Semideuses: A coroa Perdida.
6 A grande Missão.
Notas iniciais
Capitulo seis: a grande missão.
Não fazia ideia de como tudo aconteceu. Clarisse me disse que as vezes os nossos pais divinos se lembravam que agente existia e nos proclamavam como filhos, mas não fazia ideia de que seria assim “Puff, sou filha de Apolo”. Depois de hoje creio que minha vida vai mudar.
Começando pela mudança de chalé, pela mudança de companhia e de acordo com Will a mudança de atividades. Os que ficam no chalé dos novatos não fazem nenhuma atividade obrigatória, eles na verdade fazem o que eles querem. Já os que já sabem que são seus pais tem atividades. Por exemplo todos no chalé de Apolo tem que saber atirar com o arco, temos aula de mira todos os dias as 10 da manhã.
– aqui é seu novo lar – disse Will parando na porta do chalé que era brilhante de mais para meus olhos – seja bem vinda!
Ele abriu a porta e me deixou entrar. Eu imaginei que todos os chalés eram como o chalé dos novatos, mas eu estava errada, muito errada. O chalé de Apolo, era esquisito por fora, mas por dentro... nossa, ele descia três andarem para baixo com uma escada em espiral dourada como a estrutura por fora. No primeiro andar em cima ficava os beliches, haviam mais de 20 campistas ali, eram todos meus irmãos. Todos muito parecidos comigo, cabelos dourados, uns eram lisos, outros ondulados e cacheados. Os olhos iam de uma cor de mel para um verde bem claro.
– essa é a nossa nova irmã – disse Will para todos os seus irmãos, que correram ate mim e sorriram. Havia muitos da minha idade e outros não passavam dos 12 anos. Era engraçado como se pareciam comigo.
– de onde você veio? – perguntou uma das crianças, parecia ser a menor.
– qual é seu nome? – perguntou um menino pequeno como a garotinha. Eu consegui sorrir para eles.
– me chamo Deborah – falei – mas podem me chamar de Debby, sou do Canadá.
– uau! É frio lá? – perguntou outro que parecia ter a minha idade.
– nunca fui ao Canadá – disse outra menina que era um pouco mais velha que eu.
– que incrível – disse a menininha menor de todos.
– pessoal, vamos deixar a Debby descansar – falou Will. Todos abriram caminho para eu passar, minhas coisas estavam na cama de baixo de um beliche no final do corredor, antes da porta do banheiro.
Em cima de mim tinha uma menina, ela não era nada parecida com os outros, tinha cabelos mais escuros, um castanho. Ela se levantou e sorriu para mim, seus olhos eram verdes bem vivos.
– bem vinda ao chalé da luz – disse descendo de sua cama. Ela era mais alta do que eu, seus cabelos caiam nos ombros formando lindos cachos.
– obrigada – falei sorrindo.
– meu nome é Bianca – falou – e o seu?
– Deborah – falei.
– Debby – disse – que nome legal. Todos aqui podem encurtar o nome e formar um apelido legal. Por exemplo Will vem de Willian, Catarine, Cath. E o meu é Bianca. Como fica?
– Bi? – sugeri. Ela sorriu depois tocou no meu ombro.
– Bi? Serio?
– é melhor do que não ter – falei. Ela riu alto.
– ótimo, gostei de você Debby – ela sorriu – já conhece o chalé?
– ainda não.
– então o que está esperando, vamos, vamos, deixe eu te mostrar tudo.
Ela saiu me arrastando ate a escada em espiral, descemos ate o ultimo andar para baixo onde havia um arsenal de arcos e outras armas feitas de bronze. Um banheiro e mais beliches ali em baixo com mais campistas, esses pareciam ser bem mais velhos do que os que estavam lá em cima.
– veteranos – chamou Bianca. Os campistas usavam a mesma camiseta laranja só que atrás delas estavam escritas veteranos – essa é a nossa nova irmã.
Eles me olharam. Mais uma vez um monte de olhos cor de mel miraram em mim.
– olá, seja bem vinda – disse uma veterana com cabelos negros presos em uma trança que caia nas costas.
– obrigada – falei.
– o que trás você aqui em baixo, Bianca? – perguntou a veterana olhando para a menina.
– ah, mana, qual é? Vim mostrar a nossa amiga Debby o chalé – respondeu Bianca.
– deixe que eu assumo daqui – falou a veterana – meu nome é Gaby, sou a líder do chalé de Apolo.
– pensei que fosse o Will – comentei.
– ele assume uma parte – ela sorriu – como pode ver aqui em baixo fica os veteranos, como somos veteranos? Já passamos mais de 10 anos vindo para cá. Eu me lembro que tinha 10 anos quando vim para cá a primeira vez. Eu já fui em muitas missões e hoje larguei isso, fico dando aula de arco e aqui em baixo junto com a minha geração de amigos, trabalho com as armas que usamos.
– ela não gosta que os filhos de Hefesto façam os nossos arcos – explicou Bianca pegando um arco de madeira simples.
