? Logo eu? – Vanessa ergueu uma sobrancelha e olhou para Begpep que fingiu estar surpreendido, ela deu um sorriu para o garoto que deu ombros sorrindo também. Thomas não gostou nada daquilo; estava muito claro que ele disse algo para ela; Aspen era muito tranquila e não desacreditava das pessoas fácil.

—Sim. Você disse. – Ela falou tranquilamente.

—É que eu estou ficando louco, é que o Thomas...

—Não... – Falou Thomas de braços cruzados. – Eu não...

—Ele esqueceu um material na oficina de Hefesto e estávamos procurando, sabe como é, né? Um cabeça avoada. – Thomas gemeu ao fundo irritado e Begpep observou aquilo como diversão. Ou uma espécie de confusão.

—Senhor água salgada; você está querendo enganar-me? – Ela se aproximou de Peter que engoliu secamente e mordeu o lábio inferior para não bostejar de sono. Ele sorriu.

—Verdade... – Começou Begpep olhando para o céu; onde eles estavam dava para um enorme teto de vidro, e dava para ter a noção do sol nascendo, pela cor do céu. Ele se voltou para os garotos. – Você, quer enganar ela? Nossa, que errado! Sabe? Eu vi vocês dois no hall antes de meia noite de ontem. Não pareciam estarem procurando algo.

—Porém, eu jamais enganaria você Aspen... Se ele me viu prova que estávamos procurando... Tipo... Até agora? –Thomas revirou os olhos e puxou Peter para trás dele e acenou para a garota.

—Estavam procurando problema... – Sussurrou Begpep.

—Egípcio... – Murmurou Vanessa, como se tivesse o corrigindo. – Não. Assim não. – Ele respirou fundo e acenou a cabeça concordando com ela.

—Bom dia cria do sol; começamos errado... – Falou Thomas. – Ignore totalmente tudo o que esse ignóbil falou. – Ele colocou os braços sobre o Peter como se fosse uma fita que barrasse a saída dele dali. – Sei que você não gosta de problemas e obviamente; achou algo suspeito vindo daquele ser de maquiagem. – Ele apontou para Begpep que fez um bico. – Que deve ter lhe deixado intrigada.

-Tudo certo; o que querem com a imortalidade? Algo que queira compartilhar comigo?

-Aan... Osh; Imortalidade? Ser imortal? Onde já se viu isso? Nós somos semideuses, e tá de bom tamanho, e também, a imortalidade deve ser chata... Para nós que não fazemos muita coisa.

—Veja só... – Disse Begpep. – Não foi o que eu ouvi... – Ele deu um sorriso debochado.

—Você tá ouvindo demais para o meu gosto esquisitinho. – O clima iria ficar tenso quando Thomas se recompôs. – Nós falávamos sobre fidelidade.

—Thomas... – Vanessa o chamou. – Ok; eu vou supor que tudo é invenção do Begpep e que Brenton e Thomas não estavam no mesmo caminho em que ele passava.

—Ele que fica por aí ouvindo, vagamundeando, espionando, interferindo e espalhando o que não deve e espalhando boatos que não foram lhe confidenciados. Ele nem é confiável, como é que você confia em alguém como ele que nem vai pra casa no verão, ganha troféus absurdos e tem aquela chama esquisita que.

—Oh. –Disse o garoto surpreso. – Eu sinto uma leve camada de inveja, mistura com arrogância, mentira e temperada de insultos que não serve para nada. – Ele esticou o corpo. – Foi muito divertido ficar vendo e ouvindo vocês se afogarem na frente da Oráculo. – Ele abriu a boca. – Forçou demais Thomas, se forçasse mais (...)

—Aan... Beg? – Chamou Vanessa, mas, ele deu dois passos para o lado e olhou para cima. – Não saia; não precisa sair. Ignore eles.

— O dia já nasceu; eu tenho que voltar para a minha Sessão. – Ele se curvou de modo formal. – Vou descansar... Não porque tentaram me ofender; mas, porque; foi o que eu falei que faria. – Ele ergueu as sobrancelhas saindo do hall quando ele parou e olhou para as mãos de Peter. – Bela arma. – Ele se assustou. – Mas, se for usar nas primárias do Torneio; “faça maior. ” – E ele disse essa última frase sussurrando, o que fez Peter se arrepiar e ao mesmo tempo s encolher; assim como Vanessa ficou triste e confusa da saída repentina dele.