– é – Gaby pegou o arco das mãos de Bianca – eles são muito grosseiros quanto a isso, o arco tem que ser leve e delicado, não como aquelas coisas que eles fazem para os filhos de Ares. Aquilo não é um arco. Mas você não quer saber o que é e o que não é um arco não é?
Percebi que Gaby apesar de ter seus 20 anos ainda sofria de TDAH como todos os outros semideuses. Ela não parava de falar e as vezes não fazia sentido o que ela falava.
Depois de ouvir todas as historias dela sobre como salvou o acampamento e o olimpo milhares de vezes eu olhei para Bianca e pedi ajuda com o olhar, ela entendeu mesmo que esteja prestando a atenção no que Gaby falava.
– eu fiquei parada sem saber o que fazer quando um filho de Ares idiota usou a sua única flecha e me salvou – falou Gaby.
– e esse filhos de Ares é seu namorado ate hoje – comentou um outro veterano. O rosto de Gaby ficou corado.
– só porque ele me salvou – falou – enfim, mas isso aconteceu faz uns 3 anos atrás. Foi meigo, porque depois de um bom tempo indo em missões com ele, pela primeira vez ele fez o que era certo.
– o que? Te beijo? – perguntou Bianca – eu ouvi boatos de que foi você que pulou no pescoço dele.
– vai sonhando – disse Gaby – eu nunca ia beijar um filho de Ares, foi ele que me agarrou.
– você gostou porque está com ele ate hoje – disse o mesmo veterano de novo.
– cale a boca Tomy! – gritou Gaby.
Ela olhou fixamente para a escada, no pé da escada estava Will, ele sempre tinha um sorriso no rosto, mas agora estava de cabeça baixa e com um olhar distante.
– o que foi Will? – perguntou Gaby ficando de pé.
– Quíron quer falar com você – respondeu Will olhando para mim – é melhor ir logo.
– comigo? – perguntei.
– sim – respondeu Will.
Eu me levantei e fui com ele ate a casa grande no alto de uma colina, ela ficava ali para que todos pudessem ver. Na saca estava um homem em uma cadeira de rodas, os cabelos castanhos e a barba comprida, era o mesmo homem que era metade cavalo, fiquei me perguntando como ele cabia ali, mas tentei não pensar nisso.
– venha aqui minha jovem, quero conversar com você – falou olhando para mim. Eu subi as escadas do pátio que rodeava a casa e fui ate o homem na cadeira de rodas ele sorriu e me levou para dentro da casa, olhei para trás e vi Will virar-se de costas e voltar correndo para o nosso chalé que brilhava.
Dentro parecia uma casa comum de madeira, bastante espaçosa e cheia de coisas, Quíron me levou para uma sala aonde havia maquinas de fliperama na parede, uma lareira, uma mesa de tênis no centro rodeada de poltronas de varias cores. Sentado em uma poltrona estava um homem que usava uma camisa de oncinha e uma bermuda preta, usando meia que ia ate o joelho e uma chinela, o senhor D. ao seu lado segurando uma lata de diet coke, estava Chie e do outro lado estava Rick.
– ela finalmente chegou – falou o senhor D – sente-se.
Eu me sentei em uma poltrona de frente para o deus, ele sorria, mas estava serio ao mesmo tempo. Como ele fazia isso eu não sei e não queria perguntar, ele conseguia ser mais maluco que o sátiro que corre atrás dos campistas com um taco de baseball.
– porque nos chamou aqui senhor? – perguntou Rick.
– tenho um pedido direto do Olimpo para vocês – disse o deus – sempre é uma honra para um semideus trabalhar para os seus pais, não é?
– o que é dessa vez? – perguntou Rick – o que eles querem de nós?
– você é rápido meu rapaz – disse o Senhor D sorrindo para Rick – bem temos um grande problema no olimpo.
– novidade – disse Chie.
– realmente, sempre temos grandes problemas – disse o senhor D – mas esse é serio.
– qual o grau de problema? – perguntou Rick.
– Hera está furiosa com Zeus porque ele perdeu a coroa dela – respondeu o senhor D.
– e o que isso tem haver com nós? – perguntou Rick.
Nesse mesmo momento alguém passou pela porta, era uma bela mulher com cabelos castanhos e olhos cintilantes, usava um vestido belíssimo que tinha vários tons de pastel, seus cabelos estavam presos em uma trança que caía nas costas, ela se sentou em uma poltrona e conseguiu sorrir, mesmo que aquele sorriso seja forçado.
– Hera? – perguntou o senhor D de boca aberta, ate ele não imaginava que a rainha dos céus ia aparecer ao vivos e em cores – o que faz aqui?
– vim pedir a ajuda para esses semideuses – respondeu a rainha olhando para nós – eu não gosto de pedir ajuda para um semideus filho de meu marido, mas para essa missão você é muito importante.
– o que você quer? – perguntou Rick. Parece que ele não gosta de Hera – diga logo.
– como Dionísio disse, Zeus perdeu a minha coroa – disse Hera – e o pior de tudo que ele perdeu a minha coroa quando estava tirando férias em uma ilha com outra mulher!