Houve um minuto de silêncio, Peter riu.

—Ainda bem que não fui eu que estragou tudo dessa vez.

—Dessa vez? Dessa vez? Você quase. – Thomas foi interrompido subitamente

—Chega! Chega! Chega! Você reparou no que você falou? – Falou Vanessa, não nervosa, mas, com voz autoritária. – Você acha mesmo que essas palavras o farão melhor que o Begpep? Ele é fantástico e dessa maneira você não está sendo nem um pouco cavalheiro...

—Mas...

—Eu não vou perguntar o máximo do mínimo para vocês; porque está na cara que vocês não querem me responder. E tudo bem não o fizer, mas (...) – Ela parou de repente, e olhou para os garotos, olhou à sua volta; ela parecia perdida. Thomas estreitou os olhos.

—Ele fez de novo. – Ele resmungou.

—Fez o que? – Perguntou Peter sem entender. Só não estava mais desnorteado do que a garota que parecia perdida no tempo. Thomas segurou ela pelos seus braços com cuidado.

—Oi Vanessa; tudo bem? Você lembra de ter visto a gente antes? Eu, Thomas Nguyen e o Peter Sparks? – Ela parecia desnorteada. – Aspen?! – Ela olhou para ele assustada.

—Nguyen? Não estou...

—Eu sabia!

—Sabia do que?

—Que aquele cara fez alguma coisa com ela. –Peter olhou sem entender. – Eu não sei como ele fez, como ele faz. Só sei que ele encanta as pessoas ou com um sorriso, ou mexendo aquela cabeça pro lado. – Ele parecia furioso. – É uma feitiçaria poderosa...

—Tipo a do meio loiro-meio moreno? – Peter estava sugerindo Paul Black, filho de Nyx. Que era ou loiro, ou moreno, meio-a-meio. De fato. Mas Thomas negou com a cabeça. – Não?

—Não né Peter...

—Onde está o Begpep? O filho de Anúbis? – Aparentemente a Oráculo tinha voltado á sua lucidez, e também procurava algo em suas mãos. – Minha harpa!

—Sua harpa?

—Eu estava saindo do colégio, eu ia... – Ela hesitou e olhou para os garotos, delicadamente se afastado de Thomas e Peter os olhando estranhamente. – O que é que vocês dois estão fazendo essa hora da manhã aqui no hall dos treinos? – Houve um silêncio e Peter ia contestar, mas, Thomas não deixou.

—Oficina de Hefesto?

—Eu vou contar para o Cullen. – Ela apontou o dedo para eles. – Vocês nem deviam estar aqui.

—Olha... – Começou Peter, ele devia ter um argumento bom para tentar falar com Vanessa que estava completamente séria.

—Não no último antes das férias de verão. – Os dois pareceram surpresos. Aparentemente eles nem tinham se dado conta que passaram dois dias combinando uma missão, e os mandaram bem no último dia de, não podemos de aula, mas, no último dia de presença no colégio. – Aposto que vocês não arrumaram nada na Ala de vocês né? Nem as malas.

—Olha...

—Sparks, Nguyen; não me venham falara nada. Eu vou falar mesmo assim. – Ela se virou para trás. – Depois que eu achar a minha harpa. Bom dia, e tenham uma boa sorte; nos vemos no almoço. – E assim ela seguiu pelo corredor da Oficina de Hefesto; no final desse corredor havia uma saída que dava para os estábulos, do lado direito, já do lado esquerdo havia um templo, na qual não era cultuado nenhum deus especifico; mas, dali, dava para ver o nascer do sol, e era isso que ela queria ver. O fazia todos os dias; mas, como o sol já tinha nascido só foi atrás da harpa e observar os cavalos.

Quando Vanessa sumiu no corredor, Thomas respirou fundo e puxou Peter para irem atrás de Brenton, e com sorte ele não teria encontrado os monitores das outras Sessões.
Eles então correram em direção ás Alas, mas, depois Thomas se tocou que ele não se reuniria com os outros Monitores em uma Ala ou Sessão especifica, já que eram de locais diferentes, mas, sim, em um local aberto, como um hall ou uma Oficina. O problema era que colégio era enorme. E continuaram correndo mesmo assim. E só depois de passar por vários halls e dois refeitórios, foram encontrar Brenton em um pátio; com os monitores da Sessão Romana, Nórdica e Japonesa. Eles só olharam de longe, e sabiam que o estrago estava feito, até porque Cainan estava ali.

—Então, enviou um romano pra morte? Sem necessidade? – Perguntou uma garota com cabelos turquesa e olhos castanhos claros. Ela tinha uma espada na cintura e uma mochila de lado consigo e parecia muito irritada, tanto que ainda estava com a calma e a blusa do pijama, da cor amarela. Eles se esconderam atrás de uma pilastra do lado de uma estátua e ficaram ali.

—Eu? Não... Presta atenção Scarlet; eu nem estava aqui, estava de recesso. Vim pra cá para avisar vocês. – Cainan coçou a nunca disfarçando, e concordando com Brenton. Scarlet era a Monitora e responsável ela Sessão Romana inteira, ela era filha de Júpiter; o que fez Thomas morder o lábio inferior pela tensão que ela causava.

—Eu não acredito em nada que um filho de Hades diz... Nada contra você Cainan. – Falou um japonês de cabelos pretos com mechas verdes e olhos castanhos claros. Esse era o Martin, que também estava de pijama. Cainan balançou a cabeça negativamente.

—Thanatos! Sou filho de Thanatos. Morte; não mortos. –Brenton passou a mão no rosto.

—Mas, eu estou falando a verdade; eu de fato estava de recesso, se não quer acreditar, não acredite, não posso fazer nada... Aliás, posso sim; pergunta para o Cainan. – Todos olharam para Cainan.

Cainan deu ombros, e Peter e Thomas agradeceram por ele ter se feito de sonso.

—Como assim? Cainan; foi você junto com Thomas e o Peter... Você ouviu o que eu falei; não achou ruim?

—Ruim foi mandar semideuses para o carniçal grego de vocês! – Falou Scarlet irritada.

—Escutem aqui, eu não peguei ninguém no meio da noite e mandei para o meu bairro de graça não. Alguém mandou, estão todos machucados, gravemente feridos, e eu ajudei no socorro deles, eles foram pra lá porque alguém mandou.

—Eu vou fechar os meus olhos e tampar os ouvidos. – Disse um garoto loiro de olhos azuis claros, o nórdico, ele era o único que não estava de pijama, porque até Brenton estava de pijama. Seus cabelos estavam bagunçados e sua camiseta e caça estavam cheios de post it coloridos. E seus braços estavam vermelhos, como se ele tivesse tido uma alergia e coçado até sangrar. –Se for verdade o que disse, se um deles morrer; a culpa é de vocês e nós vamos tirar vocês do cargo de Monitores de Alas.

—Joseph Schulze! – Exclamou Brenton quando o nórdico disse aquela frase. – Você é mais que isso. Taboo estava enterrado, completamente afundado na terra. Vivo!

Vish... — Murmurou Peter quando Brenton falou aquilo, ele não sabia que foi tão grave assim; ele virou um pouco para o lado para tentar ver a reação de Joseph.

—Scarlet, Martin, Cainan.... Sério que vocês vão me culpar por algo que eu não fiz? Nem faria depois de tudo o que ocorreu e tudo o que já passou por aquela casa. Foi aterrorizante ver Jhon Leno completamente descapelado de um lado do corpo. – Cainan arregalou os olhos. – Eu tive que chamar gente dos outros bairros... Chamei até o Jae, o. – Ele foi interrompido

-Ronswell? – Perguntou Martin, Brenton acenou positivamente. – Nossa; aí você tem coragem. – Foi aí que Peter foi muito pro lado e acabou arranhando o cotovelo fazendo ele sangrar; foi tudo muito rápido e imediatamente ele tentou tampar o ferimento mas, Brenton riu e se virou pra trás, os outros, tirando Cainan não entenderam nada.