– duvido muito que meu pai tenha perdido a sua coroa – disse Rick.
– ele DIZ que perdeu – falou Hera – mas tenho certeza de que não... na minha opinião Zeus foi besta, deixou que levassem a MINHA coroa.
– um roubo – disse Chie – mas minha senhora, o que isso tem haver com agente?
– já vou chegar aí – disse a rainha olhando para Chie – para mim enquanto ele estava com OUTRA mulher na NOSSA ilha, alguém deve ter entrado no nosso templo de lá e pego a minha coroa.
– ela é tão importante assim? – perguntou Rick — é só uma coroa porque não manda fazer outra?
– querido – disse Hera tentando parecer calma – aquela coroa tem o poder de trazer qualquer coisa de volta a vida.
Todos ficaram calados. Ela sorria para Rick o desafiando, não entendo como ela pode parecer tão calma em uma situação dessas.
– viu ate você entendeu – disse a rainha sorrindo para Rick – pena que Zeus é tão tapado que ainda não percebeu o risco que estamos correndo. Infelizmente não posso sair do olimpo e ir atrás de minha coroa, mas ainda sinto a sua presença em algum lugar perto da nossa ilha.
– e aonde fica essa ilha? – perguntou Chie. Eu não gostei do sorriso que a rainha deu. Ela estalou os dedos e na mesa de tênis apareceu um mapa dos EUA em sua mãos apareceu uma caneta de pena e ela rabiscou um triangulo em uma parte do mapa perto da Florida. Todos nos aproximamos, era o que eu estava pensando?
– triangulo das bermudas – falou eu, Rick e Chie juntos.
– exatamente – disse a rainha – a nossa ilha fica bem depois – ela fez um circulo no mapa depois do triangulo – é uma ilha bem pequena invisível para o olho dos mortais. Tenho certeza de que a minha coroa ainda esta aqui – ela fez um X no meio do triangulo.
– como pode ter tanta certeza? – perguntei.
– se há um lugar para os nossos inimigos esconderem algo tão valioso é este lugar – respondeu a rainha.
– porque ali? – perguntou Chie. Os olhos dela iam de um lado para o outro analisando tudo que podia – espera... triangulo das bermudas, lugar conhecido por ter muitos desaparecimentos de barcos sem explicações, para os mortais é claro, mas para nós... aquele lugar...
– mar de monstros – disse Rick – você quer mandar agente para o mar de monstros?
– tenho que pegar minha coroa de volta, como eu sei que é uma armadilha para pegar os deuses, não sei porque, mas os monstros andam muito quietos ultimamente, eu não posso ir lá pessoalmente.
– se sabe que é uma armadilha porque quer mandar três semideuses nessa missão suicida? – perguntou Rick.
– porque eu só tenho vocês agora – respondeu a deusa, ate Rick ficou surpreso com a resposta – o melhor filho de meu marido, mais corajoso e forte, a filha mais inteligente de Atena e a nova filha de Apolo.
Eu entendo porque ela escolheu Rick, ele é forte experiente e valente, entendo porque Chie, ela é inteligente e pelo o que parece forte também, mas e eu? Acabei de saber que meu pai é Apolo, não tenho nenhum poder em especial, sou fraca e covarde porque eu?
– porque seu pai viu ótimas qualidades em você – disse Hera como se lesse meus pensamentos – ela apostou e você. As parcas falaram um dia que eu ia ter que contar com a ajuda de três semideuses, um deles ia ser o meu pior pesadelo – ela olhou para Rick – a outra ia ser o elo que une o trio – ela olhou para Chie – e a ultima ia ser a menina que ia provar seus valores – ela olhou para mim – Apolo teve uma visão há muito tempo atrás, a visão de que um dia ele ia ter uma filha que salvaria a rainha dos céus. Por isso Debby, conto com você.
Uau. Existe milhares de filhas de Apolo, como ela pode ter certeza que sou eu? Como isso é possível? Queria perguntar, mas eu resolvi me conter e escutar com atenção o que a deusa tinha ainda para falar.
– por favor recuperem a minha coroa – disse a rainha – estou pedindo por favor, temo que o pior pode acontecer se ela for usada.
– o que pode acontecer? – perguntou Chie – se ela for usada?
– o maior inimigo de todos os tempos pode acordar e pedir vingança – disse a rainha – para isso ele precisa de todo o poder do mundo, a minha coroa, o raio de Zeus, os símbolos de poder de cada deus para poder despertar, e se isso acontecer... creio que o nosso mundo pode acabar. Vocês não querem ter todos que vocês amam mortos, ou querem?
Ninguém respondeu. Eu pensava que ia ser uma missão simples, de ir atrás da coroa perdida da deusa do casamento, mas reparei que ela significava mais coisas do que eu podia imaginar. Fim do mundo, destruição dos deuses, morte de todos que eu amo, sim não era uma missão comum, tínhamos que recuperar a coroa ou tudo estava acabado.
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