—Eu senti o cheiro do seu sangue Sparks; aparece. – Peter olhou para Thomas que pareceu nervoso enquanto o outro entrou em pânico. – Porque, se eu não estava aqui, só mais duas pessoas poderiam fazer essa barbaridade. Uma delas tá ali.

—Peter saiu de trás da estátua enquanto via aquele grupo fazer cara feia. – Ah não! O Thomas tá aqui também. – Ele apontou para a pilastra. – E o Cainan também deu autorização; a Alicia também tava na reunião para mandar todo mundo atrás do Quadro...

—Oh Boca de sacola! – Resmungou Thomas saindo da pilastra com uma cara de ódio. Brenton cruzou os braços e olhou para Cainan.

—Você tá de parabéns hein. – Ele fez uma cara imparcial, não ia falar nada para ele, mas, não deixaria de o encara-lo.

—Eu tô bem chocado hein gente... – Falou Joseph pegando um post it da camiseta e escrevendo algo nele. – Acho que isso vai dar um belo problema pra vocês viu. Acho tendo certeza.

—Nem sei mais o que dizer... – Começou Scarlet. – Fomos um pouco duros com você Brenton, mas, agora eu nem sei por onde começar. – Ela estava desnorteada.

—Vamos levar para o Conselho ué. – Falou Martin.

—Gente; só para eu saber, eu ainda vou ser Monitor? É que eu tenho que ir na enfermaria cuidar disso antes que eu pegue tétano e precise levar injeção... E eu não quero ficar ansioso.

—Só pra entender... Como ele virou Monitor? – Perguntou Joseph olhando para Cainan que deu ombros sem saber o que falar, aliás, a situação já estava péssima mesmo, ir para o Conselho não era a pior de tudo, ter sangue inocente na mão por puro capricho era. E aconteceu tão rápido.

*

Enquanto caminhava Begpep andava com a mão no peito, como se tivesse tendo um ataque cardíaco, lhe faltava ar, faltava força, ficar em pé doía e caminhar era insuportável; ele sabia o que poderia ser, por isso tentava andar o mais rápido que podia, cumprimentava todos que via, mas, não parava para conversar muito tempo, ele sabia que estava bem longe da sua Sessão, e isso era ruim. Ou nem tanto, se pegasse um atalho.

Óbvio que daria errado.

O Colégio era enorme, e depois da Sessão Grega, ele precisaria passar pela Romana, as Africanas que eram seis, e a Egípcia que é território Africano, mas, não tinha como contornar a Africanas para chegar na Egípcia, mas, ele podia ir pela Hindu, atravessando a Japonesa. Mesmo assim, não chegaria antes das nove da manhã; então ele pensou, parou e refletiu que SE passasse pela “Brasileira”. Mesmo assim, demoraria. Então ele decidiu que faria algo que ele não gostava de fazer... Atravessar pelas Alas. Encurtavam as voltas, e poderia chegar á sua Ala por dentro de uma das Alas.

—Vamos, errado você já está; mas, atrasado também. – Odiava pensar dessa forma. Ir pelas Sessões era longo, pelas Alas, um breve atalho. – É um labirinto lá dentro, você sabe; mas, tudo bem... – Ele apertou a pele do peito e respirou fundo. – De fato, atrasado sim; errado não.

Então ele deu meia volta e começou á correr pelas Sessões, um longo corredor longo, parecia uma rua, de falto, eram os corredores dos dormitórios de casa Sessão; ele começou a correr, e a pensar se ele virasse pelo lado esquerdo e entrasse na Ala de Obá o faria mais longe ou mais perto da sua; então ele parou de pensar. Ouvia risadas, gargalhadas, conversas altas, e um clima mais leve ali. Na verdade notou isso por todo o seu caminho até agora. Os Semideuses iam para casa, o ano letivo estava acabando, e isso era péssimo. Ele não estava na sua Ala.

—Bom dia Pep... – Uma voz serena soou pelo corredor chegando aos seus ouvidos, o fazendo parar de súbito procurando o dono da voz.

—Bya... Filha de Oxum, está linda. – A garota deu um longo sorriso, e ele ficou surpreso. –Bom... Dia?!

Nunca te vejo tão cedo...

—De fato! – Falou ele nervoso se recompondo, respirando fundo. A garota era muito bonita, de pele negra, cabelos pretos cacheados, e por uma mera ou não coincidência, uma mecha azul na frente. – Eu não deveria estar aqui, eu tenho que voltar antes que... – Ele colocou a mão no peito de novo. – Você me dá licença?

—Sim. – Ela colocou uma mecha atrás da orelha e colocou a cabeça no ombro e e ergueu uma sobrancelha. – Nós vamos pra casa hoje...

—É. – Ele disse tentando não mostrar que puxava ar com dificuldade. – Sim; pra casa, nos bairros...

—Vamos fazer uma grande festa pelas vitórias das Quaternárias... Você va né? Diz que vai pra casa e ir pra festa. Por favor...

—Oh! Pra casa... – Ele ia dar uma boa resposta, mais o coração pulsou com força doendo no peito. – Esse ano não sei, vou pensar. Viajar é um plano forte. Irei refletir... – Ela parou de sorrir. – Desculpa.

—Hunf. – Ela ficou séria. –Hun, refletir... – Ela revirou os olhos. – Então me deixa corada.

—Como é?

—Você é surdo? Me deixa corada. Vai...

—Grgh... Ok; tá bom... – Ele relaxou os ombros e soltou os braços, deitou a cabeça no ombro, deu um sorriso, deu uma piscada. – Tenha um bom dia Bya.

—♥Aaah! ♥ A garota deu um grito e se corou completamente caindo sentada no chão dando tchau pra ele, que se virou e voltou á correr.

Begpep riu e voltou á correr, ele riu porque esse era um pedido comum, mas, não tão na cara assim. Se ele corresse mais poderia ter um infarto, se não o fizesse teria do mesmo jeito, ele estava tão nervoso que quando viu a entrada da sua Sessão respirou fundo e acendeu a sua chama para tocar na porta para ela abrir e ele entrar.

Assim que a porta abriu, e a chama iluminou o local, três crianças correram para abraçarem Begpep que levou um susto, já que estava tudo um breu e a chama era a única que iluminava tudo.

—Rá derrotou Aphopis! – Então Begpep jogou a chama azul no ar, e aos poucos todas as janelas do hall e do salão da Sessão Egípcia fazendo os raios do sol iluminar tudo.

—Onde você tava Pep? – Perguntou uma menina de aproximadamente sete anos, Marie.

—Porque demorou tanto? – Perguntou uma menina de nove anos, Maya.

—O que houve no caminho? – Perguntou a outra menina de oito anos, Chyna.

Todas elas tinham olhos castanhos claros, cabelos pretos com uma mecha azul; porém, dali, só ele usava roupa típica egípcia, os demais usavam roupas normais, mais modernas, menos Begpep, ele parecia uma divindade do Antigo Egito, ele se agachou á altura delas.

—Eu estava na minha caminhada protegendo Rá como sempre. Demorei porque encontrei com o filho da Morte, ele não queria deixar eu seguir meu caminho, mas, aí então, a filha do Trovão Eslavo e da Oráculo do Sol, apareceram no meu caminho e eu consegui voltar. Mas, no meio do caminho, a filha de Oxum me impediu de sair do lugar. Tive que usar meu truque de “bom dia” pra poder voltar. Me desculpa, aqui estou! – Elas pareciam muito felizes em ver Begpep.

—Você é muito corajoso Pep. – Falou Marie

—Você é muito esperto Pep. – Disse Chyna.

—Você é muito bonito. – Falou Maya.

—Obrigado meninas. – Ele riu. – Agora, todo mundo se arrumando para... ir tomar café. – Ele colocou a mão no peito enquanto as garotas ainda a abraçavam antes de saírem dali. Quando ele se levantou, um garoto de cabelos vermelhos com mechas loiras olhava para ele. Ele tinha os olhos azuis e inúmeros hieróglifos tatuados em seu pescoço, ombros e pelo tórax, ele encarou Begpep que sorriu sem graça. – Eu cheguei.

—As Duas Verdades? – Ele acenou positivamente. As Duas Verdades era uma referência ao Salão das Duas Verdades; onde Anúbis fica supervisionando a pesagem do coração de um morto, se o coração fosse indigno, era devorado pela deusa Ammut. Talvez, Anúbis queria que ele sofresse um ataque de coração, ou que Ammut queria lhe pregar uma peça por sair à noite, apenas mortos transitam na noite. Era apenas uma teoria. – Antes do Sol nascer Escaravelho! Antes dele nascer! É fácil para os menores, mas, eu fico bem preocupado; tá? – Ele passou a mão no cabelo sem jeito, o Monitor da Sessão Egípcia estava entre preocupado e muito aliviado.

—Eu tentei, mas, não deu. – Begpep abaixou a cabeça sem saber o que dizer. – Chegou um momento que cogitei vir pela Sessão Africanas. – O garoto pareceu surpreso. – Cogitei; eu não vim. – Ele prensou a mão no peito de Begpep e deu uma meia volta em seu peito fazendo assim aliviar a dor e pressão que o coração estava causando. – Auh! Cada vez dói mais. Ou você está muito forte, ou eu estou muito... – Ele olhou para cima. – Cansado? – Ele riu.

—Então na próxima vez; não corra tanto. Nem fale com muita gente. Ande, reto... – Ele sorriu.

—Que culpa eu tenho que eles gostam de falar comigo? – Ele deu um sorriso e fez uma expressão de sarcasmo, misturado com deboche. Ele arqueou as sobrancelhas, foi aí que o seu cabelo ficou azul, por completo, de repente. – Opa! Não, não... – Begpep respirou fundo, e tentou acalmar a sua euforia, só depois de um tempo, o cabelo voltou a ficar preto. – Por Nut! Você viu isso?

—Vai dormir; a sua caminhada hoje foi dolorida e cansativa. – Wilgner parecia tão surpreso quanto ele.

—Mas, você viu isso né?

—Eu vi Pep... Eu vi, foi na minha frente. – Houve uma pausa enquanto Begpep passava a mão no peito, não doía mais, o toque era diferente, o filho de Rá o observava cautelosamente. – Eu vou te perguntar uma coisa; que eu sei que a resposta vai ser não mais...

—Não precisa perguntar; eu sei o que é... – Ele esticou o corpo se espreguiçando. – E não tem porque eu sair daqui para aproveitar o verão... Eu vou ficar bem.

—Só que você não está bem Begpep.

—Sair para o verão não me fará me sentir melhor, Wilgner. Ficarei bem aqui.

—Ficar aqui não irá te ajudar. – Begpep sentou em uma poltrona que havia no hall onde estavam.

— Sabe; hoje duas garotas foram gentis comigo.

—Gentis?

—Sim. Gentis. Uma me chamou de Beg, e a outra me defendeu. Gentileza isso, não é?

—Empatia. Isso se chama empatia. – Wilgner sorriu para ele. – Significa que se importam e respeitam você.

—O filho fúnebre esquisito? – Ele riu. – Quase isso não?

—Não! É Um Semideus Excepcional. É com isso que elas se importam. Esquisitos todos nós somos, e tá tudo bem. – Begpep ficou sem jeito com as palavras. – E seria ótimo se esse Semideus excepcional fosse para casa nesse varão como todo mundo.

—Preciso pensar.

—Que tal dormir, pensar e no almoço já estar de malas prontas? – Ele fez um bico. – É o que?

—Sabia que o Quadro Inacabado pode conceder imortalidade? E que ele está em uma casa assombrada do Bairro Grego? – Wilgner riu.

—E quem disse que nós temos medo de assombração? – Ele ergueu uma sobrancelha. – Ora, Ora; gregos como sempre tão ambiciosos... – Ele estralou os dedos. – Sabe quem precisa saber disso?

—Mateus Silva?

—O próprio Conselheiro.

—Oh! Que pena.

—Vai dormir que tu não vais. – Falou Wilgner apontando para os dormitórios, Begpep pareceu surpreso. – Fazer o que, você atrasou Escaravelho...

Notas finais
♥Eu sempre direi; estou aqui para vocês. Lady é o meu nome, a minha imaginação é extremamente expansiva e criar é o meu sobrenome♥ Semideuses, cá estamos, e assim, aos poucos começamos o verão na história. ~♥~Um Beijo da Autora. ~♥~